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A mostrar mensagens de Novembro, 2014

Projecto para uma Ética Mundial - livros indispensáveis

Libelo em prol da liberdade religiosa e da concórdia entre as religiões mundiais, tendo por base os valores humanos, no intuito de estabelecer o que o autor chamou de um ethos mundial - na sua opinião, factor essencial para garantir a sobrevivência da humanidade nesta aurora do terceiro milénio. Obra acessível, escrita para ser entendida por todos, ao alcance do leigo que se interessa por esta temática. Contudo, o apelo lançado pelo autor extrapola-a. «Nunca estivemos tão conscientes da nossa responsabilidade global relativamente ao futuro da humanidade como no momento presente. Doravante, uma atitude de abstinência em matéria de ética não é possível. A razão por que precisamos de um ethos global é por demais evidente: será impossível sobreviver sem um ethos mundial! in wook.pt

Política e Ética

Quando se pergunta: o que é o Homem?, as tentativas de resposta foram múltiplas ao longo dos tempos. Mas lá está, essencial, a de Aristóteles: um animal que fala, que tem logos, um animal político.
O ser humano é constitutivamente um ser social. Fazemo-nos uns aos outros, genética e culturalmente. Procedemos de humanos e tornamo-nos humanos com outros seres humanos. A relação entre humanos não é algo de acrescentado ao ser humano já feito: pelo contrário, constitui-nos. A prova está nos chamados meninos-lobo: tinham a possibilidade de tornar-se humanos, mas, sem o contacto com outros humanos, não acederam à humanidade. É isso: somos humanos entre humanos e com humanos. Apesar da experiência, que também fazemos, da solidão metafísica - cada um é ele, ela, de modo único e intransferível -, não há dúvida de que só na relação nos fazemos. O individualismo atomista contradiz a humanidade que somos.
Sobre este fundo, concretizando, podemos perguntar: como poderíamos realizar a nossa human…

O Cubo e a Catedral - livros indispensáveis

Por que razão vêem os europeus e os americanos o mundo de maneira tão diferente? Por que razão europeus e americanos têm uma noção tão diferente da democracia e dos seus descontentamentos no século XXI? Por que razão está a Europa a morrer demograficamente? Em O Cubo e a Catedral, George Weigel, biógrafo do Papa João Paulo II, oferece-nos uma crítica profunda sobre o «problema Europeu», tirando dela lições para o resto do mundo democrático. Contrastando com a civilização que produziu o «rígido cubo» modernista do Grande Arco de La Défence, em Paris, com a civilização que produziu a «catedral», Notre Dame, Weigel argumenta que a ligação da Europa com o secularismo tacanho e limitado provocou uma crise civilizacional e moral que está a corroer a alma europeia e não consegue criar um futuro para a Europa. A pergunta que se coloca aos Estados Unidos e a qualquer outra democracia, provocada pelo «problema Europeu», é se pode haver uma verdadeira «política» - um verdadeiro debate sobre o b…

O que é a Ética?

"O ser humano separa uma parte do mundo para, moldando-a ao seu jeito, construir um abrigo protector e permanente. A ética, como morada humana, não é algo pronto e construído de uma só vez. O ser humano está sempre tornando habitável a casa que construiu para si. Ético signi­fica, portanto, tudo aquilo que ajuda a tornar melhor o ambiente para que seja uma moradia saudável: materialmente sustentável, psicologica­mente integrada e espiritualmente fecunda." Leonardo Boff A ética não se confunde com a moral. A moral é a regulação dos valores e comportamentos con­si­derados legítimos por uma determinada sociedade, um povo, uma religião, uma certa tradição cultu­ral... Há morais específicas, também, em grupos sociais mais restritos: uma instituição, um partido político... Há, portanto, muitas e diversas morais. Isto significa que uma moral é um fenómeno social particular que não tem compromisso com a universalidade, com o que é válido, de direito e justo para todos os homens. Exce…

O Papalagui - livros indispensáveis

O “Papalagui” – ou seja o Branco, o Senhor – é este o nome dados aos discursos do chefe de tribo de Tuiavii de Tiavéa, nos mares do Sul. Tuiavii nunca teve intenção de publicar esses discursos na Europa, nem sequer de os mandar imprimir; destinavam-se unicamente aos seus compatriotas polinésios. O autor da tradução e editor do livro resolveu transmitir aos leitores europeus os discursos desse indígena, sem que ele o soubesse e certamente contra sua vontade, porque estava convencido de que nos vale a pena, a nós, homens brancos e esclarecidos, ter conhecimento do modo como um indivíduo ainda intimamente ligado à natureza nos vê a nós e à nossa cultura. Através dos seus olhos descobrimos a nossa própria imagem, e isso com uma simplicidade que já perdemos. Os leitores particularmente fanáticos da nossa civilização irão decerto achar a sua maneira ver ingénua, e até mesmo pueril, ou parva; no entanto, mais do que uma frase de Tuiavii deixará pensativo o leitor mais modesto, pois a sabedo…

O Reino da Estupidez

1. No final do século XIX correu um poema anónimo intitulado O Reino da Estupidez. A reforma da Universidade do Marquês de Pombal dera grande impulso às ciências exactas e naturais, criando as novas faculdades de Matemática e de Filosofia (Natural), incluindo também nesse impulso as artes e as ciências médicas e dando menos importância às faculdades de Teologia, Cânones e Leis, também reformadas, escolas estas que se encontravam, porém, no topo da hierarquia universitária. Afirmava-se, assim, uma acção de secularização da ciência. Criticando uma alegada reacção que se dera depois da morte de D. José, o poema afirmava que havia regressado a Coimbra a Estupidez, a qual se reinstalara no trono de Minerva. A Reforma Pombalina era, pois, tida como exemplo e, daí, o receio de que se queria destruí-la. Claro que este acto de dar à ciência um outro sentido e de lutar contra a velha ordem se integra num vasto movimento comum aos países da Europa, a que se chamou em Portugal “Iluminismo”, de q…

Exposição "Um Dia na Terra" - Gonçalo Cadilhe

Escola e instrução - por Eliandro Santos

Vivemos na era da informação, onde obter conhecimento nunca foi tão fácil. Basta possuir um qualquer “gadget” que nos permite aceder à internet e conseguimos saber um pouco sobre música, ciência, matemática… Para além disso temos acesso a Bibliotecas muito bem equipadas com vários materiais. Terá o conhecimento obtido dessa forma alguma relevância? Será a autodidaxia realmente boa, ou a escola como conhecemos continua a ser o melhor meio de obtenção de conhecimento? Vamos então ver o que torna a escola o método mais eficaz para obter instrução. Na escola cria-se um clima propício à aprendizagem, visto ser uma instituição com um fim bem definido e que para alcançar esse mesmo fim usa vários recursos e materiais. Como nos indica a palavra schola, da qual escola surgiu, que significa espaço dedicado apenas e só ao estudo. Além disso, o contacto com pessoas da mesma faixa etária que se encontram na mesma situação e compartilham as mesmas dúvidas, questões e objetivos constitui uma mais-v…

Crianças ultracongeladas - por Ricardo Araújo Pereira

Empresas como o Facebook estão a oferecer-se para pagar a congelação de óvulos às funcionárias, para que elas possam dedicar-se à carreira, adiando a maternidade. O Facebook tem 1,32 mil milhões de utilizadores, e muitos deles querem fazer like em frases inspiradoras ilustradas por fotos do pôr-do-sol, projecto que não conseguirão levar a cabo se as funcionárias da empresa desatarem a ter uma vida normal. Assim, quando elas quiserem ter filhos, já depois de terem desenvolvido algoritmos suficientes - ou lá o que se faz no Facebook - terão o óvulo fresquinho à sua espera. No entanto, uma vez que, do ponto de vista das empresas, nenhuma altura é oportuna para ter filhos, talvez o melhor seja guardar os óvulos no congelador até à reforma. Aos 65 anos, a funcionária poderá, então, incubar o filho sem prejuízo para o seu empregador, e com óbvias vantagens para si: tem tempo para dedicar à criança, sabedoria acumulada para lhe transmitir, e talvez não viva o suficiente para a ver chegar à …

Como se Escreve a História - livros indispensáveis

Como se escreve a História (1971) é uma obra de epistemologia histórica na linha dos primeiros trabalhos de Raymond Aron e de Henri-Irénée Marrou sobre «a filosofia crítica da história».  Publicado no início dos anos 70, fugindo às correntes marxistas e estruturalistas então dominantes, e apoiando-se em particular na metodologia elaborada pelo sociólogo alemão Max Weber, que considera ser, antes de mais nada, um historiador, este ensaio de Paul Veyne marca o renascer da reflexão sobre a história como modo de escrita. Durante muito tempo incompreendido, este livro rejeita toda a ambição globalizante da disciplina histórica. Esta edição inclui o ensaio inédito Foucault revoluciona a História, consagrado ao seu amigo Michel Foucault, e que tem como objectivo mostrar aos historiadores, muitas vezes reticentes em relação ao filósofo, a fecundidade da aplicação à história do método geneológico de Foucault. in wook.pt

Gigões & Anantes

Concerto de Música Barroca - Museu de Aveiro - Sábado 22/nov/2014

As obras que irão ser apresentadas neste concerto inserem-se na tradição da musica religiosa alemã que vai buscar as suas raízes ao movimento da Reforma protestante. Desde o séc .XVI que a música desempenhava um papel fulcral no culto religioso, tendo o próprio Martinho Lutero um papel determinante na fixação da sua importância na prática litúrgica. Neste concerto a morte é o tema comum às três obras, sendo abordada de uma perspetiva diferente em cada uma delas. Caraterística da mentalidade religiosa da época, a morte não é forçosamente encarada como algo negativo ou assustador. Na cantata de Buxtehude a morte significa um alívio do fardo das dores terrenas, pois é através da morte que se alcança a união plena com Jesus. Isso explica o carácter sereno, alegre e confiante desta obra. Já o KlagLied é uma obra muito particular pois junta quatro contrapontos bastante austeros sobre o coral “Mit Fried und Freud”, com um lamento sobre a morte do pai do compositor a partir de um texto escrit…

Quando te deres conta...

"Quando te deres conta de que para produzir necessitas obter a autorização de quem nada produz, quando te deres conta de que o dinheiro flui para o bolso daqueles que traficam não com bens, mas com favores, quando te deres conta de que muitos na tua sociedade enriquecem graças ao suborno e influências, e não ao seu trabalho, e que as leis do teu país não te protegem a ti, mas protegem-nos a eles contra ti, quando enfim descubras ainda que a corrupção é recompensada e a honradez se converte num auto-sacrifício poderás afirmar, taxativamente, sem temor a equivocar-te, que a tua sociedade está condenada. “ Ayn Rand (1950)

"O Cinema e a responsabilidade dos artistas no mundo atual" - Museu de Aveiro

Recital de Violino, Violoncelo e piano - Museu de Aveiro

Concerto integrado nos Festivais de Outono Museu de Aveiro 19 de Novembro de 2014 Entrada livre

Admirável Mundo Novo - livros indispensáveis

Publicado em 1932, Admirável Mundo Novo tornar-se-ia um dos mais extraordinários sucessos literários europeus das décadas seguintes. O livro descreve uma sociedade futura em que as pessoas seriam condicionadas em termos genéticos e psicológicos, a fim de se conformarem com as regras sociais dominantes. Tal sociedade dividir-se-ia em castas e desconheceria os conceitos de família e de moral. Contudo, esse mundo quase irrespirável não deixa de gerar os seus anticorpos. Bernard Marx, o protagonista, sente-se descontente com ele, em parte por ser fisicamente diferente dos restantes membros da sua casta. Então, numa espécie de reserva histórica em que algumas pessoas continuam a viver de acordo com valores e regras do passado, Bernard encontra um jovem que irá apresentar à sociedade asséptica do seu tempo, como um exemplo de outra forma de ser e de viver. Sem imaginar sequer os problemas e os conflitos que essa sua decisão provocará. Admirável Mundo Novo é um aviso, um apelo à consciência…

Os anos...

Os hábitos são diferentes. Para celebrá-los, nem é preciso esquecê-los ou trocá-los por alternativas, felizes ou desagradáveis. O melhor é interrompê-los e acrescentar-lhes desvios espontaneamente decididos que enaltecem, através da diversão, a felicidade subjacente.
Os dias ricos levam outro dia inteiro a contar. Só fazer a lista do que se fez cansa tão bem como nadar um quilómetro, devagarinho, num oceano vivo que nos consente. Dá gosto recontar, mesmo quando o dia foi ontem; mesmo quando o dia é hoje.
Complicar um dia não é desregrá-lo: é inventar novas regras para aplicar. O prazer é uma coisa só mas tem muitos caminhos. Experimentá-los é tão bom como descobri-los. Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (21 Set 2013) Parabéns maninha!

O triunfo dos porcos ( A quinta dos animais) - livros indispensáveis

Romance de George Orwell, cujo título original é Animal Farm, publicado em 1945. A história relata a revolução dos animais da quinta Manor, propriedade do senhor Jones.  O Velho Major, o mais respeitado porco, reúne, durante a noite, todos os animais da quinta e conta-lhes um sonho que tivera - a sua morte estava para breve e compreendia, então, o valor da vida. Explica logo aos companheiros que devem a sua miserável existência à tirania dos homens que, preguiçosos e incompetentes, usufruem do trabalho dos animais, vítimas de uma exploração prepotente. O Velho Major incita o grupo não só à rebelião, para derrotar o inimigo, como também a entoar o cântico de revolta "Animais de Inglaterra".  Três dias depois, morre o Velho Major. Mas a revolução prossegue, com novos líderes - os porcos Snowball, Napoleão e Squealer, que criam o Animalismo, como sistema doutrinário, com "Os Sete Mandamentos". Expulsam o dono da quinta e mudam o nome da propriedade para "Quinta …

1984 - livros indispensáveis

Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O'Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que "só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro". Quando foi publicada em 1949, poucos meses antes da morte do autor, essa assustadora distopia datada de forma arbitrária num futuro perigosamente próximo logo experimentaria um imenso sucesso de público. Seus principais ingredientes - um homem sozinho desafiando uma tremenda ditadura; sexo furtivo e lib…

Quem pode, foge.

Quem pode, foge. Muitos sujeitam-se a perder 40% do vencimento. Fogem para a liberdade. Deixam para trás a loucura e o inferno em que se transformaram as escolas. Em algumas escolas, os conselhos executivos ficaram reduzidos a uma pessoa. Há escolas em que se reformaram antecipadamente o PCE e o vice-presidente. Outras em que já não há docentes para leccionar nos CEFs. Nos grupos de recrutamento de Educação Tecnológica, a debandada tem sido geral, havendo já enormes dificuldades em conseguir substitutos nas cíclicas. O mesmo acontece com o grupo de recrutamento de Contabilidade e Economia. Há centenas de professores de Contabilidade e de Economia que optaram por reformas antecipadas, com penalizações de 40% porque preferem ir trabalhar como profissionais liberais ou em empresas de consultadoria. Só não sai quem não pode. Ou porque não consegue suportar os cortes no vencimento ou porque não tem a idade mínima exigida. Conheço pessoalmente dois professores do ensino secundário, com dout…

Crónica das palavras

Há muito se perdeu a noção de que as palavras têm honra. Políticos servem- -se delas para mentir, ocultar, dissimular a verdade dos factos e as evidências da realidade. Mas também escritores e jornalistas as debilitam e as entregam às suas pessoais negligências. Não é, somente, uma questão de gramática e de estilo; mas é, também, uma questão de gramática e de estilo. Há escritores e jornalistas que o não são à força de o querer ser. A confusão instalou-se, com a cumplicidade leviana de uma crítica pedânea e de um noticiário predisposto a perdoar a mediocridade e a fraude. As palavras possuem cores secretas, odores subtis, densidades ignoradas. O discurso político conduz-nos ao nojo da frase. Pessoalmente, tento limpar o reiterado registo da aldrabice e da ignorância com a releitura dos nossos clássicos. Recomendo o paliativo. Eis-me às voltas com as Viagens na Minha Terra. Garrett não era, propriamente, uma flor imaculada. Mas foi um mestre inigualável na arte da escrita. Lembro-o po…

O marketing e a ética

Problemas a pensar...
"O marketing das causas sociais está muito em voga nos últimos anos. Cada vez mais os consumidores apoiam as empresas que se identificam com uma determinada causa social e, nos EUA, já há uma organização que serve de fórum para os gestores e empresários que utilizam esta nova forma de marketing e que os aconselha nas medidas a tomar com vista ao sucesso. Apesar de todo este crescimento, o marketing das causas sociais continua a deparar-se com críticas de todos os sectores da sociedade e com questões ainda não resolvidas. Pode-se perguntar se é justo utilizar uma causa social para promover os produtos de uma certa empresa? Quais são os limites de "exploração" dessa causa? Será que é compatível com a própria empresa e com os produtos por ela distribuídos? Estas e mais questões são ainda hoje muito discutidas e tem-se quase a certeza que é impossível virem a ter uma resposta concreta pois é possível argumentar muito em torno de uma questão tão abstra…

Educação, prova de estafetas!

Em algumas escolas, o arranque do ano letivo foi mais problemático do que em anos anteriores, agravado por uma inovação não testada, a Bolsa de Contratação de Escola (aplicada às escolas que celebraram contratos de autonomia e a escolas inseridas em territórios educativos de intervenção prioritária). Se, numa primeira fase, o algoritmo e a fórmula de cálculo das graduações estavam erradas, a par da subjetividade de interpretar e responder a alguns subcritérios, numa fase posterior percebeu-se a enorme dificuldade em operacionalizá-la, pois era atribuído ao mesmo professor mais do que um horário, a verificação/validação dos dados dos candidatos eram efetuados na altura, etc. O Ministério da Educação e Ciência (MEC) não cuidou de fazer um teste com a devida antecedência, quase ferindo de morte a legitimidade dos estabelecimentos de ensino definirem um perfil de professor que pretendem para a sua instituição. A partir do momento em que a gestão do processo passou do MEC para as mãos dos…

Um novo rumo para a escola - por M.M.Carrilho

Não vale a pena falar de Nuno Crato nem das "salsichas educativas" do primeiro--ministro. O que é preciso é começar a preparar outro futuro para a escola. E o facto essencial é este: a escola deixou cada vez mais, nas últimas décadas, de transmitir saberes e conhecimentos, valorizando no seu lugar o ato de aprender que, (...) se tornou por sua vez progressivamente mais vago e indefinível. A transmissão consistia, tradicionalmente, numa espécie de transferência de saberes e de símbolos herdados do passado, que o aluno devia acolher e assimilar. Ao valorizar o aprender aposta-se, pelo contrário, na autoconstrução individual do conhecimento. E se não se pode, nem deve, duvidar que os tempos da transmissão autoritária são tempos definitivamente ultrapassados, também não se deve, nem pode, deixar de reconhecer que o modelo do aprender que a substituiu rapidamente colapsou, incapaz de conduzir a uma escola formadora, estimulante e eficaz. Para fazer a escola sair deste impasse e …

O hip hop - por Afonso Carvalho

"Boa tarde! Parto do princípio que todos nós, presentes e ausentes, ouvimos música: seja para relaxar após um longo dia de escola, quer em momentos de tristeza e desespero, ou quando as únicas palavras de conforto que escutamos vêm da boca do cantor(a) que escolhemos ouvir. Pois bem, e quanto ao tipo de música que ouvimos, terá isso alguma relação com a personalidade de cada um de nós? Se ouço jazz, isso faz de mim uma pessoa mais "culta" que as outras? Se ouço algo mais pop, serei apenas um "ouvinte barato"? Se ouço heavy metal então quem eu louvo é "Satanás"? E se ouço hip hop, o que é que eu sou? - um toxicodependente, um hipócrita egoísta que só quer fama, dinheiro e mulheres? Está na altura de acabar com os preconceitos no que toca aos vários estilos de música existentes. Neste caso vou falar dos preconceitos para com o hip hop. Estereótipos, no hip hop, é o que não falta. Se o que eu ouço é rap então isso faz de mim um indivíduo violento e per…

A liberdade é a possibilidade do isolamento

A liberdade é a possibilidade do isolamento. És livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade de dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silêncio e na solidão não podem ter alimento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo. Podes ter todas as grandezas do espírito, todas da alma: és um escravo nobre, ou um servo inteligente: não és livre. E não está contigo a tragédia, porque a tragédia de nasceres assim não é contigo, mas do Destino para si somente. Ai de ti, porém, se a opressão da vida, ela própria, te força a seres escravo. Ai de ti se, tendo nascido liberto, capaz de te bastares e de te separares, a penúria te força a conviveres. Essa, sim, é a tua tragédia, e a que trazes contigo. Nascer liberto é a maior grandeza do homem, o que faz o ermitão humilde superior aos reis, e aos deuses mesmo, que se bastam pela força, mas não pelo desprezo dela. A morte é uma libertação porque morrer é não p…

Manifestos políticos (exemplo de texto argumentativo)

"Este é o momento de mobilizar os cidadãos de esquerda que se revêem na justiça social e no aprofundamento democrático como forma de combater a crise. Não podemos assistir impávidos à escalada da anarquia financeira internacional e ao desmantelamento dos estados que colocam em causa a sobrevivência da União Europeia. A UE acordou tarde para a resolução da crise monetária, financeira e política em que está mergulhada. Porém, sem a resolução política dos problemas europeus, dificilmente Portugal e os outros Estados retomarão o caminho de progresso e coesão social. É preciso encontrar um novo paradigma para a UE. As correntes trabalhistas, socialistas e sociais-democratas adeptas da 3ª via, bem como a democracia cristã, foram colonizadas na viragem do século pelo situacionismo neo-liberal. Num momento tão grave como este, é decisivo promover a reconciliação dos cidadãos com a política, clarificar o papel dos poderes públicos e do Estado que deverá estar ao serviço exclusivo do inte…

I have a dream - discurso integral legendado em português do Brasil

"King e os seus assessores trabalharam no texto durante uma semana e o reverendo continuou a refazer o discurso até ao último minuto, eliminando palavras e introduzindo novas frases. Na véspera do discurso, o rascunho não continha qualquer referência a um "sonho". A maior parte dos americanos ouviu Martin Luther King discursar pela primeira vez na Marcha em Washington, a maior manifestação em defesa da igualdade racial na história dos Estados Unidos. Duzentas e cinquenta mil pessoas assistiram ao vivo, diante do Lincoln Memorial. Milhões viram-no na televisão ou ouviram-no na rádio. As três televisões que existiam na altura cobriram o discurso ao vivo, o que nunca tinha acontecido. Toda a gente esperava que o seu discurso - que só aconteceu no final (...) fosse o momento decisivo da marcha. Ele lembrava que a América estava a negar direitos básicos aos seus cidadãos negros."
Kathleen Gomes,  in http://publico.pt/temas/jornal/ele-teve-um-sonho-26930400

A única obrigação é não sermos imbecis

“Sabes qual é a única obrigação que temos nesta vida? Pois é a de não sermos imbecis. A palavra “imbecil” é mais densa do que parece, não duvides. Vem do latim baculus, que significa bastão: o imbecil é o que precisa de um bastão ou bengala para andar. Que não se zanguem connosco os coxos nem os velhos, porque a bengala a que nos referimos não é a que muito legitimamente se usa para ajudar a sustentar-se e a andar um corpo enfraquecido por algum acidente ou pela idade. O imbecil pode ser tão ágil quanto se queira e dar saltos como uma gazela olímpica, não é disso que se trata. Se o imbecil coxeia não é dos pés, mas do espírito: é o seu espírito que é enfermiço e manco, embora o seu corpo possa dar cambalhotas de primeira. Há imbecis de diversos modelos, à escolha: a) O que acredito que não quer nada, o que diz que para ele é tudo igual, o que vive num perpétuo bocejo ou numa sesta permanente, mesmo que tenha os olhos abertos e não ressone. b) O que acredita que quer tudo, a primeira c…

Ethos, Pathos e Logos

Quando o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) escreveu os três livros que compõem a “Retórica” possivelmente estaria longe de imaginar que passados vários séculos a sua obra continuaria actual e útil para quem procura persuadir o seu público-alvo por meio da retórica. Segundo Aristóteles, existem três aspectos fundamentais na persuasão. São eles: ethos, pathos e logos. O Ethos refere-se às características do orador que podem influenciar o processo de persuasão, como a sua autoridade, honestidade e credibilidade em relação ao tema em análise. A capacidade de dialogar do orador e a sua apresentação também estão incluídas nas competências que poderão levar à persuasão. Por sua vez, o Pathos refere-se ao apelo ao lado emocional do público-alvo. Por exemplo, quando o orador, que se apresenta como membro da audiência, apela às emoções desta última através de metáforas ou de manifestações físicas de emoções (como sorrisos ou lágrimas). Para isso, é imprescindível ter um conhecimento antecipad…

Palestra sobre geologia

Faculdade de Direito de Coimbra proíbe debate sobre ideologias

A notícia é do JN de hoje, 4/11/2014



Responsabilidade

A responsabilidade é normalmente encarada pelo lado do «mando» ou pelo lado da «culpa». O responsável» tão depressa é o «chefe» como é o «réu», quando não é na mesma pessoa que estas duas funções ambivalentes convergem. Quem se quer des-responsabilizar rapidamente rejeita tanto o ónus de ser chamado à pedra como os galões do posto de comando. A responsabilidade assoma igualmente sob o ângulo da imputabilidade no que toca a um pedir e a um prestar de contas relativamente a um campo ou domínio de que se detém o encargo. Neste caso, entra na compreensão do conceito de responsabilidade a obrigação simétrica de submeter à apreciação crítica de outrem os poderes de que, de algum modo, se foi (por exemplo, socialmente) incumbido. No fundo, porém, a responsabilidade tem a ver com resposta. Não apenas segundo a vertente da réplica, em que a um estímulo determinado se segue a competente reacção, mas fundamentalmente no sentido de que a um problema ou situação problemática se encontra quem forne…

SNS e Portugal - Jantar conferência

Noções de Liberdade - 5

Sempre que leio nos jornais:
«De casa de seus pais desapar'ceu...»
Embora sejam outros os sinais,
Suponho sempre que sou eu.

Eu, verdadeiramente jovem,
Que por caminhos meus e naturais,
Do meu veleiro, que ora os outros movem,
Pudesse ser o próprio arrais.

Eu, que tentasse errado norte;
Vencido, embora, por contrário vento,
Mas desprezasse, consciente e forte,
O porto do arrependimento.

Eu, que pudesse, enfim, ser eu!
- Livre o instinto, em vez de coagido.
«De casa de seus pais desaparceu...»
Eu, o feliz desapar'cido!

Carlos Queirós, in 'Desaparecido'

Noções de liberdade - 4

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.

Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.

Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.

E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.

Carlos Marighella

Noções de Liberdade - 3

Na tua mão, sombrio cavaleiro,
Cavaleiro vestido de armas pretas,
Brilha uma espada feita de cometas,
Que rasga a escuridão como um luzeiro.

Caminhas no teu curso aventureiro,
Todo involto na noite que projectas...
Só o gládio de luz com fulvas betas
Emerge do sinistro nevoeiro.

— «Se esta espada que empunho é coruscante,
(Responde o negro cavaleiro-andante)
É porque esta é a espada da Verdade.

Firo, mas salvo... Prostro e desbarato,
Mas consolo... Subverto, mas resgato...
E, sendo a Morte, sou a Liberdade.»

Mors Liberatrix, Antero de Quental, in "Sonetos"