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A mostrar mensagens de Julho, 2015

Filmezinho do dia

A ideia de Europa

Já tanto se falou da Grécia e ... falará. Este é o tema do nosso presente, onde se joga a "construção europeia", o futuro dos países que a integram e, sistemicamente, a geopolítica internacional. Porém, sob a densidade complexa desta rede de consequências imprevisíveis, há uma questão de fundo, definidora do que julgamos ser (ou ter sido) que penso latejar nas dobras invisíveis das palavras. A questão grega traz à superfície uma ferida letal na alma da civilização ocidental: o desmoronar da ideia de Europa como conteúdo de um programa político e ético de aspiração universal. A Europa não é um continente; nunca foi esse o seu valor de referência no Mundo moderno. O conhecimento e a cultura são pilares, de modo próprio em diferentes momentos, de um projeto nascido da capacidade de interrogação, pesquisa e abertura. É isso que testemunham os tratados de geometria ou matemática, os ensaios de governação de países e cidades, e foi com base na consciência da relação de si com o &…

Pobres por dentro pobres por fora

Nem todos os muros que atualmente se erguem na Europa são diplomáticos, financeiros ou ideológicos. Não muito longe daqui, não muito longe de Bruxelas, está a ganhar forma um muro higiénico, de betão. Uma barreira civilizacional que o Velho Continente julgara ter riscado da História em 1989, com a queda do Muro de Berlim. Incapaz de lidar com a torrente de refugiados que, todos os dias, usa o seu território como porta de entrada na Europa, o Governo húngaro resolveu o problema à maneira antiga, construindo, na fronteira com a Sérvia, uma parede com quatro metros de altura e 175 quilómetros de extensão (sensivelmente, a mesma distância por autoestrada entre o Porto e Leiria). Com este tampão securitário, a rota dos Balcãs ficará, assim o espera o Governo populista de direita de Budapeste, amputada da sua maior plataforma. São sobretudo sírios e afegãos a pisar este caminho. Gente que foge da guerra. Sobreviventes num mundo que nos está, a nós, europeus, tão distante na essência. E no …

A Europa deixou de ser Europa

1 de janeiro de 1986. Adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia. 9 de novembro de 1989. Queda do Muro de Berlim. 1 de janeiro de 2002. Entrada em circulação do euro. 13 de julho de 2015. O dia em que a Europa deixou de ser Europa. Marque o dia de ontem no calendário. Há um antes e um depois, na Grécia mas essencialmente na Europa, depois do que aconteceu em Bruxelas. O que milhões de europeus puderam assistir, em tempo quase real, pelas notícias que iam saindo e pelas declarações que foram sendo prestadas, foi a punição coletiva de um país e o enterro dos supostos ideais europeus de integração e solidariedade. Acossado por um sistema financeiro à beira do colapso, depois do Banco Central Europeu ter limitado a assistência de liquidez aos seus bancos, o Governo grego apresentou um plano que respondia a todas as exigências da Comissão Europeia. Todas. Mas tudo não chegava. Era preciso humilhar. Dobrar quem ousou colocar em causa a ortodoxia europeia. A que nos diz que a Zona Eu…

O mundo preocupante

A aproximação das eleições, em qualquer dos países da União Europeia (UE), não pode deixar de incluir nos debates a situação preocupante do mundo e da sua pequena parte que é a Europa, onde está situado o nosso pequeno país, com interdependências que tendem para o distanciar da indispensável igualdade na comunidade internacional durante um período não previsível, seja o que for aquela igual dignidade, tão difícil de definir na espécie de anarquia que caracteriza o globalismo. Os analistas sublinham que a situação em África se aproxima do conceito de "guerra em toda a parte", que novas potências da Ásia estão implicadas, diretamente ou pelas interdependências, em confrontos de interesses que podem degenerar. Quanto ao Ocidente são inquietações do mesmo tipo que ajudam a compreender que surjam tão numerosos estudos sobre "a guerra que acabou com a paz" em 1914, também em 1939, ao mesmo tempo que os factos, sempre mais rápidos do que a compreensão, surpreendem os pro…

Vida longa sem futuro

O mundo está a mudar muito e depressa. Isto todos dizem; mas as mutações mais influentes são aquelas de que poucos falam. É corrente admirar-nos com as transformações causadas pelos telemóveis ou redes sociais, mas as maiores alterações da vida são na vida. Um dos elementos mais influentes da actualidade é o espantoso aumento da longevidade. Em média vamos todos viver muito mais do que os nossos pais. A esperança de vida ao nascer, que era de 38 anos em 1920 e de 64 em 1960, está já nos 80 anos e a previsão do INE é que seja 90 anos por volta de 2060. Isto é suficiente para transformar totalmente a existência. A causa directa são os avanços na saúde. Quando há poucos anos se começou a morrer mais de doenças crónicas do que infecciosas, tal significou que nos conseguimos defender de agressões externas, expirando só quando o corpo atinge os seus limites. Este efeito é muito mais influente na vida das pessoas do que qualquer impacto económico, social ou político. Infelizmente o mundo ev…

Reflexão num minuto

As últimas semanas permitiram revelar à exaustão algo que há muito já se sabia, mas que a cumplicidade dos políticos europeus do chamado "socialismo governamental", somado a uma comunicação social acrítica, amplificadora da narrativa dominante, ajudou a "branquear" e a dissimular durante muito tempo: as instituições europeias estão tomadas por uma corrente radical neoliberal. (...) Finalmente, ficamos a dever aos gregos a queda de outro tabu: a reforma dos Tratados. Está hoje claro o falhanço das políticas macroeconómicas impostas à Grécia e a Portugal, por força das regras inscritas quer no Tratado Orçamental quer no Tratado do Mecanismo Europeu de Estabilidade. O futuro da estabilidade da zona euro dependerá em grande medida das mudanças que têm de ser feitas na arquitectura da União Económica e Monetária e que passam por uma profunda revisão dos Tratados, conferindo-lhes maior flexibilidade por forma a respeitar as diferenças entre as economias da zona euro, que…

Morangos silvestres

Gigões & Anantes - Convite

Gigões & Anantes Rua Dr. Nascimento Leitão, 30 - Aveiro (Frente ao Hotel Imperial)

Chumbo ao Sr. Ministro da Educação

Não se pode acusar Nuno Crato de não ter feito nada na educação. As medidas foram-se multiplicando ao longo do mandato e as novidades tocaram a todos: alunos, professores e diretores escolares. O matemático introduziu exames novos, para alunos e professores, alterou as metas e os programas escolares, dificultando a matéria, deu mais autonomia às escolas (ou tentou) e cometeu erros. Um deles fê-lo apresentar a demissão. E com o mandato a chegar ao fim, as desavenças, as críticas e insultos continuam. Ana Benavente, deputada pelo Partido Socialista até 2005, e ex-secretária de Estado da Educação de Marçal Grilo, não poupa críticas à atuação deste Executivo. “Não houve nada de bom. A pobreza sente-se brutalmente nas escolas, os meninos entram em competição uns com os outros desde os seis anos, houve um retrocesso à escola do passado como nunca imaginei ser possível. As escolas estão exaustas e mais pobres, sem professores e todos os mais vulneráveis – incluindo os meninos da educação esp…

O Ilusionista

O cérebro de Hugo

A hora do lobo

A vida conta... branco no preto

A ADAV-Aveiro lançou, no dia 4 de julho, um livro de contos. O título é 'A vida conta... branco no preto' e tem a chancela da editora Tempo Novo. São dez curtos contos dedicados a temas relacionados com a dignidade da vida humana, nas mais diversas situações de fragilidade: aborto, deficiência, velhice, doença, internamento hospitalar, consumo e tráfico de droga, etc. O livro, para além da valia literária, poderá ser um recurso útil para aulas, para a promoção de debates, ou, simplesmente, para a boa e construtiva leitura. Os autores são personalidades de renome nacional e reconhecidos escritores da lusofonia: Maria Teresa Maia Gonzalez (autora da A Lua de Joana), Maria João Veiga, Gaspar Albino, Daniel Serrão, Walter Osswald, Nuno Higino, Fernando de Castro Branco, Inácio Gomes Júnior, Jorge Paulo e João César das Neves. Cada conto é ilustrado pelo artista aveirense Francisco Cunha. O livro pode ser adquirido, nesta fase, na livraria Santa Joana ou na própria ADAV-Aveiro.

LIVROS - DESCONTOS PARA PROFESSORES NA LEYA DE AVEIRO

5ª Party de OPEN STREET MAP 2015

A palavra impossível

Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim A vida que não se troca por palavras. Deram-mo para eu guardar dentro de mim As vozes que só em mim são verdadeiras. Deram-mo para eu guardar dentro de mim A impossível palavra da verdade. Deram-me o silêncio como uma palavra impossível, Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível, Para eu guardar dentro de mim, Para eu ignorar dentro de mim A única palavra sem disfarce - A Palavra que nunca se profere.

Adolfo Casais Monteiro

$ 9,99 - imperdível!

O sétimo selo

Europa política?

«A política é a arte de impedir as pessoas de se meterem naquilo que lhes diz respeito.» (Paul Valéry) «Com uma luta económica nunca obtereis uma melhoria séria da vossa situação. O essencial é a luta política. Tereis que sustentar a luta política.» (Vladimir Ilitch Ulianov) O que Valéry acusa com superior ironia é a artificiosa actuação dos políticos que não entendem a luta política como um necessário instrumento a favor da melhoria das condições sociais e económicas das populações; dos que dela fazem um labirinto de interesses que desmobiliza o indivíduo de ser cidadão e o cidadão de ser interveniente. O que V. I. Ulianov afirma é o carácter fundamental da consciencialização através da luta política, para vencer os menores ou maiores sobressaltos das meras reivindicações materiais. Maximiano Gonçalves in pt.mondediplo.com/

Waking Life - a não perder

A realidade é feita de mentiras

Eu gosto do meu país. É o meu povo, a minha língua, as minhas palavras e as dos meus, falem "assim" ou "axim", digam "vaca" ou digam "baca", digam "feijão verde" ou "vagens". Portugal é, ou devia ser, o único sítio onde o meu voto manda. Mas o meu voto manda cada vez menos. Como para os revolucionários americanos, também no meu país, há “taxation without representation”. Também no meu país há colaboração, submissão, diktats, Também no meu país, a realidade é feita de mentiras.  É por isso que o destino dos gregos não me é indiferente, bem pelo contrário.  Não quero saber se o governo grego está a fazer tudo bem ou não. Não quero saber se Varufakis é arrogante ou não. Nem, verdadeiramente, o meu julgamento sobre os gregos está dependente de eles terem sucesso ou não.  O que eu sei é que houve um governo na União Europeia que resistiu a cortar mais salários e pensões a quem já tinha visto salários e pensões cortadas.  Podem fa…

Heart

Barristas de Alcobaça - 16/7/2015 - 17:00h

Tempo

Há um tempo
Sem tempo.
E gente que não tem tempo
Para dar tempo
Ao tempo que ainda tem.
Mas um dia virá,
Em que o tempo abundará.
Só que então
O tempo jamais será
Um tempo de doação.
Será um tempo solitário,
Um tempo de quem espera,
Um tempo já sem tempo
Para dar ao tempo
Que se tem.


Helena Sacadura Cabral in duas-ou-tres-coisas-que-eu-ja-sei.blogspot.com

AMUSA - Comunicado - “municipalização do museu de Aveiro”

COMUNICADO
A Direcção da Associação dos Amigos do Museu de Aveiro (AMUSA), logo que tomou conhecimento do processo de negociação de um protocolo entre o Secretário de Estado da Cultura e o Presidente da Câmara de Aveiro com vista à transferência da gestão do Museu de Aveiro para a edilidade aveirense, manifestou a sua profunda preocupação e fundada não conformação com esta medida. A Direcção da AMUSA, pelas razões aduzidas junto das entidades responsáveis e publicitadas num anterior comunicado, entende que o Museu de Aveiro deve ter o estatuto de Museu Nacional e ser enquadrado organicamente na estrutura e sob a tutela da Direcção Geral do Património Cultural e, assim, integrado no quadro de políticas e estratégias gerais e de complementaridade para os museus nacionais. Convicta da bondade do seu entendimento, esta Direcção desenvolveu várias diligências com o intuito de fazer vingar a sua posição e assim reverter o processo em curso, sendo de destacar: · Cartas (2) ao Senhor P…

Atividades do grupo uariadeaveiro

O II Ciclo do ‘Quintas da Ria’ conclui-se com o tema Políticas públicas e governação partilhada na Ria de Aveiro no dia 9 de julho, pelas 21h15, no auditório da Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. Especialistas em ciência política, ciências jurídicas, ordenamento do território e biologia irão partilhar as suas perspetivas sobre como pode a Universidade de Aveiro contribuir para a (re)configuração do processo político e das políticas públicas em torno da Ria de Aveiro. Os oradores serão Filipe Teles (Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território), Miguel Lucas Pires (Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território), Teresa Fidélis (Departamento de Ambiente e Ordenamento) e Ricardo Calado (CESAM). A sessão será moderada por Carlos Pascoal Neto, Vice-Reitor da Universidade de Aveiro. A entrada é livre.

A Pequena Loja de Suicídios

Da vida... não fales nela

Da vida... não fales nela,
quando o ritmo pressentes.
Não fales nela que a mentes.

Se os teus olhos se demoram
em coisas que nada são,
se os pensamentos se enfloram
em torno delas e não
em torno de não saber
da vida... Não fales nela.

Quanto saibas de viver
nesse olhar se te congela.
E só a dança é que dança,
quando o ritmo pressentes.

Se, firme, o ritmo avança,
é dócil a vida, e mansa...
Não fales nela, que a mentes.

Jorge de Sena, in 'Pedra Filosofal'

Dorme, alma sonhadora...

Dorme, dorme, alma sonhadora,Irmã gémea da minha!
Tua alma, assim como a minha,
Rasgando as núvens pairava
Por cima dos outros,
À procura de mundos novos,
Mais belos, mais perfeitos, mais felizes.

Criatura estranha, espírito irriquieto,
Cheio de ansiedade,
Assim como eu criavas mundos novos,
Lindos como os teus sonhos,
E vivias neles, vivias sonhando como eu.
Dorme, dorme, alma sonhadora,
Irmã gémea da minha!
Já que em vida não tinhas descanso,
Se existe a paz na sepultura:
A paz seja contigo!

Poema de autor desconhecido encontrado no espólio de Fernando Pessoa

Li hoje quase duas páginas - ALberto Caeiro

Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.

Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.

Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.

Mas as flores, se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.

É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras,
E que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.

Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreendo por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza.
Alberto Caeiro - Poema XXV…

O Senhor das Moscas

Hora absurda

O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas...
Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso...
E o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas
Com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraíso...

Meu coração é uma ânfora que cai e que se parte...
O teu silêncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto...
Minha ideia de ti é um cadáver que o mar traz à praia..., e entanto
Tu és a tela irreal em que erro em cor a minha arte...

Abre todas as portas e que o vento varra a ideia
Que temos de que um fumo perfuma de ócio os salões...
Minha alma é uma caverna enchida pela maré cheia,
E a minha ideia de te sonhar uma caravana de histriões...

Chove ouro baço, mas não no lá-fora... É em mim... Sou a Hora,
E a Hora é de assombros e toda ela escombros dela...
Na minha atenção há uma viúva pobre que nunca chora...
No meu céu interior nunca houve uma única estrela...

Fernando Pessoa - 4-7-1913

Epígrafe para a arte de furtar

Roubam-me Deus,outros o Diabo
— quem cantarei?

roubam-me a Pátria;
e a Humanidade

outros ma roubam
— quem cantarei?

sempre há quem roube
quem eu deseje;
e de mim mesmo
todos me roubam
— quem cantarei?

roubam-me a voz
quando me calo,
ou o silêncio
mesmo se falo
— aqui del-rei!

Jorge de Sena 3/6/1952

Contabilidades

Por muito que a contabilidade criativa seja dominante na política extrativa, que vai dominando os países pobres europeus, o diagnóstico da realidade que se agrava diariamente, por ameaças semeadas na circunstância mundial, vai acentuando a falta de estadistas da dimensão dos que enfrentaram a guerra de 1939-1945, a Guerra Fria até à queda do Muro de Berlim, e ainda os líderes religiosos humanistas, poucos dos quais teriam sido reconhecidos em idade de intervir pelos critérios que agora vão implantando o modelo do conflito geracional. Não estão isolados, antes articulados, os fenómenos que se conhecem influentes nas rápidas evoluções que frequentemente são imprevistas, e cujas consequências evidenciam a incapacidade de respostas de mais de metade dos Estados existentes. Entre tais mutações estão as que são atribuíveis aos governos, por vezes dificilmente creditados pela sabedoria das intervenções, desde o Iraque à Líbia, ao Mali, à Somália e, desastradamente, à Ucrânia, uma desordem mu…