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Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2015

Cinco mitos sobre vocação profissional

A vocação não é clara para todas as pessoas e é normal sentir algumas hesitações até descobrir a sua. Por vezes, elas começam logo na escolha do cursos, outras revelam-se apenas quando entra no mercado de trabalho.
MITO 1 - É PRECISO ESPERAR QUE A VOCAÇÃO SE REVELE Há quem leve à letra o significado da palavra vocação (chamamento) e julgue que deve aguardar que esse momento chegue. Mas a vocação não surge num momento mágico, é algo que muitas vezes se desenvolve e se trabalha, até ser descoberta. Ela não é clara como água para todas as pessoas - há quem brinque aos médicos desde o infantário e maquilhe as amigas desde o liceu. Quem ainda não encontrou pistas, deve prestar atenção aos seus talentos, valores e propósito de vida para descobrir o que gostaria de fazer.
MITO 2 - A VOCAÇÃO SÓ SE DESCOBRE NO TERRENO Quem assim pensa vai saltando de curso para curso, de emprego para emprego, sempre na esperança de finalmente descobrir o que gosta de fazer. E entretanto são infelizes porque faze…

Sobre a confusão entre a beleza, o bem e a verdade

«A ciência da estética, ciência do belo, nunca desapareceu nem poderia desaparecer, porque nunca existiu; apenas o facto de os gregos, como todas as pessoas, sempre e em toda a parte, considerarem a arte boa quando estivesse ao serviço do bem (de acordo com a sua compreensão do que era o bem), e má quando fosse contrária a este bem, como sucede em qualquer outro assunto. Os próprios gregos eram moralmente tão pouco desenvolvidos, que o bem e a beleza se lhes afiguravam coincidentes, e com base nesta conceção primitiva do mundo dos gregos foi construída a ciência da estética, inventada pelas pessoas do século XVIII e especialmente transformada em teoria por Baumgarten. Os gregos [...] nunca tiveram ciência estética alguma. As teorias estéticas, e o próprio nome dessa ciência, surgiram há cerca de cento e cinquenta anos entre as classes ricas do mundo cristão europeu, em povos diferentes simultaneamente: Itália, Holanda, França e Inglaterra. O seu fundador, que lhe deu forma científica …

A Lucidez da Loucura

Portugal, Um Retrato Social - Um país como os outros

Portugal, Um Retrato Social - Igualdade e conflito

Aula aberta - "Política, economia e justiça social" com Bagão Félix

Na próxima sexta feira, dia 29 de maio, no auditório A15, pelas 11.45h, irá decorrer uma aula aberta com o Professor Bagão Félix, subordinada ao tema geral "Política, economia e justiça social". Estão convidados os alunos do ensino secundário bem como todos os professores do agrupamento.

Portugal, Um Retrato Social - Cidadãos

Dia de África

Os números e o tempo falam por tudo quanto existe neste mundo, incluindo a África que ocupa o terceiro lugar em extensão depois da Ásia e das Américas, cobrindo um espaço de cerca de trinta milhões de quilómetros quadrados, correspondente a 20% das terras emersas. Essas terras emersas onde a glória e a dor se desenham, onde a História como agência reitora da Humanidade relegou-nos o 25 de Maio. Cada 25 de Maio constitui sempre um momento de se reter o presente, rever o passado e preparar o futuro do continente africano. A retenção, a revisão e a preparação distinta destes esspaços, passa por um equilíbrio sereno a estabelecer como momentos de algazara e proposta de iniciativas para mudar e mudar o perfil deste espaço mãe de todos nós, nascido há milhares e milhares de anos com nome feminino tido finalmente por África. Em português, todos os continentes, são femininos, talvez por serem o torrão que gera homens e mulheres do nosso planeta. Mas sente-se na África aquele valor atroz fem…

Conversas no Museu

Portugal, Um Retrato Social - Nós e os outros

Portugal, Um Retrato Social - Mudar de vida

Portugal, Um Retrato Social - Ganhar o pão

Portugal, Um Retrato Social - Gente diferente

A mola propulsora do capitalismo

Na visão de autores neo-schumpeterianos, com destaque para M. Freeman e C. Perez, a difusão de uma tecnologia está associada ao potencial que ela tem de transformar os setores da economia, assim como induzir à formação de novos setores, levando ao desenvolvimento de um novo paradigma técnico-económico e constituindo um novo ciclo de desenvolvimento. O processo de inovação consiste, por um lado, no início de uma crise e, por outro lado, na sua recuperação à medida que os setores industriais, bem como as estruturas sócio-institucionais, vão adequando-se às inovações. O regime tecnológico que predominou no pós-guerra, o taylorismo-fordismo, baseou-se nos baixos custos do petróleo e intensiva utilização de energia de materiais nos setores econômicos, particularmente o setor automotivo. Do ponto de vista da organização, em nível da planta difundiu-se a linha de montagem e, em nível da empresa difundiu-se a grande corporação, incluindo departamentos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) …

Educação: Dermeval Saviani vs. Jacques Delors

Dermeval Saviani vs. Jacques Delors : Duas visões antagónicas para a educação, uma de combate, de transformação social, de emancipação, a outra de submissão, de ignorância, de perpetuação da baixa qualificação. A Ph-c é a denominação dada pelo filósofo e pedagogo marxista Dermeval Saviani, a partir de 1984, a uma proposta pedagógica que visava superar a contraposição que se pôs no campo educacional entre pedagogia tradicional e pedagogia nova, em que a pedagogia tradicional aparecia como sendo conservadora e a pedagogia nova aparecia como progressista e avançada, como respondendo às necessidades do Mundo actual. Para Saviani a pedagogia nova – que hoje se transmutou na pedagogia do «aprender a aprender» – é uma pedagogia conservadora porque está articulada com os interesse da burguesia, que visam manter as relações sociais de produção vigentes. A PHc parte da visão crítica que se construiu na década de 70 que denunciava a educação como estando ao serviço dos interesses dominantes: Alt…

A I.V.P. - interrupção voluntária do pensamento

O pensamento mítico sempre exerceu uma forte influência sobre os seres humanos. Os seres humanos sentem-se atraídos pelo estrondoso, pelo invulgar, pelo numinoso. É por isso que o mito nos atrai tanto. Não há que tentar fingir que esta atracção não existe. Essa é uma falsa opção. A verdadeira opção é entre saber reagir adequadamente ao nosso gosto pelo maravilhoso, ou ir na onda acriticamente, rendendo o nosso pensamento mais cuidado aos nossos primeiros impulsos. A opção é entre ser vítima desses impulsos ou estar atento a eles e transformá-los criativamente em qualquer coisa verdadeiramente valiosa. Infelizmente, o pensamento mítico impera nas nossas escolas e universidades, invisível e sem que as suas vítimas se dêem conta disso — e por isso, dominando-as de forma primitiva. Uma escola tem dois papéis: transmitir conhecimento e produzir conhecimento. Tanto num caso como noutro são necessários mecanismos de controlo de qualidade. É claro que este é o tipo de ideia que não interessa…

Deus, a Liberdade e o Mal - Alvin Platinga

Este livro discute e exemplifica a filosofia da religião, ou seja, a reflexão filosófica sobre temas centrais da religião. A reflexão filosófica sobre estes temas (que não difere muito do simples pensamento árduo) tem uma história longa: remonta pelo menos ao séc. V a.C., quando alguns gregos pensaram longa e arduamente sobre a religião que haviam recebido dos seus antecessores. Na era cristã, essa reflexão filosófica começa no primeiro ou segundo século com os primeiros padres da igreja, ou a “Patrística”, como se lhes chama muitas vezes; e tem continuado desde então. O coração de muitas das grandes religiões — cristianismo, judaísmo, islamismo, por exemplo — é a crença em Deus. Claro que estas religiões — religiões teístas — diferem entre si quanto ao modo de conceber Deus. A tradição cristã, por exemplo, dá ênfase ao amor e benevolência de Deus; na perspectiva islâmica, por outro lado, Deus tem um caráter algo mais arbitrário. Entre os teólogos alegadamente cristãos também há ultra…

Dia internacional dos Museus

Choque de Civilizações - por Carlos J. C. Silva

Segundo Samuel Huntington, a seguir à Guerra Fria sucedeu um “choque de civilizações”. Refletindo sobre a catástrofe de 11 de setembro, muitos observadores consideram que o mundo se dividiu em dois: de um lado, o campo da liberdade e da democracia, do outro, o campo do despotismo e do extremismo religioso. Este modo de interpretar a realidade, apesar de maniqueísta, não deixa de suscitar algumas questões pertinentes, num tempo em que o confronto entre as democracias do mundo ocidental e os grupos extremistas religiosos – como é o caso do autodenominado Estado Islâmico – se agudiza. Uma dessas questões prende-se com a forma pela qual os laços sociais das comunidades se criam. A religião, sobretudo nas sociedades tradicionais, tem por função dar coesão às comunidades, proporcionando-lhes segurança contra os choques externos, garantindo os mecanismos de reprodução social. Porém, para além da religião, há a considerar a política – enquanto governo de uma comunidade, de uma polis – como a…

O Estado-Providência - por Maria da Conceição Pereira Ramos

A globalização e a natureza sistémica da crise condicionam as prioridades de acção do Estado-nação em domínios tradicionais da política social, como o emprego e a protecção social, colocando-se o desafio de manter e, se possível, aumentar os níveis de protecção, dadas as restrições de financiamento. No contexto sociopolítico de crise do Estado-Providência, os Estados, incapazes de manter as políticas sociais em vigor, apelam à intervenção da sociedade civil e dos actores privados não lucrativos, num projecto de reinvenção do próprio Estado-Providência. A economia social e solidária procura inovar na implementação de politicas activas de emprego e na criação de novas parcerias entre o Estado e a sociedade civil.
A economia social coloca o princípio da solidariedade, da gratuitidade e da dádiva no centro da actividade económica, contrariamente ao individualismo económico, e a democratização da economia a partir do envolvimento dos cidadãos. Não é possível negligenciar o papel da econom…

Noite Europeia dos Museus

Teorias da Economia Solidária - por Maria da Conceição Pereira Ramos

Não tendo o lucro como objectivo, a missão das organiza- ções da economia solidária ou do terceiro sector é consubstanciada na sua finalidade social, sendo a obtenção de recursos financeiros um meio e não um fim. Várias teorias tentaram responder à questão da função económica das organizações sem fins lucrativos [3] (Anheier, 1996; Barros, 1997, pp. 16-17):  • Para a “teoria dos bens públicos”, as organizações não lucrativas (ONL) satisfazem procuras especificas de bens públicos ou quase públicos, que o sector público não satisfaz.  • A “teoria da confiança” considera que, não tendo as ONL como objectivo o lucro, são mais fiáveis em contexto de informação assimétrica, no fornecimento de certos bens e serviços, cuja qualidade é de difícil certificação, dados os custos de supervisão. A opção pelas ONL deve- -se ao facto dos consumidores preferirem minimizar o risco de abuso da posição dominante do produtor no mercado de informação assimétrica.  • Segundo a “teoria dos stakeholders”, a …

"Sobre Ética e Economia" - Amartya Sen

Numa época em que tudo parece estar subordinado aos valores materiais e os grandes interesses económico-financeiros parecem determinar os destinos dos povos, pode ser importante refletir sobre as relações entre a ética e a economia. No seu livro "Sobre Ética e Economia" (Almedina), o filósofo e economista indiano Amartya Sen analisa as origens da economia. Segundo Sen, "a economia teve duas origens muito diferentes, ambas relacionadas com a política, mas de maneiras diferentes, ligadas respetivamente, por um lado, à "ética" e, por outro, àquilo a que se pode chamar "engenharia" (...). A primeira das duas origens da economia, relacionada com a ética e com uma visão ética da política, aponta assim para algumas tarefas incontornáveis da economia. (...) A outra origem, relacionada com a abordagem da "engenharia", é caracterizada pelo facto de se focar principalmente em questões logísticas e não nos fins fundamentais ou em questões como o que po…

John Rawls: a economia moral da justiça - últimos trabalhos

Rawls desenvolveu seus argumentos, tornando-os mais compatíveis com o pluralismo e com uma concepção pública de justiça. Segundo essa nova concepção, os princípios livremente escolhidos pelos indivíduos devem ser endossados mediante o acordo das posições culturais, filosóficas e religiosas presentes na sociedade. Nos seus últimos anos, Rawls escreveu ensaios desenvolvendo a teoria do justo e do moral. A maioria foi reunida na coletânea Political liberalism, de 1993. Nesses ensaios, ele aperfeiçoou e modificou suas concepções em função: i) do "fato do pluralismo", ou seja, da multiplicidade de crenças, filosofias, morais, impede o consenso, e ii) do entendimento que a unidade só seria possível dentro do quadro do pluralismo cultural, isto é, dos valores compartilhados. Formulou, então, uma concepção política de justiça, fundada nos pontos em comum das diversas crenças, doutrinas e modos de pensar de uma sociedade, evitando as posições de confronto. A ideia que desenvolveu foi…

A natureza da ciência e a natureza da religião - Religião

Se é difícil explicar a natureza da ciência, não é muito mais fácil dizer o que é exactamente uma religião. Claro que há muitíssimos exemplos: cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduísmo, budismo e muitos outros. Que características são necessárias e suficientes para que algo seja uma religião? Como distinguimos uma religião de um modo de vida, como o confucionismo? Não é fácil dizer. Nem todas as religiões envolvem a crença em algo como o Deus todo-poderoso, omnisciente e moralmente perfeito das religiões teístas, ou até em seres sobrenaturais. (Claro que uma maioria substancial das religiões envolve tais crenças.) Com respeito à nossa investigação, o que é de especial importância é a noção de uma crença religiosa: como tem de ser uma crença para ser religiosa? Uma vez mais, não é fácil dizer. Para citar uma vez mais o furor quanto ao desígnio inteligente, há quem diga que a proposição de que há um arquitecto inteligente do mundo vivo é religião, e não ciência. Mas nem toda a crença…

A natureza da ciência e a natureza da religião - A Ciência

A primeira coisa a dizer, aqui, é que é extremamente difícil caracterizar estes fenómenos. Primeiro, considere-se a ciência: o que é exactamente a ciência? Como podemos caracterizá-la? Quais são as condições necessárias e suficientes para que uma dada investigação ou teoria ou tese seja científica, faça parte da ciência? Está longe de ser fácil sabê-lo. Propôs-se várias condições essenciais da ciência. Segundo Jacques Monod, “O crucial do método científico é o postulado de que a natureza é objectiva [...] Por outras palavras, a negação sistemática de que o “verdadeiro” conhecimento possa ser obtido interpretando a natureza em termos de causas finais [...]” (Monod 1971, 21, itálico de Monod). Na década de 1930, o eminente químico alemão Walter Nernst defendeu que a ciência, por definição, exige um universo infinito; logo, a teoria do Big Bang, afirmou, não é ciência (von Weizsäcker 1964, 151). Outra restrição proposta: a ciência não pode envolver juízos morais, ou juízos de valor mais…

Verdade e falsidade

O nosso conhecimento de verdades, ao contrário do nosso conhecimento de coisas, tem um oposto, nomeadamente oerro. No que respeita às coisas, podemos conhecê-las ou não, mas não há um estado mental positivo que se possa descrever como conhecimento erróneo de coisas, desde que, em qualquer caso, nos confinemos ao conhecimento por contacto. Seja o que for com o qual estamos em contacto tem de ser algo; podemos retirar inferências erradas do nosso contacto, mas o contacto em si não pode ser enganador. Assim, não há dualismo com respeito ao contacto. Mas com respeito ao conhecimento de verdades, há um dualismo. Tanto podemos acreditar no que é falso como no que é verdadeiro. Sabemos que em muitíssimos assuntos pessoas diferentes têm opiniões diferentes e incompatíveis: logo, algumas crenças têm de ser erróneas. Uma vez que as crenças erróneas são muitas vezes mantidas com tanta força como as verdadeiras, torna-se uma questão difícil saber como hão-de distinguir-se das crenças verdadeiras…