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Mensagens

A mostrar mensagens de Setembro, 2016

Precisamos mais de estabilidade ou criatividade? (parte 2)

Foi o espírito MIA que esteve por detrás da morte do filósofo grego Sócrates, dos crimes da Inquisição, da perseguição das elites intelectuais pelas ditaduras, do exílio de Freud e de Einstein e de incontáveis outros judeus, da queima de livros, da marginalização e absoluta pobreza em que morreram tantos artistas, da censura, do assédio e do abandono que vitimaram personalidades notáveis de todas as épocas e cantos do mundo. Se o ser humano, como defendia o psicólogo norte-americano Abraham Maslow, tem inclinação para a excelência por natureza, então é preciso analisar o papel desempenhado pela cultura e pela educação. “Será possível que estejamos condicionados por uma espécie de selecção cultural que nos condena à imbecilidade?”, questiona o escritor italiano Pino Aprile no seu livro Elogio do Imbecil. Conclui que sim e que existe uma razão para todos os sistemas sociais advogarem a mediania: “A inteligência é como a areia que se introduz nas engrenagens: pode obstruir os mecanismos.…

Precisamos mais de estabilidade ou criatividade? (parte 1)

A incapacidade para criar e apreciar a excelência, ou seja, a mediocridade, é necessária para a estabilidade social: um mundo de génios seria ingovernável. Todavia, possui também uma vertente maligna que procura destruir qualquer indivíduo que se destaque. Quando surge um verdadeiro génio no mundo, podemos reconhecê-lo pelo seguinte sinal: todos os medíocres conspiram contra ele.” Foi assim que o médico, aventureiro e escritor irlandês Jonathan Swift (1667–1745), autor de As Viagens de Gulliver, resumiu a eterna tensão entre excelência e mediocridade, duas características da psicologia humana que exercem grande influência no funcionamento da sociedade. Cada uma se rege pelas suas próprias leis e ambas são necessárias: uma promove o progresso, a outra assegura a estabilidade social. Aspirar a ultrapassar-se a si próprio, quer através da própria criatividade, quer apoiando e admirando indivíduos notáveis, constitui uma qualidade intrínseca de um ser humano são. Sem essa tendência natur…

Lógica Aristotélica

Na sua forma sistemática, e como disciplina autónoma, a Lógica foi uma criação do génio grego. Eis, nas suas coordenadas essenciais, um esboço da Lógica Aristotélica: Na sua base encontra-se a doutrina do conceito que Sócrates havia anteriormente formulado. Conceitos, em sentido aristotélico, são noções gerais ou comuns abstraídas pela inteligência dos objectos sensíveis, ou seja, da percepção de realidades concretas e singulares. Opondo a invariabilidade do conceito à variabilidade da sensação e fundando a Lógica naquele, Aristóteles visava construir esta ciência numa base estável. Articulam-se (de forma afirmativa ou negativa) conceitos para formar o juízo de cujo encadeamento resulta o raciocínio. A Lógica de Aristóteles converge, assim, numa teoria do silogismo que ele define como raciocínio tal que, admitidas que sejam certas coisas, algo daí resulta necessariamente, só porque elas foram admitidas. Duas características fundamentais ressaltam na Lógica Aristotélica: o aspecto for…

A Filosofia

(...) A filosofia e a arte de morrer

Para os não-filósofos que estiveram no debate, a importância da filosofia é muito mais quotidiana do que académica, embora a sua manutenção nos currículos não deva ser posta em causa. Lobo Antunes, neurocirurgião e autor de livros como Um Modo de Ser, começou a interessar-se pela filosofia com três obras de Paul Foulquié, mas foi com o filósofo português Fernando Gil que a curiosidade se intensificou. “O Fernando Gil escreveu que «a filosofia é um acto de inocência porque interroga o admirável do mundo», lembrou Lobo Antunes, para quem é impossível conceber a medicina sem a filosofia e a poesia: “A poesia ensinou-me a apurar o rigor no uso das palavras porque no poema, tal como no genoma, basta uma palavra para que saia monstruoso, perro, coxo. A filosofia permite-me interrogar o que de admirável há no sofrimento e, para citar [Michel de] Montaigne, permite aprender e ensinar a morrer. Há na filosofia uma ética da esperança e um desafio à alegria d…

A filosofia está em todo o lado

Aplicar a filosofia no dia-a-dia, trazê-la para fora dos livros e levá-la a empresas, consultórios, cafés. É isso que Oscar Brénifier defende. Platão para toda a gente? Sim, claro. E às crianças, também. É isso que Oscar Brénifier defende, um conceito de «prática filosófica» estimulando a arte de bem pensar. Formador, consultor e autor, o francês passou recentemente por Lisboa para um workshop sobre filosofia do quotidiano. Doutorado em Filosofia pela Universidade Paris 4 Sorbonne, Óscar Brenifier publicou diversas obras, entre as quais uma coleção de livros de filosofia para crianças, editada em mais de trinta países (em Portugal, pela Dinalivro). É um dos autores do relatório Filosofia, Uma Escola da Liberdade, editado pela UNESCO em 2007. Em Paris, fundou o Instituto de Práticas Filosóficas, destinado à promoção e à formação da filosofia como prática. Hoje, o papel dos filósofos passa também por trabalhar com crianças, por fazer consultas filosóficas ou dar formação em ambiente emp…

10 falsas questões mais habituais sobre a filosofia.

1. A filosofia é difícil. É falso que se fale da filosofia como uma disciplina difícil. Ela é tão difícil quanto outra disciplina qualquer. Há ,certamente, disciplinas mais difíceis e outras mais fáceis. A dificuldade não ocupa um lugar de destaque mais na filosofia do que na física, biologia ou na matemática.
2. A filosofia não serve para nada - Bem, isto só seria verdade se nos mentissem acerca da filosofia. Questionar sobre a utilidade da filosofia possui exactamente o mesmo sentido do que questionar acerca da utilidade da matemática, da física, química ou biologia. A filosofia tem exactamente a mesma utilidade que qualquer outra disciplina, só que a natureza dos seus problemas é diferente e exige metodologias específicas. Perguntar pela utilidade da filosofia é perguntar pela utilidade do saber em geral e a resposta não deve ser colocada somente aos profissionais da filosofia, mas também aos dos outros saberes. Curiosamente o mundo não seria o que é se os saberes não possuíssem u…

Exposição de marionetas - Livraria Gigões & Anantes

Ao estudo da sabedoria jamais havereis de pôr termo

Ao estudo da sabedoria jamais havereis de pôr termo; não acabe ele antes de acabada a vossa vida. Em três coisas cumpre ao homem pensar e exercitar-se enquanto viva: em saber bem, em bem falar e em bem obrar.  Desterra dos teus estudos a arrogância; não fiques presumido pelo que sabes, porque tudo quando sabe o mais sábio homem do mundo nada é em comparação com o muito que lhe falta saber. Mui escasso é, e muito obscuro e incerto, tudo quanto os homens alcançam nesta vida; e os nossos entendimentos, detidos e presos neste cárcere do corpo, estão oprimidos por grandíssima escuridão, trevas e ignorância, e o corte ou fio do engenho é tão cego que não pode cortar, nem passar-lhe de raspão sequer, coisa alguma.  Afora isto, a arrogância faz com que não possas tirar proveito do estudo; creio que terá havido muitos que não chegaram a sábios e que poderiam tê-lo sido se não dessem a entender que já o eram.  Deveis guardar-vos, também, de porfias, de competências, de menosprezar ou amesquinh…