O Regresso da Metafísica? - Um caminho estranho mas fascinante

A propósito de trocas de palavras com alunos que neste momento se dedicam a um trabalho monográfico de investigação, no âmbito dos "modelos científicos", resolvi escrever estas linhas que, um pouco à margem do tema, espero venham a servir como pistas de reflexão.
Comumente diz-se que a Ciência defende que todas as formas possíveis em que a matéria se pode organizar, são regidas por "leis naturais"; diz também que o "tudo" que existe são combinações de um número finito de elementos que criam a infinidade das substâncias; diz ainda que cada um desses elementos tem uma estrutura atómica que a suporta. Será o mesmo que dizer que a partir de um número limitado de signos linguísticos se pode escrever qualquer texto. Ora, a questão que de imediato se me põe, quando penso esta alegoria, é a do Universo como finito e/ou infinito. Sendo finito, pelo menos nas suas origens - na teoria das probabilidades designado como Ω - as variações infinitas que as "leis" que o regem permitem, não estão garantidamente realizadas, tornando-as vagas e imprecisas, quase ridículas, face àquilo a que se propõem descrever e prever, acontecendo o mesmo com o modelo matemático que as formaliza; a somar a estas consequências, e apontando na direção oposta, lembro também o "paradoxo de Olbers". Se por outro lado considerarmos a hipótese do universo ser infinito, "ab initio", então a probabilidade da lei não conseguir conter todas as variações do real passa a ser, logicamente, uma certeza.
As últimas conclusões de que disponho referem-se a informações da ESA (Agência Espacial Europeia) e datam de Março do corrente ano de 2013: a hipótese atual parte de um "universo finito", com cerca de 13,81 mil milhões de anos, evoluindo numa expansão contínua, não simétrica, num espaço de extensão infinita, (ver "O Tecido do Cosmos" de Brian Greene, ed. Gradiva) havendo portanto a possibilidade de incontáveis "erupções do big bang". Esta noção de infinito dentro de um finito  será pelo menos um modelo mais interessante de um ponto de vista de desafio à nossa capacidade de compreensão e ao "gozo da criação" de todas as "conjecturas permitidas" pois tornam-se "incrivelmente obrigatórias": assim, se eu tiver uma determinada combinação de partículas fundamentais, por exemplo, constituída por um quark de cor vermelha, a facilidade com que a irei encontrar é grande; se juntar mais numa molécula complexa, a dificuldade de a encontrar aumenta significativamente, fazendo com que a "distância espacio-temporal" que tenho que percorrer para a encontrar seja muito maior; imagine-se agora um objecto enorme, formado pela combinação de um grande número de moléculas, diferentes entre si, e a distância a percorrer para a encontrar será muitíssimo maior: ora os corpos que as leis naturais permitem conceber, mesmo tendo em conta todas as limitações a que as mesmas obrigam, são infinitas e, admitindo a sua existência, por mais rara e improvável que seja, exige distância espacio-temporal para as encontrar e esta terá que ser tendencialmente infinita. Não poderemos objectar dizendo que nem tudo o que a lei natural prevê existe, pois que sentido faria criar uma lei para descrever um "mundo natural" que não existe?
Sendo a "teoria dos campos" um exemplo de uma das que foram provadas experimentalmente com elevada precisão na história da Física, creio que não será heresia científica esperar que o previsto nesse mesmo modelo, exista algures (ou venha a existir).
O limite acaba por coincidir com o da imaginação e o todo ficará delimitado pela capacidade de especulação teórica, crescendo o universo sempre a partir das fronteiras do conhecimento presente. Ora esta "especulação rigorosa", que a física faz, por exemplo através da Mecânica Quântica, - para sistemas subatómicos, e de uma teoria correspondente para os sistemas Macroscópicos - por maior grau de certeza que apresente (grau σ), é herdeira de uma outra disciplina, um outro "nome" com mais de 2500 anos: a Metafísica.
F.Lopes