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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2012

Educação e a "geração à rasca"

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.  Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.  A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos. Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor. Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), …

Mil novecentos e oitenta e quatro - Apontamento de preparação para o visionamento do filme

«Estamos a viver num mundo onde ninguém é livre, no qual dificilmente alguém está seguro, sendo quase impossível ser honesto e permanecer vivo.» George Orwell, The Road to Wigan Pie

A simples crítica à racionalidade em Mil novecentos e oitenta e quatro de George Orwell é mesmo ultrapassada, chegando de certa forma a atingir extremos. 1984 é um assustador retrato de uma Inglaterra futura subjugada às mãos de um tirano, o Big Brother, caracterizado por um olhar sempre atento e punidor. Todos são constantemente vigiados pelos sempre presentes telescreens!
1984 é o prelúdio assustador do que seria uma sociedade totalmente governada pela razão e pelos instrumentos tecnológicos. Na verdade, a sociedade de Oceânia, uma das três partes em que o mundo aparece dividido, em 1984, não usa a razão como um meio (como tem sido até aqui), mas como um fim.
« O poder não é um meio, é um fim. Não se instaura uma ditadura para se salvaguardar uma revolução; faz-se a revolução para se instaurar a ditadur…

Vontade e Poder

«Todos os homens procuram ser felizes. Isto é sem excepção. Quaisquer que sejam os diferentes meios que empregam para isso, todos tendem para esse fim. O que faz que uns vão à guerra e outros não é este mesmo desejo que está, nuns e noutros, acompanhado de diferentes modos de ver. A vontade nunca dá nenhum passo, por pequeno que seja, a não ser para este objectivo. É o motivo de todas as acções de todos os homens, até mesmo dos que se vão enforcar (…)» Pascal, Pensées 425


Tecnociência: riscos e impactos na sociedade

A condição humana traz-nos uma série de questões importantes, se por um lado somos seres racionais com uma sensação de invencíveis, por outro somos dotados de uma fragilidade que nos coloca num conjunto de incertezas. (…) Por conseguinte a tecnologia apresenta-nos uma ambivalência pois se por um lado liberta o homem de determinadas funções, de outro lado vem subjugando a sociedade à lógica quantitativa destas mesmas máquinas. Podemos imaginar o futuro, quando ocorrerão mudanças drásticas no Homem e na natureza, que serão possíveis com a ajuda da tecnociência, e o seu universo de manipulações, desde a manipulação genética à manipulação da actividade simbólica. Vivemos numa era de concubinato entre o Homem e elementos cibernéticos, associando e permitindo-lhes viver com vantagens. A tecnociência leva o Homem a confrontar-se com questões que são únicas nos nossos tempos. Esta nova ordem traz ao Homem uma expansão da capacidade técnica inimaginável e cujas consequências irão provocar um enor…

A necessidade de reflectir sobre a Tecnociência

Por um lado somos seres racionais cheios de competências que nos fazem dominar o mundo, por outro somos de uma fragilidade que nos deixa imersos num universo de incertezas e dúvidas. Podemos criar máquinas e fórmulas capazes de nos substituir nas funções que menos queremos realizar, mas não conseguimos ainda controlar o grupo de problemas que essa nova realidade nos apresenta. A tecnologia apresenta-se ambivalente pois se por um lado liberta o homem de determinadas funções, por outro submete a sociedade a lógicas quantitativas a precisarem de ser reflectidas de forma profunda. Podemos imaginar o futuro como um universo de manipulações, desde a manipulação genética à manipulação da actividade simbólica. Estamos na era da fusão entre o Homem e os elementos cibernéticos permitindo-nos viver com vantagens e riscos a cada dia. A definição de homem, tal como foi classicamente concebida é agora colocada em dúvida. A capacidade moral e ética é atingida, sendo-nos cada vez mais difícil decidir o…