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Argumentação - a necessidade da polémica

De acordo com uma definição muito sumária, podemos dizer que argumentar é defender uma ideia, uma opinião, apresentando um conjunto de razões que justifiquem essa tomada de posição. 
A argumentação tem uma enorme importância na vida do dia-a-dia, onde somos muitas vezes obrigados, pelas circunstâncias, a apresentar as nossas razões, as justificações dos nossos comportamentos e das nossas tomadas de posição. Claro que há situações nas quais não precisamos de argumentar ou até em que seria uma pura perda de tempo. Imaginemos, por exemplo, que pretendo fazer ver a alguém que esta sala onde escrevo neste momento tem quatro janelas, quando uma simples observação mostra que ela tem apenas uma. Ou que pretendo provar a alguém que um quadrado é uma figura geométrica de 5 lados. Nestas duas situações não há argumentação séria possível! 
O mesmo, contudo, já não se passa noutras situações. E são essas que verdadeiramente importam à Filosofia enquanto exercício de discurso argumentativo.
No caso dos exemplos anteriores, a situação tem resposta directa facilmente comprovada. Mas, quando se trata de argumentar relativamente às grandes questões que preocupam os seres humanos, a situação é diferente, uma vez que elas, na maior parte dos casos, recebem respostas possíveis, razoáveis é certo, mas sempre discutíveis. Questões do tipo: Devemos ou não permitir a clonagem de seres humanos?; Devemos ou não autorizar o aborto?; Devemos aceitar que existem raças superiores e raças inferiores? são, entre outras, questões relativamente às quais podemos apresentar um razoável conjunto de argumentos, a favor ou contra, uma vez que se trata de questões relativamente às quais ninguém pode ter certezas absolutas. É fundamental que cada um de nós compreenda que um ensaio argumentativo é sempre susceptível de discussão.
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