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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2013

Ser ou não ser eis a questão - “To be or not to be, that’s the question"

Eis a questão! Vulgarmente fica-se por "ser ou não ser, eis a questão", porém a expressão mais completa será: “Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre em nosso espírito sofrer pedras e setas com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja, ou insurgir-nos contra um mar de provocações e em luta pôr-lhes fim? Morrer... dormir: não mais. Conformar-me ou enfrentar o "destino"?(William Shakespeare) Pagar o preço da "crise existencial", pagar a factura da escolha,  as consequências da decisão tomada ou deixar-me adormecer e conformar-me com o que a sorte me traz? Para lá da "dificuldade" da tradução do verbo... Ser enquanto circunstância? Nesta perspectiva, em vez de dizer: “Eu sou professor”, direi “eu encontro-me como professor”, pois estou diante de uma circunstância: no caso, ministro aulas; entretanto, em casa sou irmão, filho, companheiro, etc.. Portanto, estou no papel de professor. O ser é algo mais profundo? Na escolha defino-me; opto e rec…

O conhecimento como processo (e como produto)

O conhecimento enquanto processo é um "acto intelectual" pelo qual um sujeito apreende um objecto. O conhecimento como produto é o resultado desse mesmo processo. Desta feita, as imagens ou representações mentais, ou teorias, ou conceitos que possuímos são produtos disponíveis para serem utilizados quando necessário. Mas para que tal aconteça é necessário adquiri-los através de um processo intelectual. Perspectiva fenomenológica do conhecimento: Tal significa que é fundamental que nos debrucemos sobre o conhecimento em si mesmo, superando as contingências de quem conhece, do que conhece, para que conhece e descrever com objectividade o que se passa no acto de conhecer, referindo os seus aspectos essenciais, ou seja, aqueles cuja ausência inviabiliza o conhecimento. O sujeito e o objecto são os elementos essenciais do conhecimento. A relação é recíproca, mas de oposição indestrutível devido à diferença nos papéis que desempenham, pois o sujeito é o agente activo, aquele que con…

Direitos Humanos (documentos para consulta e ligações importantes)

Conhecimento e Poder: "o Analfabeto Político - Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguer da casa, do sapato e do remédio, depende das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”
Bertold Brecht

Até onde é possível o conhecimento científico para Kant?

O conhecimento científico, embora não tenha o seu fundamento na experiência, começa com ela e por isso só pode ser conhecimento de realidades empíricas. Conhecer é estabelecer relações de causalidade entre aquilo que se relaciona com o sujeito. Como é que as coisas se podem relacionar comigo? Se se manifestarem no espaço e no tempo, ou seja, se eu as puder espacializar e temporalizar mediante as formas da minha sensibilidade. Isto quer dizer que o conhecimento científico não é produzido pela sensibilidade, mas só pode ser acerca dos dados que esta recebe. Todo o conhecimento possível ao homem está limitado ao campo dos objectos que eu posso enquadrar no espaço e no tempo, aos dados da intuição empírica ou sensível. Assim, os dados sensíveis são o que a sensibilidade coloca ao dispor do entendimento e do seu conceito por excelência: o conceito de causa. A relação causal que este estabelece, está limitada aos dados sensíveis ou fenómenos. O vínculo causa-efeito consistirá então em expli…

A origem do conhecimento

A Origem do Conhecimento O problema da fonte ou origem do conhecimento coloca as seguintes questões:  Qual será a origem do conhecimento? A experiência? A razão humana? A esta questão dão resposta correntes como o Empirismo, o Racionalismo, o Racionalismo transcendental (ou Apriorismo) e outras posições intermédias. Racionalismo e Empirismo são doutrinas filosóficas que respondem à questão acerca da origem do conhecimento. Se na perspectiva do Empirismo este deriva da experiência, não havendo no nosso espírito dados independentes desta, na perspectiva racionalista, o conhecimento tem a sua origem na razão, tendo esta princípios ou ideias independentes da experiência.  Descartes e o Racionalismo Descartes é um dos principais vultos do Racionalismo. Este filósofo foi revolucionário no século XVII quando defendeu que, utilizando o método certo, só através da razão, a que ele também chama "luz natural", era possível chegar à verdade. Este método é minuciosamente explicado numa das…

"Que valores para este Tempo?"

Ética autoritária e ética humanista
“Se não abdicarmos, como é ocaso do relativismo ético, da procura de normas éticas objectivamente válidas, de que critério nos serviremos para a sua formulação? A natureza do critério depende do tipo de sistema ético cujas normas tentamos formular. Os critérios de uma ética humanista são necessariamente diversos dos de uma ética autoritária. No âmbito da ética autoritária, é a autoridade quem estatui o que convém ao homem e prescreve as leis e normas do seu comportamento; no domínio de uma ética humanista, o homem é, ao mesmo tempo, o legislador e o súbdito, a fonte formal ou agente regulador, e o sujeito do conteúdo das normas.(...) A ética humanista é antropocêntrica; não, certamente, no sentido de que o homem seja o centro do universo, mas no sentido de que os seus juízos de valor, como qualquer outro juízo ou a própria percepção, encontram o seu fundamento na especificidade da existência humana e só ganham sentido quando são referidos a esta mesma …

Apontamento - A Ética do Dever (Kant)

"Introdução à filosofia moral de Kant Kant recebeu de Jean-Jacques Rousseau a ideia de que todos os seres humanos são capazes de distinguir o bem do mal, pelo que todos são chamados a cumprir o seu dever. O iluminismo influenciou também a maneira como Kant encara a razão. Antes de mais, ela deve ser submetida a uma crítica que circunscreva os seus limites de possibilidade. É, todavia, esta instância - razão - que distingue o ser humano do animal, conferindo-lhe a capacidade de pensar por si mesmo. O iluminismo representa, para Kant, a saída do Homem da sua menoridade, de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem.
Servir-se da sua própria razão é ser autónomo e, portanto, livre. O certo, porém, é que, ao sobrevalorizar a razão, o iluminismo fez uma crítica à religião, o que conduziu ao cepticismo e a um estado de incredulidade. Não foi apenas a religião que sofreu este abalo. Também a moral viu serem abalados os…

Cultura e relativismo

A vida humana é convivência, é um "conviver". Se uma sociedade sem indivíduos e relações interindividuais é uma ficção o mesmo poderemos dizer do indivíduo humano isolado. Robinson Crusoé, perdido numa ilha deserta, devido a um naufrágio, manifesta no seu comportamento a presença de técnicas, atitudes, habilidades e crenças que aprendeu na sua convivência social, isto é, fisicamente separado de qualquer sociedade continua a "conviver" com ela desejando regressar ao convívio efectivo. Embora não devamos considerar o ser humano como o simples resultado da educação e da socialização, é inegável que, por definição, o homem é um ser a educar, a introduzir num determinado contexto cultural.
"Educar" é um termo que vem do latim e-duce que significa conduzir para fora de, fazer sair de ... A bagagem biológica que herdámos ao nascer, o nosso equipamento natural ou biológico é insuficiente para que nos tornemos seres aptos a desempenhos e atitudes especificamente hu…

Crítica ao dualismo - da independência da res cogitans perante a res extensa de Descartes - Mélanie Conceição (11ºC)

Atenção: Foco-me apenas num argumento, uma sugestão, uma mais valia para "abalar"  Descartes :P). Aprecio o seu empenho em provar a independência da sua substância, cuja essência ou natureza é apenas o pensamento. Para pensar, meu caro Descartes, suponho que usa a linguagem verbal (não pode de todo ser de representações de objectos externos pois no seu método abstraiamo-nos de todos os sentidos, logo nunca teríamos tido conhecimento de algum mundo exterior a nós: res exclusivamente cogitans). Vamos focar-nos na acção do “Pensar” que, para si, é sem dúvida uma prova irrefutável de que “existe”. Ora, para conseguir pensar teve de recorrer a conhecimentos anteriores tais como a linguagem verbal que lhe permite, de seguida, formular os seus próprios pensamentos. Se formos por este raciocínio, eu estaria a anteceder a necessidade de Conhecer ao Conseguir Pensar. (Discorda? Tente pensar sem usar matérias de conhecimento tais como as que mencionei anteriormente). Bem... prosseguin…

David Hume - a origem do conhecimento

A tese céptica de Hume acerca da indução (o problema vai crescendo)

A todo o momento formas expectativas acerca de como será o futuro ou sobre que generalizações (afirmações com a forma "Todos os As são B") são verdadeiras com base em dados que não são dedutivamente conclusivos. As tuas crenças acerca do futuro baseiam-se na percepção e na memória, mas não podes deduzir como será o futuro de premissas que descrevem o presente e o passado.
Concentremo-nos num exemplo para tornar claro o que acabou de ser dito. Supõe que observaste muitas esmeraldas e descobriste que cada uma delas era verde. De seguida prevês que "A próxima esmeralda que eu observar será verde"; ou talvez generalizes e digas "Todas as esmeraldas são verdes." (Para que este seja um exemplo do género que queremos, supõe que as esmeraldas não são verdes por definição.)
O senso comum diz que és racional se, ao acreditares em previsões e generalizações, tens muitos dados para o fazer. Observar muitas esmeraldas e descobrir que cada uma é verde parece justificar…

FENOMENOLOGIA - TPC

Como tarefa de estudo, investiga por forma a conseguires a interpretação do esquema aqui apresentado. Como orientação aqui estão alguns links de apoio à investigação: Fenomenologia Epoché Conhecimento

Objectividade e subjectividade dos Valores

Os valores valem por si mesmos, independente das relações que os homens possam manter com eles? O mesmo é dizer são absolutos, intemporais e incondicionados? Ou pelo contrário, todos os valores são sempre relativos, historicamente determinados? Sobre esta questão existem duas posições essenciais, a dos que defendem a subjectividade dos valores e a dos que defendem a sua objectividade. Subjectividade dos valores: Ao longo da história da filosofia muitas correntes têm defendido esta posição. Os sofistas afirmavam, por exemplo, que a verdade ou a moral não passavam de convenções que variavam de sociedade para sociedade, de indivíduo para indivíduo. F. Nietzsche afirma que a natureza carecia de valores e somos nós que lhos damos. J.P. Sartre, ao defender a liberdade humana proclama que cabe ao homem a tarefa de inventar os seus próprios valores.
Esta concepção assenta na constatação empírica que ao longo dos tempos os valores estão sempre a mudar. O ideal de beleza numa época, por exemplo, …

Res Infinita

Vimos já como Descartes, pela aplicação da dúvida metódica, assumiu a existência do cogito, isto é, da sua existência como ser pensante. Contudo, levantava-se a questão de existência do mundo que o rodeava. A negação do valor dos sentidos como meio de acesso ao conhecimento verdadeiro colocava-o, de facto, perante a situação de ter que duvidar da existência da árvore que estava naquele momento a ver.
Descartes aceitava que o mundo tivesse sido criado por Deus, aceitava que, se Deus existisse, ele seria garantia e suporte de todas as outras verdades. Mas, como saber se Deus existe ou não? Como provar a sua existência se apenas podia ter a certeza da existência do cogito?
Nas suas obras, Descartes apresentou três provas da existência de Deus.
1ª Prova a priori "pela simples consideração da ideia de ser perfeito"
“Dado que, no nosso conceito de Deus, está contida a existência, é correctamente que se conclui que Deus existe.
Considerando, portanto, entre as diversas ideias que uma é…

Da dúvida ao cogito - por Olga Pombo

Se o método é, como vimos o caminho para atingir a verdade, é preciso começar pela aplicação da sua primeira regra, isto é, nada admitir que não seja absolutamente certo, ou, noutros termos, é preciso duvidar de tudo o que não é dotado de uma certeza absoluta, excluir tudo o que é impregnado por essa dúvida. Daí aparecer uma tripla necessidade:
- Necessidade prévia de duvidar - Necessidade de nada excluir da dúvida - Necessidade de tratar provisoriamente como falsas as coisas impregnadas do menor motivo de dúvida.  A esta tripla necessidade correspondem três características da dúvida cartesiana:
- Ela é metódica porque é um instrumento de conhecimento cuja meta é atingir a verdade - Ela é universal porque no processo do conhecimento, nada deve ser imune à aplicação do critério da dúvida - Ela é provisória na medida em que desaparece sempre que a verdade for atingida Descartes defende pois que, para chegar à verdade, temos de duvidar de tudo. Todas as coisas…

Gnoseologia - Empirismo e Racionalismo

O fenómeno do conhecimento é, ao mesmo tempo, um dos mais banais e dos mais difíceis de esclarecer. Pode dizer-se que desde que o homem é homem houve acontecimentos, mas só já numa fase adiantada da evolução humana é que se reflectiu sobre o próprio acto de conhecer.
De princípio, conhecem-se simplesmente as coisas e julga-se que elas se conhecem tais como são; não se pensa no acto do espírito pelo qual se obtém o conhecimento. Mais tarde, o homem verificou que os sentidos e a própria inteligência erravam e, por isso, começou a desconfiar e a pôr em dúvida o valor do seu conhecimento. Foi esta experiência do erro que obrigou o espírito a voltar-se das coisas para si próprio, a fim de analisar o próprio acto de conhecimento, saber o que ele é, determinar a sua essência, descobrir o seu mecanismo e resolver o problema do seu valor. Esta marcha crítica, quanto ao conhecimento, é obra essencialmente filosófica e só apareceu, quando o espírito humano atingiu um certo desenvolvimento - foi d…