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As razões dos professores

Uma avaliação séria e competente aos professores faz todo o sentido. Os seus métodos de ensino e os seus resultados devem ser avaliados de várias perspectivas e abordando os vários interessados, dos alunos aos pais, acabando, claro está, pelos colegas e pelos directores de escolas. Se esse processo, que começou muito ambicioso e acabou bastante simplificado após a enorme polémica com os sindicatos que impuseram muitos avanços e recuos, se for perdendo no tempo, conforme mudarem os Governos, estaremos perante um enorme retrocesso.
Já em relação ao exame para os professores contratados, marcado para o próximo dia 18 e suspenso por várias providências cautelares, há muitas dúvidas sobre a sua real eficácia e, sobretudo, sobre as suas intenções. Estamos perante uma espécie de "prova de acesso" para profissionais que além de terem já completado a sua formação têm, na sua maioria, vários anos de experiência, pela qual foram (e são) também avaliados. Impor um teste deste género é duplicar essa avaliação. E fazê-la pagar. Pelo que, numa fase em que a redução de quadros é a palavra de ordem, pode estar simplesmente em causa a possibilidade de ser mais fácil encontrar justa causa para prescindir de recursos.
Além disso, muito para além da questão ideológica, está em causa todo o processo. A menos de um mês da data da prova, pouco ou nada se sabe. Tal como no caso da avaliação, alteram-se regras e modelos em cima da hora, e nada é absolutamente claro e transparente. E esse tem sido o maior erro das reformas em curso.
Que a Educação exigia mudanças ninguém punha em causa. Mas essas mudanças têm de ser estruturais e consensuais. E de serem definidas por razões inquestionáveis e não apenas por motivos económicos. Eis uma das áreas em que um acordo alargado era fundamental.
Editorial Dn.pt 17/11/2013