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Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2015

Persépolis

A saída

“Aonde fica a saída?", perguntou Alice ao gato que ria. 
”Depende”, respondeu o gato.
”De quê?”, replicou Alice;
”Depende de para onde queres ir...”
Lewis Carroll in Alice no país das maravilhas


Metrópolis

Saramago inspira criação da Carta de Deveres Humanos

Intelectuais e personalidades de várias áreas estão reunidos no México para discutir a criação de uma Carta de Deveres do Ser Humano, inspirados no discurso de José Saramago quando recebeu o Prémio Nobel, em 1998. A sua viúva, a jornalista Pilar del Río, participou na abertura deste evento organizado pelo Capítulo mexicano da World Future Society e pela Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM), sob o tema "O encontro de pensadores para criar a carta de deveres do ser humano". Pilar del Río leu as palavras de Saramago, que recordavam os cinquenta anos da assinatura da Declaração dos Direitos Humanos. "Não parece que os governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo a que moralmente, quando não legalmente, estavam obrigado", dissera então Saramago. "Tomemos então, nós próprios, cidadãos comuns, a palavra, com a mesma veemência com que reivindicamos os direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez assim o imundo possa ser um…

Porque ferve o mar?

Ora, disse a Morsa ao Carpinteiro
vamos ter muito que falar:
de botas, e lacre, e veleiros,
de reis, e couves da casa,
de saber porque ferve o mar,
ou se há porcos com asas.

Lewis Carroll - Alice do outro lado do espelho, cap. IV

Criança desconhecida - Alberto Caeiro

Criança desconhecida e suja brincando à minha porta,
Não te pergunto se me trazes um recado dos símbolos.
Acho-te graça por nunca te ter visto antes,
E naturalmente se pudesses estar limpa eras outra criança,
Nem aqui vinhas.
Brinca na poeira, brinca!
Aprecio a tua presença só com os olhos.
Vale mais a pena ver uma cousa sempre pela primeira vez que conhecê-la,
Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez,
E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar.

O modo como esta criança está suja é diferente do modo como as outras estão sujas.
Brinca! pegando numa pedra que te cabe na mão,
Sabes que te cabe na mão.
Qual é a filosofia que chega a uma certeza maior?
Nenhuma, e nenhuma pode vir brincar nunca à minha porta.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

O que não se diz

Em tempos conturbados florescem ideologias. O mundo hoje vive uma mudança acelerada, com desenvolvimentos espantosos e possibilidades desconhecidas. Chamamos "crise" ao nascimento de um mundo novo. Infelizmente, as dores de parto levam ao repúdio do inevitável. A generalidade das opiniões acerca da conjuntura não fala de futuro, mas de culpas. Analisar a evolução, compreender os problemas e determinar a abordagem é exigente, trabalhoso, complexo. Muito mais fácil e gratificante é enunciar apreciações dogmáticas, trocadilhos retóricos ou acusações morais, que parecem fundamentadas, mas desviam e evitam a questão. Ignoram-se as novidades preferindo-se descrever obsessivamente as supostas asneiras do governo, Alemanha ou FMI e os vícios das terríveis doutrinas neoliberais ou keynesianas. Assim se omite a realidade. A atitude é como se alguém, esquecendo os avanços da medicina, atribuísse todas as doenças a falhas médicas e terapêuticas erradas. Uma ideologia não é erro ou capr…

Presente e futuro

Nunca nos atemos ao presente; apropriamo-nos antecipadamente do futuro, como se ele viesse muito devagar, como se quiséssemos acelerar-lhe o passo; lembramo-nos do passado como para segurá-lo, já que desaparece muito depressa. Que insensatez errar por tempos que não são nossos e esquecer o único que nos pertence; que vaidade correr atrás dos que não existem e perder o único que tem existência… Raramente pensamos no presente, e se pensamos nele só o fazemos para acender a luz de que queremos dispor no futuro. Nunca o presente é meta; presente e passado são meios, o futuro somente é a nossa meta. Assim nunca vivemos, mas esperamos viver; e assim é inevitável que nós, prontos sempre a sermos felizes, nunca o somos.
Blaise Pascal in pensamento 172

Futuro

Tentai apreender a vossa consciência e sondai-a. Vereis que está vazia, só encontrareis nela o futuro. Nem sequer falo dos vossos projectos e expectativas: mas o próprio gesto que surpreendeis de passagem só tem sentido para vós se projectardes a sua realização final para fora dele, fora de vós, no ainda-não. Mesmo esta taça cujo fundo não se vê - que se poderia ver, que está no fim de um movimento que ainda não se fez -, esta folha branca cujo reverso está escondido (mas poderia virar-se a folha) e todos os objectos estáveis e sólidos que nos rodeiam ostentam as suas qualidades mais imediatas, mais densas, no futuro.  O homem não é de modo nenhum a soma do que tem, mas a totalidade do que não tem ainda, do que poderia ter. E, se nos banhamos assim no futuro, não ficará atenuada a brutalidade informe do presente? O acontecimento não nos assalta como um ladrão, visto que é, por natureza, um Tendo-sido-Futuro. E, para explicar o próprio passado, não será a primeira tarefa do historiador…

“Da corrupção e dos vícios dos governantes na democracia”

“O povo nunca penetrará no labirinto obscuro do espírito da corte; terá sempre grande dificuldade em descobrir a pequenez que se esconde sob os seus modos elegantes, as suas exigências de gosto e os maneirismos da sua linguagem. […] Aliás, o que é preciso recear não é tanto a constatação da imoralidade dos grandes, mas a da imoralidade que conduz à grandiosidade”.
Tocqueville

O poder da comunicação e a intertextualidade

Ao analisar qualquer texto, o primeiro ponto a considerar é a questão de que esse texto traz uma representação de um acontecimento ou a expressão de uma idéia. Como representação, tem um viés, o viés de quem é o seu autor. Vemos boa parte do mundo pelas lentes dos outros; isto é um fato incontestável. Quanto de nós é, realmente, nosso? Quanto é resultado dos sujeitos que compõem o universo do discurso, sujeitos ocultos que sujeitam a nossa lente a uma lente maior, mais poderosa: a lente social, repleta de ideologias? Esse é o ponto que este trabalho buscou desvendar, nos exemplos estudados, apoiados em teorias sobre lingüística, semiótica e comunicação. Esses exemplos também permitiram mostrar como o discurso influencia comportamentos e leva as pessoas a atuarem conforme a palavra determina. (...) Pensar no discurso é pensar nas entrelinhas; é tentar desbastar uma floresta espessa, para encontrar o que se esconde por trás de camadas de discurso introjetadas, ao longo dos anos, nas cab…

O Amor pede identidade com diferença

O amor pede identidade com diferença, o que é impossível já na lógica, quanto mais no mundo. O amor quer possuir, quer tornar seu o que tem de ficar fora para ele saber que se torna seu e não é. Amar é entregar-se. Quanto maior a entrega, maior o amor. Mas a entrega total entrega também a consciência do outro. O amor maior é por isso a morte, ou o esquecimento, ou a renúncia - os amores todos que são os absurdiandos do amor.  (...) O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada.  Fernando Pessoa, in 'O Rio da Posse'

Ciclo filme e psicanálise APPSI 2015

"À luz do tema deste ano, Infâncias, a Comissão de Filme e Psicanálise da APPSI vem desafiá-la(o) a participar na exibição e discussão do filme Fanny e Alexander (Ingmar Bergman, 1982) no dia 20/06, às 21:00. Com uma cinematografia de cortar a respiração, este filme é um fascinante mergulho na infância, a partir dos olhos de duas crianças de uma família do começo do séc. XX. O fantasma da infância, que assombra fortemente toda a obra de Bergman, assume uma posição central neste que é um dos seus filmes mais pessoais e intimistas: “Eu penso na minha infância com prazer e curiosidade. A minha imaginação e sentidos foram alimentados e eu não me lembro de tédio; de facto, os dias e as horas explodiam em maravilhas, cenários imprevisíveis e momentos mágicos. Ainda consigo vaguear pelos cenários da minha infância e tornar a experienciar as luzes, os cheiros, as pessoas, as salas, os momentos, os gestos, os tons de voz e os objetos”. A entrada é livre (APPSI – Av. Guerra Junqueiro, 2 –…

A verdadeira filosofia de vida

Trabalhar com nobreza, esperar com sinceridade, sentir as pessoas com ternura, esta é a verdadeira filosofia.  1 - Não tenhas opiniões firmes, nem creias demasiadamente no valor das tuas opiniões.  2 - Sê tolerante, porque não tens certeza de nada.  3 - Não julgues ninguém, porque não vês os motivos, mas sim os actos.  4 - Espera o melhor e prepara-te para o pior.  5 - Não mates nem estragues, porque não sabes o que é a vida, excepto que é um mistério.  6 - Não queiras reformar nada, porque não sabes a que leis as coisas obedecem.  7 - Faz por agir como os outros e pensar diferentemente deles.  Fernando Pessoa, 'Anotações de Fernando Pessoa (sem data)'

Desemprego, desigualdade e desempenho

Quatro décadas depois dos três dês do período pós-revolucionário – democratização, descolonização e desenvolvimento – exige-se uma nova trilogia. O desemprego é o mais emergente. Se o pós-25 de Abril inaugurava os três dês da época – democratização, descolonização e desenvolvimento –, o nosso tempo, quarto décadas volvidas, exige uma nova trilogia. É inequívoco que aqueles objectivos pós-revolucionários se cumpriram. A democracia é uma realidade e, mesmo com todas as suas deficiências e perversidades, funciona. A descolonização foi feita. E o país de 2015, em termos de desenvolvimento económico e social global, não se compara com o país dos anos 70. No entanto, novos dês nos aguardam. O mais emergente é sem dúvida o desemprego. O desemprego que visita um em cada três dos portugueses com menos de 30 anos. Que levou quase três centenas de milhar à emigração forçada nos últimos tempos. Que anula esperanças, famílias, vidas.  Com a manutenção das taxas de desemprego da legislatura que ag…

Jornadas de Formação da APEFP - Encerramento

Exmos Associados, Amigos e Colaboradores
A Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática, vem por este meio informar e divulgar a entrega do Prémio da II Edição do Ensaio em Ética e Filosofia Prática, aos alunos do ensino secundário vencedores e que decorrerá no dia 3 de Julho, na cidade de Braga, conforme programa em anexo.
Para além da entrega do Prémio vai ser apresentado a todos os presentes o novo Livro da APEFP " Racionalidades - Ensaios sobre Ética e Filosofia" que inclui diversos Ensaios de destacados Associados da APEFP, especialistas nas áreas em que escrevem.
Outro ponto a destacar neste programa é a apresentação de um outro Livro " Manual de Filosofia para Crianças e Jovens" que engloba os Planos de Sessão apresentados pelos Formandos dos Cursos de Formação de " Filosofia para Crianças e Jovens - Didática para Educadores e Professores" realizados em todo o país.
A Entrada é gratuita mas necessita de inscrição para o mail da apefp apefp2008…

Em nome dos pais?

Os pais são os actores principais na educação dos filhos e as associações de pais devem ter um papel central na actividade da escola. Uma das consequências da precarização das relações laborais e perda de direitos dos trabalhadores é a pouca disponibilidade para participação na escola dos filhos e, consequentemente, nas respectivas associações. As associações de pais perdem capacidade de reflexão e intervenção sobre a educação dos seus filhos e transformam-se em produtores dos eventos possíveis no quadro das disponibilidades de alguns pais. Estas dificuldades explicam a pouca qualidade das posições públicas e políticas da organização que federa uma parte considerável das associações de pais. Sem qualquer vontade de semear movimento associativo ou discutir os problemas dos pais, filhos e ensino em geral, as sucessivas direcções da CONFAP vão-se preocupando em não perder os convites para tomar chá nos ministérios, parlapateando na comunicação social ideias peregrinas dos seus dirigentes…

Aprender a pensar

Tempos houve em que era preciso saber na ponta da língua os rios, as montanhas e os caminhos-de-ferro de Portugal. Decorava-se e ficavam para a vida, essas listas que muitas vezes de pouco serviam. Mas era essa a matéria importante, aquilo que todos os alunos da quarta classe - uma minoria que ia à escola e sabia ler e fazer contas - tinham de saber. Nos últimos 50 anos, a taxa de analfabetismo passou de um terço da população portuguesa para um valor residual. O ensino evoluiu, tornou-se obrigatório estudar e introduziram-se matérias úteis à vida e à capacidade de desenvolver raciocínios. Mas a forma de avaliar esses conhecimentos pouco mudou: o que continua a contar é a capacidade de decorar e de dar as respostas que os examinadores esperam obter às perguntas que propõem. Agora, porém, deu-se um passo no caminho certo. Não é tudo, mas é um começo. Nuno Crato decidiu fazer uma alteração aos critérios de avaliação dos exames nacionais que arrancam amanhã: quem der uma resposta que não …

Pensar Portugal e a Europa - conversa com Pacheco Pereira

Pacheco Pereira não é um homem fácil de entrevistar pelo conhecimento que tem do raciocínio jornalístico mas também pela forma como leva a entrevista para as mensagens que quer passar. Historiador de formação, o seu saber é sempre analítico, procurando explicar muitas vezes os erros do presente com o desconhecimento sobre o passado e tentando apontar pistas para o futuro com as lições da história. Sendo um dos maiores críticos da actual maioria liderada por Passos Coelho, é coerente que seja igualmente arrasador com o actual rumo da Europa. Mas não deixa de ser surpreendente um dos homens fortes do cavaquismo nos anos 90 ataque de forma tão veemente o processo de construção da União Europeia iniciado com o Tratado de Maasctricht. Os seus alertas devem ser lidos com atenção pois a sua luta é justa.
Estamos a viver um tempo de grandes mudanças. As aspirações da China a líder mundial e o crescimento dos países emergentes como a Índia estão a alterar puzzle das relações entre os Estados. O…

O confronto entre duas visões da Europa - O fim do paradigma pós Guerra Fria

(...) A fraqueza da Rússia durante a década de 1990 permitiu uma certa convergência ideológica com os países europeus. Tentou-se, então, ocidentalizar a Rússia e integrá-la num espaço político comum europeu. Por várias razões, que vão muito além do âmbito deste ensaio, as elites russas pós-Ieltsin associam a convergência ideológica a um período de fraqueza estratégica da Rússia. A consequência desta percepção foi a opção estratégica, feita durante as presidências de Putin, de que o confronto com o Ocidente seria o caminho para a Rússia recuperar o seu estatuto de grande potência europeia e mundial. Para se perceber devidamente o alcance desta opção, é necessário procurar entender a natureza ideológica do discurso político que a justifica23. A um certo nível, o ressurgimento da Rússia está associado ao crescimento e ao fortalecimento do nacionalismo russo. Os debates políticos na Rússia e os discursos políticos dos seus governantes são dominados pela linguagem do nacionalismo, com ref…

Escola é "uma instituição que já não ensina e que não tem espaço para educar"

Manuel Freitas Gomes é licenciado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, com especialidade em psiquiatria pela Ordem dos Médicos. Obteve mais tarde o grau de Mestre em Psiquiatria e Psicologia Médica pela mesma faculdade. É governador do Programa "Le Portage relatif à la dependence de la Drogue, Inc." (Canadá) e director da Clínica do Outeiro, especializada na prevenção e no tratamento da toxicodependência.  A par da actividade clínica, Freitas Gomes exerce também uma vida académica activa, sendo professor no Instituto Superior da Maia, na Faculdade Lusófona do Porto e no Instituto Superior de Serviço Social do Porto. É convidado regularmente para debates e sessões de esclarecimento na área da sexualidade e da prevenção da toxicodependência, áreas nas quais ministra igualmente formação, tanto em escolas como em órgãos de comunicação social.  Quando o contactamos para esta entrevista, Freitas Gomes alertou desde logo para o facto de as suas declarações…

Portugal: o que importa agora é pôr-lhe um penso!

Pensar Portugal é pensá-lo no que ele é e não iludirmo-nos sobre o que ele é. Ora o que ele é é a inconsciência, um infantilismo orgânico, o repentismo, o desequilíbrio emotivo que vai da abjecção e lágrima fácil aos actos grandiosos e heróicos, a credulidade, o embasbacamento, a difícil assumpção da própria liberdade e a paralela e cómoda entrega do próprio destino às mãos dos outros, o mesquinho espírito de intriga, o entendimento e valorização de tudo numa dimensão curta, a zanga fácil e a reconciliação fácil como se tudo fossem rixas de família, a tendência para fazermos sempre da nossa vida um teatro, o berro, o espalhafato, a desinibição tumultuosa, o despudor com que exibimos facilmente o que devia ficar de portas adentro, a grosseria de um novo-rico sem riqueza, o egoísmo feroz e indiscreto balanceado com o altruísmo, se houver gente a ver ou a saber, a inautenticidade visível se queremos subir além de nós, a superficialidade vistosa, a improvisação de expediente, o arrivismo,…

Univer Cidade

Univer Cidade

Ética individual na arquitetura

(texto em português do brasil) O papel social do arquiteto é algo que diz respeito à competência que ele alega e quase sempre demonstra possuir, e diz respeito à concordância da sociedade quanto à consistência da pretensão. Numa sociedade desenvolvida, essa concordância é uma decorrência da inevitabilidade da divisão do trabalho. Giddens resume essa relação ao referir-se, (...) à confiança que tanto o arquiteto quanto o construtor recebem, do cliente que os contrata, os serviços, mercê da competência atribuída àqueles que têm o conhecimento perito . Ora, para o arquiteto – como para qualquer profissional de um campo disciplinar complexo e incomum –, é importante ter certeza que o julguem detentor desse “conhecimento perito” – faz parte de seu papel social. Aquela autonomia concedida a Mansart não se configuraria, se esse arquiteto não tivesse a sua competência reconhecida; o “conhecimento perito” – referido por Giddens, é a base da autoridade de quem reivindica liberdade de ação. Assi…