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A Filosofia

A filosofia, disse Platão, começa com o espanto, espanto com o universo, com o que ele contém e com o nosso lugar nele. O que é o universo? É somente composto por matéria ou também contem coisas imateriais como espíritos? Como o podemos saber? A experiência é a única fonte de conhecimentos ou há outras formas de conhecer? Porque estamos aqui? Fomos criados por Deus como parte de um plano divino ou o nosso surgimento deve-se a processos simplesmente naturais? Somos livres ou todas as nossas acções são determinadas por forças que escapam ao nosso controlo? Que obrigações temos para com os outros? Temos o dever de os ajudar ou a nossa única obrigação é não os prejudicar? Estas questões são ao mesmo tempo familiares e estranhas. Familiares porque já nos confrontámos com elas em algum momento das nossas vidas e estranhas porque não é claro como havemos de lhes responder. Ao contrário de muitas questões, não podem ser resolvidas mediante investigação científica.
Quer disso te apercebas ou não, assumes ou supões que certas respostas aquelas questões são verdadeiras. Estas crenças constituem a tua filosofia. A disciplina de filosofia examina criticamente tais crenças para determinar se são verdadeiras ou não. A palavra filosofia significa «amor da sabedoria». Deriva do grego philo que significa amor e sophia que significa sabedoria. O desejo de conhecer a verdade, o amor pelo saber é , contudo, somente um dos motivos que nos conduzem a filosofar. O desejo de viver uma vida boa e valiosa é outra das motivações para fazer filosofia. As acções baseiam-se em crenças e acções baseadas em crenças verdadeiras tem mais chances de serem bem sucedidas do que as apoiadas em crenças falsas.
O pensamento filosófico não tem nenhum valor se não for lógico. Para distinguires entre crenças filosóficas plausíveis e as que não o são, importa saberes a diferença entre argumentos correctos e incorrectos. Terás de aprender que tipos de argumentos os filósofos usam para tentar justificar as suas crenças ou teses e avaliar se os defendem bem. Chama-se a isso frequentar o laboratório da mente. Os problemas filosóficos são problemas conceptuais e a este tipo de problemas tenta-se responder no laboratório da mente, ou seja, mediante o pensamento crítico. Como se vêem os filósofos a si mesmos? Como indivíduos que debatem ideias, que se preocupam com questões conceptuais e não com questões empíricas, que procuram compreender e interpretar factos e não com descobri-los. Os filósofos não realizam experimentações, nem sondagens ou observações. Pensam.
O objecto do pensamento dos filósofos são as nossas crenças mais básicas, isto é, crenças cuja verdade ou falsidade determina a verdade ou falsidade de muitas outras crenças, menos básicas ou fundamentais. O modo como os filósofos pensam tem o nome de pensamento crítico, que é o método da filosofia.
Schick, Jr, Theodore e Vaughn, Lewis,
Doing Philosophy, an introduction through thought experiments, McGraw- Hill, N. York, 2002, pp 2 - 3.