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Paradoxo da sociedade livre

A pessoa ou instituição que encarregamos de nos tornar felizes têm o direito de se queixarem se lhes recordarmos que, apesar de tudo, continuamos livres e senhores de recalcitrar. Tudo o que não conseguimos realizar sós, diminui a nossa liberdade. O doente nas mãos do médico é como a sociedade nas mãos do salvador - herói ou partido. 
Como? Encarregamo-nos de organizar a sociedade - isto é, vós próprios, e depois, pretendeis continuar livres. 
Precisamente porque não existe sociedade económica pura, toda a organização científica da economia contém em si a afirmação de uma mística - quer dizer, um credo estatal que atinge também a vida interior, e, assim como o organizador deve eliminar toda a heterodoxia económica, terá igualmente de eliminar as heterodoxias interiores. 
Uma sociedade inteiramente orientada do ponto de vista económico e totalmente livre espiritualmente é uma contradição. 
Cesare Pavese, in 'O Ofício de Viver'