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Poderemos separar a Ética e a Política?

Creio que é consensual dizer que não se pode fazer política a sério sem se ser orientado por critérios morais e éticos: a conduta moral e os imperativos éticos deveriam prevalecer sobre quaisquer tácticas políticas. Talvez por se ter vindo a perder essa ligação se observe cada vez mais um fosso entre os cidadãos e os partidos políticos o que faz perigar a própria democracia! "O resultado da caracterização da “vida política” democrática e liberal como uma ficção pode-se traduzir numa conclusão polémica, cujo reconhecimento explícito não pode deixar de levantar resistências, mas de que o desencanto com as nossas instituições políticas dá um sinal cada vez mais visível: a conclusão de que é crescentemente problemática a afirmação de uma superioridade moral das sociedades ocidentais sobre outro tipo de sociedades e de que as suas estruturas políticas têm crescentes dificuldades para se justificarem, seja no plano deontológico dos seus princípios e pressupostos, seja no plano teleológico dos seus fins e metas fundamentais."    Alexandre F. Sá in scribd.com
Alguns afirmam que a ética e a política devem estar separadas já que os objectivos de cada uma são diferentes, ou seja, a política teria uma lógica própria, a da conquista e manutenção do poder, que levaria à prática de actos e tomadas de decisão para lá dos aspectos éticos envolvidos. Se separarmos a ética da política onde ficará a linha que separa o aceitável do condenável?
Temo ser demasiado parcial ao considerar como única forma válida de política a democracia contemporânea pois entendo que só nessa forma se poderá concretizar a relação entre política e ética. Admito que nem todas as sociedades estarão prontas para o fazer, mas o caminho ´deverá ser de aproximação. Sem ética a política não é democrática, transforma-se num permanente atropelo e abuso de poder. Separar a ética da política significará a defesa de qualquer forma de poder, a ausência de princípios na acção política!
Há quem defenda que o "Mestre da Política" (leia-se Maquiavel) terá definido esta actividade como "a arte de manipular e ludibriar". É verdade sim, só que Maquiavel escreveu sobre formas absolutistas e totalitárias de poder, nunca pôde viver um sistema democrático, e nós hoje, para o pior e para o melhor, vivemos em democracia. Exija-se Ética na Política!
F.Lopes