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Homem: o caminho das perguntas

«Uma pergunta não interroga: uma pergunta diz a resposta. Porque uma pergunta está do lado do problema a resolver, do ainda simplesmente desconhecido; e a interrogação está do lado do insondável. A pergunta desenvolve-se na clara horizontalidade; a interrogação na obscura verticalidade. Como em jogo de cabra-cega, em que há seres à nossa volta, a pergunta orienta-se entre os que lhe não pertencem até achar o que procura. Mas a interrogação não encontra, porque nada há para achar. O limite da sua esperança está menos no triunfo de um encontro, do que no cansaço, na resignação, ou na evidência natural do que nos coube, como nos é evidente ter cinco sentidos e não mais»
Vergílio Ferreira

O problema, o que se põe em questão, é o sentido da vida (sentidos sem sentido?). A estrada do homem é o próprio homem; o que define o seu poder não é o domínio das coisas: está no antes da coisa, está no mistério e no obscuro que talha a própria pergunta pelo sentido.
F.Lopes