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Mensagens

A mostrar mensagens de 2010

Problemas de Filosofia Política

"A Filosofia Política é a disciplina filosófica na qual se discute o modo como a sociedade deve estar organizada. A melhor maneira de abordarmos esta disciplina (como quaisquer outras) é conhecendo os problemas de que trata. Antes disso, farei algumas considerações sobre a natureza deste problemas.
Os problemas de Filosofia Política possuem um elevado grau de generalidade e de abstracção: isto significa que não se trata de analisar problemas sociais e políticos contextualizados num dado país ou num determinado momento mas, antes, de reflectir sobre questões social e politicamente transnacionais. Os problemas de Filosofia Política são, sobretudo, problemas conceptuais, por oposição aos problemas empíricos tratados em disciplinas como a Ciência Política, a Sociologia ou a Economia. Por muito que observemos as sociedades, ou por mais que descrevamos os seus sistemas políticos, não encontraremos resposta para a questão fundamental da Filosofia Política: como deveremos organizar a soci…

Religião e Filosofia da religião: busca de sentidos.

O Homem não se auto justifica na Vida. É essa realidade que o leva à constante procura de um sentido perante o absurdo e a incerteza dos dias. Algumas questões tornam-se imperativas para uma abordagem ao problema do sentido e da existência: Vale a pena viver? Qual o propósito do nosso existir? De onde vimos, nós e o mundo e para onde vamos? Os conceitos da vida e do mundo são produto de factores religiosos e éticos herdados do processo de educação; a filosofia, neste assunto pode surgir como intermediário entre as teologias e a ciência. A primeira, partindo muitas vezes da "tradição" e da "revelação", especula  sobre assuntos a que o conhecimento exacto não conseguiu até agora responder cabalmente. Entre a teologia e a ciência existe uma zona nebulosa exposta aos "ataques" de ambos os campos: a filosofia: muitas das questões de interesse para espíritos especulativos são de uma índole a que a ciência não pode responder, e as respostas dogmáticas dos teólog…

Sugestão para as férias (4)

Quais os valores que os mitos deixaram para a sociedade contemporânea? Qual a influência dos mitos hoje? Na obra "Mito e Significado", (5 conferências), Claude Lévi-Strauss interpreta alguns mitos e tenta descobrir o seu significado para a compreensão da natureza humana. "Abordando temas que possibilitam analisar as relações entre Mitologia e Ciência, Mitologia e História, Mitologia e Música, combinando o conhecimento histórico, antropológico e filosófico, proporciona uma nítida e penetrante perspectiva do mundo ocidental contemporâneo".

Sugestão para as férias (3)

O romance de Orwell "1984" faz parte dos livros fundamentais à cultura política de qualquer cidadão. A obra, quer em livro quer em filme (espreita os videos ao fundo do blogue), vale todo o tempo que lhe dedicarmos.
"A partir duma visão futurista daquilo que seria o mundo em 1984, este filme dá-nos a imagem de uma sociedade totalitária, num mundo tripartido e em constante estado de conflito, através do olhar de um funcionário do partido no poder. O amor acaba por se tornar um acto de rebeldia e dissidência, quando Winston Smith se apaixona por um outro membro do partido, Julia, quebrando assim as regras impostas pelo partido. Esta relação acaba por levar Winston a questionar aquela sociedade, mas o olhar do BIG BROTHER é omnipresente e acaba por levá-lo a sentir na pele o que acontece a todos aqueles que quebram as regras que lhes são impostas. Um dos maiores romances de ficção científica de crítica ao totalitarismo numa adaptação ao cinema."
Realização: Michael Radf…

Sugestão para as férias (2)

Em livro ou em filme (espreita os videos ao fundo do blogue), uma obra "obrigatória" a qualquer estudante pré-universitário: "O triunfo dos porcos" ou, numa outra tradução, "A quinta dos animais" de George Orwell.
"Fartos de serem os joguetes do capricho humano, os animais da "Manor Farm" revoltam-se contra os seus proprietários, expulsando-os das suas terras e criando uma sociedade de igualdade e liberdade. Mas aquilo que poderia ser a realização de um sonho de emancipação torna-se um pesadelo quandos os porcos assumem o poder e expulsam o líder revolucionário Snowball das suas terras, manipulando a mente dos outros animais através da sua propaganda e explorando-os até aos seus limites. Napoleão torna-se assim o líder de uma sociedade que se tornou tudo menos igualitária, e onde o despostismo dos porcos é igualado, em certo ponto, ao despotismo humano. Um fábula que se tornou um dos maiores hinos críticos do regime totalitário."
Realiza…

Sugestão para as férias (1)

No âmbito dos valores Ético-políticos, uma sugestão de leitura para as férias: "As origens do totalitarismo" de Hanna Arendt.
"Escrita em 1951, esta obra trouxe um contributo fundamental para a compreensão do totalitarismo, tanto no caso soviético com a luta de classes, como no nazismo com a luta de raças. Hannah Arendt apresenta um quadro completo da organização totalitária, a sua implantação, a propaganda, o modo como manipula as massas e se apropria do Estado com vista à dominação total. A sua crítica da razão governamental totalitária ainda hoje é pertinente, numa época onde vigoram regimes com estas características e, mais do que isso, num terreno onde a democracia liberal não afastou por completo os vestígios de uma ideologia de terror que torna o homem supérfluo. Com a sua lúcida análise, percebemos por que motivo o campo [de concentração] se encontra no âmago do totalitarismo.
No final Arendt deixa uma «profecia» desconcertante: «As soluções totalitárias podem mui…

Liberdade de expressão: WikiLeaks (argumentação desfavorável)

"A divulgação via Internet - e, portanto, acessível a qualquer cidadão de um país democrático e onde exista liberdade de expressão - de documentos classificados como secretos pelo site WikiLeaks (imagina-se que o nome seja uma paródia de gosto duvidoso à Wikipedia) inaugurou a era do terrorismo digital. Explicarei - naturalmente - esta afirmação em três pontos. Até porque estou consciente de que as posições assumidas por alguém como o fundador da WikiLeaks (um personagem de passado complexo e que chegou a abandonar em directo uma entrevista da CNN, mas cujos documentos foram antecipados pela Al-Jazeera) assumem, para algumas das franjas da opinião pública, um sentido quase quixotesco. Se mal explicadas, podem aparentar uma ideia de luta desigual entre poderosos e indefesos: uma espécie de versão do Robin dos Bosques da era digital. E esta é - obviamente - uma linha de raciocínio que apresenta tanto de enganador como de perigoso. Vamos, então, aos três pressupostos da minha tese. …

Liberdade de expressão: WikiLeaks (argumentação favorável)

" 1. Como cidadão, quero ter toda a informação possível. Como jornalista, acredito que não devo esconder qualquer informação. Aceito que haja pessoas, não jornalistas, que gostem da primeira parte e defendam a selectividade na segunda, de acordo com os seus muito veneráveis interesses económicos, políticos e até partidários. É, no entanto, um desconforto reconhecer que continuam a existir jornalistas que se acham no direito de decidir quando, porquê, em que conjuntura, uma determinada informação é boa ou não interessa. "Porque é da fonte x", "porque interessa à pessoa, ou instituição, y". E eles, arautos da verdade, que a existir lhes teria sido outorgada por direito divino, registam umas e escondem outras de acordo com preconceitos, medos ou dependências - ou até na superior função de regularem o funcionamento do mundo. "Pois se do outro lado não se sabe nada..." O caso das chamadas escutas a Belém, a nível doméstico, foi bem elucidativo a esse resp…

Valores Ético-Políticos - "Política sem valores" - (Inês Pedrosa)

"Para que a política se torne uma vocação mobilizadora, terá que assumir uma cartilha ética mínima. Provavelmente nunca a teve: "O Príncipe" de Maquiavel é ainda estudado como uma espécie de bíblia do poder; foi-o em monarquias totalitárias. Mas não se adequa à democracia, menos ainda aos tempos complexos que vivemos, em que a economia internacional domina a política - porque os políticos se encostaram às boxes e se deixaram engolir pelo fascínio do capitalismo. A erosão dos modelos de sociedade pré-fabricados que foram incapazes de entender os sonhos e as necessidades dos indivíduos levou a um discurso apocalíptico e precipitado sobre o fim dos 'valores'. Esse discurso nasce da insegurança e do medo face à mudança civilizacional em curso no Ocidente a partir da segunda metade do século XX - que, pelo contrário, consiste numa preocupação inédita com as condições de vida das pessoas, sem distinção de sexo, idade ou etnia. A Carta dos Direitos Humanos tem pouco ma…

Fernando Pessoa - 75 anos depois da morte (Valete, Fratres!)

Horizonte O mar anterior a nós, teus medos Tinham coral e praias e arvoredos. Desvendadas a noite e a cerração, As tormentas passadas e o mistério, Abria em flor o Longe, e o Sul sidério 'Splendia sobre sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longínqua costa Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta Em árvores onde o Longe nada tinha; Mais perto, abre-se a terra em sons e cores: E, no desembarcar, há aves, flores, Onde era só, de longe a abstracta linha.

O sonho é ver as formas invisíveis Da distância imprecisa, e, com sensíveis Movimentos da esp'rança e da vontade, Buscar na linha fria do horizonte A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte Os beijos merecidos da Verdade.


NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto …

«Que valores para este tempo?»

Desde sempre, a humanidade, em todas as culturas e em todas as épocas, aspirou à “verdade”, ao “bem” e ao “belo” e isso significa que há um "mínimo de valores universais", muito embora formulados de diferentes maneiras. Tais valores transcendem o homem individual e constituem princípios universais que fundamentam o respeito pela dignidade humana, embora esta não tenha sido entendida da mesma maneira em todas as épocas, nem extensiva a todo o ser humano ao longo da história da humanidade. A Fundação Calouste Gulbenkian organizou uma conferência subordinada à pergunta«Que valores para este tempo?». "Estiveram entre os convidados, Cavaco Silva,Eduardo Lourenço, Rui Vilar, Robert Kagan, António Coutinho, John Keane, Jean Petitot, Paulo Tunhas e João Lobo Antunes." (in tsf.pt). 

Existe uma crise de valores e referências estáveis?

"Tem sido dito que o discurso sobre a crise dos valores se repete ciclicamente e que todas as gerações tendem a ver nas gerações seguintes um abaixamento dos padrões. Tem sido dito que o discurso sobre a insegurança e a criminalidade é um recurso fácil de políticos para angariar votos através da exploração dos sentimentos de insegurança. Tem sido dito que a sensação de deriva é apenas produto das profundas transformações económicas produzidas pela globalização da economia, e que a verdadeira fonte de insegurança é económica e social, não intelectual e moral.
Não posso entrar aqui numa discussão detalhada destes argumentos. Não concordo com eles, mas penso que devem ser tomados em conta, especialmente como freios e contrapesos contra o argumento que eu próprio vou aqui defender: o de que há uma crise de valores. Todos os argumentos, incluindo obviamente os meus, podem tornar-se enganadores, e as suas consequências práticas podem tornar-se indesejáveis, se forem exagerados. É bom, p…

À atenção dos meus alunos

A morte ganha tanto mais sentido quanto mais a nossa vida o tem.
Amanhã, dia 22 de Novembro, não me é de todo possível ir às aulas. O calendário dos testes não sofre qualquer alteração. Agradeço a todos os alunos que lerem esta mensagem que passem a palavra aos colegas.
Obrigado

Valores vitais - breve olhar da filosofia contemporânea

"Valores vitais ou da vida. São aqueles valores de que é portadora a vida, no sentido naturalista desta palavra, isto é, Bios. Cabem aqui o vigor vital, a força, a saúde, etc. Como se sabe, foram estes os valores que Nietzsche reputou os mais elevados de todos na sua escala axiológica, como os únicos mesmo. E ao que se chama biologismo ético ou naturalismo." in paginasdefilosofia.blogspot.com
Segundo Nietzsche, a sociedade está "impedida de pensar. Para existir liberdade, o Homem tem que "matar Deus", livrar-se do racionalismo helénico!
Nietzsche quer destruir o racionalismo e a moral. A arte, pela sua natureza, é o lugar onde o homem se despe dos preconceitos pois o lado racional e moral ficam em segundo plano ou até desaparecem. Com isto acaba por propôr que se acabe com a filosofia ocidental, racional e marcada pela religião, destruindo a "verdadeira" natureza humana.
Como solução aponta ao Homem os valores vitais contra os valores morais. Estes úl…

A Religião e os valores

"Aos valores religiosos não adere nenhum dever-ser. Não são valores de um dever-ser mas de um Ser, como refere Hessen em "Filosofia dos Valores". Nisso se afastam dos valores éticos, para se aproximarem dos estéticos. No entanto, a realidade do sagrado não é, como a do belo, apenas uma realidade aparente, mas uma realidade no mais eminente sentido desta palavra: o sagrado/divino é, ao mesmo tempo, valor e ser." in agora-m.blogs.sapo.PT Deveremos começar por definir a religião como um conjunto de crenças e práticas referentes ao sobrenatural, quase sempre organizadas como doutrinas, seguidas por uma comunidade de crentes que agem em busca de uma salvação e ou libertação, projectando os seus valores a toda a humanidade.
A expeirência religiosa surge essencialmente de duas fontes: a sociedade e a consciência. O meio em que nascemos marca-nos de forma muito clara bem como a consciência da nossa finitude nos diversos níveis, podendo despertar-nos para uma outra dimensão d…

Valores Estéticos - (A Estética)

Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento

O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e

só entram nos meus versos as coisas de que gosto

O vento das árvores o vento dos cabelos

o vento do inverno o vento do verão

O vento é o melhor veículo que conheço

Só ele traz o perfume das flores só ele traz

a música que jaz à beira-mar em Agosto

Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento

O vento actualmente vale oitenta escudos

Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto.


Ruy Belo

"A estética começou por ser sobretudo uma "Teoria do Belo", depois passou a ser entendida como "Teoria do Gosto" e nos nossos dias é predominantemente identificada com a "Filosofia da Arte".
Há fortes razões para considerar que estas três formas de encarar a estética não são apenas diferentes maneiras de abordar os mesmos problemas. É certo que gostamos de coisas belas que também são arte, mas não deixa de ser verdade que as coisas que consideramos belas, aquel…

Os valores Éticos

“O homem vive, toma partido, crê numa multiplicidade de valores, hierarquiza-os e dá assim sentido à sua existência mediante opções que ultrapassam incessantemente as fronteiras do seu conhecimento efectivo. No homem que pensa, esta questão só pode ser raciocinada, no sentido em que, para fazer a síntese entre aquilo que ele crê e aquilo que ele sabe, ele só pode utilizar uma reflexão, quer prolongando o saber, quer opondo-se a ele num esforço crítico para determinar as suas fronteiras actuais e legitimar a hierarquização dos valores que o ultrapassam.”
Jean Piaget, Sageza e Ilusão da Filosofia

Os valores éticos reportam-se às normas e critérios de conduta que abarcam todas as áreas da nossa actividade: a solidariedade, a honestidade, a verdade, a lealdade, a bondade, o altruísmo, entre outros.
Há algumas características que nos ajudam a reconhecer o carácter Ético de uma acção ou conduta: em primeiro lugar, só podem ser portadores dos valores éticos as pessoas, nunca as coisas. Só se…

O Senhor do Adeus (ou o Outro e o Sentido)

TENHO PENA E NÃO RESPONDO

Tenho pena e não respondo. Mas não tenho culpa enfim De que em mim não correspondo Ao outro que amaste em mim. Cada um é muita gente. Para mim sou quem me penso, Para outros - cada um sente O que julga, e é um erro imenso.
Ah, deixem-me sossegar. Não me sonhem nem me outrem. Se eu não me quero encontrar, Quererei que outros me encontrem?                                                                         Fernando Pessoa
Talvez Pessoa não se quisesse ver a si próprio e por isso temesse os outros: cheio de medo que o encontrassem,  não se queria encontrar a si próprio. Imagino, pois, que fosse essa a causa da multiplicação de personalidades que acabam numa quase despersonalização do Eu, como uma última hipótese de (con)viver consigo mesmo. O Outro é espelho de nós mesmos, mostra-nos muitas vezes o que não conseguimos ou queremos ver.

Facto e Valor (âmbito e organização conceptuais)

Quando decidimos fazer algo de forma consciente e justificada, acabamos por estar a realizar uma escolha, acabamos por mostrar uma preferência. Preferimos uma coisa a outra. Os motivos em que nos apoiamos poderão ser factos, mas têm sempre por detrás valores que alicerçam a nossa preferência.
Se um facto é algo que pode ser comprovado, algo que identificamos como verdadeiro ou falso, já um valor é um critério que demonstra o quanto valorizamos ou desvalorizamos uma coisa; justifica e até motiva as nossas acções. Ao contrário dos factos, que se apresentam como universalmente consensuais, os valores limitam-se a grupos: não possuímos os mesmos valores e não valorizamos as coisas da mesma maneira. Os valores não são coisas, mas conceitos que mostram as nossas preferências.
Existe uma enorme diversidade de valores que podem ser organizados da seguinte forma:
-Valores éticos - tratam das normas e/ou critérios de conduta: verdade, bondade, solidariedade...
-Valores estéticos - tratam de norma…

Acção e liberdade - (Poema de Fernando Pessoa e proposta de análise)

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O Sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"


"Datado de 16/3/1935, o poema "Liberdade" é um dos poemas mais conhecidos e citados de Fernando Pessoa. É um poema ortónimo, ou seja, escrito por Fernando Pessoa em seu próprio nome e aborda um …

Exposição "O corpo Humano"

Na Alfândega do Porto está patente a exposição "O Corpo Humano como nunca o viu...". Trata-se da edição portuguesa de "Bodies Reveled", que já passou por cidades como Nova Iorque, Washington, Amesterdão, S. Paulo, Londres, Lisboa, Miami, Seattle, Las Vegas, Barcelona, Madrid e Durham, tendo recebido mais de 20 milhões de visitantes. A exposição mostra o corpo humano através de espécimes reais preservados através de um processo inovador de polimerização (ver no fim da mensagem), sendo assim possível mostrar detalhadamente a fisionomia do corpo humano, dos seus sistemas e órgãos. Estão expostos 14 corpos humanos, mais de 200 fragmentos e órgãos, divididos em nove galerias, cada uma com um tema diferente: o esqueleto, o sistema muscular, o sistema nervoso, o sistema respiratório, o sistema digestivo, o sistema urinário, o sistema circulatório, o sistema reprodutor e o corpo tratado. A exposição funciona todos os dias, das 10h00 às 21h00.

A polimerização

"(...) O …

A acção consciente e voluntária

"(...) Tudo quanto realizamos é parte da nossa conduta, mas nem tudo o que realizamos constitui uma acção. Enquanto dormimos realizamos muitas coisas: respiramos, suamos, damos voltas, apertamos a cabeça contra a almofada, sonhamos, talvez ressonemos alto ou falemos em voz alta ou andemos sonâmbulos pela casa. Todas estas coisas as realizamos inconscientemente, enquanto dormimos. Realizamo-las mas não nos damos conta delas, não temos consciência de que as realizamos. A estas coisas que fazemos inconscientemente não lhes vamos chamar acções.
Vamos reservar o termo ‘acção’ para as coisas que realizamos conscientemente, dando-nos conta de que as fazemos.
Há, no entanto, coisas que fazemos conscientemente, dando-nos conta delas, mas sem que à sua realização corresponda uma intenção nossa. Damo-nos conta dos nossos ‘tiques’ e de muitos dos nossos actos reflexos, mas realizamo-los involuntariamente, constatamo-los como espectadores, não os efectuamos como agentes. (A palavra ‘agente’ é o…

Alegoria da Caverna - Platão

Depois disto – prossegui eu – imagina a nossa natureza, relativamente à educação ou à sua falta, de acordo com a seguinte experiência. Suponhamos uns homens numa habitação subterrânea em forma de caverna, com uma entrada aberta para a luz, que se estende a todo o comprimento dessa gruta. Estão lá dentro desde a infância, algemados de pernas e pescoços, de tal maneira que só lhes é dado permanecer no mesmo lugar e olhar em frente; são incapazes de voltar a cabeça, por causa dos grilhões; serve-lhes de iluminação um fogo que se queima ao longe, numa eminência, por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros há um caminho ascendente, ao longo do qual se construiu um pequeno muro, no género dos tapumes que os homens dos "robertos" colocam diante do público, para mostrarem as suas habilidades por cima deles. – Estou a ver – disse ele. – Visiona também ao longo deste muro, homens que transportam toda a espécie de objectos, que o ultrapassam: estatuetas de homens e de animais…

A Filosofia (esquema e tópicos fundamentais)

Ao prepararmos qualquer "matéria", (quase sempre) existe a necessidade de a sistematizar em esquema.
Proponho a consulta a um excelente documento da Texto Editores com a autoria de Carlos Sousa e Manuela Amoedo.
Abre a ligação aqui.

Comentar um Texto Filosófico

"Leitura impressiva.

Antes de comentar um texto filosófico é necessário primeiro lê-lo. Começa por fazer uma primeira leitura repousada, sem preocupações técnicas. Não se trata de saber o significado de todas as palavras ou frases, mas apenas de apreender a ideia geral, o problema que está a ser abordado pelo autor. De que é que ele está a falar?

Leitura explicativa.

Nesta segunda leitura, procura saber o que diz o texto, sem te preocupares já com a questão da validade ou não das suas afirmações do autor, ou das suas relações deste texto com outros sobre a mesma temática, etc. Trata-se de entender o significado das palavras e das frases utilizadas pelo autor. Nesta tarefa podes e deves recorrer a Dicionários ou Historias da Filosofia. Dialogar com o professor sobre o assunto.
Precisar a ideia central do texto e algumas das questões que a mesma envolve: é importante que faças um resumo desta ideia com as tuas próprias palavras, tentando identificar o(s) problema(s) que o autor abordo…

O "nascimento" da Filosofia (apontamento histórico)

Alguns chamaram-lhe “o milagre grego". No elogio desse "milagre", ultrapassou-se muitas vezes o limite de uma compreensão e avaliação histórica equilibradas com o pretexto de fazer ressaltar o carácter excepcional deste período (com o auge no séc. V a.c.). Isolado de toda a continuidade do desenvolvimento histórico e negando as contribuições de outras culturas o surgir da Filosofia de facto parece ser inexplicável: abandonar um pensamento mítico - e portanto monista - e iniciar um pensamento pluralista nas suas formas de inteligibilidade, um pensamento com uma lógica pré-científica, é revolucionário:
«Os primeiros passos da civilização grega foram dados exactamente - facto significativo - nas colónias da Ásia menor, onde o contacto directo e indirecto com os povos mais adiantados do Oriente estimulou as energias criadoras do génio helénico, que logo afirmaram o seu poder maravilhoso, superando rapidamente toda a criação das culturas predecessoras». ( MONDOLFO, Rodolfo, O…

O que é a filosofia? ( resposta de Thomas Nagel)

As nossas capacidades analíticas estão muitas vezes já altamente desenvolvidas antes de termos aprendido muita coisa acerca do mundo, e por volta dos catorze anos muitas pessoas começam a pensar por si próprias em problemas filosóficos — sobre o que realmente existe, se nós podemos saber alguma coisa, se alguma coisa é realmente correcta ou errada, se a vida faz sentido, se a morte é o fim. Escreve-se acerca destes problemas desde há milhares de anos, mas a matéria-prima filosófica vem directamente do mundo e da nossa relação com ele, e não de escritos do passado. É por isso que continuam a surgir uma e outra vez na cabeça de pessoas que não leram nada acerca deles.
(...) O núcleo da filosofia reside em certas questões que o espírito reflexivo humano acha naturalmente enigmáticas, e a melhor maneira de começar o estudo da filosofia é pensar directamente sobre elas. Uma vez feito isso, encontramo-nos numa posição melhor para apreciar o trabalho de outras pessoas que tentaram solucionar…

Definição de "conceito" e relação com "termo"

Conceito é aquilo que é compreendido num termo em particular. "Possuir um conceito" é ter a capacidade de usar um termo que o exprima ao fazer juízos; essa capacidade está relacionada com coisas como saber reconhecer quando o termo se aplica, assim como poder compreender as conseqüências da sua aplicação. O termo“ideia” foi inicialmente usado com o mesmo significado, mas hoje é  evitado por causa de algumas associações com as imagens mentais subjectivas. (Dicionário Oxford).
"Conceitos são princípios de classificação e a eles correspondem, na linguagem, os termos gerais ou "predicados" que podem ser chamados  "expressões classificatórias" (E. Tugendhat, Reflexões)
“Os Conceitos são interdependentes. Em especial isto vale para aqueles conceitos que devem ser tematizados na filosofia. (...) O emprego de expressões linguísticas correspondentes a tais conceitos forma uma rede e é precisamente esta rede que deve ser esclarecida pela filosofia." (E. Tu…

Algumas disciplinas da Filosofia...

Antropologia
Reflexão sobre a natureza do Homem, o que o distingue das outras espécies de animais, o sentido da sua existência, etc. Questões : o que é o homem ?

Epistemologia
Reflexão sobre o conhecimento científico (princípios, métodos, modelos, conceitos, etc). Questões: o que é a verdade ? As verdades científicas são infalíveis ? Qual o papel do erro na ciência? 

Estética
Reflexão o belo e as formas da sua representação nas artes e na natureza, procurando estabelecer um conjunto de critérios para avaliação das obras de arte. Questões: o que é a arte ? O que é o belo ? Como é que um objecto se torna uma obra de arte ? Como podemos avaliar uma obra de arte ? Com que critérios ? A arte tem alguma utilidade ? Qual ?

Ética
Reflexão sobre as atitudes e a actuação dos homens, tendo em vista estabelecer um conjunto de princípios e valores universais orientadores da acção que possam proporcionar uma convivência mais justa e pacifica. Questões: podemos estabelecer padrões morais únicos para to…

Características da Filosofia

FILOSOFIA: Saber fundamentado. Não basta construir novas ideias sobre as coisas, o filósofo tem que apresentar os fundamentos do que afirma de uma forma coerente e sistemática, utilizando uma linguagem rigorosa.
Radicalidade .Inicialmente a palavra "sofia" tinha um sentido prático, mas por volta do séc. IV a.C adquiriu um sentido muito amplo de natureza teórica. O saber filosófico passa a ser identificado com um saber que resulta de uma procura das causas primeiras, o fundamento ou princípio de tudo o que é. Um nível de questões que ultrapassa as ideias feitas, o nível do senso comum. À filosofia interessa descobrir a natureza intima das coisas, a sua razão de ser. É intenção do filósofo ir à raiz dos problemas.
Universalidade. A filosofia visa compreender ou determinar o princípio ou princípios de todo o real. Mesmo quando um determinado filósofo incide a sua reflexão sobre um aspecto particular a experiência humana - a arte, a ciência ou a religião - o que em última instânci…