Avançar para o conteúdo principal

Procurando o Sentido - por Tomás Almeida (11ºC)

A questão do sentido da vida é, para mim, das que mais trabalho dá e à qual é muito difícil responder; no entanto, apesar do grande interesse em arranjar uma resposta, a questão é tudo menos clara. Primeiro há que perceber o que se entende por sentido da vida e o que significa essa expressão. Indagar sobre o sentido da vida é como envolvermo-nos numa busca em que só estamos certos daquilo que procuramos quando o encontramos, mas facilmente chego à conclusão de que a expressão “sentido da vida” se refere a um propósito ou a uma finalidade. Pode querer dizer também que se procura o objetivo da vida e é nestes dois sentidos que esta expressão é normalmente utilizada. O ser humano procura a finalidade e o objetivo da vida mas procura também descobrir qual a razão da sua existência de maneira a justificar a sua estadia no planeta Terra. Toda esta questão implica, portanto, descobrir a razão de estarmos aqui para que a nossa vida mereça ser vivida. Sentido é direção ou orientação, é uma intenção, propósito ou fim. A expressão “sentido da vida” refere-se então à finalidade última da vida, aos fins e ideais que dão valor e justificam ou são razão de ser desse valor. É o significado da vida.
O ser humano nasce, vive e morre e o único mistério está exatamente no meio. O Homem entende o nascimento e a morte, mas não entende o que é viver, e viver é considerado por muitos como o simples facto de definir e realizar o que queremos ser, atingindo os objetivos que definimos. A nossa tarefa é construir e dar sentido à nossa vida e cumprir o papel que nos cabe na tarefa coletiva de harmonia com todos os seres e com a Natureza. O problema está em saber que sentido dar à nossa vida, e o qual me proponho a descobrir neste texto. No geral, as respostas à pergunta sobre qual o sentido da vida variam entre motivos religiosos e dizer que a vida não tem qualquer sentido. Eu rejeito imediatamente os motivos religiosos, visto não fazerem parte da minha natureza. Nunca vivi envolto num meio religiosos e não é agora que pretendo começar, pelo que dizer que estou aqui porque Deus quer está fora de questão. Já o dizer-se que o sentido da vida é não haver qualquer tipo de sentido, bom, isso para mim até faz algum sentido. Eu próprio diria a mim mesmo que, se a vida não tem significado, devia-se imediatamente considerar o suicídio. Mas não. Eu poderia viver esta vida sem quaisquer objetivos e sem achar qualquer significado nela, mas eu gosto de viver. E se gosto de viver, porque é que haveria de parar mais cedo do que a minha obrigação? A vida continua, e no meu caso, é percorrer um caminho cuja meta é a felicidade. Tal como comecei este texto, conhecemos o início e o fim deste caminho, e o percurso que percorremos é que é interessante e próprio de cada um. Eu percorro-o com muito gosto e prazer sem temer a morte. A morte chegará mais cedo ou mais tarde e vai resultar no maior fracasso do ser humano, por isso, resta apenas aproveitar o tempo que temos até ela chegar. Aceito então que se diga que a vida não tem qualquer sentido mas não adoto essa resposta como minha.
Havia uma prática antiga, praticada por um povo que desconheço, que respondia muito bem à questão do sentido da vida. Quando estavam à beira da morte, eram feitas duas perguntas, e eram as respostas que ditavam o destino das suas almas. A primeira pergunta era: “encontraste alegria na tua vida?”; a segunda era: “Trouxeste alegria a outros?”. Eu adopto também esta crença, e sou portanto da opinião de que todos nascemos com o objetivo de sermos felizes e de trazermos felicidade aos outros. Cada um tem a liberdade de fazer o que quiser e não me admirava se mais ninguém partilhasse a mesma opinião que eu mas acredito que todas as nossas ações mostram que o que queremos é ser felizes, pois ninguém procura a tristeza e a infelicidade absoluta. O ser feliz varia de indivíduo para indivíduo assim como as razões que promovem a felicidade, mas o propósito é o mesmo. É por isso que nascemos e é com vista à felicidade que acordamos todos os dias para fazermos o que fazemos ao longo desses dias. Queremos viver, conhecer, andar, correr e saltar, beber e comer, brincar, e tudo isso acontece porque queremos poder expressar um sorriso do tamanho do mundo, sorriso esse que seria um indicador de nada mais senão da nossa felicidade e alegria.
Outros pensadores têm uma perspetiva inversa e afirmam que não é o objetivo que dá sentido à vida, mas o processo pelo qual se procura alcançar esse objetivo. Se dissesse que isso não faz qualquer sentido, estaria a mentir. Isto porque aprecio a vida e valorizo o verbo “viver”. Não somos máquinas programadas para levantar de manhã e dormir à noite, somos seres humanos com sentimentos com muitos anos de vida pela frente. E por isso reconheço a existência de um caminho que se situa diante de nós e que leva aos nossos sonhos, caminho esse a que chamo de Vida. Chamo-lhe Vida pois é nesse caminho que se aprende o que é viver de verdade. Cada visão, cada obstáculo e cada experiência que temos de atravessar durante o percurso, devemos abraçá-los e tomá-los como parte de nós. O que não nos mata faz-nos mais fortes, o que não nos mata faz-nos o que nós somos. E por isso enquanto tentamos atingir os nossos objetivos vamos estar a descobrir-nos e a construir-nos a nós próprios. No entanto, se admitir que são os processos por intermédio dos quais atingimos os objetivos das nossas vidas que lhes dão sentido, então ter uma vida com sentido consistiria simplesmente em viver a vida e, portanto, a vida de praticamente toda e qualquer pessoa teria, nesse caso, sentido. Mas mesmo assim só terá sentido para nós desde que sejamos felizes e estejamos imersos na própria vida.
Estou novamente de acordo comigo próprio, adotando uma resposta como minha e aceitando outras duas que acabam por ir de encontro com a primeira. A única coisa que dá sentido à vida é ser feliz. E portanto digo convictamente que a felicidade é a finalidade última da nossa vida. Não posso porém negar que haja outras convicções, mas acredito profundamente que sejam elas quais forem, a felicidade está presente e seja qual for o sentido da vida que reconhecem, isso só fará sentido se forem felizes. Portanto, para mim é muito simples. Sê feliz e contribui para a felicidade dos outros. Define objetivos por muito insignificantes que sejam. E claro, “carpe diem”, aproveita ao máximo.
Tomás Almeida - 11º C - AEAAV