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Um modo de comentar...

(Eis um pequeno excerto de um texto filosófico que servirá de ponto de partida e exemplo para o exercício de comentário, tão pedido nos testes.)

"A linguagem está em nós e nós estamos na linguagem. Nós fazemos a linguagem que nos faz. Nós estamos, em e pela linguagem, abertos pelas palavras, fechados nas palavras, abertos sobre outrem , fechados sobre o outro, abertos sobre as ideias, encerrados nas ideias, abertos sobre o mundo, fechados ao mundo. Encontramos o paradoxo cognitivo maior : estamos fechados pelo que nos abre e abertos pelo que nos fecha."
(Edgar MORIN, La Méthode, 4. Les Idées.)

Como se faz um comentário?
Há muitas técnicas possíveis para estruturar um “comentário de texto”. Na disciplina de Português é usual serem estudadas várias dessas técnicas. A que aqui se propõe parece-me consensual:
1. Tema abordado no texto a comentar
2. Problema filosófico a que o autor procura responder
3. Posição do autor (tese) sobre esse problema
4. Justificações (argumentos) apresentadas no texto para defender essa posição
5. Explicitação dos conceitos usados pelo autor (implica recorrer aos conhecimentos estudados)
6. Eventuais problemas, dúvidas ou objecções que a posição do autor levante (opinião pessoal do aluno, racionalmente fundamentada)

Assim, no caso do excerto citado, poderíamos elaborar um comentário obedecendo a esta estrutura:
1. O excerto apresentado refere-se à importância antropológica da linguagem.
2. O autor depara-se com um problema filosófico fundamental, que é o de saber o que é o Homem e qual a importância da linguagem na sua definição.
3. Segundo o autor, o Homem faz-se e define-se na e pela linguagem, pois …
4. … a) é a linguagem que caracteriza o nosso modo de ser, b) é pela linguagem que o Homem se abre ao seu próprio mundo e c) é a linguagem que encerra e limita o homem e portanto aquilo que ele é..
5. Esta palavras do autor significam que ... a) Por outro lado, b)
6. Pessoalmente... a) … concordo com o autor pois, ..., pelo que a linguagem será, seguramente, uma forma possível de designar o que é o Homem, pois trata-se de uma capacidade especificamente humana. Repare-se, por exemplo, que das várias funções inerentes à linguagem, os animais são incapazes de possuírem uma função metalinguística, isto é, a referência linguística ao próprio código: esse é um território exclusivamente humano. Ainda assim, podem surgir algumas dúvidas/interrogações/problemas a que este excerto não responde, tais como... ou... b) … não concordo com o autor, pois nem sempre a linguagem ... , deitando por terra a opinião do autor.
F.Lopes