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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2011

Colóquio, Bernard Lonergan: "Os Valores não são Mentira" - 1 de Abril

Por ocasião do lançamento em Portugal da obra “Insight - Um estudo do conhecimento humano, de Bernard Lonergan (1904-1984), “considerado por muitos intelectuais o mais sofisticado filósofo do séc. XX”, segundo a revista TIME, o CEFi da Universidade Católica Portuguesa promove, no dia 1 de Abril próximo, um Colóquio intitulado “Os valores não são mentira”, que se propõe aprofundar questões sobre a crise presente na perspectiva da Filosofia, da Economia e da Teologia. O evento poderá ser seguido na íntegra através do link: http://tv.azoresglobal.com/ de forma a alcançar um público global. Esta transmissão é possível graças a uma parceria entre o CEFi e a Via Oceânica, Açores. Insight: Um Estudo do Conhecimento Humano é a obra-prima do filósofo canadense Bernard Lonergan, agora traduzida para língua portuguesa no âmbito de um projeto de investigação do CEFi, Centro de Estudos de Filosofia, da Universidade Católica Portuguesa, patrocinado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. A inte…

A ética das decisões reversíveis

"A fronteira entre a democracia e a tirania pode ser estreita e quase invisível. Aliás, a força da democracia está em reconhecer os seus limites, em reconhecer que não tem legitimidade para decidir sobre tudo. Quando tal não acontece, reúnem-se condições para que a democracia se tiranize. Na verdade, ao existirem, nos Estados, Constituições que definem pressupostos que consideram intocáveis, como seja, no caso da Constituição da República Portuguesa, a dignidade da pessoa humana, está a reconhecer-se a existência de verdades pressupostas que não são susceptíveis de democratização, isto é, de alteração por decisão da maioria. A sua modificação constituiria uma mudança de tal ordem que os regimes se sentiriam postos em causa. Por isso é que, com frequência, se recorre ao apelo à verificação da constitucionalidade de uma determinada lei.
Ora, quando os Estados aligeiram esta preocupação e tendem a democratizar o que deveria escapar a tal condição, podem reunir-se condições para que…

A propósito da "democratização da Democracia"

O exercício do poder baseia-se na delegação feita pelo povo conferindo aos eleitos a "função" de representação do mesmo (na base está, historicamente, o designado "contrato social"). O "cidadão eleito" está comprometido por um mandato dos seus eleitores, pressupondo-se que procurará satisfazer as promessas que motivam os votos obtidos nas urnas. A lógica da luta política baseia-se na procura de um grupo ou assembleia que realmente represente as diversas vontades.
O texto "Três sugestões para democratizar a democracia " é de fácil simpatia, o que em nada lhe tira o valor. Contudo, a meu ver, sofre de alguns problemas que gostaria de partilhar consigo.
"Nulos e brancos representados"
"A priori" e sem grande meditação posso concordar com a ideia geral do texto, mas a verdade é que este padece de algumas enfermidades: ao votar estou a escolher representantes. Não é, pois, o momento de me manifestar contra a "insuficiência d…

Era uma vez... mais uma vez, a Política!

"Era uma vez um rei que se preocupava com a felicidade do seu povo... O seu pequeno e fechado reino situa-se nos Himalaias, numa Terra do Dragão encravada entre a China e a Índia. Além de pequeno, o Butão (assim se chama esse reino) é considerado uma das menores e menos desenvolvidas economias do mundo. Mas numa coisa o Butão é grande: a Felicidade Interna Bruta é o factor mais importante. O mundo começa a reparar na sua inovadora forma de medir FIB em vez de PIB. No passado dia 20, o primeiro-ministro deste país pequenino falou perante as Nações Unidas, na monumental e capital do mundo, a cidade de Nova Iorque. Encheu a boca com a palavra "felicidade" - que provoca alguma estranheza e arrepios a muitos políticos - e defendeu que ela devia ser considerada pela comunidade internacional o nono Objectivo de Desenvolvimento do Milénio." DN - Céu Mota, Setembro 2010
E agora em jeito de apontamento... "Político" deriva do latim politicus e anteriormente do greg…

Três sugestões para democratizar a democracia - por Luís Pereira da Silva

De cada vez que o povo é chamado às urnas, é tal a distância do povo em relação ao acto que mais parece que alguém confundiu os termos e pensa tratar-se de algum enterro. E, se é inquietante este afastamento, não o é menos que os decisores políticos não retirem deste tremendo sinal as suas implicações.
Na verdade, considero que a abstenção resulta de um profundo sentimento de que já não vale a pena e, por isso, denuncia a existência de um vulcão adormecido que, tal como os verdadeiros, se não tiver pequenos géiseres e fumarolas que permitam libertar a energia acumulada, rebentará, mais cedo do que tarde, com uma violência descontrolada. Que o digam as recentes convulsões no Norte de África!
Neste sentido, vale a pena começar por recordar que o que mais conduz à percepção de que não vale a pena é a mentira e a falta de inteligência na interpretação dos sinais que se dão.
Para a convicção de que a mentira está instalada na democracia portuguesa contribui, no meu entendimento, a discrep…

"Ciência e religião. Afinal o diálogo é possível" - Jornal I

Dogmáticas e imperfeitas. A ciência e a fé têm muito em comum, por exemplo, nenhuma consegue explicar o sentido último das coisas
Ciência e religião, afinal, podem coabitar. E se a ciência não consegue demonstrar que Deus não existe, a fé também não consegue provar o contrário. Amanhã, um teólogo e um químico vão tentar mostrar que é possível o diálogo entre a ciência e o cristianismo, no primeiro simpósio sobre fé e cultura no Instituto de Ciências Religiosas de Aveiro (ISCRA). A fé, explica o teólogo jesuíta Alfredo Dinis, apresenta desafios à ciência. "Como a ciência impõe desafios à fé", acrescenta. A fé dissuade os homens de ciência de quererem ter "a resposta última para o sentido do universo e da vida". Mas o domínio da fé também precisa de reconhecer que, de entre as suas respostas, "muitas ficam por dar". Os próprios avanços da ciência, considera o teólogo, são positivos para a fé, apesar de nem sempre o cristianismo e os cientistas dialogarem de…

É já amanhã! "As intermitências do diálogo entre Ciência e Cristianismo"

CICLO DE CINEMAVIDA - ALTERAÇÃO

No próximo mês de Maio, entre os dias 15 e 22, o ISCRA vai promover o 2º Ciclo de Cinema subordinado ao tema "Vida", articulado com as subtemáticas da "deficiência", da "doença terminal" e da "terceira idade".
Promete bastante interesse no que respeita à temática dos Valores no programa de Filosofia do 10º ano. Todos os filmes serão seguidos de debate.
Por imperativos da Organização, houve uma alteração nos filmes escolhidos e, naturalmente, nos convidados. O cartaz que anteriormente tínhamos divulgado fica assim sem efeito. Consulte aqui mais informação: http://www.iscra.pt/

Apontamento: noção de dilema moral (por W. Sinnott-Armstrong)

Dilema moral:
1) Qualquer problema em que a moralidade seja relevante.
Este uso lato inclui não apenas conflitos entre razões morais, mas também conflitos entre razões morais e razões legais, religiosas ou relacionadas com o interesse próprio. Neste sentido, Abraão encontra-se num dilema moral quando Deus lhe ordena que sacrifique o seu filho, ainda que ele não tenha qualquer razão moral para obedecer. Analogamente, encontro-me num dilema moral se não puder ajudar um amigo que esteja com problemas sem renunciar a uma lucrativa mas moralmente neutra oportunidade de negócio.
«Dilema moral» refere-se também muitas vezes ao seguinte:
2) Qualquer área temática em que não se sabe o que é moralmente bom ou certo, se é que algo o é.
Por exemplo, quando se pergunta se o aborto é de algum modo imoral, podemos chamar ao tópico «o dilema moral do aborto». Este uso epistémico não implica que algo seja realmente de todo em todo imoral.
Recentemente, os filósofos morais têm vindo a discutir como «d…

BIOÉTICA - O Aborto (por Pedro Galvão)

Será que o aborto é eticamente permissível? (...) É inegável que este debate está acentuadamente polarizado, mas importa observar que, em rigor, não existem apenas duas posições possíveis a respeito da permissividade do aborto, já que tanto os críticos como os defensores do aborto podem avançar a sua posição básica com maior ou menor radicalidade. Entre os que subscrevem a posição pró-escolha (ou «liberal»), alguns pensam que abortar é sempre permissível, mas outros revelam-se dispostos a aceitar que, a partir de uma certa fase (bastante avançada) da gravidez, o aborto torna-se objectável ou mesmo profundamente errado. Do mesmo modo, alguns defensores da posição pró-vida (ou «conservadores») declaram que abortar é sempre impermissível ou errado, mas outros demarcam-se desta perspectiva absolutista, afirmando apenas que o aborto é errado prima facie e admitindo, portanto, algumas circunstâncias excepcionais em que abortar é uma opção eticamente aceitável. As excepções mais salientes di…