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Texto argumentativo - Cláudia Silva

Confrontamo-nos diariamente com o nosso passado, seja pelo que fizemos ontem, ou por aquilo que foi feito há centenas de anos atrás. A verdade é que só este confronto e conhecimento do nosso passado nos ajuda a perceber aquilo que somos hoje.

Ao estudarmos os nossos antepassados, damo-nos conta do seu modo de vida, dos seus ideais e do tipo de sociedade em que viviam. Para além de ser um tema de estudo interessante, permite-nos comparar o meio em que viviam com o meio em que vivemos hoje. Não só evoluímos em termos tecnológicos como em muitos outros aspectos, mudámos as nossas crenças e tentámos expandir os nossos conhecimentos nas mais variadas áreas de modo a vivermos de uma maneira mais saudável e com mais conforto: descobrimos a cura para muitas doenças, através do estudo e experiências realizadas; criámos algumas formas de sobreviver a catástrofes naturais e mesmo prevê-las e, entre muitas outras coisas, descobrimos e explorámos astros que nos rodeiam. Ora, se não fossem os nossos antepassados, nunca teríamos evoluído tanto. Mas não nos devemos apoiar apenas nos aspectos positivos das sociedades de hoje em dia. O passado funciona também como um alerta para alguns problemas actuais (que não são tão actuais como aparentam ser, pois já existem há muitos anos). Dou como exemplo o Sermão de Santo António, que escrito no século XVII, alerta, entre outros defeitos humanos, para a hipocrisia dos Homens. Uma obra com cerca de trezentos anos e que se pode aplicar perfeitamente aos dias de hoje. E se fosse só na hipocrisia humana a incidência dos problemas da actualidade… mas não, ouvimos frequentemente falar de guerras, exploração infantil, discriminação social e até mesmo de escravatura. Ao sabermos que estes problemas datam de há tanto tempo mas que duram até aos dias de hoje, devemos arranjar maneira de os combater e eliminar e, apesar de se observar uma batalha contra estes problemas, ainda não é o suficiente para os ver solucionados.
Além de nos ter permitido a evolução, é o passado que nos dá as bases para aquilo que sabemos hoje e é precisamente o passado que nos ajuda a perceber tudo isso. O que sabemos e o que pretendemos vir a saber baseia-se nas descobertas realizadas por filósofos, matemáticos, cientistas… que baseados uns nos passados dos outros vieram a desenvolver teorias, mecanismos e objectos que se vieram a revelar muito úteis gerações após gerações. Até mesmo as investigações que realizamos actualmente sobre o passado do nosso planeta e dos seus habitantes ao longo dos anos toma um papel importante no conhecimento das sucessivas mudanças que sofreram e na sua origem que têm em vista descobertas cada vez mais especificas, ou seja, o conhecimento de cada um de nós, o sabermos de onde viemos, porque viemos, para saber como chegámos onde chegámos e para termos a noção de quem realmente somos. Com o objectivo deste conhecimento pessoal recorremos por vezes a um ‘passado a curto prazo’, isto é, o nosso próprio passado, ao guardar recordações como fotografias, cartas, presentes ou coisas tão simples mas que nos fazem lembrar de tanto. Este passado, para além de nos ajudar a perceber quem somos e éramos, remete-nos para uma tentativa de não cometer os mesmos erros praticados no passado, e como disse Edmund Burke, filósofo e político anglo-irlandês, “Aqueles que não conhecem a sua história, estão destinados a repeti-la.”, porque até o passado mais fútil e insignificante nos pode ensinar uma grande lição de vida e um bom guia para não voltar a cometer os mesmos erros outrora cometidos. Se isto ocorre num passado de poucos anos, acontece também num passado muito mais vasto, permitindo-nos aprender com os erros de civilizações antigas e com que civilizações futuras aprendam com os nossos.
O passado é demasiado importante para que seja esquecido, porque não se reflecte apenas no que já passou, mas também no presente e no futuro, dando-nos a possibilidade de fazer mais e melhor. Não há passado que valha a pena ser esquecido.

Cláudia Carvalho Silva