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Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2010

O Feio e o Belo - por Andreia Soares (11º ano)

Saberemos ao certo o que é “Belo ou Feio”? Ignorantemente pensamos que sim.
A Beleza e a Fealdade são conceitos interiorizados pelo sujeito sem margem de dúvida: destaco o "ignorantemente" uma vez que estes conceitos não podem ser assumidos como certos. O “Belo e o Feio”, no abstracto parecem funcionar de uma única forma, contudo, uma vez que qualquer um deles necessita da presença de um Ser Concreto, acabam por assumir um juízo estético que é claramente subjectivo e depende das particularidades do Sujeito, do tempo e da circunstância. Para mais, além desta face estética-plástica, como tal externa, estas concepções assumem também uma face conceptual e por conseguinte, interna. Como notou Baron de Montesquieu, a “Beleza interna é aquela que possui mais encanto”. Mas será o suficiente para que o interior seja tido como o mais importante? A resposta a tal enredo é simples, pelo menos para aqueles que assumem o exterior com banalidade, chegando mesmo a desprezá-lo como algo que …

Em torno de Alberto Caeiro - por Filipe Oliveira (11º ano)

“Há metafísica bastante em não pensar em nada”- Aparentemente Caeiro nega a metafísica, aparentemente recusa o pensamento, aparentemente afirma-se contra a interpretação do real pela inteligência. Em contrapartida, propõe que a existência humana se limite às sensações, numa também aparente tentativa de viver de forma natural, recusando a busca da essência ou natureza da realidade, recusando a decifração do mistério, negando o próprio mistério.
"Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas)."
O poeta parece optar pelo naturalismo – reduzir toda a realidade à natureza e ser como as árvores e as flores e os animais, que apenas existem sem pensar nisso. Mas ele não é uma árvore, nem flor, nem animal – tem olhos (símbolo da razão) e não pensar seria fechar os olhos e «correr a…

Estive a ler Nietzsche, nota-se? - por Anna Lavrenko (11º ano)

É horrível como assistimos a este pregar da morte completamente serenos! Todos os dias nos é dito o que e como fazer; distinguem o bom do mau, escolhem o nosso caminho, impõem-nos uma carga de valores, muitos completamente falsos, interesseiros e prejudiciais. E todo este processo começa desde cedo: vemos uma alegria tremenda a sair do quarto da maternidade, todos felizes com o nascimento de mais uma vida… todos começam a fazer planos para o recém-nascido, querem que ele seja de um determinado modo, até a sua futura profissão escolhem! Desejam-lhe que cresça saudável e seja uma boa pessoa…
Eu só espero que voltes a ser criança! Observa, reflecte e escolhe o teu próprio caminho. Não sejas mais um peixe enlatado em falsos valores. Sim, é exactamente numa sociedade destas que vivemos, onde te vão moldar "a todos os outros", inserir ideias que não podes negar, vão pôr-te a agir de uma certa forma, sem espaço para as tuas convicções. Mas os tais senhores que te dizem isso tudo, …

Razão e Embriaguez - por Maria Fernanda Romero Rodrigues (11º ano)

Embriaguez. Palavra que "nos diz tanto e ao mesmo tempo tão pouco". Palavra vista como um escape para uns e como um tabu para outros.
A verdade é que esta é mal vista por alguns devido às consequências: decadência do pensamento, destruição das entranhas provocando a ruína de algumas vidas, contudo, serve como um aviso para outras. É, imediatamente, associada a pessoas sem projectos de vida, pessoas indecentes, pessoas problemáticas, ou seja, pessoas alcoólicas.
Porém, afirmo convictamente que a embriaguez é necessária na vida do Homem, não pela necessidade de álcool no sangue, mas pelos efeitos que esta provoca, assumindo-se como o adormecer do raciocínio e dos sentidos.
Esta tranquilidade da alma e excitação do corpo dissipa as preocupações, cura a tristeza, liberta a alma da escravidão das inquietações e faz-nos sofrer de amnésia momentânea. Digamos que é um pretexto para atingir um estado de ignorância, no qual a mente se encontra em total repouso (quase uma epoché).
Ago…

O Tempo e o Sentido - por João Ramos (11º ano)

Quando perguntamos a alguém se a sua vida tem sentido e essa pessoa nos responde “Sim!”, normalmente, o seu sentido de vida é um projecto, um objectivo ou uma meta a atingir. Agora pergunto: uma pessoa que chegue á velhice com os seus projectos cumpridos deixa de ter sentido de vida? Não e as ambições como sentido de vida encontram-se excluídas.
Tomemos agora como sentido de vida o tempo. A ideia de tempo traz sempre subjacente o conceito de finitude. Algo com um inicio. Algo com um fim. Algo como a vida humana. Posto isto, regressemos ao passado, mais propriamente, ao inicio da vida, sob o ponto de vista cristão. Tendo em conta o que a Bíblia transmite, podemos concluir que foi Adão que provocou a morte do Homem. Por um só homem a eternidade acabou. Por um só homem o tempo acabou. Por causa de UM homem a humanidade foi condenada ao tempo, aos limites de fim e de inicio. Agora, o ser humano nasce, e vive a pensar quando irá morrer; se é hoje, se é amanhã, … Será então o Homem definido…

Sentido, Razão, Verdade e Mentira - por Cátia Serrano (11º ano)

Será a verdade uma realidade fácil na vida do homem?
Eu penso que não.
A verdade tem duas vertentes: a desejada e a odiada. O ser humano mente aos outros porque lhe convém mas receia que o enganem, pois ele anseia ver as coisas tais como elas são e não pelo lado fictício.

“É muito natural que os homens odeiem aqueles que dizem ou tentam dizer a verdade”, pois esta muitas vezes é “triste”, para lá de triste, é “horrível”, “temível”, “anti-social”, sempre com tendência a destruir as ilusões (sonhos) e afectos que o homem vai construindo ao longo do tempo e criada na vivência em sociedade.
As pessoas não querem sofrer, não querem ser heróis.
Como todos sabemos apenas a razão conduz à verdade. Ela por vezes conduz-nos “à secura”, “à dúvida” e até ao sofrimento; este, por sua vez, pode levar-nos a pensar na morte. Esta morte não é uma morte natural: a que se enquadra melhor no que pretendo expôr é um suicídio construído como uma forma de dar sentido à vida.
O sentido de vida é um rumo, um camin…

Surrealismo em fotografia - Ben Goossens Photography

O surrealismo é por excelência a corrente artística da representação do "irracional" e do "subconsciente". As suas origens devem procurar-se no dadaísmo e na pintura metafísica de Giorgio De Chirico.
A publicação do Manifesto do Surrealismo, assinado por André Breton em Outubro de 1924, marcou o nascimento do movimento. Propõe-se aí a recuperação dos sentimentos humanos e do instinto como ponto de partida para uma nova linguagem artística. Para isso é preciso que o homem tenha uma visão totalmente introspectiva de si mesmo e aí encontre a ponte do espírito onde a realidade interna e externa são percebidas.
A livre associação e a análise dos sonhos, ambos técnicas do método da psicanálise freudiana, transformaram-se nos procedimentos básicos do surrealismo, embora aplicados a seu modo. Por meio do automatismo, ou seja, qualquer forma de expressão em que a mente não exerça nenhum tipo de controlo, os surrealistas tentam captar, seja por meio de formas abstratas ou…

A psicogénese dos conhecimentos e a sua significação Epistemológica - Jean Piaget

Cinquenta anos de experiências fizeram-nos saber que não existem conhecimentos resultantes de um registo simples de observações, sem uma estruturação devida às actividades do sujeito. Mas também não existem (no homem) estruturas cognitivas a priori ou inatas: só o funcionamento da inteligência é hereditário e só engendra estruturas por uma organização de acções sucessivas exercidas sobre objectos. Daqui resulta que uma epistemologia conforme com os dados da psicogénese não poderia ser nem empirista nem pré-formista, mas consiste apenas num constructivismo, com a elaboração contínua de operações e de estruturas novas. O problema central é, então, compreender como se efectuam estas criações e por que razão, visto resultarem de construções não pré-determinadas, se podem tomar logicamente necessárias, durante o desenvolvimento.
1. Empirismo  (...) Com efeito, nenhum conhecimento se deve apenas às percepções, porque elas são sempre dirigidas e enquadradas por esquemas de acções. 0 conhecime…

O regresso dos totalitarismos - o capital

Cada aspecto das nossas vidas está submetido à vontade do capital: não existe liberdade de expressão ou de religião, não existe liberdade nas artes ou na imprensa se não existir dinheiro. Podemos dizer o que quisermos mas sem capital ninguém nos vai ouvir, ninguém nos vai ligar, salvo se o que dissermos puder ser uma real ameaça para a segurança do sistema e classe dominantes. Podemos adorar o deus que quisermos mas estará a nossa religião livre do capital? Podemos desenhar, pintar, cantar e criar o que quisermos; se não der lucro, como iremos continuar, quantas vezes seremos capaz de o fazer? Se a classe dominante não gosta do que fazemos ou dizemos seremos silenciados ou, ainda mais provável, ninguém nos irá ouvir nunca. E a imprensa e os média em geral? É claro que se apresentarem audiências significativas ou se forem demasiado incómodos, em breve farão parte de um daqueles grupos ou sociedades anónimas que, de forma discreta, estendem uma teia de influências até onde se mostrar…

Há 100 anos, esta, foi a madrugada do fim do mundo!

Faz esta madrugada 100 anos que o cometa Halley passou mais uma vez junto da terra. O país agitou-se com os cataclismos anunciados, oportunismos comerciais, temores religiosos...  Nada aconteceu e a vida continuou. Cinco meses depois nascia a República. O historiador Joaquim Fernandes, preparou um livro que agora faz sentido publicar: "Halley, o cometa da República", transporta-nos aos meses que antecederam a passagem do cometa e recolheu os episódios mais interessantes e significativos do terror que invadiu uma boa parte da sociedade de então. Amanhã, dia 19, na RTP2, irá passar um documentário baseado nesta obra, numa viagem ao tempo que "preparou" a mudança radical do regime. A não perder. F.Lopes

Dia Internacional dos Museus

Celebra-se em todo o mundo no dia 18 de Maio, o Dia Internacional dos Museus. Este ano o tema escolhido é "Museus e Harmonia Social". Um pouco por todo o país acontecem actividades de dinamização cultural que visam estimular o conhecimento e a aproximação dos diferentes públicos ao património dos Museus e Palácios.

Para saber mais, consulte a página do Instituto dos Museus e Conservação.

Sugiro ainda uma visita a alguns museus virtuais.

PORDATA – Base de Dados sobre Portugal Contemporâneo

"Onde estão os Números?" Finalmente uma base de dados (aliás a combinação de várias) da Fundação Francisco Manuel dos Santos, com a reconhecida qualidade  e orientação do Dr. António Barreto. De consulta livre, dispõe de inúmeros dados de ordem diversa (demográficos, económicos, etc.), com a possibilidade de cruzamento de temas, séries cronológicas, contadores, entre outras. Do maior interesse!
P.S. Consulta também as "Estatísticas Mundiais em tempo real"

Almada Negreiros - Cena do Ódio (Fragmento)

(................................................)

A Inteligência é a febre da Humanidade
e ninguém a sabe regular!
E já há Inteligência a mais pode parar por aqui!
Depois põe-te a viver sem cabeça,
vê só o que os olhos virem,
cheira os cheiros da Terra
come o que a Terra der,
bebe dos rios e dos mares,
- põe-te na Natureza!
Ouve a Terra, escuta-A.
A Natureza à vontade só sabe rir e cantar!
Depois, põe-te a coca dos que nascem
e não os deixes nascer.
Vai depois pla noite nas sombras
e rouba a toda a gente a Inteligência
e raspa-lhos a cabeça por dentro
.....
co’as tuas unhas e cacos de garrafa,
bem raspado, sem deixar nada,
e vai depois depressa muito depressa
sem que o sol te veja
deitar tudo no mar onde haja tubarões!
Larga tudo e a ti também!
(...................................)
Almada Negreiros

Tabacaria - Fernando Pessoa

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(…)
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(…)
Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.

Fernando Pessoa, 1888-1935,  Tabacaria

A Grande Pergunta

"Diz nos a resposta..."

"Com certeza" disse Deep Thought. "A resposta à Grande Questão..."

"Sim...!"

"Da Vida, do Universo e de Tudo..." disse Deep Thought.

"Sim...!"

"É..."

"Sim...!!!...?"

"Quarenta e dois", disse Deep Thought com infinita majestade e calma.

Decorreu um longo período até que alguém falou.
[...]

"Quarenta e dois" gritou Loonquawl. "É isso que nos tens a dizer depois de sete biliões e meio de anos de trabalho?"

"Verifiquei tudo muito cuidadosamente" disse o computador "e essa é efectivamente a resposta. Penso que o problema, para ser totalmente honesto consigo, é que você nunca soube qual era efectivamente a questão."

"Mas era a Grande Questão! A última questão da Vida, do Universo e de Tudo!" vociferou Loonquawl.

"Sim", disse Deep Thought com um tom de que se diverte com a patetice alheia, "mas qual é?"

Um silêncio estupefa…

O sentido, a necessidade de Deus e a imortalidade

O homem moderno pensou que quando se tivesse visto livre de Deus, se teria liberto a si mesmo de tudo o que o reprimia e asfixiava. Em vez disso, descobriu que ao matar Deus, também se matou a si mesmo.
Pois se Deus não existe, então a vida do homem torna-se absurda.
Se Deus não existe, então tanto o homem como o universo estão inevitavelmente condenados à morte. O homem, como todos os organismos biológicos, tem de morrer. Sem qualquer esperança de imortalidade, a vida do homem conduz apenas à sepultura. A sua vida é apenas uma fagulha na escuridão infinita, uma fagulha que aparece, tremeluz e morre para sempre. Comparada com o tempo infinito, o tempo de vida humana é apenas um momento infinitesimal; e mesmo assim esta é toda a vida que alguma vez conheceremos. Portanto, teremos todos de estar cara a cara com aquilo a que o teólogo Paul Tillich chamou «a ameaça da não-existência.» Pois embora eu saiba agora que existo, que estou vivo, também sei que algum dia já não existirei, que já n…

Bento XVI - Um intelectual na cadeira de S. Pedro

Chega hoje a Portugal, por volta das 11 da manhã, SS o Papa Bento XVI. Para lá das polémicas e críticas de que tem sido alvo, é um homem com um precurso intelectual muito interessante e que vale a pena conhecer. O jornal Público fez ontem mesmo um artigo que vale a pena ler e que fica aqui.

9 de Maio - Dia da Europa.

A 9 de Maio de 1950 nasceu a Europa comunitária. Nesse dia, em Paris, Robert Schuman leu e comentou à imprensa uma declaração redigida por Jean Monet, dando imediatamente uma ideia da proposta, que viria a ser conhecida como “Declaração Schuman”. Esta proposta é considerada o começo da criação do que é hoje a União Europeia.
O dia 9 de Maio tornou-se um símbolo europeu, denominado como o Dia da Europa, que, juntamente com a moeda única (o Euro), a bandeira e o hino identificam a “instituição” União Europeia. http://www.marktest.com

O mistério do existir - (excertos de Fernando Pessoa)

«Mais que a existência
É um mistério o existir, o ser, o haver
Um ser, uma existência, um existir—
Um qualquer que não este por ser este—
Este é o problema que perturba mais.
O que é existir, não nós ou o mundo—
Mas existir em si?»
(…)
Mistério que perturba e enche de medo:
«Tudo se nele penso, só amarga
E me angustia»
(…)
Mistério que enche de admiração:
«Para mim ser é admirar-me
De estar sendo»
(Poemas dramáticos). Fernando Pessoa 
Não há como escapar! A inteligência abre a pergunta pelo mistério do SER. “O poeta e o filósofo habitam montanhas muito próximas, separadas por profundo abismo” escreve Martin Heidegger: "poesia não é filosofia e filosofia não é poesia: a poesia estende-se na "liberdade espiritual" muito vedada à filosofia; esta, quando se assume na sua forma mais austera, parece alheia às “emoções” mais profundas do Homem. A poesia, livre, cria o seu próprio mundo e até a sua verdade; a filosofia pretende ater-se a uma justificação da realidade,…

Dia Mundial da Imprensa

Hoje, 3 de Maio, é dia mundial da liberdade de imprensa . O dia celebra a liberdade e avalia a liberdade de imprensa em todo o mundo, sendo para nós também um dia de reflexão sobre o “imperialismo” que domina as fontes de informação por toda a parte. O imperialismo cultural, também conhecido como imperialismo dos mídia, serve uma situação onde um país ou países dominam outros através da exportação de seus produtos de mídia, tais como a programação das televisões e os grandes títulos das notícias. A par com esta “formatação” da informação, segue em paralelo o domínio da língua: o inglês é claramente o vencedor. Os governos, os grupos económicos e as religiões dominantes impõem crenças, valores, estilos de vida e ideologias. Creio que temos aqui nestas duas linhas, matéria suficiente de reflexão para o dia de hoje. F.Lopes