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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2015

Interpretações erradas dos processos científicos

EQUÍVOCO: A ciência é uma colecção de factos. CORRECÇÃO: Como as aulas de ciências por vezes se baseiam em livros maçudos, é fácil pensar que a ciência é só isso: factos num livro de texto. Mas isso é apenas parte da imagem. A ciência é um corpo de conhecimento que se pode aprender em livros de texto, mas também é um processo. A ciência é um processo excitante e dinâmico para descobrir como funciona o mundo e construir estruturas poderosas e coerentes com base nesse conhecimento.
EQUÍVOCO: A ciência é completa. CORRECÇÃO: Uma vez que muito do que é ensinado nos cursos introdutórios de ciências é conhecimento que foi construído nos séculos XIX e XX, é fácil pensar que a ciência está terminada — que já descobrimos a maioria do que há a saber sobre o mundo natural. Isso está longe de estar correto. A ciência é um processo contínuo, e há muito mais a aprender sobre o mundo. De facto, na ciência, fazer uma descoberta crucial leva frequentemente a que muitas novas perguntas apareçam, pronta…

Ética e Política - reflexão

(...) O que a ti e a mim agora nos importa apurar, é se a ética e a política terão alguma coisa a ver uma com a outra e o modo como se relacionam entre si. Quanto à finalidade, ambas parecem fundamentalmente aparentadas: não se tratará, em ambos os casos, do problema de viver bem? A ética é a arte de escolher o que mais nos convém para vivermos o melhor possível; o objectivo da política é organizar o melhor possível a convivência social, de modo a que cada um possa escolher o que lhe convém. Como ninguém vive isolado (...), quem quer que tenha a preocupação ética de viver bem não pode alhear-se olimpicamente da política. Seria como fazermos questão de estar confortavelmente instalados numa casa, sem nada querermos saber das telhas partidas, dos ratos, da falta de calefacção das paredes carcomidas que podem fazer com que o prédio caia enquanto dormimos ... Contudo, também há diferenças importantes entre ética e política. Para começar, a ética ocupa-se do que a própria pessoa (tu, eu …

Ciência técnica e domínio

«A questão fundamental da ciência e da técnica contemporânea não é, pois, a de saber donde poderemos nós ainda tirar as quantidades de combustível e de carborante que necessitamos. A questão decisiva é: de que maneira poderemos nós dominar e dirigir essas energias atómicas, cuja ordem de grandeza ultrapassa toda a imaginação, de maneira a garantir que elas de um momento para o outro, e mesmo sem ser num acto de guerra, não nos escapem por entre os dedos e tudo destruam. (...) As organizações, aparelhos e máquinas do mundo técnico tornaram-se indispensáveis, mais para uns do que para outros. Seria insensato investir contra o mundo técnico e seria fazer prova de miopia querer condenar esse mundo como sendo obra do diabo. Nós dependemos desses objectos que a técnica nos fornece e que, por assim dizer, nos permitem aperfeiçoá-los incessantemente. No entanto, a nossa relação às coisas técnicas é tão forte que, em nosso entender, nos tornamos seus escravos. (...) É possível dizer sim ao uso…

Ética, Direito e Política - apontamento

1. A política, de acordo com a etimologia da palavra, tem como finalidade encontrar a melhor organização para uma sociedade, estabelecendo-lhe um conjunto de objectivos de acção comuns, regras e princípios relacionamento entre os seus membros de forma a aumentar o Bem Comum e evitar os conflitos internos. 2. O Direito, isto é, o conjunto de normas ( leis do Estado) regula não apenas as relações pacíficas e solidárias entre os membros de uma dada sociedade (os cidadãos ), mas estabelece também as formas de punição dos que as não acatam. Neste sentido, toda a Teoria Política e Direito pressupõe um dado modelo de cidadão e de comportamento socialmente aceitável. O que infringir as normas estabelecidas, sujeita-se a ser punido pelo Estado.  3. Embora o Direito e a Moral surjam como factores condicionadores e orientadores do comportamento dos indivíduos, possuem contudo muitas diferenças entre si.  a) As normas morais só são aceites e cumpridas quando as pessoas estão intimamente convenci…

2015 - 800 anos da Magna Carta

Graças à importância que os EUA têm no mundo, todos os povos conhecem a mítica devoção dos americanos à sua constituição. Veem naquele documento a trave mestra da sua unidade nacional, a justificação do seu patriotismo, além do cimento da sua forma de governo. Assim que a constituição foi ratificada, logo os americanos se lembraram de lhe acrescentar a Bill of Rights. Estavam a recuperar uma tradição constitucional muito mais antiga do que a sua própria experiência colonial, mas de que eles se consideravam herdeiros – talvez até os únicos herdeiros. Uma tradição constitucional que muitos remontavam, e ainda remontam, à Magna Carta de 1215. Mais, a constituição de 1789 e a Bill of Rights eram descendentes documentais de um outro texto: a Declaração da Independência de 1776, que tinha solenizado a rutura com a metrópole. A primeira parte dessa Declaração da Independência, a mais famosa, falava de princípios abstratos, e incluía umas paráfrases de John Locke, o profeta inglês do liberal…

Problemas epistemológicos fundamentais

«Para perceber o que há de diferente numa determinada área teórica, a melhor forma de começar é perguntar que o problema (ou problemas) trata. No que diz respeito à epistemologia, sugiro que se distinga cinco tipos de problemas (…). São eles: 1. Problema analítico. O que é o conhecimento? (Ou se preferirmos, o que entendemos ou devemos entender por ‘conhecimento’? Por exemplo, como se distingue (ou deve ser distinguido) o conhecimento da simples crença ou opinião? O que aqui se pretende, idealmente, é uma explicação precisa ou “análise” do “conceito” de conhecimento. 2. Problema da demarcação. Este divide-se em dois problemas: a) O problema “externo” pergunta: sabendo-se de algum modo o que é o conhecimento, podemos determinar de princípio que coisas podemos razoavelmente esperar conhecer? Ou como é amiúde referido, podemos determinar o âmbito e os limites do conhecimento humano? Será que há assuntos acerca dos quais podemos ter conhecimento enquanto que há outros acerca dos quais nã…

Rawls e o Utilitarismo

«A principal motivação por detrás da teoria da justiça como equidade é o desejo
de Rawls formular uma alternativa poderosa ao utilitarismo. Parecia-lhe que o utilitarismo era a teoria mais sistemática e abrangente disponível para fornecer uma base de comparação entre instituições e práticas sociais alternativas. No entanto, para Rawls, o utilitarismo é insatisfatório pelo menos por duas razões. Em primeiro lugar e de acordo com a sua avaliação da teoria utilitarista, esta falha por não concordar com os nossos juízos ponderados sobre o facto de os direitos individuais não deverem estar sujeitos ao cálculo dos interesses sociais. A proposição central do utilitarismo, pelo menos na sua forma clássica, é o princípio da maior felicidade. De acordo com este princípio, o melhor resultado é aquele que maximiza a felicidade agregada dos membros de uma sociedade tomada como um todo. Todavia, em algumas circunstâncias plausíveis pode acontecer que a maneira de maximizar a felicidade agregada si…

A "Teoria da Justiça" de J.Rawls

«O papel da justiça A justiça é a virtude primeira das instituições sociais, tal como a verdade o é para os sistemas de pensamento. Uma teoria, por mais elegante ou parcimoniosa que seja, deve ser rejeitada ou alterada se não for verdadeira; da mesma forma, as leis e as instituições, não obstante o serem eficazes e bem concebidas, devem ser reformadas ou abolidas se forem injustas. Cada pessoa beneficia de uma inviolabilidade que decorre da justiça, a qual nem sequer em benefício do bem-estar da sociedade como um todo poderá ser eliminada. Por esta razão, a justiça impede que a perda da liberdade para alguns seja justificada pelo facto de outros passarem a partilhar um bem maior. Não permite que os sacrifícios impostos a uns poucos sejam compensados pelo aumento das vantagens usufruídas por um maior número. Assim, numa sociedade justa, a igualdade de liberdades e direitos entre os cidadãos é considerada definitiva; os direitos garantidos pela justiça não estão dependentes da negociaç…

A origem do conhecimento - Síntese

A Origem do Conhecimento O problema da fonte ou origem do conhecimento coloca as seguintes questões:  Qual será a origem do conhecimento? A experiência? A razão humana? A esta questão dão resposta correntes como o Empirismo, o Racionalismo, o Racionalismo transcendental (ou Apriorismo) e outras posições intermédias. Racionalismo e Empirismo são doutrinas filosóficas que respondem à questão acerca da origem do conhecimento. Se na perspectiva do Empirismo este deriva da experiência, não havendo no nosso espírito dados independentes desta, na perspectiva racionalista, o conhecimento tem a sua origem na razão, tendo esta princípios ou ideias independentes da experiência.  Descartes e o Racionalismo
Descartes é um dos principais vultos do Racionalismo. Este filósofo foi revolucionário no século XVII quando defendeu que, utilizando o método certo, só através da razão, a que ele também chama "luz natural", era possível chegar à verdade. Este método é minuciosamente explicado numa das …

Hume - Tópicos

DAVID HUME (1711-1776) -Hume realizou uma investigação sobre a origem, possibilidade e limites do conhecimento. -Este autor pensa que a capacidade cognitiva da razão humana é limitada e que não existe nenhum fundamento objectivo para o conhecimento. -O empirismo de David Hume opõe-se, portanto, ao racionalismo de Descartes. -Segundo Hume, todo o conhecimento deriva da experiência. -Para este filósofo escocês, todas as nossas ideias têm origem nas impressões dos sentidos.
IMPRESSÕES E IDEIAS -Segundo Hume, o conhecimento é constituído por impressões e ideias. -As impressões englobam as sensações, as emoções e as paixões. -As impressões possuem um elevado grau de força e vivacidade, porque correspondem a uma experiência presente ou actual. -As impressões são a base, a origem, o ponto de partida dos conhecimentos. -As ideias são as representações ou imagens das impressões no pensamento. -As ideias são memórias ou imagens enfraquecidas das impressões no pensamento. -As ideias são menos vi…

Esquerda e direita

Admito que, apesar de algumas valorosas tentativas na matéria (de Norberto Bobbio, por exemplo), as deambulações teóricas em torno dos conceitos de esquerda e direita não interessem muita gente, até porque os objectos aos quais os conceitos se referem, as esquerdas e as direitas empíricas com que nos confrontamos no quotidiano, são objectos equívocos e múltiplos que não podemos nunca completamente capturar. Mas não faz mal de vez em quando voltar a essas vetustas noções, até porque elas continuam a encher a boca de meio mundo. Há, é claro, muitos critérios para se determinar o que é a esquerda e o que é a direita. Por exemplo: a esquerda seria progressista, a direita reaccionária. E por aí adiante. Todos eles abordam planos diferentes da oposição, mas todos eles, de uma forma directa ou indirecta, dizem respeito à relação ao tempo social, ao passado e ao futuro da sociedade. Tomemos um entre muitos, nem melhor nem pior do que os outros: o da oposição entre uma atitude crítica e de um…

A orfandade ideológica

Os grupos jihadistas vão tendo na Europa um terreno fértil de recrutamento. Dos cerca de 3 mil europeus que combatem na Síria e Iraque, sabemos que uma grande parte são emigrantes de origem muçulmana de segunda/terceira geração – e até vamos encaixando isso. Espantamo-nos é com o recrutamento de jovens europeus recém-convertidos, cuja educação principal não partiu do Islão. Mas talvez não devêssemos. Como explicação afundámo-nos numa espécie de “excepcionalismo violento” muçulmano que, na verdade, não existe. É bem mais simples que isso. Porém, fomos esquecendo – ou pusemos de parte – um conjunto de circunstâncias que dantes levavam ao recrutamento de outras militâncias dissidentes e violentas. É preciso ir para além da narrativa jihadista para perceber o recrutamento. Assim, se equacionarmos diferentes variáveis, vemos que não há nada de novo. Ou seja, à semelhança de outros movimentos políticos radicais, o jihadismo é um movimento essencialmente jovem, que explora o fascínio e a ver…

Jornalismo - manipulação e persuasão - discurso e práticas

A ficção e a poesia nascem da cabeça dos seus autores. O jornalismo não. Os jornalistas não produzem os textos que escrevem a partir da sua imaginação. O jornalismo não só tem o dever de descrever o real mas tem o dever de dar voz às pessoas. As histórias que o jornalismo conta, são contadas por outras pessoas. O jornalismo selecciona as histórias que conta, escolhe a forma como as conta e escolhe as pessoas que usa como fonte de informação, mas baseia-se sempre em "fontes". Os jornalistas recolhem informação através de testemunho directo, através dos seus olhos e dos seus ouvidos, como acontece no caso das reportagens, mas, na esmagadora maioria dos casos, as informações que recolhem e que usam para produzir os seus textos são constituídas por depoimentos de pessoas ou fontes documentais. Um texto de jornal ou uma peça de rádio ou televisão é sempre o resultado final de um trabalho em cadeia que começa com uma informação primária que vai sendo trabalhada por sucessivas vag…