Avançar para o conteúdo principal

Dilema moral

«Será moralmente correto participar na competição organizada pelo Qatar?»

“Calculamos que vão morrer 7 mil trabalhadores antes do início do Mundial”. Sharan Burrow, secretária-geral da Confederação Internacional Sindical (ITUC), visitou o Qatar várias vezes e deparou-se com “condições desumanas, próprias de um estado de escravatura moderna”. “Os trabalhadores estão fechados em campos protegidos por guardas e só saem dali para ir trabalhar. Muitos destes locais não têm água potável (…).” 
Uma investigação do jornal The Guardian em dezembro de 2014 dava conta de que a cada dois dias de trabalho morria um trabalhador nepalês nas obras de construção para o Mundial de Futebol de 2022. Nesse ano de 2014, segundo a Amnistia Internacional, 188 trabalhadores morreram nas obras. Entre as principais causas de morte estão acidentes de trabalho, ataques cardíacos provocados por longas horas sob altas temperaturas (no verão podem atingir os 50 graus), doenças resultantes da vida precária e suicídios. 
O governo nega, mas várias organizações de direitos humanos falam num estado de escravatura moderna e acusam a FIFA (Federação Internacional de Futebol) de não ter atuado para pressionar o país árabe a melhorar as condições de trabalho. (…) 
O número de mortes não encontra paralelo com nenhum grande evento desportivo anterior. (…) 
Luís Aguilar (2016), revista Sábado em linha, «Os escravos que constroem os estádios do Qatar», 19/06/2016, in http://www.sabado.pt/desporto/futebol [Consultado a 15/10/2016]. Adaptado