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O momento da escolha... Que profissões?

Poderá até continuar a ser uma vida de trabalho, mas dificilmente será sempre o mesmo. Esta é uma das tendências identificadas pela consultora Jason Associates: “Há hoje uma grande intensidade profissional, que acaba por criar a necessidade de uma segunda carreira quando a primeira cria uma sensação de esgotamento, o que acontece cada vez mais cedo”, disse à VISÃO a responsável pelo recrutamento de executivos da Jason, Filipa Leite Castro.
O mercado laboral será de contrastes – e até surpresas. “Liga-se muito o futuro à tecnologia, mas há uma carência enorme de profissionais de relação. O digital trouxe muita informação, mas ficou a faltar a proximidade. Tudo o que envolva relação será necessário, porque o que conta é criar valor acrescentado.” Algumas áreas vão criar mais emprego. Desde que se adaptem.
VENDAS E MARKETING
Até aqui a área comercial era garantida, tendencialmente, por profissionais não licenciados. A função, como explica Filipa Leite Castro, exigia “muita negociação e relação, mas pouca análise”. Quem vendia, vendia de tudo. Hoje já não é assim. “Mudou radicalmente. Pede-se aos profissionais que tenham capacidades de gestão.” Com isso, a função “ganhou prestígio” e exigência: “antes os vendedores negociavam com merceeiros, hoje tem de ser com grandes grupos.” O marketing está também em plena revolução. Na área digital vai criar mais empregos. “Especialistas que comuniquem através das redes sociais passaram a ser uma necessidade. O marketing digital pode valer um salário superior a mil euros em início de carreira”, disse à VISÃO Sandrine Veríssimo, da consultora Hays.
HOTELARIA E TURISMO
O turismo continua em níveis de confiança máximos. Só em 2015, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), os hóspedes na hotelaria cresceram 8 por cento. O setor é dos mais tradicionais, continuará a criar empregos, mas será cada vez mais exigente devido à crescente competitividade. Os clientes passaram a marcar online. Mas no contacto com os serviços valorizam a qualidade. Por isso, os profissionais têm de garantir “outras valências, como capacidade para trabalhar com ferramentas online”, exemplifica Filipa Leite Castro. A agressividade comercial vai crescer: “O cliente utiliza todos os meios digitais se valer a pena, mas quando chega ao hotel vai valorizar a atenção e o relacionamento.” Outra tendência – a contrabalançar a massificação – é a busca de serviços únicos, adaptados a cada cliente.
RECURSOS HUMANOS
Há menos de uma década esperava-se destes profissionais o processamento de salários e pouco mais. “Os cursos de gestão nem sequer tinham cadeiras de recursos humanos. Hoje há executivos de grandes empresas a formarem os alunos nessa área”, lembra Filipa Leite Castro. Mais próximos do negócio, deles é esperado que “pensem a estratégia da empresa e o que se pretende dos funcionários”. Para isso, exige-se aos profissionais de recursos humanos que criem “cultura de organização e espírito de equipa”. Com a eficiência e produtividade na mira das empresas, a boa gestão de recursos humanos é agora mais valorizada e a procura de profissionais tenderá a crescer.
SAÚDE
O envelhecimento da população, mas também a preocupação com a qualidade de vida, vão continuar a criar empregos na área da Saúde. Mais uma vez, vencerá quem oferecer cuidados que vão para lá das competências técnicas. Os próprios médicos e enfermeiros recebem cada vez mais formação comportamental. As residências seniores têm vindo a ocupar espaço, e, com elas, a exigência de pessoal qualificado tenderá a crescer.
ENGENHARIA DE SOFTWARE E DE TELECOMUNICAÇÕES
A procura de especialistas nestas áreas quadruplicou nas bases de dados de empresas de recrutamento como a Hays. As funções nas engenharias e telecomunicações vão manter a dinâmica devido à constante inovação tecnológica. Informação e tecnologia tem 100% de emprego à saída da universidade.
PEQUENOS NEGÓCIOS DE PROXIMIDADE
Perto da vista, mas também perto do coração. Assim se pode resumir a tendência que leva os consumidores a usarem mais o comércio de bairro, os negócios de nicho, altamente especializados, mas também os politicamente corretos. São exemplo disso, os produtos biológicos. Mas também mindfulness, ioga ou caminhadas. “Procura-se proximidade, comodidade e melhores produtos.
A exploração de nichos criará negócios que podem ganhar escala com pouco investimento”, conclui Filipa Leite Castro. Aqui se incluem os empregos que prometem diminuir o stresse aos outros. Há cada vez mais oferta para satisfação dos interesses de cada cliente, e aí haverá também mais empregos.
SETORES DE PONTA COM APOSTA NA INVESTIGAÇÃO
A investigação é ainda um setor curto em Portugal, o que torna difícil a retenção de talentos. Mas áreas como a sustentabilidade e o ambiente tenderão a crescer. As engenharias ambientais e alimentares estão aí bem posicionadas.
Isabel Nery in visao.sapo.pt