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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2015

Ecologia Profunda

Ecologia Profunda: 8 princípios para mudar o Mundo O bem-estar e a prosperidade da vida humana e não humana na Terra têm um valor próprio (valor intrínseco ou inerente). O valor das formas de vida não humanas é independente da utilidade que o mundo não humano possa ter para fins humanos;A riqueza e a diversidade de formas de vida contribuem para a concretização destes valores e são valores em si mesmos;Os seres humanos não têm o direito de reduzir esta riqueza e diversidade, a não ser para a satisfação das suas necessidades vitais;A prosperidade da vida humana e das suas culturas é compatível com um decréscimo substancial da população humana. A prosperidade da vida não humana requer esse decréscimo;A atual interferência humana com o mundo não humano é excessiva e está a piorar aceleradamente;Em vista dos princípios anteriores, as políticas têm que ser alteradas. As mudanças políticas afetam as estruturas básicas da economia, da tecnologia e da ideologia. A situação que resultará desta…

Espinosa - O Apóstolo da Razão

Jean-Paul Sartre: O Caminho Para a Liberdade

Martin Heidegger: Projeto Para Viver

Nietzsche: Além do Bem e do Mal

Workshop de Serigrafia

Nada nos faz acreditar mais do que o medo!

Nada nos faz acreditar mais do que o medo, a certeza de estarmos ameaçados. Quando nos sentimos vítimas, todas as nossas acções e crenças são legitimadas, por mais questionáveis que sejam. Os nossos opositores, ou simplesmente os nossos vizinhos, deixam de estar ao nosso nível e transformam-se em inimigos. Deixamos de ser agressores para nos convertermos em defensores. A inveja, a cobiça ou o ressentimento que nos movem ficam santificados, porque pensamos que agimos em defesa própria. O mal, a ameaça, está sempre no outro. O primeiro passo para acreditar apaixonadamente é o medo. O medo de perdermos a nossa identidade, a nossa vida, a nossa condição ou as nossas crenças. O medo é a pólvora e o ódio o rastilho. O dogma, em última instância, é apenas um fósforo aceso.  Carlos Ruiz Zafón, in 'O Jogo do Anjo'

O Homem não deseja a Paz

Que estranho bicho o homem. O que ele mais deseja no convívio inter-humano não é afinal a paz, a concórdia, o sossego colectivo. O que ele deseja realmente é a guerra, o risco ao menos disso, e no fundo o desastre, o infortúnio. Ele não foi feito para a conquista de seja o que for, mas só para o conquistar seja o que for. Poucos homens afirmaram que a guerra é um bem (Hegel, por exemplo), mas é isso que no fundo desejam. A guerra é o perigo, o desafio ao destino, a possibilidade de triunfo, mas sobretudo a inquietação em acção. Da paz se diz que é «podre», porque é o estarmos recaídos sobre nós, a inactividade, a derrota que sobrevém não apenas ao que ficou derrotado, mas ainda ou sobretudo ao que venceu. O que ficou derrotado é o mais feliz pela necessidade iniludível de tentar de novo a sorte. Mas o que venceu não tem paz senão por algum tempo no seu coração alvoroçado. A guerra é o estado natural do bicho humano, ele não pode suportar a felicidade a que aspirou. Como o grupo de fu…

Liberdade e desigualdade

Admitir as desigualdades não significa admitir só a pobreza, a carência extrema e o sofrimento gratuito lado a lado com a opulência e o desperdício. Significa admitir uma modulação da liberdade, de acordo com a riqueza de cada um. Significa admitir um "mercado" onde a liberdade é uma mercadoria e não um valor universal. Arvorar em valor a liberdade mas defendê-la sobre o pano de fundo de uma inevitável desigualdade é, na realidade, o oposto da liberdade. É a liberdade dos fortes e a submissão dos fracos. Como dizia no século XIX o dominicano Henri Lacordaire, "entre o forte e o fraco, entre o rico e o pobre, entre o senhor e o servo, é a liberdade que oprime e a lei que liberta". in rtp.pt

Crise de valores? Que crise?

A sociedade está sempre em declínio. A moral está sempre em decadência. As novas gerações nunca sabem apreciar o que veio antes, querem sempre mudar o que está bem e não sabem ver o que está mal. A mudança é sempre para pior, as tradições nunca são o que já foram e o futuro nunca é risonho por causa da terrível crise valores que vivemos mas que não vivíamos antes. Ao mesmo tempo, a sociedade está sempre em ascendente. A moral está sempre a mudar para melhor. As novas gerações revolucionam o mundo com cada nova descoberta e moda, encontram soluções para problemas antigos e fazem críticas penetrantes ao «status quo». A mudança é para melhor, ainda bem que as tradições já não são o que eram e o futuro é risonho por causa de todas as mudanças. Pessoalmente, vejo uma sociedade aberta como estando em crise de valores permanente. É uma consequência dela ser aberta, de haver liberdade de pensamento, de expressão e de associação. Essa crise de valores permanente é o resultado de haver um conf…

Era uma vez...

O livro académico mais influente de sempre

A Origem das Espécies, de Charles Darwin, foi eleito o livro académico mais influente de sempre. A votação, feita no Reino Unido no âmbito da primeira edição do Academic Book Week, reunia um total de vinte livros e incluía obras de pensadores como Platão e Kant. A Origem das Espécies (1859), obra que traça a teoria da evolução, recebeu 26 % dos votos, segundo a organização. A lista foi feita por um grupo de livreiros especializados em livros académicos, bibliotecários e editores, e foi depois votada online pelo público para eleger o livro mais influente. A iniciativa lançou a Academic Book Week, um evento dedicado aos livros académicos, promovido no Reino Unido, que começou a 9 de Novembro e termina no dia 16 do mesmo mês. Andrew Prescott, um professor da Universidade de Glasgow citado pelo diário britânico The Guardian, descreve a obra de Darwin como “a desmonstração suprema do motivo pelo qual os livros académicos importam". "Darwin recorreu à observação meticulosa do mun…

Discursos - Nelson Mandela - "Chegou o momento de construir"

Hoje, através da nossa presença aqui e das celebrações que têm lugar noutras partes do nosso país e do mundo, conferimos glória e esperança à liberdade recém-conquistada. Da experiência de um extraordinário desastre humano que durou demais, deve nascer uma sociedade da qual toda a humanidade se orgulhará. Os nossos comportamentos diários como sul-africanos comuns devem dar azo a uma realidade sul-africana que reforce a crença da humanidade na justiça, fortaleça a sua confiança na nobreza da alma humana e alente as nossas esperanças de uma vida gloriosa para todos. Devemos tudo isto a nós próprios e aos povos do mundo, hoje aqui tão bem representados. Sem a menor hesitação, digo aos meus compatriotas que cada um de nós está tão intimamente enraizado no solo deste belo país como estão as célebres jacarandás de Pretória e as mimosas dobushveld. De cada vez que tocamos no solo desta terra, experimentamos uma sensação de renovação pessoal. O clima da nação muda com as estações. Uma sensaç…

Discursos - Barack Obama - Discurso de Vitória

Se alguém ainda duvida que a América é o lugar onde todos os sonhos são possíveis, se ainda questiona se os sonhos dos nossos fundadores ainda estão vivos, se ainda questiona o poder da nossa democracia, teve esta noite a resposta. Foi a resposta dada pelas filas que se estendiam à volta das escolas, das igrejas em números que a nossa nação nunca viu antes, feitas de pessoas que esperaram três a quatro horas, muitas pela primeira vez nas suas vidas, porque acreditavam que desta vez tinha de ser diferente, que as suas vozes podiam fazer a diferença. Foi a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, Democratas e Republicanos, negros, brancos, latinos, asiáticos, homossexuais, heterossexuais, deficientes, americanos que enviaram a mensagem ao mundo de que não somos somente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de estados vermelhos ou azuis. Nós somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América. Foi a resposta que levou aqueles a quem foi dito durante tanto tempo para serem …

Guia das falácias típicas

O objectivo de um argumento é expor as razões (premissas) que sustentam uma conclusão. Um argumento é falacioso quando parece que as razões apresentadas sustentam a conclusão, mas na realidade não sustentam. Da mesma maneira que há padrões típicos, largamente usados, de argumentação correcta, também há padrões típicos de argumentos falaciosos. A tradição lógica e filosófica procurou fazer um inventário e dar nomes a essas falácias típicas e este guia faz a sua listagem. Falácias da Dispersão (manobras de diversão)  Falso dilema (falsa dicotomia) Apelo à ignorância Derrapagem (bola de neve ou declive ardiloso) Pergunta complexa Apelo a Motivos (em vez de razões)  Apelo à força Apelo à piedade Apelo a consequências Apelo a preconceitos Apelo ao povo Fugir ao Assunto (falhar o alvo)  Ataques pessoais Apelo à autoridade Autoridade anónima Estilo sem substância Falácias Indutivas  Generalização precipitada Amostra não representativa Falsa analogia Indução preguiçosa Omissão de dados Falácias c…

O Papa sozinho? - Ainda bem!

Há na normalidade do Papa Francisco um lado transcendente. Como se ser normal, no caso dele, fosse ser divino. Imaginar, por isso, que o Papa está sozinho (não entre o rebanho, mas entre os cardeais que alumiam os caminhos espirituais da organização) é ainda mais fascinante. Sobretudo agora, que novas revelações sobre a natureza demoníaca da cúpula da Igreja Católica vieram a lume. O Vaticano não é o Papa e o Papa não é o Vaticano. A extensão do manto da Igreja não se esgota no homem, como a credibilidade que ela projeta não se esvai na sangria de escândalos. Mas mesmo os não crentes não podem deixar de estar do lado de Francisco, o Papa que queria uma Igreja para os pobres. O que dois novos livros vêm revelar - após mais uma fuga de documentos do Vaticano - é que Francisco prega sozinho nesse deserto. Os milhões destinados a pobres e doentes foram desviados para financiar o estilo de vida luxuoso de cardeais. O ex-secretário de Estado do Vaticano Tarcisio Bertone, por exemplo, gasto…

Argumentos cogentes

Algumas vezes surgem confusões ligadas a esta noção da argumentação filosófica. Um argumento é cogente quando, além de válido e com premissas verdadeiras, persuade racionalmente, ou seja, é convincente. A objeção mais habitual é que não faz sentido falar em tal coisa, pois em filosofia não há argumentos cogentes. Claro que há! Um argumento é filosoficamente cogente se as premissas forem mais plausíveis do que a conclusão, isto é, se nos levarem a aceitar uma conclusão que desconhecíamos.  Diz-nos a noção de validade que um argumento é dedutivamente válido se em nenhuma das circunstâncias de verdade possíveis as premissas do argumento não possam ser verdadeiras e a conclusão falsa.  (...) Mas facilmente percebemos que a solidez não parece ser uma noção suficiente, apesar de necessária, para persuadir alguém com um argumento. Isto porque em filosofia temos premissas muito discutíveis. E, apesar de serem muito discutíveis, tal não significa que não nos possam fazer aceitar uma conclusão…

Procurando definições de Filosofia

A maioria das definições de filosofia são razoavelmente controversas, em particular quando são interessantes ou profundas. Esta situação deve-se em parte ao facto de a filosofia ter alterado de forma radical o seu âmbito no decurso da história e de muitas das investigações nela originalmente incluídas terem sido mais tarde excluídas. Uma definição minimalista mas satisfatória é que a filosofia consiste em pensar sobre o pensamento. Isto permite-nos sublinhar o carácter de segunda ordem da disciplina e tratá-la como uma reflexão sobre géneros particulares de pensamento — formação de crenças e de conhecimento — sobre o mundo ou porções significativas do mundo. Uma definição mais pormenorizada, mas ainda assim incontroversa e abrangente, é que a filosofia consiste em pensar racional e criticamente, de modo mais ou menos sistemático, sobre a natureza do mundo em geral (metafísica ou teoria da existência), da justificação de crenças (epistemologia ou teoria do conhecimento), e da conduta d…

Livre-arbítrio, determinismo e responsabilidade moral

O problema discutido neste capítulo nasce de uma aparente contradição entre a ideia quase universal de que os seres humanos têm livre-arbítrio e várias outras ideias que são plausíveis, a saber, que a) tudo o que acontece, incluindo todas as escolhas e acções humanas, é determinado ou causado por acontecimentos ou circunstâncias anteriores; b) que se as nossas acções e escolhas forem determinadas, não são livres; e c) que não somos moralmente responsáveis por acções ou escolhas que não sejam livres. Os deterministas radicais resolvem o problema negando que tenhamos livre-arbítrio, concluindo que de facto não somos moralmente responsáveis pelas nossas acções ou escolhas. Dizem isto porque estão convencidos de que o determinismo é verdadeiro e o livre-arbítrio é, por conseguinte, uma ilusão. Tendem a defender o seu ponto de vista defendendo principalmente a teoria determinista segundo a qual tudo é causado. Assim, chamam a atenção para experiências e crenças comuns que parecem implicar…

Então e a filosofia não depende da opinião de cada um?

Existe uma ideia que tem tanto de comum como de errada de que a filosofia não se define, pois depende da opinião de cada pessoa. Se o Asdrúbal passar uma rasteira ao Aníbal, algumas pessoas vão pensar que o Asdrúbal foi injusto com o Aníbal e outras vão ainda pensar que o Asdrúbal fez muito bem e foi muito justo, pois o Aníbal andava a merecê-las. Segue-se daí que não exista um conceito de justiça que esteja para além da opinião das pessoas? Claro que não. Se alguém te dissesse que é cientista e tem uma opinião para resolver um problema, provavelmente acharias estranho, pois sabes bem que as teorias dos cientistas não resultam das opiniões pessoais dos cientistas, mas são o resultado da sua investigação sistemática e do seu estudo com a equipa de cientistas. E o mesmo acontece com a filosofia. O que os filósofos fazem é muito mais do que dar a sua opinião sobre um problema. O que eles fazem é tentar avançar teorias que resolvam problemas. Ora, isto é muitíssimo mais do que dar a sua o…

Filosofia da pedagogia/pedagogia filosófica

A pedagogia é a arte de ensinar, daqui que seja incompreensível que haja professores sem formação pedagógica, ou melhor, sem "pedagógicas", mas infelizmente são aos milhares. A prática pedagógica é o "ensinar a ensinar", ou seja são os "seniores" a ensinar aos "juniores". Há, no entanto, e deve haver, uma "filosofia" da pedagogia, ou seja, uma certa forma de ensinar que tem muito que ver com o "carácter nacional" que se quer "imprimir" ao ensino e, sobretudo, que o "caracteriza" e é literalmente, a sua marca. Mas então o que é uma "pedagogia filosófica"? É, no fundo, a "fantasia" com que "pintamos" a pedagogia, o que já implica uma "filosofia" de vida a que "imprimimos" um pouco das características portuguesas, que queremos, e devemos preservar, mantendo-as vivas. É um trabalho que sai do (nosso) espírito e do (nosso) coração, já que o ensino é uma obra de…

A maldição da filosofia

Calculo que outros académicos, noutras áreas, sintam a mesma maldição dos filósofos e por isso vale talvez a pena dar-lhe voz publicamente. Muitas pessoas, mesmo sem jamais terem lido um só livro sério de divulgação ou introdução à filosofia, têm muitas opiniões firmes sobre qualquer tema da filosofia — da ética à metafísica, da epistemologia à filosofia da religião, da estética à filosofia da mente. Em si, isto é saudável — quer dizer que em filosofia trabalhamos com problemas que interessam a qualquer pessoa, e não com fantasias irrelevantes. Afinal, as pessoas também têm opiniões e ideias intuitivas sobre a queda dos corpos, a velocidade, a aritmética — não precisam de ter cursos e formação avançada em física e matemática para terem ideias sobre isto. Têm ideias sobre essas coisas porque essas coisas fazem parte da vida. Claro que um estudo aprofundado revela que muitas dessas ideias intuitivas que temos estão erradas — os corpos mais pesados, por exemplo, não caem mais depressa d…

Um problema a pensar...

Não há perguntas estúpidas

E assim continuamos a perguntar e a perguntar
Até que uma mão-cheia de terra
Faça calar as nossas bocas ―
Mas será isso uma resposta?
HEINRICH HEINE, “Lazarus” (1854)

(...) Com excepção das crianças (que não sabem o suficiente para não fazerem as perguntas relevantes), poucas pessoas passam muito tempo a perguntar-se por que razão a natureza é como é; de onde surgiu o cosmo, ou se sempre existiu; se um dia o tempo não andará para trás, com os efeitos a precederem as causas; ou se há limites para o conhecimento humano. Existem mesmo crianças, e eu conheci algumas, que pretendem saber qual o aspecto de um buraco negro, qual o pedaço mais pequeno de matéria que existe, por que razão recordamos o passado e não o futuro e por que há universo. De vez em quando gosto de ensinar num jardim infantil ou na instrução primária. Muitas destas crianças são cientistas natos ― embora mais propensas para se maravilharem do que para o cepticismo. Têm curiosidade e vigor intelectual. Delas surgem consta…