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Zaratustra - um modo de ser Filósofo



Nietzsche alcançou a imortalidade com o famoso "personagem" Zaratustra: não é um "vulgar" sábio: não retiramos conhecimento directo da leitura de Nietzsche sobre qualquer dos assuntos tratados. De facto, Zaratustra apenas questiona, divaga e filosofa por temáticas da sociedade e natureza humanas. Não chega a lugar nenhum - nem quer chegar. Não cria uma nova moral, não sugere formas de mudar o mundo, melhorar a sociedade ou as relações humanas. Antes analisa os problemas do mundo real a fundo e trata as inconsistências da nossa sociedade frontalmente.
Zaratustra é um filósofo no sentido mais "original" que a palavra pode ter: questiona todas as coisas pelo prazer de questionar e de evidenciar as incongruências, os absurdos. Está longe das certezas, longe da inteligibilidade directa, longe de tudo. Vaga sem rumo, repete e diz coisas novas. Não busca a compreensão, revela a dúvida como princípio básico.
Fernando Pessoa explica muito bem este quadro:

"(...) Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim... (...)"
Zaratustra é coerente apesar de vago: ele não é para ser entendido... é para questionar. Nunca aceitará conhecimentos "mastigados", dogmas, certezas... nada!
Enquanto existir Homem, Zaratustra estará vivo.
F.Lopes