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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2013

Pessimismo, felicidade e sentido da vida, na cultura clássica Grega

Os gregos sentiam que o mundo não tinha qualquer finalidade. A sua criação não era atribuída a qualquer deus. A matéria de que era feito sempre existira e obedecia às leis que lhe eram próprias. Os deuses pouco ou nada podiam fazer para contrariar esta realidade. Como os homens também eles estavam submetidos aos mesmos ciclos da natureza: nasciam, sofriam e desapareciam quando terminava o ciclo do eterno retorno. Afastados no mundo humano, pouco mais eram do que objectos estéticos. Nenhum deus está em condições de assegurar aos homens a paz ou a felicidade. Estes estão entregues a si próprios, restando-lhes apenas viver com sabedoria a vida, gozando o presente. Depois espera-os o horror do Hades, lugar de trevas e de silêncio, donde voltarão para reencarnar um novo corpo, sofrer e voltar a morrer.
"Entre todos os seres que sobre a terra respiram e se movimentam, nenhum é mais infeliz do que o homem". Homero, Odisseia. in afilosofia.no.sapo.pt

TED - Desigualdade, sociedade e desenvolvimento

As perspectivas morais da guerra (apontamento)


Existem três propostas de leitura moral da guerra: o Pacifismo, o Realismo e a teoria da Guerra Justa. A primeira posição perspectiva a guerra como um acto imoral em todas as circunstâncias, não concebendo nenhuma justificação possível para o seu recurso. Esta forma cerrada de objectivismo moral é justificada por vários tipos de motivações, designadamente valores impostos por crenças religiosas, princípios de ordem deontológica, como o direito à vida e igualdade moral das vidas e ainda juízos de índole utilitarista, baseados na ideia de auto-perpetuação da violência. Além destas motivações, a posição pacifista é consubstanciada pela ligação automática estabelecida entre o domínio da moralidade e da legalidade e, em particular, com a evolução no sentido da proibição do uso à força no Direito Internacional.
O Realismo, por sua vez, é tributário do Cepticismo moral que encara o domínio das relações internacionais como tendencialmente um “vácuo moral”, duvidando acerca do valor das co…

Valores e comportamentos em Portugal - estatísticas da UNL

"A problemática dos valores assume hoje uma posição central nos sistemas de educação, quer pela importância que se lhes reconhece nas orientações comportamentais, quer pela aceleração globalizada das transformações sociais e societais induzidas pelos meios de comunicação social, com inevitáveis reflexos na formação e na alteração dos valores." Maria do Rosário Múrias Mauriti Aqui está um documento interessante e invulgar... (dados de 2006). Para reflectir. Faz o download aqui

Procurando o Sentido - por João Sobral (11ºB)

Somos seres humanos. Somos Homens activos que pensamos. Somos homens activos que comunicamos. Revelamos a nossa actividade em todas as tarefas do dia-a-dia. Revelamo-la desde a mais difícil e árdua das tarefas, como por exemplo correr uma maratona, como também no dormir. O nosso coração, os nossos pulmões, as nossas veias e o nosso metabolismo não cessam. Somos então activos no pensar e no comunicar e nesta difícil tarefa que é viver, ou melhor, sobreviver. E, no pensamento e em muitos dos actos reflexos que envolvem o nosso sistema nervoso também somos activos: sinais eléctricos não param, dos campos positivos aos negativos, dos campos negativos aos positivos, estão os nossos neurónios e nervos em acção. E desta simples associação de células, da simples enormidade de sinapses advém algo que chamamos pensamento: tão grandioso e tão completo, reduzido a uma tão pequena e elementar palavra.  O pensamento que nos possibilita reflexões, que nos faz questionar e arranjar soluções, já pasc…

Procurando o Sentido - por Tomás Almeida (11ºC)

A questão do sentido da vida é, para mim, das que mais trabalho dá e à qual é muito difícil responder; no entanto, apesar do grande interesse em arranjar uma resposta, a questão é tudo menos clara. Primeiro há que perceber o que se entende por sentido da vida e o que significa essa expressão. Indagar sobre o sentido da vida é como envolvermo-nos numa busca em que só estamos certos daquilo que procuramos quando o encontramos, mas facilmente chego à conclusão de que a expressão “sentido da vida” se refere a um propósito ou a uma finalidade. Pode querer dizer também que se procura o objetivo da vida e é nestes dois sentidos que esta expressão é normalmente utilizada. O ser humano procura a finalidade e o objetivo da vida mas procura também descobrir qual a razão da sua existência de maneira a justificar a sua estadia no planeta Terra. Toda esta questão implica, portanto, descobrir a razão de estarmos aqui para que a nossa vida mereça ser vivida. Sentido é direção ou orientação, é uma int…

Perigos do progresso científico - 3 entrevistas a Rómulo de Carvalho (António Gedeão)

Jornal de Letras - Costuma dizer que a evolução da sociedade o desiludiu. Em contrapartida, a evolução da Ciência tem-lhe dado algum conforto? Rómulo de Carvalho - Não posso falar propriamente de conforto, porque a Ciência também tem os seus perigos. Mas claro que o desenvolvimento científico tem sido notabilíssimo. JL - A que perigos se refere? RC - O perigo está no proveito que os outros possam tirar dos progressos que a Ciência vai conseguindo. Até vemos na televisão esses homens do Burundi, daqueles países africanos, que lutam uns com os outros de uma forma quase primitiva, mas muito bem armados. Já têm todas essas coisas que são, evidentemente, resultado dos progressos da Ciência. Como homens, continuam a ser, contudo, os mesmos que eram os seus antepassados. Os mesmos que nós somos. A Humanidade conserva-se igual a si mesma. JL -Houve alguma descoberta científica recente que o tenha impressionado particularmente? RC - Todas essas descobertas no campo da Física e da Astronomia. Os pr…

Um futuro sem pessoas? . por Pedro Xavier Mendonça

Não é possível negar que o desenvolvimento tecnológico tem apresentado como tendência a substituição do trabalho humano pelo de máquinas. Também não é possível negar que este fenómeno não tem sido questionado com a dignidade que merece. Na prática, este sentido parece tão irreversível e ao mesmo tempo tão maravilhoso que provoca uma sonolência encantada nos viventes.
Os exemplos são inúmeros e históricos. A Revolução Industrial criou um novo tipo de trabalho que empregou muita gente, ainda que revoltando alguns contra as máquinas industriais, como os chamados "ludistas", ou criando as condições laborais lastimosas que impressionaram o socialismo. Contudo, o que se lhe seguiu ao longo do século XX, enquanto "terceira vaga", "sociedade do conhecimento", "pós-industrial" e em "rede" ou "economia digital", como lhe queiram chamar, trouxe outros problemas a este respeito. Apesar de ter criado novos trabalhos com especificidades ú…

A vida, o sentido e o absurdo.

Sentido é um termo polissémico. Digo que estou sentido se me sinto atingido, afectado ou até triste; presto atenção a alguém que me pede que tome sentido ao que diz. Sei por intuição e bom-senso que coisas há que fazem sentido e outras que não fazem sentido nenhum; falo também de sentido quando sinto, recebo sensações pelos sentidos. Sentido pode ser ainda significação e orientação. Não posso esquecer ou minimizar estes ou outros sentidos do sentido, quando procuro um sentido para a vida: é talvez a situação de encruzilhada onde me redefino e redimensiono na minha condição humana, onde convoco todas as metáforas que me ajudam a encontrar um sentido para o sentido da extraordinariamente complexa realidade a que chamo vida: ali, entre o absurdo e o meu projecto. A vida, enquanto existência fenoménica e acontecimento, levanta um mar de problemas filosóficos, tantos, que se torna fácil afirmar - como já disseram muitos - “que o mais incompreensível da vida é que ela seja compreensível”. …

Vida artifical - Vem aí um universo infinito de questões!

É o homem a fazer de Deus ou não é? É vida artificial, ou também não é? É a porta para uma revolução industrial, ou nem tanto? Horas depois do instituto do cientista Craig Venter, nos Estados Unidos, ter anunciado a criação da primeira célula sintética, era mais fácil perceber a descoberta do que o seu significado. Entre os cientistas não há consenso sobre se a primeira célula sintética significa a criação da primeira forma de vida artificial, do zero. O Vaticano, pressionado, respondeu com cautela. E as aplicações, de um novo mecanismo para capturar dióxido de carbono da atmosfera ou descobrir uma vacina para a sida estão aberto, e nenhuma deverá ser anunciada a curto prazo. Mas a realidade é que também é difícil saber o que esperar do homem que sequenciou o genoma em três anos (quando o projecto público o fez em dez) e em 15 anos conseguiu reunir 40 milhões de euros, em financiamento praticamente privado, para derrubar mais um impossível.
"Diria que as primeiras aplicações vão…

Implicações éticas da clonagem

"Sem dúvida que a clonagem terapêutica pode trazer muitas vantagens para a humanidade, mas quanto à clonagem reprodutiva não há tantas certezas. Um dos casos que evidencia o perigo do uso da clonagem para outros fins é a experiência feita com a ovelha Dolly, que foi o primeiro animal a surgir deste procedimento. As esperanças aumentaram quando se percebeu que afinal era possível clonar mamíferos mas rapidamente surgiram desilusões ao ser constatado que Dolly sofria de múltiplas doenças, como problemas respiratórios e envelhecimento precoce, levando ao abate da ovelha. Estas doenças em humanos seriam catastróficas, já para não falar de muitas outras que apareceriam como consequência. Para clonar esta ovelha foram necessárias cerca de 277 tentativas e isto, realizado num ser humano, traduzir-se-ia em 277 mortes embrionárias, ou seja, 277 seres humanos.
Outro dos problemas levantados foi o facto de se poderem vir a esgotar os recursos naturais, visto que a população aumentaria dra…

SENTIDOS NA VIDA

De que falamos quando falamos de igualdade? por António Paulo Costa

As ideias de igualdade e de equidade são caras ao pensamento ocidental e desempenham um papel central na construção de uma concepção filosófico-política igualitarista. Que concepção é esta?
Num certo sentido, o Cristianismo pode ser visto como uma concepção igualitarista, pois defende que somos todos iguais aos olhos de Deus; e na linguagem popular é frequente dizer-se que todos os cidadãos são iguais aos olhos da lei. Mas, o que significa dizer-se que «somos todos iguais»? Não pode tratar-se de uma afirmação empírica, que rapidamente seria desmentida pelo facto de algumas pessoas serem mais altas, mais saudáveis, mais inteligentes, mais bonitas ou mais bem sucedidas, enquanto outros o são menos. Só pode tratar-se de alguma espécie de afirmação normativa.
Mas se «somos todos iguais» significa «deveríamos ser todos iguais», representará isto um desejo de completa uniformidade? «Igualdade» significa «uniformidade»? Ninguém estará disposto a defendê-lo, e aqueles que se opõem ao igua…

Economia Política - Equidade e eficiência

"Ao falarmos da Economia Política temos presente que a satisfação de necessidades da comunidade e a realização de escolhas para garantir a melhor afectação de bens e serviços aos fins que temos em vista estão sempre condicionadas por dois pólos que determinam a compreensão dos fenómenos económicos. Referimo-nos à equidade e à eficiência - ou seja, à indispensável distribuição equilibrada de recursos entre os sujeitos económicos com base em critérios de justiça, de modo que haja coesão social e que a comunidade se mantenha a partir da confiança entre os seus membros, de um lado; e à capacidade de a comunidade alcançar os melhores resultados, com menores custos e maiores benefícios, por outro. Uma economia apenas poderá alcançar plenamente as suas finalidades se souber ligar estes dois elementos - não basta procurar a justiça na redistribuição de recursos e rendimentos (através de um sistema fiscal justo), nem desejar obter os maiores ganhos (através da produtividade, da competiçã…

A Ciência e a Bioética

“Estou cada vez mais convencido de que os problemas cuja urgência nos prende à actualidade exigem que nos desprendamos dela para os considerar a fundo”. Edgar Morin
A Bioética é uma nova abordagem de carácter pluridisciplinar que procura tomar decisões à luz dos valores éticos para uma gestão responsável da pessoa Humana, da sua vida e da sua morte no mundo em que os progressos técnicos permitem uma intervenção cada vez maior no biológico. Assim, a Bioética surge como uma nova expressão do Humanismo, isto é, como uma nova modalidade de valorização e protecção do Humano. Simultaneamente estuda também os problemas que esse  progresso suscita quer ao nível micro-social quer ao nível da sociedade global e as repercussões que esse progresso tem sobre a sociedade e seu sistema de valores. É pois uma troca de saberes que encarando a vida numa perspectiva ética questiona o sentido do progresso quando confrontado com a dignidade da pessoa.
Na realidade o progresso dos conhecimentos científicos é…

Bioética - Os princípios

O termo bioética apareceu pela primeira vez no início dos anos 70, aplicado por Van Rensselaer Potter, nas obras “Bioethics: the science of survival e Bioethics: bridge to the future”. Na verdade estas obras não tinham muita relação com o que hoje chamamos de bioética. Para ele a finalidade da bioética é auxiliar a humanidade no sentido de participação racional, porém cautelosa no processo da evolução biológica e cultural. Bioética é a combinação de conhecimentos biológicos e valores humanos.
O vocábulo "bioética" indica um conjunto de pesquisas e práticas pluridisciplinares, objectivando elucidar e reflectir acerca das soluções para questões éticas provocadas principalmente pelo avanço das tecnociências biomédicas.
O interesse pela análise deste tema se acelerou ainda mais, quando se decifrou o código genético humano, mostrando novos recursos de manipulação científica da natureza. O homem se viu diante de problemas imprevistos.
Assim, o seu estudo vai além da área médica, …

"Guerra religiosa" na Europa: só uma hipótese académica?

A oposição entre países "virtuosos" do Norte da Europa e países "prodígios" do Sul transformou-se numa divisão entre protestantes austeros e rigorosos e católicos dispostos a redimir-se dos seus pecados económicos, observa um editorialista italiano especialista em questões relacionadas com o Vaticano. Talvez não saibam que na Europa do Norte muita gente pensa que o spread, o diferencial entre a taxa de empréstimo dos países “virtuosos” e dos que estão em maus lençóis, é o resultado de um pecado católico. Na Alemanha, o termo Schuld significa “dívida”, mas também “falta”. Esta nuance semântica deixa transparecer profundas diferenças culturais e deixa que se compreenda melhor a desconfiança – ou preconceito – de certas nações da Europa do Norte em relação aos países considerados membros de um indolente “Club Med”.
O spread com os títulos da dívida espanhola e italiana de um lado e alemã do outro acaba também por se revestir de subtilezas éticas, mais discriminatórias…

Fontes de uma Ética Global - Hans Küng

Quais são as fontes de uma ética global?
Resposta: todo o intuito de formulação de uma ética global há-de colher o seu conteúdo "dos recursos culturais, ideias, experiências emocionais, recordações históricas e experiências espirituais dos povos". Apesar das diferenças das culturas, há certas temas que aparecem em quase todas as tradições culturais e que podem servir de inspiração para uma ética global.
A primeira fonte constituem-na as grandes tradições culturais, especialmente "a ideia da vulnerabilidade humana e o consequente impulso ético de minorar o sofrimento, na medida do possível, e garantir a cada indivíduo a sua segurança" Hans Küng, Una ética mundial para la economía e la política, Madrid, 1999

ONU cria Dia Internacional da Felicidade

A assembleia-geral das Nações Unidas aprovou ontem uma resolução que institui a criação do Dia Internacional da Felicidade, que será assinalado a 20 de Março. Na resolução, aprovada por consenso, a assembleia-geral da ONU sublinhou que «a procura da felicidade é um dos objectivos fundamentais do ser humano». A resolução pede a todos os 193 Estados-membros da organização que celebrem o dia «de forma apropriada, nomeadamente com actividades pedagógicas». A ideia para a criação deste dia foi lançada pelo Butão, um pequeno reino budista localizado nos Himalaias (ver texto de Leonardo Boff) que adopta como estatística oficial a 'Felicidade Nacional Bruta' em vez do Produto Interno Bruto (PIB). O calendário da ONU integra até hoje 120 dias mundiais e internacionais dedicados a temas diversos como às mulheres rurais (15 de Outubro), ao jazz (30 de Abril) ou às aves migratórias (14/15 de Maio). Lusa/SOL

Porque é dia do pai e pretexto para reflexão sobre a família...

A FAMÍLIA: UMA ABORDAGEM FILOSÓFICA A filosofia e a família têm andado desencontradas ao longo da história da Filosofia e da Humanidade. O centro do pensar filosófico, nos seus primórdios, era o cosmos: a totalidade do mundo físico, a grande máquina do universo, desde o céu estrelado até às profundezas do oceano e das entranhas da Terra.
Chegam os socráticos e esse centro se desloca em direção à polis (esse cosmos ou ordem promovida pelo homem social), e em direção da alma (esse microcosmos ou miniestado, cuja complexidade era regida pela ética, como a ‘polis’ era regida por sua constituição).
Vem o cristianismo, e o homem, feito à imagem e semelhança de Deus, tem uma vocação pessoal e intransferível para unir-se ao seu Criador, salvar a sua alma, cultivar as virtudes e conquistar o reino dos céus. Seu ‘plural’ ou sua comunidade é a igreja, a universalidade dos que têm a mesma fé, onde todos são irmãos e Deus é o Pai.
Chega a época moderna, e o individualismo domina tudo: a subjetivi…

O grande educador - por Agostinho da Silva

É além de tudo essencial que a escola se não separe do mundo; não há escolas e oficinas; há um certo género de oficinas em que trabalham crianças nas tarefas que lhes são adequadas e lhes vão facilitando o desenvolvimento do corpo e do espírito; vão colaborando no que podem e no que sabem para que a vida melhore. Ninguém fugirá da escola e a olhará como um horror no dia em que a deixemos de conceber como o lugar a que se vai para receber uma lição, para a considerarmos como o ponto de condições óptimas para que uma criança efectivamente dê a sua ajuda a todos os que estão procurando libertar a condição humana do que nela há de primitivo; não se veja no aluno o ser inferior e não preparado a que se põe tutor e forte adubo; isso é o diálogo entre o jardineiro e o feijão; outra ideia havemos de fazer das possibilidades do homem e do arranjo da vida; que a criança se não deixe nunca de ver como elemento activo na máquina do mundo e de reconhecer que a comunidade está aproveitando o seu t…

BIOÉTICA - A água, a ética e a vida

"A crise ambiental com a qual nos temos vindo a deparar e que apresenta um crescimento exponencial não será resolvida, nem o seu espectro de acção diminuído, se não começarmos a equacionar a realidade de um modo diferente (Varner, 2004). No fundo, a desconsideração para com a natureza reflecte-se numa atitude negativa sobre o ser humano, como escreve Menéres (2002) no seu artigo Ética e Ambiente: “se nos considerarmos donos da natureza haverá uma catástrofe ecológica”.
Foi através da percepção do degradar da natureza, com origem na acção humana, que o ser humano reflectiu sobre o seu modo de conviver com a natureza, ou seja, sobre a dimensão moral desta convivência (Neves, 1997). O ser humano é o único ser que se reconhece como um ser moral, capaz de agir moralmente em função da liberdade e da responsabilidade que descobre em si mesmo.
Este é justamente o reconhecimento do ser humano como um ser ético, dotado de possibilidade de agir vinculada à exigência de reflectir e de decidi…

Em defesa de Maquiavel

Temos sido obrigados a conviver, nos últimos meses, com uma permanente tensão na vida política do país. Essa é a consequência natural dos variados e controversos acontecimentos de que todos nos vamos apercebendo, com melhor ou pior compreensão, através da comunicação social. Por muito que nos custe, seria bom que, controlando excessivos dramatismos, soubéssemos interpretar esta realidade como um preço a pagar pelas vantagens e incómodos que derivam de vivermos em democracia.
Acontece que tal estado de coisas, obviamente, tem gerado a subida de tom do chamado discurso político. As circunstâncias são propícias para os protagonistas endurecerem a linguagem uns contra os outros, multiplicando-se na busca de dividendos em defesa, se não da verdade objectiva, pelo menos da confusão das aparências. A retórica, essa subtil arte de saber dizer o pensamento para cativar a adesão do outro (e que vale muito mais do que a habilidade oratória) não é, infelizmente, uma competência praticada pelas n…

Globalização e Direitos Humanos

"Não é mais sustentável uma ‘praxis’ centrada numa lógica de superioridade e de domínio ilimitado e por vezes irresponsável do humano sobre a natureza. A preservação da humanidade não pode ser considerada à parte de uma relação equilibrada com a natureza. O equilíbrio entre os dois campos é fundamental. E não me parece justo pensar na preservação da natureza como uma condição para a salvação do próprio homem. Esta seria ainda uma perspectiva antropocêntrica, egoísta e interesseira por parte do humano. É preciso respeitar a natureza e a vida no planeta pelo seu próprio valor intrínseco. Sem esta relação de equilíbrio e respeito, perder-se-á a sustentabilidade de uma relação que foi, é e sempre será instável entre o homem e a natureza. A consciência deste facto é um factor indispensável para uma acção responsável do ser humano no mundo à sua volta. Com efeito, os avanços incrivelmente rápidos e profundos no plano da tecno-ciência contemporânea têm vindo não só a alterar os parâmetro…