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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2010

Fernando Pessoa - 75 anos depois da morte (Valete, Fratres!)

Horizonte O mar anterior a nós, teus medos Tinham coral e praias e arvoredos. Desvendadas a noite e a cerração, As tormentas passadas e o mistério, Abria em flor o Longe, e o Sul sidério 'Splendia sobre sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longínqua costa Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta Em árvores onde o Longe nada tinha; Mais perto, abre-se a terra em sons e cores: E, no desembarcar, há aves, flores, Onde era só, de longe a abstracta linha.

O sonho é ver as formas invisíveis Da distância imprecisa, e, com sensíveis Movimentos da esp'rança e da vontade, Buscar na linha fria do horizonte A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte Os beijos merecidos da Verdade.


NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto …

«Que valores para este tempo?»

Desde sempre, a humanidade, em todas as culturas e em todas as épocas, aspirou à “verdade”, ao “bem” e ao “belo” e isso significa que há um "mínimo de valores universais", muito embora formulados de diferentes maneiras. Tais valores transcendem o homem individual e constituem princípios universais que fundamentam o respeito pela dignidade humana, embora esta não tenha sido entendida da mesma maneira em todas as épocas, nem extensiva a todo o ser humano ao longo da história da humanidade. A Fundação Calouste Gulbenkian organizou uma conferência subordinada à pergunta«Que valores para este tempo?». "Estiveram entre os convidados, Cavaco Silva,Eduardo Lourenço, Rui Vilar, Robert Kagan, António Coutinho, John Keane, Jean Petitot, Paulo Tunhas e João Lobo Antunes." (in tsf.pt). 

Existe uma crise de valores e referências estáveis?

"Tem sido dito que o discurso sobre a crise dos valores se repete ciclicamente e que todas as gerações tendem a ver nas gerações seguintes um abaixamento dos padrões. Tem sido dito que o discurso sobre a insegurança e a criminalidade é um recurso fácil de políticos para angariar votos através da exploração dos sentimentos de insegurança. Tem sido dito que a sensação de deriva é apenas produto das profundas transformações económicas produzidas pela globalização da economia, e que a verdadeira fonte de insegurança é económica e social, não intelectual e moral.
Não posso entrar aqui numa discussão detalhada destes argumentos. Não concordo com eles, mas penso que devem ser tomados em conta, especialmente como freios e contrapesos contra o argumento que eu próprio vou aqui defender: o de que há uma crise de valores. Todos os argumentos, incluindo obviamente os meus, podem tornar-se enganadores, e as suas consequências práticas podem tornar-se indesejáveis, se forem exagerados. É bom, p…

À atenção dos meus alunos

A morte ganha tanto mais sentido quanto mais a nossa vida o tem.
Amanhã, dia 22 de Novembro, não me é de todo possível ir às aulas. O calendário dos testes não sofre qualquer alteração. Agradeço a todos os alunos que lerem esta mensagem que passem a palavra aos colegas.
Obrigado

Valores vitais - breve olhar da filosofia contemporânea

"Valores vitais ou da vida. São aqueles valores de que é portadora a vida, no sentido naturalista desta palavra, isto é, Bios. Cabem aqui o vigor vital, a força, a saúde, etc. Como se sabe, foram estes os valores que Nietzsche reputou os mais elevados de todos na sua escala axiológica, como os únicos mesmo. E ao que se chama biologismo ético ou naturalismo." in paginasdefilosofia.blogspot.com
Segundo Nietzsche, a sociedade está "impedida de pensar. Para existir liberdade, o Homem tem que "matar Deus", livrar-se do racionalismo helénico!
Nietzsche quer destruir o racionalismo e a moral. A arte, pela sua natureza, é o lugar onde o homem se despe dos preconceitos pois o lado racional e moral ficam em segundo plano ou até desaparecem. Com isto acaba por propôr que se acabe com a filosofia ocidental, racional e marcada pela religião, destruindo a "verdadeira" natureza humana.
Como solução aponta ao Homem os valores vitais contra os valores morais. Estes úl…

A Religião e os valores

"Aos valores religiosos não adere nenhum dever-ser. Não são valores de um dever-ser mas de um Ser, como refere Hessen em "Filosofia dos Valores". Nisso se afastam dos valores éticos, para se aproximarem dos estéticos. No entanto, a realidade do sagrado não é, como a do belo, apenas uma realidade aparente, mas uma realidade no mais eminente sentido desta palavra: o sagrado/divino é, ao mesmo tempo, valor e ser." in agora-m.blogs.sapo.PT Deveremos começar por definir a religião como um conjunto de crenças e práticas referentes ao sobrenatural, quase sempre organizadas como doutrinas, seguidas por uma comunidade de crentes que agem em busca de uma salvação e ou libertação, projectando os seus valores a toda a humanidade.
A expeirência religiosa surge essencialmente de duas fontes: a sociedade e a consciência. O meio em que nascemos marca-nos de forma muito clara bem como a consciência da nossa finitude nos diversos níveis, podendo despertar-nos para uma outra dimensão d…

Valores Estéticos - (A Estética)

Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento

O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e

só entram nos meus versos as coisas de que gosto

O vento das árvores o vento dos cabelos

o vento do inverno o vento do verão

O vento é o melhor veículo que conheço

Só ele traz o perfume das flores só ele traz

a música que jaz à beira-mar em Agosto

Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento

O vento actualmente vale oitenta escudos

Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto.


Ruy Belo

"A estética começou por ser sobretudo uma "Teoria do Belo", depois passou a ser entendida como "Teoria do Gosto" e nos nossos dias é predominantemente identificada com a "Filosofia da Arte".
Há fortes razões para considerar que estas três formas de encarar a estética não são apenas diferentes maneiras de abordar os mesmos problemas. É certo que gostamos de coisas belas que também são arte, mas não deixa de ser verdade que as coisas que consideramos belas, aquel…

Os valores Éticos

“O homem vive, toma partido, crê numa multiplicidade de valores, hierarquiza-os e dá assim sentido à sua existência mediante opções que ultrapassam incessantemente as fronteiras do seu conhecimento efectivo. No homem que pensa, esta questão só pode ser raciocinada, no sentido em que, para fazer a síntese entre aquilo que ele crê e aquilo que ele sabe, ele só pode utilizar uma reflexão, quer prolongando o saber, quer opondo-se a ele num esforço crítico para determinar as suas fronteiras actuais e legitimar a hierarquização dos valores que o ultrapassam.”
Jean Piaget, Sageza e Ilusão da Filosofia

Os valores éticos reportam-se às normas e critérios de conduta que abarcam todas as áreas da nossa actividade: a solidariedade, a honestidade, a verdade, a lealdade, a bondade, o altruísmo, entre outros.
Há algumas características que nos ajudam a reconhecer o carácter Ético de uma acção ou conduta: em primeiro lugar, só podem ser portadores dos valores éticos as pessoas, nunca as coisas. Só se…

O Senhor do Adeus (ou o Outro e o Sentido)

TENHO PENA E NÃO RESPONDO

Tenho pena e não respondo. Mas não tenho culpa enfim De que em mim não correspondo Ao outro que amaste em mim. Cada um é muita gente. Para mim sou quem me penso, Para outros - cada um sente O que julga, e é um erro imenso.
Ah, deixem-me sossegar. Não me sonhem nem me outrem. Se eu não me quero encontrar, Quererei que outros me encontrem?                                                                         Fernando Pessoa
Talvez Pessoa não se quisesse ver a si próprio e por isso temesse os outros: cheio de medo que o encontrassem,  não se queria encontrar a si próprio. Imagino, pois, que fosse essa a causa da multiplicação de personalidades que acabam numa quase despersonalização do Eu, como uma última hipótese de (con)viver consigo mesmo. O Outro é espelho de nós mesmos, mostra-nos muitas vezes o que não conseguimos ou queremos ver.

Facto e Valor (âmbito e organização conceptuais)

Quando decidimos fazer algo de forma consciente e justificada, acabamos por estar a realizar uma escolha, acabamos por mostrar uma preferência. Preferimos uma coisa a outra. Os motivos em que nos apoiamos poderão ser factos, mas têm sempre por detrás valores que alicerçam a nossa preferência.
Se um facto é algo que pode ser comprovado, algo que identificamos como verdadeiro ou falso, já um valor é um critério que demonstra o quanto valorizamos ou desvalorizamos uma coisa; justifica e até motiva as nossas acções. Ao contrário dos factos, que se apresentam como universalmente consensuais, os valores limitam-se a grupos: não possuímos os mesmos valores e não valorizamos as coisas da mesma maneira. Os valores não são coisas, mas conceitos que mostram as nossas preferências.
Existe uma enorme diversidade de valores que podem ser organizados da seguinte forma:
-Valores éticos - tratam das normas e/ou critérios de conduta: verdade, bondade, solidariedade...
-Valores estéticos - tratam de norma…