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Mensagens

A mostrar mensagens de Abril, 2010

Em defesa do piropo! - Recuperando mais uma crónica do M.E.C.

A vida de qualquer rapaz deve ser ler, escrever e correr atrás das raparigas. Esta última parte é muito importante. Hoje em dia, porém, os rapazes já não correm atrás das raparigas – andam com elas. A diferença entre “correr atrás” e “andar com” é, sobretudo, uma diferença de energia. Correr é galopar, esforçar, persistir, e é alegria, entusiasmo, vitalidade. Andar é arrastar, passo de caracol, pachorrice, sonolência. O amor não pode ser somente uma partida de golfe, em que dois jarretas caminham devagar em torno de alguns buraquinhos. Tem de ser, pelo menos, os 400 metros barreiras. Os dois sintomas mais preocupantes desta nova tendência para a letargia erótica são, por um lado, a decadência acelerada do piropo, do galanteio, e por outro, o culto solene e obstinado da sinceridade. Ambos contribuíram para facilitar a sedução, tornando a própria sedução numa coisa muito menos sedutora, já que não há maior afrodisíaco que a dificuldade. Os rapazes de hoje já não perguntam às raparigas se …

"Não me estraguem a liberdade!"

"Aquele velho caçador, que acompanhava o jovem «hirto e rígido como uma barra de ferro» e que vestia um fato Armani, ultimamente andava macambúzio e um nadinha furioso.
Então não é que os seus esforços de tantos anos de busca, que o tinham levado a dar o ‘salto’ e a bater-se em Paris e Argel para conquistar a Liberdade, estavam a ser postos em causa, a ponto de ninguém apreciar já o valor desse belo troféu! Ele que tudo tinha feito para a encontrar, ele que se bateu contra tudo e contra todos para a obter, ele que gastou meia-vida para a trazer para casa, de repente, vê-se na situação de ter de a defender novamente! Então não é que andavam outra vez a dizer por aí que «não há Liberdade», que «a Liberdade está ameaçada», que «se está a estragar», que «já não existe» e até que «está condicionada»!
Era inadmissível, a sua Liberdade, a sua querida Liberdade estava a estragar-se! Alguma coisa tinha de ser feita! Vai daí, pega numa caneta e em duas folhas de papel e decide-se a escreve…

"O mistério das cousas"

"O mistério das cousas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.

Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: – As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas."

Alberto Caeiro
13-03-1914


Nas questões vê-se o conflito... se há conflito no sentido da existência, há pelo menos um pouco de racionalidade. Na procura da objectivação "quase absoluta" de Si próprio e das C…

O que se quer (Crónica)

«Querer alguém, ou alguma coisa, é muito fácil. Mesmo assim, olhar e sentirmo-nos querer, sem pensar no que estamos a fazer, é uma coisa mais bonita do que se diz. Antes de vermos a pessoa, ou a coisa, não sabíamos que estávamos tão insatisfeitos. Porque não estávamos. Mas, de repente, vemo-la e assalta-nos a falta enorme que ela nos faz. Para não falar naquela que nos fez e para sempre há-de fazer. Como foi possível viver sem ela? Foi uma obscenidade. Querer é descobrir faltas secretas, ou inventá-las na magia do momento. Não há surpresa maior. O que é bonito no querer é sentirmo-nos subitamente incompletos sem a coisa que queremos. Quanto mais bela ela nos parece, mais feios nos sentimos. Parte da força da nossa vontade vem da força com que se sente que ela nunca poderia querer-nos como nós a queremos. Querer é sempre a humilhação sublime de quem quer. Por que razão não nos sentimos inteiros quando queremos? É porque a outra pessoa, sem querer, levou a parte melhor que havia em nós…

Descoberto novo "australopitecus": o nosso verdadeiro antepassado?

"Eis o “Australopithecus sediba”, a nova estrela da paleoantropologia, que tem mais características em comum com os primeiros representantes do nosso próprio género (o Homo) do que qualquer outro australopiteco conhecido até agora. Portanto, pode ajudar a desvendar quem foi o antepassado que deu origem ao género humano." (Público) Lê integralmente aqui