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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2014

Sentido da vida - por Vitor Espadilha

Nesta existência terrena, em todas as épocas, podemos dizer que o homem, por ser racional, não se limita a comer, reproduzir-se e morrer. Ele é dotado de inteligência e de vontade. A força do seu pensamento leva-o a criar, transformar o mundo para o seu serviço e bem-estar. A sua vontade determina as suas decisões ao longo da historia. E o Amor é o motor que o move, pois no fundo é desejar o Bem. Muitas vezes marcado por desequilíbrios e inseguranças, sente o peso de suas más inclinações. E, por causa disso, a terra muitas vezes se transformou num inferno. Também sente que nem sempre é o opressor… Por vezes, é a vítima. A idade que passa, com a velhice que o limita, as desilusões da vida que o fragilizam, a maldade do seu semelhante, que o desorienta, a doença que o impossibilita de realizar sonhos, e a morte no horizonte fazem da existência do homem uma realidade aparentemente sem sentido, pois termina com a morte, e ao mesmo tempo fazem surgir nele um grito de eternidade necessária…

O posicionamento crítico de K. Popper: o desenvolvimento e o progresso

A objectividade científica é sempre aproximada : a verdade é sempre relativa a um determinado estado do desenvolvimento científico; não há métodos concludentes e uma das características fundamentais do conhecimento científico é a sua revisibilidade. Popper procura responder à crise de objectividade que atravessa a ciência, defendendo que o importante não é verificar ou demonstrar a veracidade das hipóteses. O cientista, na sua óptica, deve ter uma nova atitude e essa consiste em considerar que não há certezas inabaláveis/indestrutíveis. O espírito científico é anti-dogmático por natureza e isso pressupõe toda a abertura possível à discussão, à descoberta de erros e inconsistências nas teorias, à assunção plena das incertezas: por isso, a procura da verdade não se faz, (como tradicionalmente se pensava na ciência clássica), pela verificação das hipóteses e teorias, mas pela sua falsificação - o que implica a descoberta de erros e corroboração - que implica a sua resistência aos testes,…

Tecnociência

A sociedade mudou mais em 200 anos, graças à tecnociência, do que nos últimos 10 mil anos. O ser humano também está a mudar? Sempre esteve em mudança. Todas as épocas tiveram mudanças culturais, éticas e de valores. O problema é que agora há uma aceleração. A mais importante está a acontecer no plano biológico, com a genética e a possibilidade de controlar certas coisas ainda no embrião. E pode haver também uma redefinição da vida e da morte. No limite, podemos conservar pessoas em estados de semivida, ou de semimorte, o que coloca problemas de ordem moral e religiosa. Esses problemas já se colocam. Vão colocar-se cada vez mais, até ao momento em que não seja possível sequer ter uma resposta. Aí terá que haver uma escolha, uma ruptura, nos planos jurídico, político e científico. Essa é, desde logo, uma questão científica. (...) Estamos cada vez mais dependentes da ciência, mas ela também está muito mais dependente de considerações militares, políticas e morais do que antes. Os financ…

Ecologia e valores

Em pleno séc. XXI, o Homem confronta-se com sérios problemas ambientais, à escala global, decorrentes
da sua própria atividade económica, dos seus comportamentos e estilos de vida, da própria evolução e direção dadas à ciência e tecnologia, sempre em busca da satisfação das suas necessidades materiais, cada vez maiores, e mais exigentes. Essas necessidades humanas, básicas de outrora, rapidamente deram lugar às necessidades criadas, induzidas e manipuladas que conduzem a comportamentos e estilos de vida baseados no consumo, no ter, na posse, na riqueza e no poder (bem vindo ao capitalismo!…a solução para todos os seus problemas). Existimos, logo consumimos, e mais do que um direito é um dever! Consumo de bens, que levam ao consumo de recursos naturais, à sua transformação, por meios mais ou menos puros e naturais, ou abruptos e selvagens, e eis que num ápice, como quem abre e fecha os olhos, a incerteza no futuro bate-nos à porta, e nós, humanidade, assustada, como alguém que sabe que…

Debate esclarecedor - a questão de Deus - Um livro a ler

Mesmo que um debate seja inconclusivo, pode ter a grande virtude de ser esclarecedor. O debate sobre a existência de Deus talvez esteja condenado a permanecer sem conclusão, mas quando é bem conduzido torna-se esclarecedor em muitos aspectos. Isto não é surpreendente. A questão da existência de Deus leva-nos a examinar as diversas tentativas de explicar a ordem do mundo natural, compreender o lugar da mente humana no universo, encontrar razões para a existência do mal. Em "Será que Deus Existe?", o filósofo da religião Richard Swinburne considera todos estes temas. O seu objectivo é mostrar que há boas razões para acreditar que Deus existe. Swinburne tem uma obra influente na filosofia da religião. Com "Será que Deus Existe?" procura apresentar a sua defesa do teísmo a um público vasto. Neste livro, Swinburne está longe de ser indiferente à história da filosofia, mas exclui a discussão de alguns argumentos teístas conhecidos. O argumento ontológico não recebe qualq…

Teorias antropológicas da religião

Há uma diversidade de teorias antropológicas da religião. Baseiam-se ora em ideias de estruturas humanas sociais, emoções ou cognição. A maior parte concentra-se numa delas, mas algumas combinam mais de uma. Algumas olham para lá da natureza humana, para os outros animais, procurando análogos ou precursores da religião. Algumas teorias são próprias da antropologia, mas muitas foram tomadas de empréstimo. Assim, qualquer exame tem de ser também abrangente e de incluir material que não seja apenas antropológico. Ofereço aqui uma breve panorâmica histórica e um olhar sobre uma promissora abordagem contemporânea. Nenhuma descontinuidade forte ou qualquer característica única distingue as explicações antropológicas da religião das suas antepassadas ou das explicações de outras disciplinas. Contudo, algumas características comuns tendem a agrupá-las separadamente. Destas, são centrais o humanismo, evolucionismo e comparações interculturais. O humanismo na antropologia quer simplesmente diz…

Diálogo sobre o Falsificacionismo de Popper - por Desidério Murcho

Paulo — Gostei muito da aula de hoje. Achei a teoria de Popper fascinante! A ideia de dar importância ao que se pode provar que é falso em vez de dar importância ao que se pode provar que é verdadeiro é realmente brilhante. Rita — Pois... eu não fiquei assim tão bem impressionada. Gostei da aula; a professora é o máximo. Mas a teoria de Popper parece-me subtilmente errada, ainda que aponte numa direcção correcta. Paulo — Que queres dizer com isso? Rita — É um pouco como ter uma teoria da queda dos objectos. Como realmente os objectos caem, parece logo que a teoria é verdadeira — porque tem de ter um grão de verdade, já que nos diz algo que é óbvio. O problema é saber se, em termos mais precisos e rigorosos, a teoria é realmente verdadeira. Paulo — Sim, estou a ver a analogia. Uma teoria pode ser falsa apesar de ter aspectos verdadeiros, exactamente como acontece com a teoria da gravitação de Newton. Mas não vejo como aplicas a analogia ao falsificacionismo de Popper. Rita — Bom, isto …

Razão de viver - Camus

Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: é o suicídio. Julgar se a vida merece ou não ser vivida, é responder a uma questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, vem depois. São apenas jogos; primeiro é necessário responder. (...) Se pergunto a mim próprio como decidir se determinada interrogação é mais premente do que outra qualquer, concluo que a resposta depende das acções a que elas incitam, ou obrigam. Nunca vi ninguém morrer pelo argumento ontológico. Galileu, que possuía uma verdade científica importante, dela abjurou com a maior das facilidades deste mundo, logo que tal verdade pôs a sua vida em perigo. Fez bem, em certo sentido. Essa verdade não valia a fogueira. Qual deles, a Terra ou o Sol, gira em redor do outro, é-nos profundamente indiferente. A bem dizer, é um assunto fútil. Em contrapartida, vejo que muitas pessoas morrem por considerarem que a vida não merece ser vivida. Outros vejo que…

Obstáculos à construção da Ciência - Bachelard

A investigação científica passa pela 'ultrapassagem de limites'. Isto significa que não há investigação sem interferência de obstáculos - obstáculos epistemológicos. Estes não são propriamente as dificuldades próprias da complexidade do objecto que se está a investigar; também não são propriamente os limites conceptuais e técnicos dos investigadores; eles são fundamentalmente elementos internos, isto é inerentes ao cientista, que atrasam, dificultam, travam, impedem, desvirtuam a investigação científica. O racionalismo bachelardiano mostra que o próprio acto de conhecer está pejado de impurezas, de imensos segredos que escapam ao controlo do cientista, provocando riscos, cujos se devem fundamentalmente a que, no acto de conhecer, o cientista coloca mais de si próprio do que vulgarmente ele pensa. Daí a necessidade de uma psicanálise do inconsciente do cientista, isto é, a necessidade de mostrar a existência de uma filosofia nocturna (filosofia espontânea dos cientistas, em …

O continuísmo sofisticado de P. Duhem

"Todo o trabalho consagrado por Duhem ao estudo da ciência antiga e medieval, visa a eliminação do mito da Renascença, do mito da constituição ex-nihilo do saber científico clássico, pela rejeição das filosofias religiosas e da teologia. É necessário pois estabelecer que os conceitos que honram a ciência moderna, foram enunciados, formados, pré-constituídos na Idade Média;" (pag. 84) 'O estudo das origens da Estática levou-nos (...) a uma conclusão: à medida que fomos avançando nas nossas investigações históricas e em direcções mais variadas, esta conclusão impôs-se ao nosso espírito com uma força crescente. Assim, ousamos formulá-la na sua forma mais generalizada: a ciência mecânica e física, de que se orgulham os tempos modernos, decorre, através de uma série ininterrupta de aperfeiçoamentos quase imperceptíveis, das doutrinas professadas nas escolas da Idade Média; as pretensas revoluções intelectuais não foram, a maior parte das vezes, senão evoluções lentas e longa…

A evolução da ciência: continuísmo/descontinuísmo em Karl Popper

«Segundo Popper, na ciência nós procuramos a verdade — e a verdade não é dada pelos factos, mas pelas teorias que correspondem aos factos. Entretanto, essa é uma definição de verdade, mas nós não temos um critério de verdade, já que, ainda que formemos uma teoria verdadeira, jamais poderemos sabê-lo, pois as consequências de uma teoria são infinitas e nós não as podemos verificar todas. Sendo assim, segundo Popper, a verdade é um ideal regulador. Eliminando os erros das teorias anteriores e substituindo-as por teorias mais verosímeis, aproximamo-nos da verdade. Para Popper, é nisso que consiste o progresso da ciência — e, por exemplo, é assim que se passa, progredindo sempre para teorias mais verdadeiras, de Copérnico a Galileu, de Galileu a Keppler, de Keppler a Newton, de Newton a Einstein. Com isso, porém, não devemos pensar que exista uma lei de progresso da ciência, pois a ciência também pode estagnar. O progresso da ciência conheceu obstáculos (epistemológicos, ideológicos, eco…

Concurso de texto filosófico

A indução e o conhecimento científico

«Os gregos, em geral, tinham-se sentido satisfeitos com a aceitação dos factos “óbvios” da natureza como pontos de partida do seu raciocínio. Não se sabe se Aristóteles alguma vez deixou cair duas pedras de peso diferente a fim de verificar o seu pressuposto de que a velocidade da queda é proporcional ao peso do objecto. Para os gregos, a experimentação parecia irrelevante. Interferia com a beleza da dedução pura, e diminuía essa beleza. Por outro lado, se uma experiência discordava de uma dedução, poder-se-ia ter a certeza de que a experiência estava correcta? Seria provável que o mundo imperfeito da realidade concordasse completamente com o mundo perfeito das ideias abstractas; e se não, seria correcto adaptarmos o perfeito às exigências do imperfeito? Verificar uma teoria perfeita usando instrumentos imperfeitos não impressionava os filósofos gregos como modo válido de obter conhecimento. A experimentação começou a tornar-se filosoficamente respeitável na Europa com o apoio de fil…

Notícia para reflectir - Questões de sentido

Os investigadores Shigehiro Oishi, da University of Virginia, e Ed Diener, da University of Illinois, conduziram um estudo com o objetivo de analisar as correlações, as variáveis e os padrões associados ao sentido que as pessoas atribuem à sua vida. O estudo contou com a participação de 140.000 pessoas de 132 países diferentes. Os participantes foram questionados acerca do seu grau de satisfação perante a vida em geral, sobre o propósito ou sentido que atribuem à sua vida e, finalmente, se a religião tinha um papel importante no seu dia-a-dia. Os resultados deste estudo, publicados no jornal “Psychological Science”, foram surpreendentes. Oishi e Diener constataram que nas nações mais ricas, apesar de as pessoas serem mais educadas, terem menos filhos e revelarem atitudes mais individualistas – fatores que são normalmente associados a um grau de satisfação mais elevado –, demonstravam também encontrar menos sentido para a sua vida. Os dados revelaram que a religiosidade poderia explic…

Tertúlias à Quarta

O Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro (ISCRA) agradece o precioso contributo que foi a vida, a lucidez a coragem e o espírito conciliar de D. José Policarpo. Agradece-lhe a disponibilidade para colaborar com o ISCRA, manifestada ainda na decisão de estar presente na anunciada tertúlia de 2 de Abril., suspensa agora pela inesperada notícia da sua morte. Oportunamente daremos notícia sobre eventual ação do ISCRA no dia 2 de Abril. A Direção do ISCRA

Um olhar sobre o método de Karl Popper

(...) O método falsificacionista de Popper, entendido como uma questão puramente de lógica, pode ser aplicável a todas as ciências (sejam naturais ou sociais). A metodologia na economia seria capaz de adoptar o falsificacionismo, desde que conduzido como um critério de ajuizar e não de verificar teorias (como era o caso dos positivistas lógicos). Popper ressalta que seu método de falsificação não visava provas factuais para as teorias, ou seja, era favorável apenas com a dedução no campo da lógica. Porém, quando trabalha com as ciências sociais especificamente, Popper elabora um método, denominado de análise situacional, como sendo o método objectivo para tais ciências. Neste novo método, por sua vez, estabelece o princípio de racionalidade para excluir toda e qualquer característica psicológica das análises acerca das diferentes situações dos indivíduos. O princípio de racionalidade, despojado de meios psicológicos e de características empiristas, assume a forma de um postulado metod…

Solidão - Fernando Pessoa

Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.

E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.

Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por coisa esquecida.
Fernando Pessoa in Novas Poesias Inéditas

Tempo e existência

A condição humana está subordinada, inexoravelmente, à cronologia, isto é, ao tempo, a um fim, terminus, à morte (à “finitude” de um destino; Heidegger expõe-nos como ser-para-a-morte [Sein und Zeit]). Não obstante, a idealidade da reversibilidade da idade, ou melhor, o elixir da juventude como comummente lhe chamamos (e é pelo corpo, com efeito, que nos inscrevemos na finitude do tempo, não matemático e abstracto, mas humano, concreto, ontológico… ) está hoje mais impregnado nas nossas sociedades do que nunca. Veja-se, por exemplo, o número crescente de cirurgias estéticas realizadas apenas com o intuito de retocar a “imagem” ou retardar o envelhecimento, sobretudo no género feminino; o congelamento de células embrionárias/gâmetas como forma de preservar a “fecundidade” mesmo depois da cessação da sua produção por parte do organismo, a “nova”medicina anti-envelhecimento, a industria de fármacos que prospera e promete verdadeiros milagres, etc… Ora, tudo isto visa uma luta contra o e…

Morte e existência

«E é que a experiência da morte não só deixa qualquer um pensativo, como o torna pensador. Por um lado, a consciência da morte faz-nos amadurecer pessoalmente: todas as crianças se julgam imortais (...). Mas depois crescemos quando a ideia da morte cresce dentro de nós. Por outro lado, a certeza pessoal da morte humaniza-nos, isto é, transforma-nos em verdadeiros humanos, em «mortais». Entre os gregos «humanos» e «mortal» dizia-se com a mesma palavra, como deveria ser. (...) nem as plantas nem os animais estão (...) vivos no mesmo sentido que nós estamos. Os verdadeiros viventes são só os mortais, porque sabemos que deixaremos de viver e que é exactamente nisso que a vida consiste. Alguns dizem que os deuses imortais existem e outros que não existem, mas ninguém diz que estão vivos: só a Cristo chamamos «Deus vivo» e isso porque se diz que encarnou, se fez homem, viveu como nós e como nós teve de morrer.(…) É exactamente a certeza da morte que faz a vida – a minha vida,única e irrepet…

"Tertúlias à quarta" com D. José da Cruz Policarpo

O conhecimento científico e o problema da indução

«Os gregos, em geral, tinham-se sentido satisfeitos com a aceitação dos factos “óbvios” da natureza como pontos de partida do seu raciocínio. Não se sabe se Aristóteles alguma vez deixou cair duas pedras de peso diferente a fim de verificar o seu pressuposto de que a velocidade da queda é proporcional ao peso do objecto. Para os gregos, a experimentação parecia irrelevante. Interferia com a beleza da dedução pura, e diminuía essa beleza. Por outro lado, se uma experiência discordava de uma dedução, poder-se-ia ter a certeza de que a experiência estava correcta? Seria provável que o mundo imperfeito da realidade concordasse completamente com o mundo perfeito das ideias abstractas; e se não, seria correcto adaptarmos o perfeito às exigências do imperfeito? Verificar uma teoria perfeita usando instrumentos imperfeitos não impressionava os filósofos gregos como modo válido de obter conhecimento. A experimentação começou a tornar-se filosoficamente respeitável na Europa com o apoio de fil…

Ciência e hipótese: o problema do método científico

A primeira tentativa de descrição pormenorizada do método científico foi apresentada por Aristóteles. O método da ciência seria indutivo - demonstrativo. A aquisição de conhecimentos far­-se-ia por indução, processo no qual se estabelece uma conexão ascendente dos conhecimentos ­um progresso da observação dos particulares aos seus princípios explicativos; a demonstração apresentaria a conexão descendente dos conhecimentos – um encadeamento dedutivo dos princípios explicativos mais universais para os particulares. Os problemas que vamos abordar são ainda os que Aristóteles levantou – ou foram levantados na sua esteira. 1.1. O MÉTODO INDUTIVO – CRÍTICAS A descrição feita pelo indutivismo ingénuo do método científico pode ser assim apresentada: 1.º Momento: A observação. Começamos por observar e registar os factos de um modo objectivo. "Observação objectiva" significa: observar com o espírito liberto de preconceitos, de interpretações ou ideias preconcebidas. Um bom registo obs…