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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2016

Credibilidade

A credibilidade é a pedra fundamental em que assenta qualquer mensagem publicitária. Muitos produtos de grande qualidade viram esboroar-se o seu sucesso comercial por causa de uma comunicação não inspiradora de confiança nos potenciais consumidores. Sabemos que, mais do que pela ambiciosa procura de ganhos, lucros e benefícios, o ser humano se motiva pelo evitar de perdas que conduzem à sensata aversão ao risco, ao inseguro e ao incerto. Assim a mensagem publicitária deve contribuir para dissipar a incerteza e eliminar dúvidas sobre a segurança que possam influenciar negativamente a decisão dos potenciais clientes. Existem muitas técnicas de transmitir credibilidade, desde a utilização de figuras públicas ou de reputados e conhecidos especialistas, o fornecimento de detalhes explicativos do produto, a publicação de estatísticas (quatro entre cada cinco dentistas recomendam…), a oferta de período de teste mais extenso, a garantia de reembolso imediato se não funcionar e muitas outras. …

Os Três Mosqueteiros da publicidade

A publicidade é uma atividade económica chave que permite às empresas chegarem aos seus consumidores e potenciais consumidores, passando-lhes a sua mensagem e incentivando-os a testar ou a comprar os seus produtos. Como todas as atividades humanas, ela tem consequências sociais adicionais, o que os economistas chamam externalidades. Uma externalidade conhecida da publicidade é o de através da compra de espaço financiar grande parte da imprensa, da rádio e da televisão. Desta forma, os anunciantes acabam também por ter influência nos meios de comunicação social. Para poder ser eficaz a publicidade deve ser baseada em três pilares fundamentais: o pathos, o logos e o ethos. O pathos é o apelo à emoção e ao sentimento. A geração de emoções fortes é uma arma poderosa na comunicação empresarial. As companhias de seguros em geral apoiam-se no medo, as empresas de refrigerantes, na alegria, as construtoras de automóveis, na liberdade e nas emoções ligadas à velocidade ou à segurança. A ligaçã…

Ethos, Pathos e Logos

"Quando o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) escreveu os três livros que compõem a “Retórica” possivelmente estaria longe de imaginar que passados vários séculos a sua obra continuaria actual e útil para quem procura persuadir o seu público-alvo por meio da retórica. Segundo Aristóteles, existem três aspectos fundamentais na persuasão. São eles: ethos, pathos e logos. O Ethos refere-se às características do orador que podem influenciar o processo de persuasão, como a sua autoridade, honestidade e credibilidade em relação ao tema em análise. A capacidade de dialogar do orador e a sua apresentação também estão incluídas nas competências que poderão levar à persuasão. Por sua vez, o Pathos refere-se ao apelo ao lado emocional do público-alvo. Por exemplo, quando o orador, que se apresenta como membro da audiência, apela às emoções desta última através de metáforas ou de manifestações físicas de emoções (como sorrisos ou lágrimas). Para isso, é imprescindível ter um conhecimento an…

Ética e Política

 “A ética não está completa a não ser como política, porque é o conjunto dos indivíduos, é a comunidade que é orientada para o “viverbem”

Ricoeur, Paul, L´unique et Le Singulier, Liège: Éditions Alice, 1999, pg 82

Definir conceitos, exercício crítico e liberdade de pensamento

O título deste texto remete para 3 partes: 1ª Definir conceitos 2ª Exercício crítico 3ª liberdade de pensamento
As três estão correlacionadas e vou tentar mostrar, mesmo de forma breve, como é que o estão. Umas das principais dificuldades nas discussões públicas é a maneira como formamos conceitos. A primeira base para a formação dos nossos principais conceitos é a família. E a família transmite-nos os conceitos por via de herança histórica e social. Esta é a ideia básica do que mais comumente chamamos educação. O exercício crítico vem muito depois e muitas vezes não chega sequer a acontecer na vida normal de uma pessoa. E isso pode limitar a sua liberdade de pensamento. Isto porque os conceitos herdados, mesmo que sejam até os mais corretos, não são matéria de avaliação pelo próprio pensamento. A um conceito formado por esta via chama-se também de pré-conceito, isto é, um conceito formado antes de sequer ter pensado seriamente nele. Acontece que, talvez, a maioria dos conceitos qu…

Eduardo Galeano: “Vamos fixar os olhos além da Infâmia"

“Mesmo que não possamos adivinhar o tempo que virá, temos ao menos o direito de imaginar o que queremos que seja. As Nações Unidas tem proclamado extensas listas de Direitos Humanos, mas a imensa maioria da humanidade não tem mais que os direitos de: ver, ouvir, calar. Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar? Que tal se delirarmos por um momentinho? Ao fim do milénio vamos fixar os olhos mais para lá da infâmia para adivinhar outro mundo possível. O ar vai estar limpo de todo veneno que não venha dos medos humanos e das paixões humanas. As pessoas não serão dirigidas pelo automóvel, nem serão programadas pelo computador, nem serão compradas pelo supermercado, nem serão assistidas pela televisão. A televisão deixará de ser o membro mais importante da família.As pessoas trabalharão para viver em lugar de viver para trabalhar. Se incorporará aos Códigos Penais o delito de estupidez que cometem os que vivem por ter ou ganhar ao invés de viver por viver somente,…

FIlosofia e sentido da vida

Dilema moral

«Será moralmente correto participar na competição organizada pelo Qatar?»
“Calculamos que vão morrer 7 mil trabalhadores antes do início do Mundial”. Sharan Burrow, secretária-geral da Confederação Internacional Sindical (ITUC), visitou o Qatar várias vezes e deparou-se com “condições desumanas, próprias de um estado de escravatura moderna”. “Os trabalhadores estão fechados em campos protegidos por guardas e só saem dali para ir trabalhar. Muitos destes locais não têm água potável (…).”  Uma investigação do jornal The Guardian em dezembro de 2014 dava conta de que a cada dois dias de trabalho morria um trabalhador nepalês nas obras de construção para o Mundial de Futebol de 2022. Nesse ano de 2014, segundo a Amnistia Internacional, 188 trabalhadores morreram nas obras. Entre as principais causas de morte estão acidentes de trabalho, ataques cardíacos provocados por longas horas sob altas temperaturas (no verão podem atingir os 50 graus), doenças resultantes da vida precária e suicídio…

Porque é que eles têm tanto sucesso?

O colega do lado é um idiota mas consegue sempre o que quer do chefe. Porquê? Porque os "sacanas" têm mais poder de argumentação e são mais eficazes a fazerem-se ouvir, como confirmam dois estudos. Aquele chefe é tão irritante mas consegue sempre levar a ideia dele avante. Chegamos a chamar-lhe “idiota” baixinho, entre dentes, mas o que ele quer, como ele quer, acaba sempre por ser feito. Este traço do dia-a-dia laboral é agora explicado pela ciência: os “jerks” (idiotas, sacanas, palhaços) são os mais eficazes a fazer vingar as suas ideias. No estudo fica claro que esta conclusão não tem nada a ver com inteligência ou criatividade, sublinham os investigadores. Está relacionada, sim, com assertividade, poder de argumentação e eficácia na passagem de mensagens. Eis a parte científica da investigação, publicada na Research Digest: 200 pessoas submeteram-se a uma série de testes de personalidade e de capacidade cognitiva. Todos trabalharam sozinhos durante 10 minutos numa solu…

Desmotivadores militantes (por Laurinda Alves)

Vivemos na ilusão de que sermos francos e directos é que é, no sentido de nos acharmos no direito de podermos dizer as últimas a todos os que nos desagradam ou agem contra as nossas expectativas. \ Há desmotivadores profissionais por toda a parte. Gente que vive para desencorajar, para desanimar, para levar o outro ao tapete. Pessoas mais apostadas em buscar e amplificar os problemas do que em resovê-los. Criaturas que se realizam exigindo muito mais dos outros do que de si próprias. Homens e mulheres que poluem o ambiente, carregando-o de nuvens escuras que ensombram o ar. Profissionais sistemática e militantemente satisfeitos com o erro alheio, a falha do chefe, a imperfeição do par. O mundo das organizações, então, é um laboratório social fascinante. Passa-se lá de tudo, conhecemos colegas incríveis e vivemos do pior ao melhor, por vezes no mesmo dia. Os bons líderes e os bons pares também abundam, felizmente, e em todas as hierarquias, de todas as empresas, podemos sempre encontra…

Um mundo arriscado (Teoria da Guerra)

O fracasso das antigamente chamadas teorias matemáticas da guerra resulta precisamente da insuficiente atenção prestada ao elemento moral, que introduz factores de indeterminação que aumentam o risco. Cada um tem certamente os seus critérios particulares para se orientar em política, para lá daqueles que, muito curiosamente, e se calhar a questão merecia ser desenvolvida, decalcam quase directamente o esquema da orientação corporal, como esquerda/direita, abaixo/acima (democracia e aristocracia, etc.) e à frente/atrás (progressismo e reaccionarismo). Um critério tão bom como qualquer outro é o da atenção à relação que as concepções políticas mantêm com o problema do risco. Porque há concepções da sociedade que o minimizam e outras que lhe prestam uma mais devida atenção. E é possível (pessoalmente, acho muito aconselhável) preferir a segunda atitude à primeira. Vendo bem, o risco encontra-se politicamente em todo o lado. Uma pequena recapitulação de algumas ideias é talvez bem-vinda.…