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As condicionantes da acção humana

"O Homem é livre no seu querer e actuar, mas ele não é absolutamente livre sem limites e restrições. A compreender assim a liberdade, a essência do homem, tal como a experimentamos na nossa existência concreta, teria de ser redefinida. Nós experimentamos mais frequentemente os limites e as restrições da nossa liberdade. O que é que queremos dizer com isto?
Por limitação da liberdade entendemos factos que põem limites à liberdade da nossa decisão, para lá dos quais a liberdade é eliminada ou, pelo menos, restringida. Cada um vive numa situação única concreta da sua existência. Cada qual traz consigo, como herança, determinadas aptidões espirituais e corporais; desde a infância está marcado pelo meio que o rodeia, pelas influências de educação, pelo ambiente espiritual ético, religioso e ideológico em que se desenvolve; vive numa época determinada com o seu espírito (ou falta de espírito) histórico, vive em determinadas circunstâncias nacionais, sociais, politicas e culturais seguindo livre no seu "mundo". Por ele é conformada por dentro e por fora a existência e inclusivamente ficando em parte inevitavelmente condicionada. As possibilidades do nosso querer e agir são-nos pré-indicadas mas também são impostas restrições à nossa liberdade num âmbito determinado de possibilidades concretas apetecíveis e realizáveis. Outras possibilidades são excluídas de antemão. Algumas nem sequer surgem no nosso horizonte, outras que vemos parecem-nos - com ou sem razão - inacessíveis. Não provocam de maneira nenhuma a nossa livre eleição, uma vez que se nos não apresentam como autênticas possibilidades da nossa liberdade. Em todos estes casos está restringida a nossa liberdade: com a limitação da nossa existência finita e singular, do nosso conhecimento finito e sempre incompleto e da nossa vontade finita reduzida a um estreito campo de acção."
E. Coreth - O que é o Homem?