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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2011

Exame de Filosofia no próximo Ano?

"O exame de Filosofia deverá voltar a ser obrigatório, já no próximo ano lectivo, para a conclusão do ensino secundário. Esta garantia foi dada pelo Ministério da Educação à Sociedade Portuguesa de Filosofia (SPF), indicou Ricardo Santos, presidente da SPF ao PÚBLICO.
O último exame de Filosofia realizou-se em 2007. Tendo sido decidido o fim desta prova, realizada no 11.º ano, dois anos antes pelo Ministério da Educação. A disciplina de Filosofia deixou também de ser obrigatória no 12.º ano dos cursos científico-humanísticos, geralmente escolhidos pelos estudantes que querem prosseguir estudos. Deste modo deixou também de figurar entre as provas de acesso pedidas pelas instituições do ensino superior.
Estas medidas foram contestadas pela sociedade portuguesa e pela associação de professores de Filosofia e também por vários responsáveis do ensino superior, que alertaram para o perigo de uma morte a prazo da disciplina. O Ministério da Educação não forneceu números sobre a evolução …

O Bem e o Belo em Platão (apontamento)

"Ao contrário dos sofistas, para os quais tudo dependente em última instância de interesses particulares, Platão concebe toda a sua filosofia em torno de um ideal supra humano: a ideia de Bem.
1.O Bem, o Belo, o Uno e o Ser são as quatro ideias que Platão colocou acima de todas as outras ideias e das quais todas provém. Todas elas se implicam entre si, como se fossem aspectos de uma mesma coisa.
2. A ideia de Bem é o fim para que tende todo o ser vivo. O bem é o fundamento da teoria do conhecimento, mas também da ontologia.
3. A ideia de Bem é comparada na República com o Sol, cuja luz torna os objectos da natureza visíveis, conferindo-lhes importância, valor e beleza. O Bem é desta forma aquilo que dá o ser aos objectos do conhecimento.
4. O Bem e o Belo proporcionam ao cosmos a sua ordem, medida e unidade. No Timeu afirma: "Tudo o que é bom é belo. Ora, o belo não é desprovido de medida, de modo que um ser vivo, destinado a ser belo, deve ter-se por proporcionado...".
A…

Estética e Religião - à procura da ligação...


O Sagrado atinge-se pela "emoção": não só como um "sentimento" no sentido psicológico, mas potenciado pela razão na metafísica, quando falamos da noção do "uno" e do "absoluto".
Alcança-se mediante uma intuição estética na presença do sublime e no reconhecimento dos "binómios" "sujeito-objecto", "eu-outro", "finito-infinito"... É óbvio, e as reflexões que temos feito assim o "atestam", que o absoluto não é atingido pela experiência empírica, pelo conhecimento, pela vontade ou mesmo pela ética.
Na unidade da experiência estética conseguimos as relações entre esses "polos" e, como tal, o Infinito surge como dependente, em absoluto, do "sentir estético". O "sentimento" é seguramente reconhecido de modo imediato na consciência e, pelo sentido, transmuta a sua natureza, transmuta-se metafisicamente. Vale a pena pensar nisto!... F.Lopes

Apontamento - visão geral da Ética na história

 "A sociedade ocidental tem os seus princípios éticos construídos nas bases dos conceitos gregos e judaico-cristãos. A Ética dos povos ocidentais está classificada filosoficamente em cinco grandes tradições: Ética Aristotélica, Ética do Utilitarismo, Ética Kantiana, Ética do Contratualismo e Ética do Relativismo. Se filosoficamente situamos a Ética dentro das cinco linhas acima, historicamente a Ética ocidental pode ser dividida em Ética grega, Ética judaico-cristã medieval, Ética moderna e Ética contemporânea. Não se pode esquecer que a Ética na história é bem reduzida, pequena diante da moral, que se torna infindável através dos tempos. Cronologicamente a moral modifica-se constantemente, mudando o curso da própria história, enquanto que a Ética permanece mais como filosofia. Na Grécia antiga encontramos em diversos filósofos a abordagem de reflexões sobre os problemas morais. Aqui surgem os princípios das chamadas éticas humanísticas, que tomam o ser humano como a medida de toda…

De ateu a deísta - Antony Flew

"Antony Flew nasceu em Londres, em 1923, e foi professor em Oxford e noutras grandes universidades. O seu ateísmo tornou-se lendário - "Theology and falsification", de 1955, foi, segundo alguns, o artigo filosófico mais lido da segunda parte do século XX. Por isso, a sua conversão, em 2004, foi tão polémica. O livro que a explica, "There is a God: How the World's Most Notorious Atheist Changed His Mind" (Harper, 2007), foi best-seller e semeou um debate filosófico intenso. Flew, que tinha sido mais sensível aos argumentos científicos do que aos metafísicos, baseou a sua mudança nas descobertas recentes da cosmologia e da física. Destacava o big bang e a ideia de que as constantes da física estavam "finamente sintonizadas" para permitir o surgimento da vida.
Tudo isto tornou Flew num dos filósofos contemporâneos mais conhecidos. Mas a minha admiração pelo pensador inglês vem de outras polémicas e de outros tempos. Nos anos 60, a dita "nova s…

"Explicação" e "Sentido" - A questão de Deus em Dawkins


Se um ateu afirmar que "Deus não existe", afirma um conhecimento: o de que "Deus não existe". Como chegou a essa conclusão? Terá que o demonstrar? Em caso contrário, verifica-se apenas uma "fé cega" de que Deus não existe? A questão continua, não morre aqui; o jogo do "empurra" está presente ao longo da história: a tarefa de "provar" será de quem se preocupa em afirmar a existência do sobrenatural e, que eu saiba, não existem quaisquer provas da sua existência: exigir de quem não acredita, que demonstre a inexistência de Deus, será, portanto, pouco coerente. Penso que para qualquer ateu será absurdo "provar" a existência daquilo que, do seu ponto de vista, é meramente conceptual, tal como será igualmente absurda a perspectiva de "demonstrar" a sua inexistência. Se não há provas, poderemos perguntar por "indícios". Mas então, o posicionamento individual que serve de ponto de partida ao discurso sobre o sag…

"Nada na vida vale o (...) que somos" - Agostinho da Silva

"Creio primeiro, que o mundo em nada nos melhora, que nascemos estrelas de ímpar brilho, o que quer dizer, por um lado, que nada na vida vale o homem que somos, por outro lado que homem algum pode substituir a outro homem. Penso, portanto, que a natureza é bela na medida em que reflecte a nossa beleza, que o amor que temos pelos outros é o amor que temos pelo que neles de nós se reflecte, como o ódio que lhes sintamos é o desagrado por nossas próprias deficiências, e que afinal Deus é grande na medida em que somos grandes nós mesmos: o tempo que vivemos, se for mesquinho amesquinha o eterno." Agostinho da Silva Textos e Ensaios Filosóficos I, Âncora Ed., Lisboa, 1999

O Estado do Mundo Segundo Três Interrogações - por Boaventura de Sousa Santos

"Vivemos num tempo de perguntas fortes e de respostas fracas. As perguntas fortes são as que se dirigem não apenas às nossas opções de vida individual e colectiva, mas sobretudo às raízes, aos fundamentos que criaram o horizonte das possibilidades entre que é possível optar. São, por isso, perguntas que causam uma perplexidade especial. As respostas fracas são as que não conseguem reduzir essa perplexidade e que, pelo contrário, a podem aumentar. As perguntas e as respostas variam de cultura para cultura, de região do mundo para região do mundo. Mas a discrepância entre a força das perguntas e a fraqueza das respostas parece ser comum. Decorre da multiplicação em tempos recentes das zonas de contacto entre culturas, religiões, economias, sistemas sociais e políticos e formas de vida diferentes em resultado do que chamamos vulgarmente globalização. As assimetrias de poder nessas zonas de contacto são hoje tão grandes quanto eram no período colonial, se não maiores. Mas são hoje mu…

Um olhar sobre nós: Papalagui - (Um livro a não perder)

"(...) Podereis reconhecer também o Papalagui (1) pelo seu desejo de nos fazer crer que somos pobres e miseráveis e que necessitamos de muita ajuda e piedade, em virtude de não possuirmos «coisas».
Queridos irmãos destas muitas ilhas: permiti que vos diga o que é uma «coisa». Há duas espécies de coisas. Há coisas que o Grande Espírito cria sem nós vermos e que nos não exigem, a nós, humanos, qualquer esforço ou trabalho, coisas tais como a noz de coco, a concha e a cabana, e há coisas que os homens criam, que exigem muito esforço e trabalho, tais como o anel, o prato ou o enxota-moscas. Para quê ser parvo, para quê criar ainda mais coisas para além das coisas sublimes que o Grande Espírito nos dá? Nunca, mas nunca, poderemos nós igualá-lo, porquanto o nosso espírito é demasiado pequeno e demasiado fraco para se medir com o poder do Grande Espírito, e a nossa mão demasiado fraca para se medir com a sua mão magnífica e possante. Tudo quanto fizermos será medíocre, nem sequer vale a…

Capitalismo vs Socialismo - por Mário Soares

"A grande crise em que o mundo parece ter mergulhado, aprofunda-se todos os dias e atinge todos os Continentes. É uma crise verdadeiramente global cujo remédio não surge claro, para ninguém.
Durante os anos de esperança que se viveram nas décadas "gloriosas", após a hecatombe da II grande guerra, os comunistas anunciavam a crise geral do capitalismo que não deixaria de aí vir, segundo as análises marxistas. Houve, de facto, pequenas crises mas nada que se comparasse com a grande crise de 1929, que parecia ser a máxima referência maligna.
O capitalismo reformulou-se. Surgiram as sociedades de bem-estar, a segurança social para todos, o new deal de Roosevelt, o trabalhismo inglês e as nacionalizações do post-guerra e o socialismo democrático dos nórdicos, e a pouco e pouco, com nuances, do resto dos países europeus que pareciam assegurar a paz, o bem-estar e uma certa harmonia social. Tanto mais que se generalizaram a quase toda a Europa Ocidental, com as excepções negras…

Ética e ambiente

"Falar de Ética do Ambiente, ou das relações entre a ética e a ecologia, é antes de mais reflectir sobre as relações entre o comportamento humano e as consequências dessa intervenção sobre o ambiente, que de um modo geral se identifica com o conceito de natureza, ou ambiente natural.
Efectivamente a relação do Homem com a natureza conheceu uma enorme alteração ao longo dos tempos. Inicialmente os homens estavam de tal modo expostos aos seus ritmos que o único objectivo que ambicionavam era a simples sobrevivência. Posteriormente a evolução da técnica permitiu ao Homem não só resistir às suas agressões como também em colocar as energias naturais ao seu serviço das necessidades de transformação dos recursos naturais. A modernidade trouxe consigo uma nova postura: já não se tratava de utilizar a natureza em seu proveito mas de a dominar, subjugar.
A actividade humana começou, assim, a ter um impacto sem precedentes na natureza, cujas consequências ainda que não totalmente previsíveis,…

(De volta ao âmbito dos valores políticos) Críticas e dificuldades do Governo - F. Pessoa

"(...) É preciso, contudo, que as sociedades, sejam o que forem, se governem; é forçoso que haja um Estado de qualquer espécie. E esse Estado é chamado a governar uma coisa que não sabe ao certo o que é, a legislar para uma entidade cuja essência desconhece, a orientar um agrupamento que segue (sem dúvida) uma orientação vital que se ignora, derivada de leis naturais que também se ignoram, e que pode portanto ser bem diferente daquela que o Estado pretende imprimir-lhe. Assim o mais honesto e desinteressado dos políticos e dos governantes nunca pode saber com certeza se não está arruinando um país ou uma sociedade com os princípios e leis, que julga sãos, com que se propõe salvá-la ou conservá-la.
(...)"

Páginas de Pensamento Político. Vol II. Fernando Pessoa

Ética e moral

Este vídeo serve o propósito de ser "ilustração e clarificação" de dois conceitos fundamentais e distintos: Ética e Moral. A linguagem é simples, a comunicação bem disposta e possui o rigor necessário. Simultaneamente deixa algumas pistas para os que estão envolvidos na preparação do esquema do trabalho sobre a ética.


A Política - Aristóteles (apontamento)

Para Aristóteles a Política é a "ciência suprema" à qual todas as ciências devem servir.
A tarefa da Política é descobrir a melhor forma de governo, as instituições mais capazes, com o fim de permitir a felicidade da sociedade em geral. Ainda segundo Aristóteles, a juventude deve evitar os cargos públicos já que é naturalmente imprudente e "segue facilmente" as suas "paixões".
Embora não tenha proposto um modelo de Estado como fez o seu mestre Platão (República), Aristóteles é o grande sistematizador da "ciência" das causas e das coisas públicas: procurou fazer uma filosofia essencialmente prática. O interesse pela causa pública e o seu estudo serão o lugar natural para o homem, só podendo conceber-se o indivíduo no seio do Estado: "o homem é um animal social e político por natureza". A "πολις" (pólis) é uma necessidade humana. "Quem não necessita de viver em sociedade, ou é um Deus ou uma Besta". Para Aristóteles, t…

Platão (Democracia e outros modelos de poder)

"(...) Platão designa (como alguns autores) por democracia um regime que pode ser, de todos, o mais belo, e por muitos julgado o mais belo de todos. Segundo ele, é aqui que se deve procurar um regime, pois nele próprio se encontram os vários tipos de regime, como numa espécie de “bazar ((ou feira)) de regimes” (VIII – 557 – c)-d). Contudo, não deixa de assinalar as suas debilidades, que alguns autores (como, por exemplo, Prélot e Lescuyer) sublinham, apresentando um Platão claramente anti-democrático (o que não se deduz claramente do seu texto integral e no contexto): “Eis, volvi, além de outros que se lhe assemelham, os traços característicos da democracia: é um regime cativante, desprovido de autoridade, mas não sem um furta-cores até bizarro, e que não olha à igualdade nem à desigualdade dos sujeitos na dispensação do mesmo tratamento igualitário.” (VIII – 558 – c). Assim, o homem democrático será múltiplo, podendo haver vários tipos humanos democráticos (tal como de regimes q…

Igualdade de Oportunidades


"A discriminação não é apenas imoral, é também uma prática ilegal. As directivas europeias obrigam todos os estados membros a introduzir ou actualizar as suas legislações para garantir que todos os europeus gozam da mesma protecção contra as desigualdades de tratamento.
Uma sociedade mais justa, saudável e com coesão social deve basear-se num forte sentido de iniciativa e de responsabilidade das pessoas e organizações numa sociedade civil participativa, num Estado Social eficiente, justo e flexível, funcionando com fortes parcerias com a sociedade civil. Este desafio exige, entre outros aspectos, que se tenha em devida atenção a igualdade de oportunidades, nomeadamente a igualdade de género e dos grupos sociais mais desfavorecidos, como instrumento de mobilidade social."

in: http://www.gtcdi-fafe.org/

Diversidade

"A expressão mais bela e enriquecedora da vida humana é a sua diversidade. Uma diversidade que nunca pode servir para justificar a desigualdade. A repressão da diversidade empobrece a raça humana. É nosso dever facilitar e reforçar a diversidade a fim de chegar a um mundo mais equitativo para todos. Para que exista a igualdade, devemos evitar as normas que definem o que deve ser uma vida humana normal ou a forma normal de alcançar a felicidade. A única qualidade normal que pode existir entre os seres humanos é a própria vida."

Oscar Arias, Prémio Nobel da Paz

Opinião política (J.A.S.) - O mito da Igualdade

"Um estudo sobre as desigualdades sociais, que coloca Portugal na cauda da Europa, desencadeou no país uma onda de comentários. Seguindo um hábito tipicamente português, muitos daqueles que se pronunciaram sobre o tema nem sequer tinham lido o estudo, que de resto não estava ainda publicado. Tinham-se limitado a ler uma notícia de jornal.
Esta questão das desigualdades, sendo muito sensível, encerra uma ratoeira.
Em Portugal, há desigualdades sociais chocantes e moralmente inaceitáveis.
Mas atenção: o contrário é tão mau ou pior. As experiências que tentaram implantar no mundo sociedades totalmente igualitárias revelaram-se desastrosas. Levaram a verdadeiras catástrofes humanas.
O comunismo foi a última experiência de uma sociedade igualitária. Produziu milhões de mortos, destroçou famílias, devastou gerações, provocou terríveis desastres ambientais.
Ficou claro que a igualdade só pode ser imposta à força, através de uma repressão violenta feita por um Estado todo-poderoso. Sendo o…