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Mensagens

A mostrar mensagens de Dezembro, 2010

Problemas de Filosofia Política

"A Filosofia Política é a disciplina filosófica na qual se discute o modo como a sociedade deve estar organizada. A melhor maneira de abordarmos esta disciplina (como quaisquer outras) é conhecendo os problemas de que trata. Antes disso, farei algumas considerações sobre a natureza deste problemas.
Os problemas de Filosofia Política possuem um elevado grau de generalidade e de abstracção: isto significa que não se trata de analisar problemas sociais e políticos contextualizados num dado país ou num determinado momento mas, antes, de reflectir sobre questões social e politicamente transnacionais. Os problemas de Filosofia Política são, sobretudo, problemas conceptuais, por oposição aos problemas empíricos tratados em disciplinas como a Ciência Política, a Sociologia ou a Economia. Por muito que observemos as sociedades, ou por mais que descrevamos os seus sistemas políticos, não encontraremos resposta para a questão fundamental da Filosofia Política: como deveremos organizar a soci…

Religião e Filosofia da religião: busca de sentidos.

O Homem não se auto justifica na Vida. É essa realidade que o leva à constante procura de um sentido perante o absurdo e a incerteza dos dias. Algumas questões tornam-se imperativas para uma abordagem ao problema do sentido e da existência: Vale a pena viver? Qual o propósito do nosso existir? De onde vimos, nós e o mundo e para onde vamos? Os conceitos da vida e do mundo são produto de factores religiosos e éticos herdados do processo de educação; a filosofia, neste assunto pode surgir como intermediário entre as teologias e a ciência. A primeira, partindo muitas vezes da "tradição" e da "revelação", especula  sobre assuntos a que o conhecimento exacto não conseguiu até agora responder cabalmente. Entre a teologia e a ciência existe uma zona nebulosa exposta aos "ataques" de ambos os campos: a filosofia: muitas das questões de interesse para espíritos especulativos são de uma índole a que a ciência não pode responder, e as respostas dogmáticas dos teólog…

Sugestão para as férias (4)

Quais os valores que os mitos deixaram para a sociedade contemporânea? Qual a influência dos mitos hoje? Na obra "Mito e Significado", (5 conferências), Claude Lévi-Strauss interpreta alguns mitos e tenta descobrir o seu significado para a compreensão da natureza humana. "Abordando temas que possibilitam analisar as relações entre Mitologia e Ciência, Mitologia e História, Mitologia e Música, combinando o conhecimento histórico, antropológico e filosófico, proporciona uma nítida e penetrante perspectiva do mundo ocidental contemporâneo".

Sugestão para as férias (3)

O romance de Orwell "1984" faz parte dos livros fundamentais à cultura política de qualquer cidadão. A obra, quer em livro quer em filme (espreita os videos ao fundo do blogue), vale todo o tempo que lhe dedicarmos.
"A partir duma visão futurista daquilo que seria o mundo em 1984, este filme dá-nos a imagem de uma sociedade totalitária, num mundo tripartido e em constante estado de conflito, através do olhar de um funcionário do partido no poder. O amor acaba por se tornar um acto de rebeldia e dissidência, quando Winston Smith se apaixona por um outro membro do partido, Julia, quebrando assim as regras impostas pelo partido. Esta relação acaba por levar Winston a questionar aquela sociedade, mas o olhar do BIG BROTHER é omnipresente e acaba por levá-lo a sentir na pele o que acontece a todos aqueles que quebram as regras que lhes são impostas. Um dos maiores romances de ficção científica de crítica ao totalitarismo numa adaptação ao cinema."
Realização: Michael Radf…

Sugestão para as férias (2)

Em livro ou em filme (espreita os videos ao fundo do blogue), uma obra "obrigatória" a qualquer estudante pré-universitário: "O triunfo dos porcos" ou, numa outra tradução, "A quinta dos animais" de George Orwell.
"Fartos de serem os joguetes do capricho humano, os animais da "Manor Farm" revoltam-se contra os seus proprietários, expulsando-os das suas terras e criando uma sociedade de igualdade e liberdade. Mas aquilo que poderia ser a realização de um sonho de emancipação torna-se um pesadelo quandos os porcos assumem o poder e expulsam o líder revolucionário Snowball das suas terras, manipulando a mente dos outros animais através da sua propaganda e explorando-os até aos seus limites. Napoleão torna-se assim o líder de uma sociedade que se tornou tudo menos igualitária, e onde o despostismo dos porcos é igualado, em certo ponto, ao despotismo humano. Um fábula que se tornou um dos maiores hinos críticos do regime totalitário."
Realiza…

Sugestão para as férias (1)

No âmbito dos valores Ético-políticos, uma sugestão de leitura para as férias: "As origens do totalitarismo" de Hanna Arendt.
"Escrita em 1951, esta obra trouxe um contributo fundamental para a compreensão do totalitarismo, tanto no caso soviético com a luta de classes, como no nazismo com a luta de raças. Hannah Arendt apresenta um quadro completo da organização totalitária, a sua implantação, a propaganda, o modo como manipula as massas e se apropria do Estado com vista à dominação total. A sua crítica da razão governamental totalitária ainda hoje é pertinente, numa época onde vigoram regimes com estas características e, mais do que isso, num terreno onde a democracia liberal não afastou por completo os vestígios de uma ideologia de terror que torna o homem supérfluo. Com a sua lúcida análise, percebemos por que motivo o campo [de concentração] se encontra no âmago do totalitarismo.
No final Arendt deixa uma «profecia» desconcertante: «As soluções totalitárias podem mui…

Liberdade de expressão: WikiLeaks (argumentação desfavorável)

"A divulgação via Internet - e, portanto, acessível a qualquer cidadão de um país democrático e onde exista liberdade de expressão - de documentos classificados como secretos pelo site WikiLeaks (imagina-se que o nome seja uma paródia de gosto duvidoso à Wikipedia) inaugurou a era do terrorismo digital. Explicarei - naturalmente - esta afirmação em três pontos. Até porque estou consciente de que as posições assumidas por alguém como o fundador da WikiLeaks (um personagem de passado complexo e que chegou a abandonar em directo uma entrevista da CNN, mas cujos documentos foram antecipados pela Al-Jazeera) assumem, para algumas das franjas da opinião pública, um sentido quase quixotesco. Se mal explicadas, podem aparentar uma ideia de luta desigual entre poderosos e indefesos: uma espécie de versão do Robin dos Bosques da era digital. E esta é - obviamente - uma linha de raciocínio que apresenta tanto de enganador como de perigoso. Vamos, então, aos três pressupostos da minha tese. …

Liberdade de expressão: WikiLeaks (argumentação favorável)

" 1. Como cidadão, quero ter toda a informação possível. Como jornalista, acredito que não devo esconder qualquer informação. Aceito que haja pessoas, não jornalistas, que gostem da primeira parte e defendam a selectividade na segunda, de acordo com os seus muito veneráveis interesses económicos, políticos e até partidários. É, no entanto, um desconforto reconhecer que continuam a existir jornalistas que se acham no direito de decidir quando, porquê, em que conjuntura, uma determinada informação é boa ou não interessa. "Porque é da fonte x", "porque interessa à pessoa, ou instituição, y". E eles, arautos da verdade, que a existir lhes teria sido outorgada por direito divino, registam umas e escondem outras de acordo com preconceitos, medos ou dependências - ou até na superior função de regularem o funcionamento do mundo. "Pois se do outro lado não se sabe nada..." O caso das chamadas escutas a Belém, a nível doméstico, foi bem elucidativo a esse resp…

Valores Ético-Políticos - "Política sem valores" - (Inês Pedrosa)

"Para que a política se torne uma vocação mobilizadora, terá que assumir uma cartilha ética mínima. Provavelmente nunca a teve: "O Príncipe" de Maquiavel é ainda estudado como uma espécie de bíblia do poder; foi-o em monarquias totalitárias. Mas não se adequa à democracia, menos ainda aos tempos complexos que vivemos, em que a economia internacional domina a política - porque os políticos se encostaram às boxes e se deixaram engolir pelo fascínio do capitalismo. A erosão dos modelos de sociedade pré-fabricados que foram incapazes de entender os sonhos e as necessidades dos indivíduos levou a um discurso apocalíptico e precipitado sobre o fim dos 'valores'. Esse discurso nasce da insegurança e do medo face à mudança civilizacional em curso no Ocidente a partir da segunda metade do século XX - que, pelo contrário, consiste numa preocupação inédita com as condições de vida das pessoas, sem distinção de sexo, idade ou etnia. A Carta dos Direitos Humanos tem pouco ma…