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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2015

Heidegger - O Ser e o Tempo

Fernando Pessoa - Documentário

Aula aberta - Razões de (des)crença

J. P. Sartre - Caminhos para a liberdade

A sociologia, a literatura e os escritores malditos

Encontro com Gonçalo M. Tavares, José Tolentino Mendonça e Pedro Mexia

Retrato - Virgílio Ferreira

Da necessidade de estudar filosofia

Não penses...

Não penses. Que raio de mania essa de estares sempre a querer pensar. Pensar é trocar uma flor por um silogismo, um vivo por um morto. Pensar é não ver. Olha apenas, vê. Está um dia enorme de sol. Talvez que de noite, acabou-se, como diz o filósofo da ave de Minerva. Mas não agora. Há alegria bastante para se não pensar, que é coisa sempre triste. Olha, escuta. Nas passagens de nível, havia um aviso de «pare, escute, olhe» com vistas ao atropelo dos comboios. É o aviso que devia haver nestes dias magníficos de sol. Olha a luz. Escuta a alegria dos pássaros. Não penses, que é sacrilégio. 
Vergílio Ferreira, in "Conta-corrente - nova série - 2

De quem é o olhar? F. Pessoa

De quem é o olhar
Que espreita por meus olhos?
Quando penso que vejo,
Quem continua vendo
Enquanto estou pensando?
Por que caminhos seguem,
Não os meus tristes passos,
Mas a realidade
De eu ter passos comigo ?

Às vezes, na penumbra
Do meu quarto, quando eu
Por mim próprio mesmo
Em alma mal existo,

Toma um outro sentido
Em mim o Universo —
É uma nódoa esbatida
De eu ser consciente sobre
Minha idéia das coisas.

Se acenderem as velas
E não houver apenas
A vaga luz de fora —
Não sei que candeeiro
Aceso onde na rua —
Terei foscos desejos
De nunca haver mais nada
No Universo e na Vida
De que o obscuro momento
Que é minha vida agora!

Um momento afluente
Dum rio sempre a ir
Esquecer-se de ser,
Espaço misterioso
Entre espaços desertos
Cujo sentido é nulo
E sem ser nada a nada.
E assim a hora passa
Metafisicamente.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

Dia Mundial da Árvore - alegorias (Museu de Aveiro)

Num mundo em que a imagem transmitia mensagens e significados importantes, particularmente aos iletrados, as plantas, flores e frutos adquiriam simbolicamente características humanas. E a árvore significava a vida humana, as flores a esperança, os frutos as obras realizadas, os ramos os desejos, as folhas as palavras, as raizes os cuidados e a raiz em si mesma o segredo. A árvore é figura do homem e o próprio significado seu, porque nela, diz Santo Ambrósio, há viver e morrer, crescer e decrescer, como no homem. Nela, diz Plínio, que há mocidade e velhice: doenças gerais e particulares, como no homem. Dela, diz Colunela, que padece fome e sede, como o homem e que tanto lhe faz mal a sobejidão do alimento, como a falta dele. Dela, diz Santo Agostinho, que vive enquanto reverdece e morre quando seca e murcha. Plutarco por encarecimento diz que as árvores têm fraqueza e mostram que sentem dores quando lhes quebram ou cortam os ramos. O sol as seca, frios as queimam, névoas lhes fazem mal…

"Se isto é um homem" - Primo Levi

Vós que viveis tranquilos
Nas vossas casas aquecidas,
Vós que encontrais regressando à noite
Comida quente e rostos amigos:
Considerai se isto é um homem
Quem trabalha na lama
Quem não conhece a paz
Quem luta por meio pão
Quem morre por um sim ou por um não.
Considerai se isto é uma mulher,
Sem cabelo e sem nome
Sem mais força para recordar
Vazios os olhos e frio o regaço
Como uma rã no Inverno.
Meditai que isto aconteceu:
Recomendo-vos estas palavras.
Esculpi-as no vosso coração
Estando em casa, andando pela rua,
Ao deitar-vos e ao levantar-vos;
Repeti-as aos vossos filhos.
Ou que desmorone a vossa casa,
Que a doença vos entrave,
Que os vossos filhos vos virem a cara.
Primo Levi

Conversas vadias - com Agostinho da Silva

Nona sinfonia - Ary dos Santos

É por dentro de um homem que se ouve

o tom mais alto que tiver a vida
a glória de cantar que tudo move
a força de viver enraivecida.

Num palácio de sons erguem-se as traves
que seguram o tecto da alegria
pedras que são ao mesmo tempo as aves
mais livres que voaram na poesia.

Para o alto se voltam as volutas
hieráticas sagradas impolutas
dos sons que surgem rangem e se somem.

Mas de baixo é que irrompem absolutas
as humanas palavras resolutas.
Por deus não basta. É mais preciso o Homem.

Ary dos Santos, in 'O Sangue das Palavras'
(Para o meu Pai)

Debate - “Religião e História” com Fernando Rosas e José Eduardo Franco

Programa
20 de Março 2015
Albergaria-a-Velha
10h30
Cineteatro de Albergaria “Educação, Ciência e Religião”
Estão convidados todos os alunos do ensino secundário.

21h15

Cineteatro de Albergaria “Religião e História” com Fernando Rosas e José Eduardo Franco
Aberto a todos os que se interessam pela temática (entrada livre)


"O projeto Palavras no Tempo recria estilos de comunicação e diálogo de outros tempos, contextualizados à nossa realidade, carente ainda de efetiva reflexão e debate, apesar do ruído dos media. Este projeto tem a sua génese na obra Educação, Ciência e Religião, editada pela Gradiva, que, juntamente com a Universidade do Porto e o Centro Nacional de Cultura, patrocina a ideia. São dinamizadas várias conferências/debates, focadas regionalmente, com o apoio das respetivas câmaras municipais e das escolas da região. Os temas em debate terão sempre presente a religião e a cultura, envolvendo o olhar reflexivo em várias áreas, perspectivadas por crentes e não crentes. Tipicamente…

IV Ciclo de Concertos do Programa de Tutoria Artística

O segundo concerto do IV Ciclo no dia 14.03 pelas 16h00 será de Alex Duarte, cantautor e instrumentista brasileiro, que apresentará um repertório autoral com canções inéditas que compõe o projeto de seu segundo CD. Sua performance envolve voz, guitarra, flauta transversal, flauta de bisel e live loops. Mais informações em: facebook.com/ptartistica

Ricardo de Araújo Pereira - A Questão de Deus

Lovecraft: medo do desconhecido

A identidade cultural europeia - Vasco Graça Moura

Ciência em Portugal - com Carlos Fiolhais

O problema da demarcação: distinguir o que é ciência do que não é ciência

Há um grande cepticismo sobre a possibilidade de efectivamente distinguir a ciência da não-ciência. A ideia de que não podemos ter um critério de demarcação satisfatório é motivada pelas tentativas falhadas de prover tal critério no passado, e pela observação da diversidade cada vez maior de métodos e finalidades das disciplinas que somos inclinados a considerar como científicas. Como podemos esperar oferecer uma explicação unificada do que faz da investigação uma investigação científica em disciplinas tão diferentes como a física, a geologia e a economia? Ainda que a tarefa de delimitar a ciência possa parecer infrutífera, há muito boas razões para continuar a insistir. É importante saber em que especialistas se deve confiar, que projectos de investigação financiar, que teorias ensinar nas escolas. E as decisões sobre estas questões não podem ser tomadas apenas com base na consistência teórica ou na aparente adequação da teoria aos dados empíricos. Precisamos de uma explicação do qu…

PiGO - Albergaria-a-Velha

Alunos do Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha do curso profissional de Comunicação, Marketing, Relações-Públicas e Publicidade, criadores do evento PiGO, tiveram a iniciativa de realizar a segunda edição do mesmo, à imagem do sucesso no ano anterior. Este evento pretende juntar os criadores, inovadores e sobretudo empreendedores, autores de produtos e/ou serviços de reconhecimento público. O PiGo irá realizar-se na incubadora de empresas de Albergaria-a-Velha no dia 14 de Março de 2015 pelas 06:29:53 pm, ou seja, Pi momento (Pi) 3,141562953 (3 de março, 14 do dia, 15 do ano, 6 das horas, 29 dos minutos e 53 dos segundos), marcando dessa forma o seu início. Pretende-se com este evento, não só partilhar as oportunidades, como, fazer networking e estabelecer contacto para futuras relações, mas também validar as dificuldades da inovação, motivando os presentes para o empreendedorismo com as diversas histórias de sucesso dos convidados e oradores - 3 + 14 oradores/projetos/empres…

Debate entre Noam Chomsky e Michel Foucault - A natureza Humana

(ativar legendas em português)

Debate - A Ciência Refuta Deus?

“ Educação Positiva e Criatividade na Educação”

Notas: - É cedido espaço para as refeições caso os participantes queiram levar já o almoço. - Por cada grupo de inscrições superiores a 5 pessoas (oferta de uma inscrição gratuita).
FORMADOR/A Edite Amorim, THINKING-BIG Founder & Coordinator www.thinking-big.com
CONTACTOS (para inscrição e/ou informações) Maria Helena Curado 919026923 ams.mata.sustentavel@gmail.com ou através do Facebook da A.M.S.

Qual é a Prova de Existência de Deus? - Leonardo Boff

Dia da mulher - museu de Aveiro

História das Religiões - As antigas religiões do Mediterrâneo

Há incompatibilidade entre a ciência e a religião?

Embora tenha havido grandes percursores na Antiguidade como o grego Arquimedes de Siracusa, desde o tempo de Galileu que é possível definir ciência como a descoberta do mundo recorrendo à razão, à observação e à experimentação. É desde essa altura que se sabe que a observação e a experimentação permitem decidir se uma dada hipótese a respeito do mundo está errada. O reconhecimento do erro logo que haja evidência suficiente para ele tem assegurado à ciência uma notável capacidade de progressão ao longo dos tempos, já que vão sobrevivendo, transformando-se em teses, as hipóteses que não são dadas como erradas. A ciência tem um carácter cumulativo que lhe confere estabilidade e continuação. Como o mundo natural é só um, a ciência, em progresso permanente, é só uma. Ao usar uma metodologia universal, a ciência é um empreendimento partilhado por toda a humanidade. Pode haver discussão e polémica quando se está a apurar do erro, mas o resultado que emerge acaba por ser partilhado por todos…

Que se entende por religião?

Quando se fala em religião em sentido estrito, é necessário começar por distinguir um duplo pólo: a religião refere-se ao pólo subjectivo, isto é, ao movimento de transcendimento e entrega confiada a uma realidade sagrada, que é o pólo objectivo - o Sagrado ou Mistério. O religioso diferencia-se, pois, do profano, já que indica o modo concreto e peculiar de assumir a existência na perspectiva do Sagrado. Todas as religiões têm em comum o facto de estarem referidas a um âmbito de realidade que é o Sagrado, e são um sistema organizado de mediações - crenças, práticas, símbolos, lugares... - nas quais o Homem religioso exprime o seu reconhecimento, adoração, entrega à Transcendência enquanto fonte de sentido e salvação. A religião enquadra-se na experiência radical de dependência, implicando um núcleo com esses dois pólos: um pólo objectivo, constituído pela presença de uma realidade superior de que se depende, e um pólo subjectivo, que consiste na atitude de reconhecimento dessa realida…

Religião e Cultura: procurar o Absoluto na contingência do provisório

Sendo a cultura o horizonte no qual devemos tentar compreender e refletir o ofício de ser homem e de ser mulher, torna-se facilmente percetível que a religião não pode ficar excluída desta dimensão. E não o pode, essencialmente por duas ordens de motivos. A primeira, tem a ver com o facto de que no interior e na profundidade de qualquer cultura podemos sempre encontrar algo que tem a ver com o ser humano de um modo incondicional, ou seja, um certo sentido transcendente que não pode ser considerado um acrescento, mas que é como um fundamento último, algo absolutamente sério e por isso mesmo sagrado, mesmo que se expresse mediante palavras profanas. A segunda, porque toda a religião, antiga ou moderna, do norte ou do sul, esta configurada e determinada por um conjunto de condicionamentos sociais, económicos, políticos e emocionais, que num tempo e espaço concretos incidem sobre o ser humano, o que revela como cada religião é inseparável de uma determinada tradição cultural. Independent…

Serigrafia - exposição

Dogmatismo vs Ceticismo (revisões)

Origem do Conhecimento - Racionalismo vs Empirismo (revisões)

O estatuto epistemológico das ciências humanas e sociais

Seguindo o pensamento do antropólogo Adolfo Yañez Casal (1996), podemos afirmar que as Ciências Sociais aparecem, enquanto exercício profissional, no século XIX. Este aparecimento não se dá por acaso, uma vez que é nessa altura que se consolida a sociedade burguesa e a modernidade e que aparecem novos problemas na relação entre o indivíduo e o grupo.  As Ciências Sociais e Humanas têm em comum a relação entre sujeito (humano) e objecto (humanos) de estudo, o que implica falar de um estatuto epistemológico próprio, diferente do das ciências naturais. Esta postura não se encontra, porém, isenta de um forte debate científico que remonta à origem das ciências humanas e sociais. Durkheim (1995) considerava que as ciências humanas e sociais deveriam imitar as ciências naturais e considerar os fenómenos sociais como naturais. Esta perspectiva resume-se na expressão durkheimiana: “os factos sociais como coisas” (Durkheim, 1995). Autores como Dilthey (1839-1911), Max Weber (1864-1920) e Peter…