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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2014

Desobediência civil

in http://50licoes.blogspot.pt/

O criticismo Kantiano

Se para os realistas o que conhecemos são as coisas mesmas tal como são, e para os idealistas conhecemos as ideias das coisas, para Kant, nem uma, nem outra. Não conhecemos as coisas em si mesmas nem conhecemos as ideias: conhecemos, pois, fenómenos (do grego Phainómenon, “Aparência”). Fenómenos são as coisas tal como aparecem ao sujeito da experiência possível; o que elas são em si mesmas está-nos epistemicamente vedado. Só pela acção representativa da espontaneidade do entendimento humano é que um fenómeno (a coisa tal como nós a apreendemos) se torna conhecimento, isto é, adquire significado epistemológico para nós.  Quer isto dizer que o conhecimento é essencialmente representação, mas não a representação pura (vazia de conteúdo empírico) dos idealistas; é antes uma representação de algo que foi dado na experiência. As ideias, para Kant, ultrapassam o domínio da experiência e, por isso mesmo, não são cognoscíveis. O que Kant nos diz é que, contra o realismo, o conhecimento não é …

A justiça distributiva - A solução de Rawls e as críticas

O Conhecimento como actividade construtiva - Kant

Para ultrapassar a incompatibilidade das abordagens racionalista e empirista do conhecimento, Kant estabeleceu a sua posição no que veio a designar como “revolução copernicana” no domínio da metafísica: seguindo os passos de Copérnico - que ‘não podendo prosseguir na explicação dos movimentos celestes enquanto admitia que toda a multidão de estrelas se movia em torno do espectador, tentou ver se não daria melhor resultado fazer antes girar o espectador e deixar os astros imóveis’, propõe que o conhecimento deixe de se guiar pela “natureza dos objectos”, passando, pelo contrário, a ser o objecto regulado pelas faculdades cognitivas do sujeito, o que significa ver no conhecimento não uma mera competência passiva, mas uma actividade construtiva regida por leis próprias.  Kant vai proceder à uma tentativa de “autonomia da razão”, isto é, esclarecer em que limites ela é ou não dependente do recurso à experiência e de estruturas a priori, ocupando-se assim mais do modo de conhecer os object…

Conversas do Mundo - Leonardo Boff e Boaventura de Sousa Santos

As "Conversas do Mundo" colocam frente a frente homens ou mulheres que, nas mais diversas partes do mundo, e a partir de diferentes lugares de enunciação, partilham a luta pela dignidade humana e a reflexão sobre um outro mundo possível, necessário e urgente. Com as Conversas do Mundo pretende-se promover a valorização e a partilha da infinita diversidade do mundo. Esta Conversa do Mundo, entre Leonardo Boff e Boaventura de Sousa Santos decorreu a 9 de Outubro de 2012, em Araras, Rio de Janeiro (Brasil).

Predicados para um político capaz. Ética na vida política.

Avolumam-se, e avolumar-se-ão ainda mais, a tricas e as tiradas políticas entre sujeitos de partidos oponentes. Algo que, em política, considero terrível e reprovável, principalmente a quem tem a obrigação de dar o exemplo. São várias as situações que leio, e por vezes ouço, de políticos que, para se afirmarem, recorrem, sem recato, à agressão verbal dirigida aos seus rivais. Outras vezes, é a sua própria praxis que se torna incorrecta e desadequada, tão-pouco suspeita. Nada mais lamentável! Engana-se quem pensa que esta mensagem é dirigida aos políticos da minha praça. Não é. Tenho pelas pessoas que conheço a melhor consideração. Importa-me apenas elevar o discurso e o modo da acção, fazendo-os sobressair do perigoso lodo da tentação da baixa-política e afirmar uma determinada praxiologia. Pois bem, não dizendo quais os procedimentos que cada um deve ter em política, relevo os predicados que cada político capaz deve possuir para o exercício de governo de uma qualquer comunidade ou n…

Maquiavel e o pensamento político

Maquiavel (1469-1527) é um dos mais originais pensadores do renascimento, uma figura brilhante mas também algo trágica. Durante os séculos XVI e XVII, o seu nome será sinónimo de crueldade, e em Inglaterra o seu nome tornou ainda mais popular o diminutivo Nick para nomear o diabo, não havendo pensador mais odiado nem mais incompreendido do que Maquiavel. A fonte deste engano é o seu mais influente e lido tratado sobre o governo, O Príncipe, um pequeno livro que tentou criar um método de conquista e manutenção do poder político. A vida de Maquiavel cobriu o período de maior esplendor cultural de Florença, assim como o do seu rápido declínio. Este período, marcado pela instabilidade política, pela guerra, pelo intriga, e pelo desenvolvimento cultural dos pequenos estados italianos, assim como dos Estados da Igreja, caracterizou-se pela integração das rivalidades italianas no conflito mais vasto entre a França e a Espanha pela hegemonia europeia, que preencherá a última parte do século X…

Conhecimento, realidade e matemática - por Albert Einstein

"Como é que a matemática, que é um produto do pensamento humano e independente de qualquer experiência, se adapta duma maneira tão admirável aos objectos da realidade? A razão humana seria capaz, sem recurso à experiência, de descobrir só pela sua actividade as propriedades dos objectos reais? A esta questão é preciso, na minha opinião, responder do seguinte modo: na medida em que as proposições da matemática se relacionam com a realidade não são certas, e na medida em que elas são certas, não se relacionam com a realidade. A clareza perfeita sobre este assunto não podia ter-se tornado comum sem a tendência em matemática que é conhecida sob o nome de axiomática. O progresso realizado por esta última consiste em que a parte lógica e formal é cuidadosamente separada do conteúdo objectivo ou intuitivo. Segundo a axiomática, a parte lógica e formal constitui só o objecto da matemática, mas não o conteúdo intuitivo ou outro que lhe esteja associado. (...) A axiomática moderna desembar…

O conhecimento: ser, verdade e ciência (Platão, Teeteto)

(...) "Sócrates: Diz-me: Cada um dos sentidos por meio dos quais tu percebes o quente, o duro, o mole, o doce, não o atribuis ao corpo? Ou relaciona-lo com qualquer outra coisa? Teeteto: Com nenhuma outra coisa. Sócrates: Concordas em que aquilo que percebes por meio de uma faculdade te é imperceptível por meio de outra? Que a percepção que tens pelo ouvido não podes tê-la pela vista, que a que tens pela vista não podes ter pelo ouvido? Teeteto: Como podia eu recusar isso? Sócrates: Se o teu pensamento concebe alguma coisa que pertença às duas percepções simultaneamente, não era pela via do primeiro destes dois órgãos nem pela via do segundo que poderias obter essa percepção comum.  Teeteto: Certamente que não. Sócrates: Assim, relativamente ao som e à cor, esse primeiro carácter comum é apreendido pelo teu pensamento como os dois são? Teeteto: Certamente. Sócrates: E também que cada um é diferente do outro, mas idêntico a si próprio? Teeteto: Como é isso? Sócrates: Que no conju…

A definição de conhecimento no Teeteto - por Anthony Kenny

O Teeteto começa ao estilo de um diálogo do primeiro período. A questão proposta é "O que é o conhecimento?", e Sócrates oferece-se para fazer de parteira de modo a permitir que o jovem e brilhante matemático Teeteto dê à luz a resposta. A primeira sugestão é a de que o conhecimento consiste em coisas como a geometria e a carpintaria; mas isto não serve como definição, pois a própria palavra "conhecimento" teria de ser usada se tentássemos dar definições de geometria e de carpintaria. Aquilo de que Sócrates está à procura é aquilo que é comum a todos estes tipos de conhecimento. A segunda proposta de Teeteto é a de que o conhecimento é a percepção: conhecer algo é tomar contacto com ela por meio dos sentidos. Sócrates observa que os sentidos de pessoas diferentes são diferentemente afectados: a mesma rajada de vento pode ser sentida por um pessoa como quente e por outra como fria. "É sentida como fria" significa "parece fria", de modo que apree…

A noção política de Esquerda e Direita e os valores da igualdade e liberdade - por João Rosas

Antes de esclarecer a origem e o significado doutrinal da dicotomia política direita / esquerda convém recordar que ela não surge do nada. Trata-se de uma dicotomia simbolicamente marcada. Assim, a mão direita tem reservadas para si as tarefas nobres, enquanto a esquerda se ocupa dos trabalhos impuros. O apóstolo preferido senta-se à direita do Senhor, tal como o Filho está sentado à direita do Pai. As línguas europeias reflectem o simbolismo positivo da direita e a carga negativa da esquerda. Em inglês, a direita é "right" (certa), o que leva a pensar que a "left", a esquerda, é "wrong" (errada). Em francês, a esquerda é também "gauche" (desastrada) enquanto a direita é "droite" (íntegra). Mais ainda: em italiano, a esquerda é "sinistra" e só a direita é "destra".  No Antigo Regime, a distinção entre direita e esquerda, ainda que relevante, não era a mais significativa na topografia simbólica do espaço político. A…

O que é a filosofia política?”

Cícero, numa passagem que faria história, disse que Sócrates “fez a filosofia descer dos céus e colocou-a nas cidades dos homens e trouxe-a também para as suas casas e forçou-a a falar da vida e da moral” (Cícero, 1989, v. 10). A acreditar em Cícero, Sócrates foi, portanto, o primeiro filósofo político. A filosofia política é, no mesmo sentido, originariamente socrática; pretende falar dos homens, da cidade, da vida humana e da moral. E fá-lo indirectamente, isto é, através do exame do que os homens dizem acerca de si próprios, da cidade, da vida humana e da moral (Platão, 1947b, 99e). Neste movimento, Sócrates fixou no mundo humano o contexto mais adequado à actividade filosófica, que é, por assim dizer, sobre-humana. E, na medida em que a filosofia socrática pode ser descrita como a obediência ao imperativo divino “conhece-te a ti mesmo”, a filosofia política corresponde ao movimento natural do autoconhecimento, quer dizer, do conhecimento da realidade prática em que o homem vive e…

Tertúlia à Quarta - Prof. Doutor José de Azeredo Lopes

Para mais informações... Site: www.iscra.pt Blog: http://iscra-tertulias-a-quarta.webnode.pt/

Ética e Política - por F. Savater

(...) O que a ti e a mim agora nos importa apurar é se a ética e a politica terão alguma coisa a ver uma com a outra e o modo como se relacionam entre si. Quanto à finalidade, ambas parecem fundamentalmente aparentadas: não se tratará, em ambos os casos, do problema de viver bem? A ética e a arte de escolher o que mais nos convém para vivermos o melhor possível; o objectivo da política é organizar o melhor possível a convivência social, de modo a que cada uma possa escolher o que lhe convém. Como ninguém vive isolado (...), quem quer que tenha a preocupação ética de viver bem não pode alhear-se olimpicamente da política.Seria como fazermos questão de estar confortavelmente instalados numa casa, sem nada querermos saber das telhas partidas, dos ratos, da falta de calefacção das paredes carcomidas que podem fazer com que o prédio caia enquanto dormimos ... Contudo, também há diferenças as importantes entre ética e política. Para começar, a ética ocupa-se do que a própria pessoa (tu, eu…

Conhecimento: o que é a justificação? - por Desidério Murcho

A teoria do conhecimento ou epistemologia é a disciplina filosófica que estuda a natureza, limites e possibilidade do conhecimento. Num certo sentido, toda a filosofia se divide entre metafísica, que estuda os aspectos mais gerais da realidade, e a epistemologia, que estuda os aspectos mais gerais do conhecimento. Afinal, é argumentável que nada há além da realidade e do nosso conhecimento da realidade. Entre outras coisas, em epistemologia (não confundir com filosofia da ciência) estuda-se a noção de justificação e a sua relação com a verdade e o conhecimento. Mas o que é a justificação? Intuitivamente e popularmente as pessoas tendem a ter uma concepção metafísica de justificação. Contudo, não é essa a concepção mais comum em epistemologia, nem sequer é claro que tal concepção não seja uma confusão entre verdade e justificação. A questão torna-se mais clara se pensarmos deste modo: será possível ter justificação para aceitar uma crença falsa? Segundo a concepção metafísica da justif…

Ética, Direito e Política

Ética 
• Existem grandes imperativos sociais que estruturam a existência do grupo humano em instituições organizadas. São elas, a ética, o direito e a política • Ética: avalia-se a partir do ponto de vista de uma intenção de uma consciência individual; • Tem carácter persuasivo; • A obrigatoriedade do cumprimento das normas está na consciência; • As normas éticas revelam-se suficientes para garantirem a paz e a ordem social. Renunciam à sanção e à violência. O indivíduo só tem de responder perante a sua própria consciência • Está ligada ao que é justo.
Política
• É a actividade de exercício de poder para gerir e disciplinar a vida social, através das instituições que, no seu conjunto, formam o Estado. O poder do Estado é regulado por uma Constituição que é um conjunto de leis fundamentais e nela se fixam os direitos e os deveres do cidadão; • Avalia a partir de um ponto de vista de uma consciência colectiva. O Estado deve organizar da melhor forma a vida colectiva e garantir a coexistê…

O que é o conhecimento? - Elliott Sober

Tipos de Conhecimento
No quotidiano falamos de conhecimento, de crenças que estão fortemente apoiadas por dados, e dizemos que elas têm justificação ou que estão bem fundamentadas. A epistemologia é a parte da filosofia que tenta entender estes conceitos. Os epistemólogos tentam avaliar a ideia, própria do senso comum, de que possuímos realmente conhecimento. Alguns filósofos tentaram apoiar com argumentos esta ideia do senso comum. Outros fizeram o contrário. Os filósofos que defendem que não temos conhecimento, ou que as nossas crenças não têm justificação racional, estão a defender uma versão de cepticismo filosófico. Antes de discutirmos se temos ou não conhecimento, temos de tornar claro o que é o conhecimento. Podemos falar de conhecimento em três sentidos diferentes, mas apenas um nos vai interessar. Considerem-se as seguintes afirmações acerca de um sujeito, ao qual chamarei S: S sabe andar de bicicleta. S conhece o Presidente dos EUA. S sabe que a Serra da Estrela fica em Por…