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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2010

Acção e liberdade - (Poema de Fernando Pessoa e proposta de análise)

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O Sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"


"Datado de 16/3/1935, o poema "Liberdade" é um dos poemas mais conhecidos e citados de Fernando Pessoa. É um poema ortónimo, ou seja, escrito por Fernando Pessoa em seu próprio nome e aborda um …

Exposição "O corpo Humano"

Na Alfândega do Porto está patente a exposição "O Corpo Humano como nunca o viu...". Trata-se da edição portuguesa de "Bodies Reveled", que já passou por cidades como Nova Iorque, Washington, Amesterdão, S. Paulo, Londres, Lisboa, Miami, Seattle, Las Vegas, Barcelona, Madrid e Durham, tendo recebido mais de 20 milhões de visitantes. A exposição mostra o corpo humano através de espécimes reais preservados através de um processo inovador de polimerização (ver no fim da mensagem), sendo assim possível mostrar detalhadamente a fisionomia do corpo humano, dos seus sistemas e órgãos. Estão expostos 14 corpos humanos, mais de 200 fragmentos e órgãos, divididos em nove galerias, cada uma com um tema diferente: o esqueleto, o sistema muscular, o sistema nervoso, o sistema respiratório, o sistema digestivo, o sistema urinário, o sistema circulatório, o sistema reprodutor e o corpo tratado. A exposição funciona todos os dias, das 10h00 às 21h00.

A polimerização

"(...) O …

A acção consciente e voluntária

"(...) Tudo quanto realizamos é parte da nossa conduta, mas nem tudo o que realizamos constitui uma acção. Enquanto dormimos realizamos muitas coisas: respiramos, suamos, damos voltas, apertamos a cabeça contra a almofada, sonhamos, talvez ressonemos alto ou falemos em voz alta ou andemos sonâmbulos pela casa. Todas estas coisas as realizamos inconscientemente, enquanto dormimos. Realizamo-las mas não nos damos conta delas, não temos consciência de que as realizamos. A estas coisas que fazemos inconscientemente não lhes vamos chamar acções.
Vamos reservar o termo ‘acção’ para as coisas que realizamos conscientemente, dando-nos conta de que as fazemos.
Há, no entanto, coisas que fazemos conscientemente, dando-nos conta delas, mas sem que à sua realização corresponda uma intenção nossa. Damo-nos conta dos nossos ‘tiques’ e de muitos dos nossos actos reflexos, mas realizamo-los involuntariamente, constatamo-los como espectadores, não os efectuamos como agentes. (A palavra ‘agente’ é o…

Alegoria da Caverna - Platão

Depois disto – prossegui eu – imagina a nossa natureza, relativamente à educação ou à sua falta, de acordo com a seguinte experiência. Suponhamos uns homens numa habitação subterrânea em forma de caverna, com uma entrada aberta para a luz, que se estende a todo o comprimento dessa gruta. Estão lá dentro desde a infância, algemados de pernas e pescoços, de tal maneira que só lhes é dado permanecer no mesmo lugar e olhar em frente; são incapazes de voltar a cabeça, por causa dos grilhões; serve-lhes de iluminação um fogo que se queima ao longe, numa eminência, por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros há um caminho ascendente, ao longo do qual se construiu um pequeno muro, no género dos tapumes que os homens dos "robertos" colocam diante do público, para mostrarem as suas habilidades por cima deles. – Estou a ver – disse ele. – Visiona também ao longo deste muro, homens que transportam toda a espécie de objectos, que o ultrapassam: estatuetas de homens e de animais…

A Filosofia (esquema e tópicos fundamentais)

Ao prepararmos qualquer "matéria", (quase sempre) existe a necessidade de a sistematizar em esquema.
Proponho a consulta a um excelente documento da Texto Editores com a autoria de Carlos Sousa e Manuela Amoedo.
Abre a ligação aqui.

Comentar um Texto Filosófico

"Leitura impressiva.

Antes de comentar um texto filosófico é necessário primeiro lê-lo. Começa por fazer uma primeira leitura repousada, sem preocupações técnicas. Não se trata de saber o significado de todas as palavras ou frases, mas apenas de apreender a ideia geral, o problema que está a ser abordado pelo autor. De que é que ele está a falar?

Leitura explicativa.

Nesta segunda leitura, procura saber o que diz o texto, sem te preocupares já com a questão da validade ou não das suas afirmações do autor, ou das suas relações deste texto com outros sobre a mesma temática, etc. Trata-se de entender o significado das palavras e das frases utilizadas pelo autor. Nesta tarefa podes e deves recorrer a Dicionários ou Historias da Filosofia. Dialogar com o professor sobre o assunto.
Precisar a ideia central do texto e algumas das questões que a mesma envolve: é importante que faças um resumo desta ideia com as tuas próprias palavras, tentando identificar o(s) problema(s) que o autor abordo…

O "nascimento" da Filosofia (apontamento histórico)

Alguns chamaram-lhe “o milagre grego". No elogio desse "milagre", ultrapassou-se muitas vezes o limite de uma compreensão e avaliação histórica equilibradas com o pretexto de fazer ressaltar o carácter excepcional deste período (com o auge no séc. V a.c.). Isolado de toda a continuidade do desenvolvimento histórico e negando as contribuições de outras culturas o surgir da Filosofia de facto parece ser inexplicável: abandonar um pensamento mítico - e portanto monista - e iniciar um pensamento pluralista nas suas formas de inteligibilidade, um pensamento com uma lógica pré-científica, é revolucionário:
«Os primeiros passos da civilização grega foram dados exactamente - facto significativo - nas colónias da Ásia menor, onde o contacto directo e indirecto com os povos mais adiantados do Oriente estimulou as energias criadoras do génio helénico, que logo afirmaram o seu poder maravilhoso, superando rapidamente toda a criação das culturas predecessoras». ( MONDOLFO, Rodolfo, O…

O que é a filosofia? ( resposta de Thomas Nagel)

As nossas capacidades analíticas estão muitas vezes já altamente desenvolvidas antes de termos aprendido muita coisa acerca do mundo, e por volta dos catorze anos muitas pessoas começam a pensar por si próprias em problemas filosóficos — sobre o que realmente existe, se nós podemos saber alguma coisa, se alguma coisa é realmente correcta ou errada, se a vida faz sentido, se a morte é o fim. Escreve-se acerca destes problemas desde há milhares de anos, mas a matéria-prima filosófica vem directamente do mundo e da nossa relação com ele, e não de escritos do passado. É por isso que continuam a surgir uma e outra vez na cabeça de pessoas que não leram nada acerca deles.
(...) O núcleo da filosofia reside em certas questões que o espírito reflexivo humano acha naturalmente enigmáticas, e a melhor maneira de começar o estudo da filosofia é pensar directamente sobre elas. Uma vez feito isso, encontramo-nos numa posição melhor para apreciar o trabalho de outras pessoas que tentaram solucionar…

Definição de "conceito" e relação com "termo"

Conceito é aquilo que é compreendido num termo em particular. "Possuir um conceito" é ter a capacidade de usar um termo que o exprima ao fazer juízos; essa capacidade está relacionada com coisas como saber reconhecer quando o termo se aplica, assim como poder compreender as conseqüências da sua aplicação. O termo“ideia” foi inicialmente usado com o mesmo significado, mas hoje é  evitado por causa de algumas associações com as imagens mentais subjectivas. (Dicionário Oxford).
"Conceitos são princípios de classificação e a eles correspondem, na linguagem, os termos gerais ou "predicados" que podem ser chamados  "expressões classificatórias" (E. Tugendhat, Reflexões)
“Os Conceitos são interdependentes. Em especial isto vale para aqueles conceitos que devem ser tematizados na filosofia. (...) O emprego de expressões linguísticas correspondentes a tais conceitos forma uma rede e é precisamente esta rede que deve ser esclarecida pela filosofia." (E. Tu…

Algumas disciplinas da Filosofia...

Antropologia
Reflexão sobre a natureza do Homem, o que o distingue das outras espécies de animais, o sentido da sua existência, etc. Questões : o que é o homem ?

Epistemologia
Reflexão sobre o conhecimento científico (princípios, métodos, modelos, conceitos, etc). Questões: o que é a verdade ? As verdades científicas são infalíveis ? Qual o papel do erro na ciência? 

Estética
Reflexão o belo e as formas da sua representação nas artes e na natureza, procurando estabelecer um conjunto de critérios para avaliação das obras de arte. Questões: o que é a arte ? O que é o belo ? Como é que um objecto se torna uma obra de arte ? Como podemos avaliar uma obra de arte ? Com que critérios ? A arte tem alguma utilidade ? Qual ?

Ética
Reflexão sobre as atitudes e a actuação dos homens, tendo em vista estabelecer um conjunto de princípios e valores universais orientadores da acção que possam proporcionar uma convivência mais justa e pacifica. Questões: podemos estabelecer padrões morais únicos para to…

Características da Filosofia

FILOSOFIA: Saber fundamentado. Não basta construir novas ideias sobre as coisas, o filósofo tem que apresentar os fundamentos do que afirma de uma forma coerente e sistemática, utilizando uma linguagem rigorosa.
Radicalidade .Inicialmente a palavra "sofia" tinha um sentido prático, mas por volta do séc. IV a.C adquiriu um sentido muito amplo de natureza teórica. O saber filosófico passa a ser identificado com um saber que resulta de uma procura das causas primeiras, o fundamento ou princípio de tudo o que é. Um nível de questões que ultrapassa as ideias feitas, o nível do senso comum. À filosofia interessa descobrir a natureza intima das coisas, a sua razão de ser. É intenção do filósofo ir à raiz dos problemas.
Universalidade. A filosofia visa compreender ou determinar o princípio ou princípios de todo o real. Mesmo quando um determinado filósofo incide a sua reflexão sobre um aspecto particular a experiência humana - a arte, a ciência ou a religião - o que em última instânci…

A palavra falada e a palavra escrita - Fernando Pessoa

A palavra falada é imediata, local e geral. Quando falamos, falamos para ser ouvidos imediatamente, com quem está ali ao pé de nós, e de modo a que sejamos facilmente entendidos d'ele, que sabemos quem é, ou calculamos que sabemos e que pode ser toda a gente, devendo nós pois falar como se ele fosse qualquer. A palavra escrita é mediata, longínqua e particular. Quando escrevemos, e tanto mais quanto melhor e mais cuidadosamente escrevemos, dirigimo-nos a quem não nos vai ouvir, (...); a quem não está ao pé de nós; a quem poderá entender-nos e não a quem tem que entender-nos, tendo nós pois primeiro que o entender a ele. (...) Em resumo, a palavra falada é um fenómeno social, a escrita um fenómeno cultural; a palavra falada um fenómeno democrático, a escrita um aristocrático. São diferentes em substância: são pois forçosamente diferentes os seus respectivos meios e fins.
(...) A cultura é um fenómeno pelo qual estamos ligados ao passado pela inteligência; é, em outras palavras, a t…