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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2016

A proporção áurea. - edição semestral National Geographic

Aprender

Linguagem e simbolismo

(Texto em Português do Brasil)
Designa-se o ser humano como homo sapiens sapiens. Justamente o fundamento da possibilidade da linguagem reside no caráter racional dos seres humanos. O homem não fala porque tem língua, mas sim inteligência. O homem se manifesta como um ser que fala precisamente por que tem inteligência e conhece. Mas não basta com a racionalidade para expressar o específico do homem. Como o termo razão não basta para abarcar toda a riqueza da vida cultural do homem. O que distingue também o homem dos animais irracionais é sua capacidade de converter em signo tudo o que toca, sua capacidade simbólica: o homem é um animal symbolicum. (...) Graças à linguagem, à religião e à ciência, os seres humanos construíram um universo simbólico que lhes permite entender e interpretar, articular e organizar, sintetizar e universalizar sua experiência. Na linguagem o homem descobre seu poder inusitado, a capacidade de construir um mundo simbólico. É notável a importância dessas reflex…

As múltiplas interpretações da "alegoria da caverna" de Platão

Numa versão simples, a "alegoria da caverna" (ver texto) menciona vários homens, todos eles presos no interior de uma caverna, na qual nasceram, apenas conseguindo ver uma ténue luz. Um dia, um desses homens liberta-se, escapa para o exterior da caverna e tem conhecimento de todos aqueles objectos que, anteriormente, só conhecia como sombras projectadas nas paredes. Mais tarde, ao voltar ao local onde sempre viveu, este homem conta aos seus antigos companheiros o que viu. Estes, quando confrontados com a recente descoberta, acham que a luz fez o seu amigo ficar louco, e pensam até em matá-lo.
Normalmente os Mitos são histórias bastante difíceis de interpretar, pelo simples facto de terem um quase infinito número de significados que divergem em função do contexto que lhes queiramos dar. No caso da Filosofia e no que respeita a esta alegoria, poderá representar aquilo que se espera de um filósofo - a capacidade de se abstrair do mundo terreno e, com uma curiosidade infinita, …

Fábula da avaliação

“O dono de um talho foi surpreendido pela entrada de um cão na loja. Enxotou-o, mas o cão voltou logo de seguida. De novo, tentou enxotá-lo mas reparou que o cão trazia um bilhete na boca. Pegou no bilhete e leu: ‘Pode mandar-me 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor?’ O cão trazia também dinheiro na boca, uma nota de 50 euros. Pegou no dinheiro, pôs as salsichas e a perna de carneiro num saco e colocou-as na boca do cão. O talhante ficou realmente impressionado. Como já estava na hora, decidiu fechar a loja e seguir o cão. Este começou a descer a rua e quando chegou ao cruzamento depositou o saco no chão, pôs-se de pé e carregou no botão para o sinal ficar verde. Esperou pacientemente, com o saco na boca, que o sinal ficasse verde para peões e a pudesse atravessar. Atravessou a rua e dirigiu-se a uma paragem de autocarro, sempre com o talhante a segui-lo. Na paragem, o cão olhou para os horários e sentou-se à espera do autocarro. Quando o autocarro chegou, o cão foi até à p…

O polémico prémio Nobel da literatura 2016 - Bob Dylan

A literatura é, por definição, a produção estética mediante a linguagem transformada em obras escritas. Ora, a atribuição pela Academia Sueca do Prémio Nobel da Literatura ao músico Bob Dylan, sendo inovadora, corre o risco de desvirtuar o galardão e o nome desta instituição prestigiada, que tem consagrado escritores de todo o mundo. Como se sabe, Bob Dylan não é um produtor de obras literárias, havendo aqui um equívoco evidente, pois, por muito que as artes hoje em dia sejam complementares, este hibridismo cultural não honra a literatura universal. Por detrás da polémica decisão da Academia Sueca do Nobel em relação à literatura, talvez esteja a questão de tentar dignificar a cultura de massas através da poesia inerente às músicas de Bob Dylan. No entanto, a democratização da literatura não se deve fazer mediante a inserção de letras nas músicas populares, pois trata-se, claramente, de um engodo. Se, ao invés, a Academia Sueca pretendia render homenagem à carreira musical de Bob Dyl…

Desejo de Paz?

Colombianos dizem “não” à paz, mas FARC mantêm compromisso
Surpresa na Colômbia. O referendo que se destinava a aprovar o acordo de paz entre o Governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) não passou pelo povo colombiano, segundo os resultados oficiais conhecidos. Com 99.25% dos votos contados, o “não” conquista 50,24%, contra 49.75% do “sim”. A abstenção foi de mais de 60%. O acordo tinha sido assinado pelo Presidente, Juan Manuel Santos, e pelo líder dos rebeldes das FARC, depois de meses de negociações. O objectivo foi colocar um ponto final a uma guerra civil que dura há cerca de 40 anos e Juan Manuel Santos já prometeu manter o cessar-fogo. “Sou o primeiro a reconhecer este resultado. Esta decisão democrática não deve afectar a estabilidade que vou garantir. O cessar-fogo bilateral e definitivo é para prosseguir”, afirmou. “Convocarei todas as forças políticas e, em particular, aquelas que se manifestaram pelo ‘não’ para escutá-las, para abrir espaços de diálogo…

Para onde vai a Europa?

Hungria: De acordo com os resultados oficiais, quando estão contabilizados 94% dos votos, a consulta popular teve uma participação de 43,23% dos eleitores, número inferior aos 50% necessários para que o escrutínio fosse legalmente válido. O "não" ganhou a simpatia dos votantes, obtendo 98,24% dos votos. Inicialmente, uma sondagem realizada pelo instituto Nezopont indicara que apenas 3,2 milhões 8,2 dos eleitores inscritos tinham votado "não" no referendo sobre a aprovação de quotas de refugiados na Hungria, convocado pelo governo de Viktor Orbán. A sondagem foi realizada junto de mil húngaros que foram votar e, extrapolada para o universo eleitoral, dá 3,3 milhões a favor do "não" e somente 168 mil pelo "sim" à receção de 1300 refugiados, de acordo com a quota atribuída a este país pela União Europeia num total de 160 mil. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, declarara, após ter votado, que não interessava a taxa de participação, mas a vi…

Precisamos mais de estabilidade ou criatividade? (parte 4)

Nesse caso, estará a excelência reservada a uma pequena minoria? Se definirmos a mediocridade, não pelas suas conquistas, mas como sendo uma atitude (a incapacidade de valorizar a excelência), então também poderíamos definir o oposto nos mesmos termos. Isto é, uma pessoa excelente é aquela capaz de reconhecer e apreciar o bom, o notável, o brilhante, o belo ou o original, quer seja ou não artífice do objecto apreciado. Não é preciso ser Aristóteles, Dalí ou Einstein; a excelência também está presente nos que sabem admirar o talento dos outros e tomá-lo, subtilmente, por modelo. Não depende das notas na escola, nem da classe socioeconómica, nem da profissão. Um humilde lavador de pratos pode pender para a excelência se for capaz de reconhecê-la e respeitá-la; nesse caso, terá bom gosto para se vestir, embora a roupa seja barata, e saberá escolher os amigos, distinguir um bom filme de um fraco e apreciar a beleza de um pôr-do-sol. Do mesmo modo, é possível que um rei, um líder político …

Precisamos mais de estabilidade ou criatividade? (parte 3)

Por sua vez, o pedagogo canadiano Laurence J. Peter (1919–1990) explicou o êxito profissional dos medíocres através do que denominou “princípio de Peter”: “Numa empresa ou organização, qualquer trabalhador tende a ascender até atingir o seu nível de incompetência.” Se nos promoverem devido aos nossos méritos, acabaremos por ocupar um cargo para o qual não temos competência e deixaremos de nos destacar (e de ascender), permanecendo enquistados no nosso nicho de mediocridade. Uma das consequências é que quem alcança o seu nível de incompetência poderá sentir-se tentado a boicotar os subordinados de forma a não serem promovidos (ou mesmo a serem despedidos); assim, acaba por agir como uma espécie de tampão involuntário para as próximas gerações. Os norte-americanos, que levam muito a sério a questão da eficiência, adiantaram algumas soluções, como a de premiar um bom trabalhador com um aumento salarial em vez de uma promoção. Todavia, parece que entram em jogo outros factores no complex…