Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2011

Discurso inflamado e assertivo de deputada brasileira.

Exemplo muito interessante do discurso político - discurso improvisado, suscita fácil adesão ao elemento emocional que é colocado nas palavras e no tom geral da intervenção. Para lá das razões que possam ou não existir no caso concreto, todo o discurso se alicerça e reforça  em alguns preconceitos populistas, sustentando-se em grande parte num ataque "ad hominem" e servindo-se de figuras familiares que rodeiam a pessoa atacada.

"Penas proibidas" (argumentário)

"A União Europeia não permite a pena de morte nem a extradição para países em que seja aplicável, ao caso, a pena de morte. O Tribunal Penal Internacional não admite a pena de morte. Contra a pena de morte há muitos argumentos, entre os quais o criminológico e estatístico, que demonstra que ela é incapaz de prevenir os crimes a que se aplica. Mas tal argumento é sempre uma concessão ao critério utilitarista da defesa da sociedade. A pena de morte é inaceitável, acima de tudo, porque não temos poder sobre a vida de outrem. Como dizia o italiano Ferrajoli, esta semana, na Faculdade de Direito de Lisboa, o Estado não pode responder ao crime com os mesmos métodos, mas só através de uma lógica que anula a do criminoso. A este argumento acresce outro que, para os mais cépticos, será decisivo – a probabilidade de erro judiciário ou de condenação injusta. Diferentemente da pena de morte, a pena de prisão perpétua está prevista nos códigos penais de vários Estados europeus. Ainda recentem…

Contra o corte cego da consoante muda - por Ricardo Araújo Pereira (argumentação)

"Aos 37 anos, sou um daqueles velhinhos que teimam em escrever "pharmácia" porque no tempo deles era assim. Eu tentei não ser reaccionário. Não tentei com muita força, mas tentei. Continuei a escrever como sempre, mas os revisores da VISÃO tinham depois o trabalho de corrigir o texto de acordo com a nova ortografia.
Estou a ficar velho, mas a culpa não é minha. O corpo cria poucos cabelos brancos, ainda menos rugas e quase nenhuma pança, e a mente consegue manter-se imatura sem esforço nenhum. Estou a ficar velho por causa do acordo ortográfico. Aos 37 anos, sou um daqueles velhinhos que teimam em escrever "pharmácia" porque no tempo deles era assim. Bem sei que é cedo demais para estas teimosias, mas resisti até onde pude. Eu tentei não ser reaccionário. Não tentei com muita força, mas tentei. Continuei a escrever como sempre, mas os revisores da Visão tinham depois o trabalho de corrigir o texto de acordo com a nova ortografia. Vou pedir-lhes que deixem de o…

Em defesa da Educação (argumentação)

"A devida educação"por Miguel Esteves Cardoso

"Das coisas que mais custa ver é uma pessoa inteligente e criativa, quando nos está a contar uma opinião ou um acontecimento, ser diminuída pela falta de vocabulário – ou de outra coisa facilmente aprendida pela educação. A distribuição humana de inteligência, graça, sensibilidade, sentido de humor, originalidade de pensamento e capacidade de expressão é independente da educação ou do grau de instrução. Em Portugal e, ainda mais, no mundo, onde as oportunidades de educação são muito mais desiguais, logo injustamente, distribuídas, é não só uma tragédia como um roubo. Rouba-se mais aos que não falam nem escrevem com os meios técnicos de que precisam. Mas também são roubados aqueles, adequadamente educados, que não podem ouvir ou ler os milhões de pessoas que só não conseguem dizer plenamente o que querem, porque não têm as ferramentas que têm as pessoas mais novas, com mais sorte. Mete nojo a ideia de a educação ser uma coi…

Apologia da preguiça (argumentação)

«Ao tornar-nos disponíveis, a preguiça, limpa-nos do lixo, do trabalho inútil e das ideias negativas». (Fernando Dacosta, JL,Out. 1987)
"... não será «um costume da nossa época» condenar a tão purificadora preguiça? Quem nunca foi erradamente acusado de sofrer duma «preguicite aguda» (única doença que se conhece totalmente benigna)?...
... o «amigo» dicionário chega ao ponto de identificar preguiça com malandrice. Sem comentários!...
... não se deve ver na preguiça um estado de hibernação mental ( no entanto há em muitos praticantes desta modalidade algo que eu não considero preguiça mas sim uma grande falta de interesse pela vida, altamente prejudicial), deve-se ver, sim, uma hibernação para aquilo que nos dá prazer, e que, ao contrário do que se costuma pensar, pode ter uma grande importância para nós, logicamente,...
... será que ir ao café, ouvir musica, passear e mesmo não fazer nada são prazeres importantes? É óbvio que são, pois contribuem para o nosso equilíbrio…

Falácias e sofismas (documento de apoio)

Construir um texto expositivo-argumentativo

"O texto expositivo-argumentativo procura defender uma tese, apresentando dados e observações que a confirmem. Este discurso, onde se valoriza a capacidade de apreensão, de construção e de expressão de argumentos, é constituído por uma ideia principal confirmada por dados e razões que defendem a opinião emitida. Consente, por isso, a possibilidade de se polemizar em torno de uma questão e de se recorrer a outros referentes como suporte da estratégia de argumentação.
O texto argumentativo procura defender uma tese, apresentando dados e observações que a confirmem. Deve expor com clareza e precisão as razões que levam à defesa de uma opinião sobre o tema.
Convém, na construção do texto, ser concreto e objetivo, evitando pormenores desnecessários; fazer raciocínios corretos e claros, incidindo no que é importante; evitar argumentos pouco explícitos.
Desde a antiguidade, a filosofia e a política recorreram à argumentação, discutindo e aduzindo razões para fazerem valer …

Argumentum (sobre a argumentação)

“Qualquer pessoa que pense realmente que, na ausência de um processo automático de decisão, as questões da verdade são vazias ou ilegítimas, está pura e simplesmente a aceitar a tese positivista auto-refutante segundo a qual as únicas verdades são as que podem conclusivamente ser estabelecidas como verdadeiras.”  Thomas Baldwin


Argumentar é defender uma ideia, opinião, ponto de vista, tese, procurando fazer com que nosso ouvinte/leitor a aceite, creia nela.
Numa argumentação distinguem-se três componentes:
- a tese (a ideia a defender, necessariamente polémica pois só assim se justifica a divergência de opiniões);
- os argumentos (as razões e justificações - do latim "argumentum" significa "fazer brilhar", "iluminar", "ser arguto");
- as estratégias argumentativas (uso das técnicas na “montagem” do discurso - recursos verbais e não-verbais utilizados para envolver o leitor/ouvinte, para o impressionar, para o convencer melhor, para o persuadir mais …

Breve apontamento da história da argumentação

A Argumentação faz parte da Retórica, disciplina considerada, desde a Antiguidade Clássica, como a «arte de bem falar» e de levar os outros a aderir aos nossos objectivos e às nossas razões. Na Grécia Antiga, Aristóteles produziu um tratado sobre a retórica e, em Roma, Cícero e Quintiliano postularam os princípios fundamentais desta arte de bem convencer que deviam ser seguidos por juristas e políticos.
Durante largos séculos, a Retórica foi considerada apenas tendo em vista a exposição oral de argumentos e a sua discussão, particularmente ligada à oratória forense e religiosa.
Mantendo-se até ao século XIX como disciplina básica nos estudos preparatórios e universitários, a Retórica desempenhou papel fundamental na difusão dos princípios do Cristianismo e na catequização dos povos.
Ainda no século XVIII, o discurso político reassume papel fundamental na orientação das massas populares e todas as tentativas que se fazem muitas vezes na praça pública e, mais tarde, nos parlamentos, para …

Paradoxos

"Os paradoxos são divertidos. Na maior parte dos casos, são fáceis de enunciar e convidam-nos de forma imediata a tentar “resolvê-los.” Um dos paradoxos mais difíceis de tratar é também um dos mais fáceis de enunciar: o paradoxo do mentiroso. Uma das versões correntes pede-nos que consideremos um homem que diz “o que estou a dizer agora é falso.” O que ele diz é verdadeiro ou falso? O problema é que se ele diz a verdade, está verdadeiramente dizendo que o que diz é falso, dessa forma diz uma falsidade. Mas se o que está a dizer é falso, uma vez que é apenas isso que diz estar fazer, tem que estar a dizer a verdade. Diz-se que esse paradoxo “atormentou muitos lógicos da antiguidade e causou a morte prematura de pelo menos um deles, Filetas de Cos.” Os paradoxos são sérios. Para lá de quebra-cabeças, que são divertidos, os paradoxos levantam sérios problemas. Historicamente, estão associados a crises no pensamento e a avanços revolucionários. Enfrentá-los não é simplesmente um jogo i…

Zenão de Eleia - Argumentação e estruturas lógicas

Pensa-se que Zenão tenha nascido cerca de 490-485 a. C., e desafiou os conceitos de movimento e de tempo através de quatro paradoxos que criaram uma certa agitação, ainda hoje visível.

As teorias do movimento estão intimamente relacionadas com as teorias sobre a natureza do espaço e do tempo. Na Antiguidade, foram defendidas duas perspectivas opostas: a hipótese do Uno, defendida por Parménides (n. 515-510 a.C.), e a dos seus adversários, que defendiam o pluralismo. Zenão era discípulo de Parménides e tentou fazer com que os seus adversários caíssem em contradição. De facto, Zenão mostrou que examinando a questão a fundo se obtêm consequências mais absurdas partindo da hipótese da pluralidade do que da hipótese do Uno. As hipóteses contra as quais Zenão dirigiu o seu talento destrutivo foram principalmente a da pluralidade e a do movimento, que eram indiscutivelmente aceites por todos, salvo pelos próprios Eleatas.

"Se a pluralidade existe, as coisas serão igualmente gran…

História da Lógica

No nosso quotidiano fazemos uso da expressão ‘é lógico’ quando acreditamos que um raciocínio ou uma observação qualquer faz sentido ou quando corresponde à realidade ou ainda, quando apresenta coerência. Desta forma, para o senso comum, a lógica seria um estudo da correspondência entre o discurso e a realidade. Porém, em sentido mais estrito, aquela ‘arte’ surgida, segundo uma concepção clássica, com os trabalhos do filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) de Estagira, apresenta-se como uma metodologia de análise e construção de raciocínios e argumentos em âmbito formal. Na forma como é conhecida no Ocidente, tem origem na Grécia. Mais tarde, foram reunidos os trabalhos na obra denominada Organon, onde encontramos no capítulo Analytica Priora a parte essencial da Lógica. Para Aristóteles, o raciocínio (dedutivo) reduz-se essencialmente ao tipo determinado que se denomina silogismo. Na sequência de descobertas e reflexões de pensadores anteriores, donde sobressaem Parménides e Zenão d…