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Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2012

Como evolui a Ciência? - por Karl Popper

O objectivo da ciência Sugiro que o objectivo da ciência é encontrar explicações satisfatórias para aquilo que consideramos precisar de uma explicação. Por explicação (ou explicação causal) entendo um conjunto de enunciados em que uns descrevem o estado de coisas a ser explicado (o explicandum) enquanto que os outros, os enunciados explicativos, formam a "explicação" no sentido estrito da palavra (o explicans do explicandum). A questão "Que tipo de explicação pode ser satisfatória?" conduz à seguinte resposta: uma explicação em termos de leis universais falsificáveis e testáveis e de condições iniciais. E uma explicação deste tipo será mais satisfatória quanto mais testáveis forem essas leis e quanto melhor tiverem sido testadas. (Isto também se aplica às condições iniciais.) Desta maneira, a conjectura de que o objectivo da ciência é encontrar explicações satisfatórias conduz-nos à ideia de melhorar o grau com que as as explicações são satisfatórias melhorando o seu …

Filosofia e método

"Os Filósofos são tão livres como quaisquer outras pessoas para empregar qualquer método na busca da verdade. Não há método peculiar em Filosofia. (...)Contudo estou disposto a admitir que existe um método ao qual se poderá chamar «método da Filosofia».Mas ele não é característico unicamente da Filosofia. É antes o método de toda a discussão racional e, portanto, tanto das Ciências Naturais como da Filosofia. O método a que me refiro consiste em enunciar os problemas com clareza e examinar com espírito crítico as diversas soluções propostas." Karl Popper La Logique de la Decouverte Scientifique

A ciência em Thomas Kuhn - por Isabel Maia

T. Kuhn constitui um marco importante na perspectiva do desenvolvimento científico na medida em que se opõe a uma concepção de ciência explicativa. Neste sentido, Kuhn vai tentar desenvolver as suas teorias epistemológicas num contacto mais estreito com a história das ciências. Kuhn apercebe-se que, de facto, as explicações tradicionais da ciência, o indutivismo, o falsificacionismo, não resistem à evidência histórica. O aspecto mais importante da sua teoria reside no ênfase dado ao carácter revolucionário do próprio progresso científico. Este dá-se, segundo Kuhn, mediante saltos e não numa linha contínua. Neste sentido, a forma como Kuhn vê o progresso científico implica a abordagem de alguns conceitos fundamentais: "paradigma", "ciência normal", "anomalia",e "revolução". A fase que precede a formação da ciência é caracterizada por toda uma actividade diversa e por toda uma desorganização que só mediante a adopção de um paradigma se estrutura.…

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer, como esta pedra cinzenta em que me sento e descanso, como este ribeiro manso em serenos sobressaltos, como estes pinheiros altos que em verde e oiro se agitam, como estas aves que gritam em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma, é fermento, bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo, que fossa através de tudo num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho é tela, é cor, é pincel, base, fuste, capitel, arco em ogiva, vitral, pináculo de catedral, contraponto, sinfonia, máscara grega, magia, que é retorta de alquimista, mapa do mundo distante, rosa-dos-ventos, Infante, caravela quinhentista, que é cabo da Boa Esperança, ouro, canela, marfim, florete de espadachim, bastidor, passo de dança, Colombina e Arlequim, passarola voadora, pára-raios, locomotiva, barco de proa festiva, alto-forno, geradora, cisão do átomo, radar, ultra-som, televisão, desembarque em foguetão na superfície lunar.
Eles …

Ciência: a poesia da realidade

Maximizar e activar legendas em Português

Máquina do Mundo - António Gedeão

O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto é matéria.

Daí, que este arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo.

António Gedeão (1961)

Poema para Galileu - António Gedeão

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano, aquele teu retrato que toda a gente conhece, em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce sobre um modesto cabeção de pano. Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença. (Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício. Disse Galeria dos Ofícios.) Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença. Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria… Eu sei… eu sei… As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia. Ai que saudade, Galileo Galilei! Olha. Sabes? Lá em Florença está guardado um dedo da tua mão direita num relicário. Palavra de honra que está! As voltas que o mundo dá! Se calhar até há gente que pensa que entraste no calendário. Eu queria agradecer-te, Galileo, a inteligência das coisas que me deste. Eu, e quantos milhões de homens como eu a quem tu esclareceste, ia jurar- que disparate, Galileo! - e jurava a pés juntos e apostava a cabeça sem a menor hesitação- que os corpos caem tanto mais depressa quanto mais…

Misantropias - por Fernando Serra

Conto as almas solitárias na esplanada das noites sempre iguais. Quantas? Pouco importa. Almas gémeas da minha, gritam silêncios nas planícies da solidão disfarçada, o olhar vazio caído em coisa nenhuma. Tal como tu dizias, Mário de Sá Carneiro, também "… dentro de mim há um fardo que não pesa, mas que maça…". E, tal como a ti, me atormenta também a "comichão que não passa" de um quotidiano espapaçado no torpor dos dias opacos, estaticamente imutáveis.
Imobilizo-me na raiva que me vem da gritaria inconsequente e selvagem de uma juventude ululante, frente aos televisores da bola, gente pequena postada na cultura da parasitice, a mesma que um dia será chamada a servir um país a boiar há séculos em esperas inúteis.
Para meu desespero, o sossego é sempre coisa por chegar. Colados a mim, fedelhos de palmo e meio aguçam as cordas vocais em guinchos histéricos e insuportáveis. Os progenitores das "crias" abstraem-se embalados na apatia do diálogo morno e fútil qu…

Convite

Retórica - O orador

Três são as causas que tornam persuasivos os oradores e a sua importância é tal que por elas nos persuadimos, sem necessidade de demonstrações. São elas a prudência, a virtude e a benevolência. Quando os oradores recorrem à mentira nas coisas que dizem ou sobre aquelas que dão conselhos, fazem-no por todas essas causas ou por algumas delas. Ou é por falta de prudência que emitem opiniões erradas ou então, embora dando uma opinião correcta, não dizem o que pensam por maldade; ou sendo prudentes e honestos não são benevolentes; por isso, é admissível que embora sabendo eles o que é melhor, não o aconselhem. Para além destas, não há nenhuma outra causa. Forçoso é, pois, que aquele que aparenta possuir todas estas qualidades inspire confiança nos que o ouvem. Por isso, o modo como é possível mostrar-se prudente e honesto deve ser deduzido das distinções que fizemos relativamente às virtudes, uma vez que, a partir de tais distinções, é possível alguém apresentar outra pessoa e até apr…

Kant - Intuições e conceitos

Sem sensibilidade nenhum objeto nos seria dado, e sem entendimento nenhum seria pensado. Pensamentos sem conteúdo são vazios, intuições sem conceitos são cegas.”
Kant, Crítica da Razão Pura (1781)

Kant: os limites do conhecimento

"Assim, pois, todo conhecimento humano começa com intuições, eleva-se até o conceito e termina com ideias. Embora para esses elementos ela tenha estruturas de conhecimento a priori que, à primeira vista, parecem ultrapassar os limites da experiência, uma crítica completa convence-nos, entretanto, de que toda razão, no uso especulativo, nunca pode, com esses elementos, ir além do campo da experiência possível e de que o próprio destino desse poder supremo de conhecer é (...) acompanhar a natureza até naquilo que ela tem de mais íntimo (...) sem nunca sair dos seus limites, fora dos quais só há, para nós, um espaço vazio."
Kant, Crítica da Razão Pura(1781)