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Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2017

O nascimento da ciência moderna: Galileu

Há três tipos de razões que fizeram de Galileu o pai de uma nova forma de encarar a natureza: em primeiro lugar, deu autonomia à ciência, fazendo-a sair da sombra da teologia e da autoridade livresca da tradição aristotélica; em segundo lugar, aplicou pela primeira vez o novo método, o método experimental, defendendo-o como o meio adequado para chegar ao conhecimento; finalmente, deu à ciência uma nova linguagem, que é a linguagem do rigor, a linguagem matemática. Ao dar autonomia à ciência, Galileu fê-la verdadeiramente nascer. Embora na altura se lhe chamasse “filosofia da natureza”, era a ciência moderna que estava a dar os seus primeiros passos. Antes disso, a ciência ainda não era ciência, mas sim teologia ou até metafísica. A verdade acerca das coisas naturais ainda se ia buscar às Escrituras e aos livros de Aristóteles. E não foi fácil a Galileu quebrar essa dependência, tendo que se defender, após a publicação do seu livro Diálogo dos Grandes Sistemas, das acusações de pôr em…

Vêm aí tutores. O que são?

O fim ensino vocacional no básico e a criação de tutorias. Mas como vai afinal funcionar este sistema? Primeiro é preciso perceber a quem se destinam estas tutorias. A resposta é simples: são para os alunos que aos 12 anos tenham uma ou mais retenções no seu percurso escolar. Até agora, estes estudantes eram encaminhados para os cursos do ensino vocacional, ou seja para cursos mais práticos e profissionalizantes. A ideia é que agora o seu percurso académico futuro não fique condicionado pelo facto de terem chumbado tão novos. Para os ajudar, terão tutores. Mas o que são tutores? Serão professores que terão quatro horas por semana – fora do horário letivo –, com estes alunos em grupos de dez no máximo para lhes darem um acompanhamento próximo e ajudá-los não só a estudar melhor, mas a fazer opções sobre os cursos que vão frequentar ou dar aconselhamento em problemas de comportamento ou relação com outros professores e alunos. “Será um apoio ao estudo, um apoio sócio-emocional, um apoio…

A interdependência entre filosofia e ciência - Lawrence Sklar

A física e a filosofia são duas formas profundamente interdependentes de procurar compreender o
mundo e o nosso lugar como agentes de conhecimento do mundo. Tradicionalmente, a filosofia tentou descrever a natureza do mundo nos termos mais gerais. Renunciando à descrição e classificação minuciosas dos múltiplos fenómenos da natureza, deixando isso como tarefa para as ciências particulares, a filosofia preocupou-se com a natureza do ser nos níveis mais abstractos. Será que só existem particulares, ou teremos de postular que os universais, as propriedades, têm existência própria? Será que a substância do mundo se esgota no ser material, ou teremos de tolerar também um qualquer domínio de existência não-material para acomodar os fenómenos da mente? Estes são os tipos de perguntas que se espera que os filósofos respondam. A filosofia tomou também como seu o domínio do exame crítico das ciências específicas. Apesar de a ciência inferir o inobservado e a natureza do futuro a partir dos limi…

A invenção da ciência - David Wootton

A astrologia já foi considerada uma ciência, assim como a teologia, é claro. Nas universidades medievais o currículo principal era constituído pelas sete “artes” e “ciências” liberais: gramática, retórica e lógica; matemática, geometria, música e astronomia (incluindo astrologia). São hoje frequentemente referidas como as sete artes liberais, mas cada uma delas era originalmente considerada tanto uma arte (uma perícia prática) como uma ciência (um sistema teórico); a astrologia, por exemplo, era a perícia aplicada, a astronomia o sistema teórico. Estas artes e ciências davam aos estudantes os fundamentos para o estudo posterior da filosofia e da teologia, ou da medicina e do direito. Também estas eram consideradas ciências — mas a filosofia e a teologia eram explorações conceptuais puras que não eram acompanhadas por qualquer perícia aplicada. Tinham implicações práticas e aplicações, é claro — a teologia era aplicada na arte de dar sermões; e tanto a ética como a política, tal como…

Investigadores estudam dilemas morais na condução autónoma (Para refletir)

Investigadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, estão a estudar de que forma o desempenho dos automóveis autónomos pode ser melhorado perante dilemas morais como o de matar uma pessoa para poupar a vida de outra. A equipa de peritos quer perceber também o que leva a sociedade a aceitar os veículos e a usá-los e está a perguntar às pessoas, um pouco por todo o mundo, de que modo um 'carro robô' deve lidar com decisões de vida ou morte: perante uma multidão numa passadeira, e sem travões, o veículo vira à direita e atropela vários idosos, ou vira à esquerda, na direção de uma mulher que empurra um carrinho de bebé. Os investigadores do MIT, juntamente com colegas das universidades de Toulouse, em França, e da Califórnia, igualmente nos Estados Unidos, estão a analisar como as respostas variam entre países. Para o estudo, a equipa usou uma plataforma digital de participação e discussão públicas sobre a perspetiva humana em relação a decisões mor…

Avaliação, Política e Ética - Domingos Fernandes (Síntese)

"As políticas públicas podem ser entendidas como processos mais ou menos complexos, participados e articulados que normalmente se traduzem em medidas ou ações destinadas a resolver problemas dos cidadãos e das sociedades num determinado domínio (e.g., educação, saúde, segurança social, justiça). Neste sentido, dificilmente se entenderia que à conceção e concretização de uma dada política pública não estivesse associado um qualquer processo de avaliação. Na verdade, ainda que em regime não exclusivo, a avaliação de projetos, programas e medidas inerentes a uma dada política pública pode e deve contribuir para conhecer e compreender as razões do seu sucesso ou do seu fracasso. Mais concretamente, a avaliação é, cada vez mais, considerada como um processo imprescindível na análise das medidas (e.g., projetos, programas) que materializam as políticas públicas. E, consequentemente, pode contribuir decisivamente para a sua regulação, para a sua transformação e para a sua melhoria. Num …

O Real e o Fenómeno - Kant

“Na Estética Transcendental demonstramos suficientemente que tudo o que se intui no espaço ou no tempo e, por conseguinte, todos os objetos de uma experiência possível para nós, são apenas fenómenos, isto é, meras representações que, tal como as representamos enquanto seres extensos ou séries de mudanças, não têm fora dos nossos pensamentos existência fundamentada em si. A esta doutrina chamo eu idealismo transcendental. O realista, em sentido transcendental, converte estas modificações da nossa sensibilidade em coisas subsistentes por si mesmas e, por conseguinte, faz de simples representações coisas em si. Seriam injustos para connosco se nos quisessem atribuir o desde há muito tão desacreditado idealismo empírico que, na medida em que admite a realidade própria do espaço, nega — ou pelo menos julga duvidosa — a existência de seres extensos no espaço e não admite neste ponto nenhuma diferença, suficientemente demonstrável, entre o sonho e a realidade. No que respeita. aos fenómenos …

Ética e organização social e política.

"O texto aqui apresentado é constituído a partir de duas realidades, que do nosso ponto de vista não podem ser dissociadas uma da outra, que são a ética e a organização. Estes dois conceitos não podem ser vistos exclusivamente como sendo construções teóricas, não são abstrações, são realidades concretas, observadas por todos nós, tornando-se fácil a perceção e a visibilidade dos comportamentos tanto pessoais como coletivos nas organizacionais. Por isso mesmo a conduta ética é o reflexo da conduta de todos os profissionais, fortalecendo as relações interpessoais, o desenvolvimento, o sucesso e a imagem da organização. A ética é nas palavras de Megale o que de mais justo existe. Estas palavras, que são sem dúvida muito fortes, pretendem afirmar dentro do possível, tudo aquilo que move a dinâmica e a justificação na elaboração deste texto. Por conseguinte, a ética e as organizações, tornam-se indissociáveis estando diretamente ligadas a relações, a comportamentos, que nas ciências s…

A causalidade - Hume

«Em que consiste a nossa ideia de necessidade quando dizemos que dois objectos estão necessariamente ligados entre si? A este respeito repetirei o que muitas vezes disse: como não temos ideia alguma que não derive de uma impressão se afirmarmos ter a ideia de ligação necessária (ou causal) deveremos encontrar alguma impressão que esteja na origem desta ideia. Para isso, ponho-me a considerar o objecto em que comummente se supõe que a necessidade se encontra. E como vejo que esta se atribui sempre a causas e efeitos, dirijo a minha atenção para dois objectos supostamente colocados em tal relação (causa-efeito) e examino-os em todas as situações possíveis. Apercebo-me de imediato que são contíguos em termos de tempo e lugar e que o objecto denominando causa precede o outro, a que chamamos efeito. Não existe um só caso em que possa ir mais longe, não me é possível descobrir uma terceira relação entre esses objectos. Suponhamos que uma pessoa, embora dotada das mais fortes faculdades de r…