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A mostrar mensagens de Outubro, 2014

Noções de liberdade - 2

A solidão é sempre fundamento da liberdade. Mas também do espaço por onde se desenvolve o alargar do tempo à volta da atenção estrita do acto.
Húmus, e alma, é a solidão. E vento, quando da imóvel solenidade clama o mudo susto do grito, ainda suspenso do nome que vai ser sua prisão pensada. A menos que esse nome seja estremecimento — fruto de solidão compenetrada que, por dentro da sombra, nomeia o movimento de cada corpo entrando por sua luz sagrada.
Fernando Echevarría, in "Sobre os Mortos"

Ensaio em Ética e Filosofia Prática: "Para que serve a Ética se vivo numa sociedade injusta?"

Noções de liberdade - 1

A liberdade, sim, a liberdade! A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções.
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!

A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
Como o luar quando as nuvens abrem
A grande liberdade cristã da minha infância que rezava
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim...
A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,
A noção jurídica da alma dos outros como humana,
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma
E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!

Passos todos passinhos de criança...
Sorriso da velha bondosa...
Apertar da mão do amigo [sério?]...
Que vida que tem sido a minha!
Quanto tempo de espera no apeadeiro!
Quanto viver pintado em impresso da vida!

Ah, tenho uma sede sã. …

... ainda não pagamos impostos suficientes?

A crise actual alterou a vida dos portugueses de diferentes formas. Quase sempre de forma negativa. Mas por isso se chama crise. Sendo as crises cíclicas, já devíamos estar habituados, mas o ser humano dificilmente se habitua a coisas e efeitos negativos. Assim se justifica que os povos não tenham memória. Nem os eleitores, nem os agentes económicos, nem os mercados. E assim a história vai-se repetindo com inusitada surpresa! Ao contrário da crise dos anos 80, durante a qual o slogan "Os ricos que paguem a crise!" foi usado até à exaustão, a actual crise não seria ultrapassada mesmo que os verdadeiramente ricos em Portugal pagassem imposto a 100% sobre o seu rendimento anual. Aliás como se viu com a anedótica taxa de 75% de imposto para os ricos em França. Desta vez nem os ricos chegam para pagar a crise! Infelizmente, as crises económica e social são bem mais difíceis de ultrapassar do que a crise orçamental, pois para esta apenas é necessário garantir que a Receita seja s…

A cultura do medo

Está por todo o lado. Vivemos, hoje, num mundo amordaçado pela cultura do medo. E que medo é este? O medo de perder o emprego, o medo de não encontrar um novo emprego. O medo de errar, o medo de estar na direcção do dedo apontado, o medo de não ser aceite pela sociedade, o medo do comentário e da crítica, o medo de ficar paralisado e recear existir. Este é hoje um dos maiores males que temos enquanto sociedade. O receio de perder o emprego trava a economia. Esta pressão, ou tensão sobre quem trabalha, este mecanismo da cultura do medo, provoca consequências assaz negativas. As organizações devem ser ágeis e recrutar os melhores. A já velha história da meritocracia está correcta e é um conceito evidente para todos. E os encostados? Bom. Existem tantos, mas a cultura do medo permite que essas pessoas se mantenham nas organizações. Um feudo de quintas e quintinhas fazendo "manutenção de processos". Ora, não há nada pior para travar um espírito de efectiva inovação dentro de uma…

Os donos de Portugal - por João César das Neves

Quem tem o poder soberano por cá? Muita gente sabe a resposta a esta pergunta tão simples e importante, mas essa gente anda enganada. Como aquilo que dizem é muito e variado e contraditório, aquilo que dizem tem de ser falso. A causa do engano não vem do poder, que sempre foi aquilo que tem de ser e, para ser poderoso, tem de ser claro, patente, eminente. Todas as sociedades, mesmo as mais ignorantes, sempre souberam quem mandava Somos a primeira cultura onde a questão é controversa. O motivo está em nós, que vivemos embriagados em ilusão, mito e fantasia. A era da informação na sociedade da comunicação dá precedência absoluta à opinião e palpite. Isso só pode conduzir à mentira e à confusão. O regime actual baseia-se no princípio da soberania popular: o povo é quem mais ordena. Repetimos isso tantas vezes que já ninguém acredita. Somos uma democracia e orgulhamo-nos da liberdade conquistada, mas se perguntarmos quem tem o poder soberano na nossa sociedade, ninguém responde: "o …

O que é argumentar?

O que é argumentar?
Argumentar é expressar uma convicção, um ponto de vista, que é desenvolvido e explicado de forma a persuadir o ouvinte/leitor. Para isso é necessário que apresentemos um raciocínio coerente e convincente, baseado na verdade, e que influencie o outro, levando-o a agir/pensar em conformidade com os nossos objectivos.
Quando usamos a argumentação?
No nosso quotidiano, muitas vezes sem nos darmos conta, estamos argumentar: quando defendemos um ponto de vista, quando apresentamos a nossa opinião, quando propomos uma solução para um problema ou quando queremos convencer os outros a aceder a um pedido nosso… Por vezes, enfrentamos a oposição dos outros e, então, temos de argumentar ainda melhor para os convencer. E argumentar bem é um acto de inteligência que, para ser eficaz, tem as suas regras.
Como se constrói um texto argumentativo?
1. A construção de um texto argumentativo deve ter em conta a sua finalidade e também a pessoa a quem se destina. Deve, pois:
     Usar um…

Argumentar

Os argumentos são essenciais, em primeiro lugar, porque são uma forma de tentar descobrir quais os melhores pontos de vista. Nem todos os pontos de vista são iguais. Algumas conclusões podem ser apoiadas com boas razões; outras com razões menos boas. Mas muitas vezes não sabemos quais são as melhores conclusões. Precisamos de apresentar argumentos para apoiar diferentes conclusões, e depois avaliar tais argumentos para ver se são realmente bons. Neste sentido um argumento e uma forma de investigação. Alguns filósofos e activistas argumentaram, por exemplo, que criar animais só para fornecer carne, causa um sofrimento imenso aos animais e, que portanto, isso é injustificado e imoral. Será que eles têm razão? Não se pode decidir consultando os preconceitos que se têm. Estão envolvidas muitas questões. Temos obrigações morais para com outras espécies, por exemplo, ou é só o sofrimento humano que é realmente mau? Podem os seres humanos viver realmente bem sem carne? Alguns vegetarianos v…

A liberdade num mundo desigual

A crise económica e social que temos vivido nos últimos anos, à qual se somou uma crise de segurança internacional, tem uma única virtude: prova-nos que nada está adquirido para sempre em termos civilizacionais e obriga-nos a revisitar questões que supúnhamos definitivamente consensuais e a reflectir sobre problemas que, apesar de os sabermos fundamentais, negligenciámos como sociedade durante muito tempo, esperando que o tempo os fizesse desaparecer ou os varresse pelo menos para longe da nossa vista.
Uma dessas questões é a questão da igualdade, um valor que desde a Revolução Francesa separa águas entre esquerda e direita e que reapareceu com uma agudeza acrescida com a consciência das desigualdades crescentes das nossas sociedades, depois de décadas em que o ideal democrático, o primado da lei e o desenvolvimento tecnológico pareciam prometer-nos a distribuição justa de uma riqueza crescente com bem-estar para todos.
Para a extrema-direita económica que governa o mundo ocidental, qu…

Uma escola à deriva - por M.M.Carrilho

Segui sempre de muito perto, e continuo a seguir, a educação dos meus filhos. Antes do mais, porque creio ser essa a primeira obrigação dos pais - mas também porque isso me permite compreender melhor a crise da es-cola. E penso cada vez mais convictamente que o problema fundamental que está na origem desta crise não tem a ver com nenhum dos pontos que, em geral, marcam a agenda, seja do Governo seja dos sindicatos. Esse problema, que salta aos olhos nas reuniões de começo de ano de alunos, pais e professores, é o de hoje em dia não ser claro para ninguém em que é que consiste, na verdade, aprender, tanto no sentido social como na aceção pedagógica do termo. A sociedade em que vivemos encontra-se em acelerado processo de fragmentação, ela perdeu qualquer ideia clara e global de si própria, pelo que tem, naturalmente, a maior dificuldade em definir objetivos para a educação. Dito de outro modo, a crise da escola decorre de fenómenos civilizacionais que a ultrapassam, nomeadamente da de…

Da liberdade - por Victor Bandarra

Os espectáculos de conversa, vulgo "talk-shows", alastram que nem ébola. São espectáculos, alguns com qualidade formal, onde tantas vezes se baralham conceitos e se criam preconceitos. Em Democracia dita do tipo ocidental, a Liberdade tem destas coisas. Por exemplo, confunde-se muito a liberdade de expressão com a expressiva verborreia da oratória bacoca. Espartilhados no estreito funil da luta pela liberdade de viver, de comer e de dizer, elites estudiosas da pergunta batida – mas afinal, o que é a Liberdade? – pelam-se por gongóricas dissertações sobre os trilhos do Homem em busca da Liberdade. E em nome da Liberdade, multiplicam-se académicos que descobrem a importância da televisão, escritores rendidos ao jornalismo, jornalistas aderentes ao humorismo, humoristas que enveredam pela politologia, cientistas abraçados às delícias da publicidade e políticos que usam e abusam da funcionalidade de todos estes grandes espectáculos de conversa. Em geral, o povo ignoto passa ao l…

Querido Portugal - por R.A.P.

Querido Portugal Temos de falar. Como sabes, o meu amor por ti tem resistido a tudo. Tu és pobre, sujo em vários sítios e estúpido muitas vezes. Mas há em ti uma certa ingenuidade que faz com que até os teus defeitos - e são tantos - me seduzam. Na maior parte das vezes não és mau, és só malandro. E tens três qualidades que compensam tudo o resto: a comida, a língua e o clima. Era precisamente sobre isto que te queria falar. Andas a desleixar-te. A comida já foi melhor. Bem sei que a culpa não é só tua. A União Europeia proíbe umas coisas, os nutricionistas desaconselham outras. Mas já não se encontram jaquinzinhos, os restaurantes receiam fazer cabidela e a medicina parece ter arranjado um método infalível para determinar o que é prejudicial à saúde: se sabe bem, faz mal. A língua também já não é o que era. Não me entendas mal: continua a ser a tua maior virtude. Não sei como é possível uma pessoa exprimir-se numa dessas línguas bárbaras que não distinguem o ser do estar. Embora os …

O corpo docente é que paga...

O professor A é do Algarve e vai dar aulas para Trás-os-Montes. O professor B é de Lisboa e vai dar
aulas para Braga. Após consultarem a internet, descobrem no mesmo dia que foram colocados por engano. Sabendo que ambos tomam o comboio das 8h20, qual chega primeiro ao centro de emprego? Eu tinha 14 anos e considerava que se estava a perder demasiado tempo com a influência da continentalidade nas amplitudes térmicas. Portanto, fiz o que tinha a fazer. Fui à horta que havia por trás dos campos de futebol e apanhei um gafanhoto. Antes de o professor de geografia chegar, coloquei o gafanhoto debaixo da sua secretária. Não resultou. Assim que o professor se sentou, o gafanhoto saltou para a janela e saiu da sala. O professor nem chegou a vê-lo. E passou mais 50 minutos a falar impunemente sobre o facto de as zonas costeiras serem mais amenas que as áreas do interior. Aos 14 anos ninguém sabe imaginar estratagemas que transtornem verdadeiramente a vida dos professores. Aos 62, Nuno Crato, o…

Penso e existo só eu

Sempre que penso uma cousa, traio-a.
Só tendo-a diante de mim devo pensar nela,
Não pensando, mas vendo,
Não com o pensamento, mas com os olhos.
Uma cousa que é visível existe para se ver,
E o que existe para os olhos não tem que existir para o pensamento;
Só existe directamente para os olhos e não para o pensamento.

Olho, e as cousas existem.
Penso e existo só eu.

Alberto Caeiro

Argumentação - Aborto em debate: Noam Chomsky e Peter Singer

Nota: Avram Noam Chomsky é linguista, filósofo e ativista político norte-americano, professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Peter Albert David Singer é filósofo e professor australiano. É professor na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Atua na área de ética prática, tratando questões de Ética numa perspectiva utilitarista.

Nada resta...

Quando a nata da inteligência portuguesa caustica, de um modo e de uma forma tão violentos os percursos, as derivas e as insuficiências dos governantes, nada resta aos governados senão...


Baptista Bastos IN jornaldenegocios.pt (14/SET/2012)

I Jornadas Históricas de Albergaria-a-Velha

“A Liberdade é mal distribuída na nossa sociedade” - Debate na Fundação Francisco Manuel dos Santos

3 de Outubro 2014 “A Liberdade pode ser, e é-o muitas vezes, mal distribuída na nossa sociedade”, foi com este alerta
Seyla Benhabib: Conceitos de Liberdade e Igualdade estão “completamente ligados”
Trazendo ao debate, mais do que uma visão meramente académica, esta conceituada pensadora da área da Ciência Política e Filosofia cresceu interrogando-se permanentemente sobre este conceito - ou não fosse oriunda de uma família judaica, perseguida pela Inquisição, em Espanha. Natural de Istambul, Seyla Benhabib evocou nesta sessão uma parte da história do pensamento político sobre “a psicologia moral da Liberdade”, elencando o pensamento de alguns filósofos que se debruçaram sobre este tema. A propósito da experiência de Liberdade dentro do indivíduo e dentro da colectividade, a filósofa lembrou que o pensamento político começa com Platão quando este defende que cada indivíduo tem um intelecto único e deve contribuir com esse seu talento inato para a sociedade. Relevou ainda, e a este propós…

Acção humana, liberdade e sentido - por Vergílio Ferreira

«Dostoievski escreveu: «Se Deus não existisse, tudo seria permitido». Aí se situa o ponto de partida do existencialismo. Com efeito, tudo é permitido se Deus não existe, fica o homem, por conseguinte, abandonado, já que não encontra em si, nem fora de si, uma possibilidade a que se apegue. Antes de mais nada, não há desculpas para ele. Se, com efeito, a existência precede a essência, não será nunca possível referir uma explicação a uma natureza humana dada e imutável; por outras palavras, não há determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade. Se, por outro lado, Deus não existe, não encontramos diante de nós valores ou imposições que nos legitimem o comportamento. Assim, não temos nem atrás de nós, nem diante de nós, no domínio luminoso dos valores, justificações ou desculpas. Estamos sós e sem desculpas. É o que traduzirei dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado, porque não se criou a si próprio; e no entanto livre, porque uma vez lançado ao mundo, é responsável…

Falácias (introdução)

Analisaremos neste ponto somente as falácias de índole não-formal, em virtude das mesmas serem as que, com mais frequência, ocorrem no nosso discurso: 
Falácia baseada na pressão e na ameaça
Quando se expressa um raciocínio de forma a convencer o auditório que o ponto de vista nele defendido é o único a ter em conta, pois, caso contrário, algo de lamentável poderia suceder a todos os que não seguissem a opinião manifestada. A ameaça ou pressão psicológica acaba por se tornar por demais evidente.
Exemplo: as promoções na minha empresa sou eu que as decido e quem se manifestar contra será imediatamente despedido. Há alguém que discorde das minhas palavras?
Falácia baseada na emoção
Trata-se daquele tipo de falácias que procura anestesiar o sentido crítico e racional do ouvinte, acicatando dessa forma a dimensão emotiva e passional do seu comportamento. Por outras palavras, quando alguém age, interpreta e actua, não em função de uma análise racional e isenta, mas em função de um quadro …

A um jovem filósofo...

“Meu caro amigo: Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos se eles foram meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.” Agostinho da Silva in Sete Cartas A Um Jovem Filósofo

A preocupação da Filosofia - Thomas Nagel

(...) Escreve-se acerca de problemas desde há milhares de anos, mas a matéria-prima filosófica vem directamente do mundo e da nossa relação com ele e não de escritos do passado. É por isso que continuam a surgir uma e outra vez na cabeça de pessoas que não leram nada acerca deles. […] A filosofia é diferente da ciência e da matemática. Ao contrário da ciência, não assenta em experimentações nem na observação, mas apenas no pensamento. E, ao contrário da matemática, não tem métodos formais de prova. A filosofia faz-se colocando questões, argumentando, ensaiando ideias e pensando em argumentos possíveis contra elas e procurando saber como funcionam realmente os nossos conceitos. A preocupação fundamental da filosofia consiste em questionar e compreendermos ideias muito comuns que usamos todos os dias sem pensarmos nelas. Um historiador pode perguntar o que aconteceu em determinado momento do passado, mas um filósofo perguntará: «O que é o tempo?». Um matemático pode investigar as relaçõ…

Figuras e modos do silogismo

Um raciocínio dedutivo é composto por proposições. As proposições, por sua vez, são compostas por termos. A maneira pela qual as proposições estão dispostas é chamada modo do silogismo. A posição que o temo médio assume no argumento (sujeito ou predicado), origina a figura do silogismo. Existem 4 espécies de proposições representadas nas variáveis A, E, I, O. Estas 4 proposições o que permite 64 combinações em cada uma das 4 figuras ou seja, 256 combinações ao todo. Deste total, apenas 19 combinações são válidas, sendo que as demais violam uma ou mais regras do silogismo. Estas 19 combinações distribuem-se nas quatro figuras do silogismo:
Primeira figura  A primeira figura não muda, por ser perfeita. Aqui, o termo médio ocupa a posição de sujeito na premissa maior e predicado na premissa menor. 
Todo o metal é corpo. BAR 
Todo o chumbo é metal. BA 
Todo o chumbo é corpo. RA 
Nesta figura, os modos legítimos são: BAR-BA-RA (AAA); CE-LA-RENT (EAE); DA-RI-I (AII); FE-RI-O (EIO) 

Segunda f…

As regras do silogismo

1 – O silogismo tem três termos e só três termos.

2 – Nenhum termo pode ser mais extenso na conclusão do que nas premissas.

3 – A conclusão não deve conter nunca o termo médio.

4 – O termo médio deve ser tomado pelo menos uma vez universalmente.

5 – De duas premissas negativas nada se pode concluir.

6 – De duas premissas afirmativas não se pode tirar uma conclusão negativa.

7 – A conclusão segue sempre a parte mais fraca.

8 – De duas premissas particulares nada se pode concluir.

(Estas regras reduzem-se às três regras que Aristóteles definiu. O que se entende por “parte mais fraca” são as seguintes situações: entre uma premissa universal e uma particular, a “parte mais fraca” é a particular; entre uma premissa afirmativa e outra negativa, a “parte mais fraca” é a negativa.)

Interpretação da alegoria da caverna - Luiz Figueiredo

Entre as referências mais antigas e mais divulgadas, ligadas ao imaginário simbólico da caverna, encontra-se a famosa Alegoria da Caverna de Platão. As metáforas utilizadas pelo filósofo são recorrentes em vários documentos contemporâneos, tais como blogs pessoais, reflexões religiosas.  O texto produzido por Platão em A República, livro VII, propõe uma discussão sobre a natureza humana e a ascensão da alma quanto a uma educação plena. O diálogo tem como personagens: Sócrates, seu mestre, e Gláucon, o irmão mais velho.  Em um primeiro momento, coloca-se uma estranha situação para discutir: homens em habitações subterrâneas, com apenas uma entrada de luz, sendo que eles estão acorrentados desde a infância pelos pés e pescoço, de tal modo que só podem olhar para frente, sem poderem virar a cabeça. Só é possível ver as sombras provenientes de uma fogueira que está na boca da caverna, onde pessoas passam levando estátuas humanas e de animais projectando imagens na parede em frente aos ac…

Alegoria da caverna - interpretação de Fábio Galego

O mito da caverna é uma metáfora da condição humana perante o mundo, no que diz respeito à importância do conhecimento filosófico e à educação como forma de superação da ignorância, isto é, a passagem gradativa do senso comum enquanto visão de mundo e explicação da realidade para o conhecimento filosófico, que é racional, sistemático e organizado, que procura as respostas não no acaso, mas na causalidade. Segundo a metáfora de Platão, o processo para a obtenção da consciência abrange dois domínios: o domínio das coisas sensíveis (eikasia e pístis) e o domínio das ideias (diánoia e nóesis). Para o filósofo, a realidade está no mundo das ideias e a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, no mundo das coisas sensíveis, no grau da apreensão de imagens (eikasia), as quais são instáveis, não são funcionais e, por isso, não são objectos de conhecimento.
Fábio Galego in http://filosofiaemconstrucao.blogspot.pt/

Interpretação da Alegoria da caverna segundo Velasquez

Platão escreveu esta alegoria há mais de dois mil anos mas ela permanece importante para nós porque nos diz muito sobre o que a filosofia é. Em primeiro lugar, na alegoria, a filosofia corresponde a uma actividade, a uma viagem que nos deve conduzir do fundo da caverna em direcção à luz. Sendo uma actividade, a filosofia não é um simples conjunto de teorias. É evidente que os filósofos produziram muitas teorias sobre muitas questões fundamentais. Mas não se trata em filosofia de estudá-las para simplesmente as memorizar. Vais estudá-las, em vez disso, para aprender como se faz filosofia. Ao compreenderes como alguns dos melhores filósofos fizeram filosofia, ao considerares os problemas a que tentaram responder com as suas teorias e o modo como construíram essas teorias terás ao teu dispor um instrumento precioso para saber o que é filosofar e filosofares. Em segundo lugar, a alegoria de Platão mostra-nos que a filosofia (sair da caverna e regressar a esta) é uma actividade difícil. P…