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Mensagens

A mostrar mensagens de 2014

Espero a tua vinda

Espero a tua vinda

a tua vinda,
em dia de lua cheia.

Debruço-me sobre a noite
a ver a lua a crescer, a crescer...

Espero o momento da chegada
com os cansaços e os ardores de todas as chegadas...

Rasgarás nuvens de ruas densas,
Alagarás vielas de bêbados transformadores.
Saltarás ribeiros, mares, relevos...
- A tua alma não morre
aos medos e às sombras!-

Mas...,
Enquanto deixo a janela aberta
para entrares,
o mar,
aí além,
sempre duvidoso,
desenha interrogações na areia molhada...

Fernando Namora in Relevos

Conhecimento: crença, justificação e verdade

Quando testemunhamos um acidente, olhamos para o termóstato, misturamos azeite com água na cozinha ou observamos um eclipse raro a olho nu, adquirimos crenças sobre o comportamento das coisas e das pessoas à nossa volta. Em todos estes casos, temos a experiência directa do que acontece, do que vemos ou sentimos, e em grande medida ganhamos essa experiência por via da observação. Mais frequentemente, porém, as nossas crenças provêm de fontes indirectas, algumas mais fiáveis que outras (especialistas destacados, professores, livros, televisão, internet, boatos, tradição, por exemplo). E há, finalmente, crenças que retiramos de crenças anteriores. Se sei que o meu amigo João é alérgico aos camarões e que no banquete há um salteado que contém camarão-tigre, então formo a crença de que o João deve evitar o salteado. As nossas crenças são justificadas se temos boas razões que sustentem o seu conteúdo. Mas há uma diferença entre verdade e justificação. A minha crença de que amanhã vai chover…

O que é a epistemologia? por Olga Pombo

O que é a epistemologia e qual o seu estatuto como disciplina é tema controverso, objecto de diferentes perspectivas defendidas por diversos autores. Não cabe aqui encetar tal discussão mas tão só apontar uma primeira distinção relativa a três modos fundamentais de delineamento do seu estatuto disciplinar. Epistemologia como ramo da filosofia – no prolongamento da reflexão gnoseológica e metodológica, a epistemologia é entendida como uma reflexão filosófica sobre o conhecimento científico, pelo que constitui tarefa de filósofos (é o caso de Peirce, Husserl ou Cassirer).Epistemologia como actividade emergente da própria actividade científica – a epistemologia é considerada como uma tarefa que só o cientista pode realizar, analisando e reflectindo sobre a sua própria actividade científica, explicitando as suas regras de funcionamento, o seu modo próprio de conhecer. Neste caso, o cientista como que ultrapassa o seu papel assumindo o de filósofo (é, por exemplo, o caso de Einstein, Heins…

Querido Portugal

Querido Portugal, Temos de falar. Como sabes, o meu amor por ti tem resistido a tudo. Tu és pobre, sujo em vários sítios e estúpido muitas vezes. Mas há em ti uma certa ingenuidade que faz com que até os teus defeitos - e são tantos - me seduzam. Na maior parte das vezes não és mau, és só malandro. E tens três qualidades que compensam tudo o resto: a comida, a língua e o clima. Era precisamente sobre isto que te queria falar. Andas a desleixar-te. A comida já foi melhor. Bem sei que a culpa não é só tua. A União Europeia proíbe umas coisas, os nutricionistas desaconselham outras. Mas já não se encontram jaquinzinhos, os restaurantes receiam fazer cabidela e a medicina parece ter arranjado um método infalível para determinar o que é prejudicial à saúde: se sabe bem, faz mal. A língua também já não é o que era. Não me entendas mal: continua a ser a tua maior virtude. Não sei como é possível uma pessoa exprimir-se numa dessas línguas bárbaras que não distinguem o ser do estar. Embora os…

Comunicar

Acreditar, seja por impulso, simples paixão ou por aturada reflexão, é sempre algo de muito pessoal. Acima de tudo acredito no progresso técnico, social e humano e, como fruto do trabalho e da força das ideias, gosto de o ajudar a construir e ver acontecer. Daí prezar mais o trabalho que a sorte, ócio ou destino e tanto com outros as ideias gostar de debater! Mas se há coisa que aprecio – ainda mais que entre amigos entrar em acesa discussão, daquelas que nascem e morrem para fortalecer mais união – é pegar num livro, seja de economia ou política (não será o mesmo?) e ao ler, meditar e tentar compreender porque aqui chegámos, por onde andamos e para onde iremos. Estaremos no rumo certo? Teremos connosco a força dos ventos (a confiança dos credores), ou à bolina teremos de continuar a navegar, contra ventos e marés (em contra ciclo), arrostando novas e tremendas tempestades (sob novos resgates)? Ou, perante um qualquer ensaio ou poesia, sentir em mim e sonhar o que outros experienciaram …

Municipalização da Educação?

Nos últimos meses tem-se vindo a agitar o fantasma da municipalização da educação, defendendo-se
(subliminarmente) a manutenção de um statu quo baseado nos princípios da uniformidade, do modelo único, do comando e do controlo centralizados. Neste texto, focar-nos-emos telegraficamente i) na demonstração da falência deste modelo, ii) na demonstração da ficção e da hipocrisia organizada que têm assumido a figura dos contratos de autonomia, iii) na abertura teórica que o Programa Aproximar veio trazer para o campo da descentralização, iv) na necessidade de se aplicarem novos modelos de governação que acentuem a democracia participativa e deliberativa e instituam uma regulação sociocomunitária da educação. Como é público, vivemos num país em que o poder (os poderes) está fortemente centralizado. A ilusão de que é possível governar a partir do centro político e administrativo, prever a priori todos os problemas e decretar através do Diário da República a solução ótima (e única), instituir…

Da Democracia na América - livros indispensáveis

Tocqueville surge-nos hoje como um dos primeiros teóricos da modernidade. Quer se trate da filosofia, da política ou da sociologia, a sua principal obra, Da Democracia na América, surge-nos como referência obrigatória. Editada em Paris pela primeira vez em 1835, Da Democracia na América tornou célebre o jovem autor, considerado de imediato um herdeiro de Montesquieu devido à capacidade de observação, elegância de estilo e serenidade de pensamento. Foi isso que levou Dilthey a considerar, alguns anos depois, Tocqueville como «o maior pensador político desde Aristóteles e Maquiavel». São dois os temas fundamentais abordados em Da Democracia na América. A parte inicial trata das instituições norte-americanas como expressão dos costumes e do estilo de vida e aborda os princípios em que se baseia um Estado democrático. Descreve o funcionamento dos três poderes da União, a estrutura e fundamentos do poder judicial, os corpos legislativos e a organização do poder executivo federal. Examina …

O nascimento da Filosofia

Alguns chamaram-lhe “o milagre grego". No elogio desse "milagre", ultrapassou-se muitas vezes o limite de uma compreensão e avaliação histórica equilibradas com o pretexto de fazer ressaltar o carácter excepcional deste período (com o auge no séc. V a.c.). Isolado de toda a continuidade do desenvolvimento histórico e negando as contribuições de outras culturas o surgir da Filosofia de facto parece ser inexplicável: abandonar um pensamento mítico - e portanto monista - e iniciar um pensamento pluralista nas suas formas de inteligibilidade, um pensamento com uma lógica pré-científica, é revolucionário: «Os primeiros passos da civilização grega foram dados exactamente - facto significativo - nas colónias da Ásia menor, onde o contacto directo e indirecto com os povos mais adiantados do Oriente estimulou as energias criadoras do génio helénico, que logo afirmaram o seu poder maravilhoso, superando rapidamente toda a criação das culturas predecessoras». ( MONDOLFO, Rodolfo,…

O mundo de Sofia - livros indispensáveis

O Mundo de Sofia é um romance filosófico que nos conta a história da Filosofia ao longo dos tempos. A personagem principal desta história é Sofia Amundsen, uma estudante, prestes a fazer quinze anos. Certo dia, Sofia começa a receber cartas anónimas e inicia, assim, um curso de Filosofia por correspondência. O seu professor, Alberto Knox, é um homem de meia-idade que, no desenrolar da diegese, se torna o seu melhor amigo. Através deste curso de Filosofia, Sofia viaja até seiscentos anos antes de Cristo, onde encontra os primeiros filósofos e, a partir daí, segue o rumo da história dos Homens e o evoluir da mentalidade e do pensar filosófico. Ao mesmo tempo que o curso de Filosofia se vai desenvolvendo, Alberto e Sofia vão-se apercebendo da existência de outra realidade para além daquela em que vivem, pois Sofia recebe, desde o início das suas lições, postais vindos do Líbano, enviados por um contingente da ONU, Albert Knag, à sua filha, Hilde, e que este sabe de tudo o que se passa n…

HIstória do séc. XX - livros indispensáveis

Uma HISTÓRIA DO SÉCULO XX, que será na sua totalidade composta de quatro tomos, e cujo objectivo principal consiste em proporcionar aos leitores uma imagem global do século em que vivemos. Projecto audacioso, por certo. Pois que um século que assistiu a dois cataclismos mundiais e a duas crises económicas de grandes proporções, ao desenvolvimento rápido do progresso técnico e industrial, à extensão do comunismo e à instituição da bipolaridade, à queda do sistema colonial e ao crescimento da importância do Terceiro Mundo, não pode ser considerado um século simples. Esta obra, no entanto, não tem outra ambição que não seja a de permitir que o estudante ou o leitor curiosos compreendam o enraizamento histórico dos problemas do nosso tempo. in fmsoares.pt

Desconstruir um texto

A tarefa que temos vindo a desenvolver nas últimas aulas é a da desconstrução de textos e, de uma forma geral, tem apresentado algumas dificuldades; assim o que se impõe em primeira instância é perceber a “desmontagem” e "desconstrução" de um texto. Desconstruir um texto é fazer com que as suas palavras-chave, conceitos centrais, subvertam as próprias suposições desse texto, reconstituindo os movimentos possíveis dentro da sua própria linguagem: quebrando os valores de verdade, do significado inequívoco e da presença conceptual, a tarefa a que nos propomos aponta para a possibilidade de escrever não uma representação de qualquer coisa (nem resumo, nem reescrita), mas para a infinitude do quadro onde se insere o próprio “jogo” do texto. Não vamos então à procura do seu sentido, vamos antes seguir os caminhos "dele", transgredindo ao mesmo tempo os seus próprios termos; irá resultar num “desvio”. Todo o signo só significa na medida em que se opõe a outro, um conceito…

Ensaio Filosófico APF - 2014/2015

Mais informações em APF

Cultura - livros indispensáveis

Se já comprou um GPS, então sabe o quão importante é saber para onde vai. Porque nunca se está realmente perdido... só com completa incapacidade de identidicar o que nos rodeia. Dietrich Schwanitz inventa, finalmente, o GPS da Cultura. Com um estilo divertido, mas profusamente documental, este autor alemão apresenta-nos um guia, ao melhor estilo enciclopédico Iluminista, de tudo o que qualquer pessoa deve saber, desde história, até teorias artísticas e conceitos filosóficos. Não se perca! Deixe que este CULTURA o leve a todo o lado (e a todos os tempos)! Este é um livro para aqueles que querem ter uma relação viva com a cultura. O conhecimento viu-se muitas vezes espartilhado por fórmulas e barreiras, e afastou-se do seu trabalho mais útil, que é enriquecer as nossas vidas e ajudar a conhecermo-nos melhor. Como é que surgiram a sociedade moderna, o Estado, a ciência, a democracia ou a administração? Que disse Heidegger que não soubéssemos já? Porque é que Dom Quixote, Hamlet, Fausto, …

Day in, day out - Rogério Guimarães

Concerto de Música Barroca

Educação | Pensamento | Inovação

Pela primeira vez, em Leiria, teremos a oportunidade de ser inquietados pelo conhecimento e comunicação do professor Dr. Óscar Brenifier.
Ao longo dos três dias têm a oportunidade de participar em:
- Conferência - dia 9 às 20h, no auditório 2 da ESECS
- Formação/seminário prático - dias 10 e 11 –– das 9h às 18h (inscrições limitadas)
- Consultas Filosóficas – dias 9 e 12, mediante marcação.
Destinatários
Esta formação pode ser do interesse de gestores de recursos humanos, psicólogos, professores, filósofos, coach, mediadores de conflitos, sociólogos, líderes de equipas e de organizações ou pais.

Projecto para uma Ética Mundial - livros indispensáveis

Libelo em prol da liberdade religiosa e da concórdia entre as religiões mundiais, tendo por base os valores humanos, no intuito de estabelecer o que o autor chamou de um ethos mundial - na sua opinião, factor essencial para garantir a sobrevivência da humanidade nesta aurora do terceiro milénio. Obra acessível, escrita para ser entendida por todos, ao alcance do leigo que se interessa por esta temática. Contudo, o apelo lançado pelo autor extrapola-a. «Nunca estivemos tão conscientes da nossa responsabilidade global relativamente ao futuro da humanidade como no momento presente. Doravante, uma atitude de abstinência em matéria de ética não é possível. A razão por que precisamos de um ethos global é por demais evidente: será impossível sobreviver sem um ethos mundial! in wook.pt

Política e Ética

Quando se pergunta: o que é o Homem?, as tentativas de resposta foram múltiplas ao longo dos tempos. Mas lá está, essencial, a de Aristóteles: um animal que fala, que tem logos, um animal político.
O ser humano é constitutivamente um ser social. Fazemo-nos uns aos outros, genética e culturalmente. Procedemos de humanos e tornamo-nos humanos com outros seres humanos. A relação entre humanos não é algo de acrescentado ao ser humano já feito: pelo contrário, constitui-nos. A prova está nos chamados meninos-lobo: tinham a possibilidade de tornar-se humanos, mas, sem o contacto com outros humanos, não acederam à humanidade. É isso: somos humanos entre humanos e com humanos. Apesar da experiência, que também fazemos, da solidão metafísica - cada um é ele, ela, de modo único e intransferível -, não há dúvida de que só na relação nos fazemos. O individualismo atomista contradiz a humanidade que somos.
Sobre este fundo, concretizando, podemos perguntar: como poderíamos realizar a nossa human…

O Cubo e a Catedral - livros indispensáveis

Por que razão vêem os europeus e os americanos o mundo de maneira tão diferente? Por que razão europeus e americanos têm uma noção tão diferente da democracia e dos seus descontentamentos no século XXI? Por que razão está a Europa a morrer demograficamente? Em O Cubo e a Catedral, George Weigel, biógrafo do Papa João Paulo II, oferece-nos uma crítica profunda sobre o «problema Europeu», tirando dela lições para o resto do mundo democrático. Contrastando com a civilização que produziu o «rígido cubo» modernista do Grande Arco de La Défence, em Paris, com a civilização que produziu a «catedral», Notre Dame, Weigel argumenta que a ligação da Europa com o secularismo tacanho e limitado provocou uma crise civilizacional e moral que está a corroer a alma europeia e não consegue criar um futuro para a Europa. A pergunta que se coloca aos Estados Unidos e a qualquer outra democracia, provocada pelo «problema Europeu», é se pode haver uma verdadeira «política» - um verdadeiro debate sobre o b…

O que é a Ética?

"O ser humano separa uma parte do mundo para, moldando-a ao seu jeito, construir um abrigo protector e permanente. A ética, como morada humana, não é algo pronto e construído de uma só vez. O ser humano está sempre tornando habitável a casa que construiu para si. Ético signi­fica, portanto, tudo aquilo que ajuda a tornar melhor o ambiente para que seja uma moradia saudável: materialmente sustentável, psicologica­mente integrada e espiritualmente fecunda." Leonardo Boff A ética não se confunde com a moral. A moral é a regulação dos valores e comportamentos con­si­derados legítimos por uma determinada sociedade, um povo, uma religião, uma certa tradição cultu­ral... Há morais específicas, também, em grupos sociais mais restritos: uma instituição, um partido político... Há, portanto, muitas e diversas morais. Isto significa que uma moral é um fenómeno social particular que não tem compromisso com a universalidade, com o que é válido, de direito e justo para todos os homens. Exce…

O Papalagui - livros indispensáveis

O “Papalagui” – ou seja o Branco, o Senhor – é este o nome dados aos discursos do chefe de tribo de Tuiavii de Tiavéa, nos mares do Sul. Tuiavii nunca teve intenção de publicar esses discursos na Europa, nem sequer de os mandar imprimir; destinavam-se unicamente aos seus compatriotas polinésios. O autor da tradução e editor do livro resolveu transmitir aos leitores europeus os discursos desse indígena, sem que ele o soubesse e certamente contra sua vontade, porque estava convencido de que nos vale a pena, a nós, homens brancos e esclarecidos, ter conhecimento do modo como um indivíduo ainda intimamente ligado à natureza nos vê a nós e à nossa cultura. Através dos seus olhos descobrimos a nossa própria imagem, e isso com uma simplicidade que já perdemos. Os leitores particularmente fanáticos da nossa civilização irão decerto achar a sua maneira ver ingénua, e até mesmo pueril, ou parva; no entanto, mais do que uma frase de Tuiavii deixará pensativo o leitor mais modesto, pois a sabedo…

O Reino da Estupidez

1. No final do século XIX correu um poema anónimo intitulado O Reino da Estupidez. A reforma da Universidade do Marquês de Pombal dera grande impulso às ciências exactas e naturais, criando as novas faculdades de Matemática e de Filosofia (Natural), incluindo também nesse impulso as artes e as ciências médicas e dando menos importância às faculdades de Teologia, Cânones e Leis, também reformadas, escolas estas que se encontravam, porém, no topo da hierarquia universitária. Afirmava-se, assim, uma acção de secularização da ciência. Criticando uma alegada reacção que se dera depois da morte de D. José, o poema afirmava que havia regressado a Coimbra a Estupidez, a qual se reinstalara no trono de Minerva. A Reforma Pombalina era, pois, tida como exemplo e, daí, o receio de que se queria destruí-la. Claro que este acto de dar à ciência um outro sentido e de lutar contra a velha ordem se integra num vasto movimento comum aos países da Europa, a que se chamou em Portugal “Iluminismo”, de q…

Exposição "Um Dia na Terra" - Gonçalo Cadilhe

Escola e instrução - por Eliandro Santos

Vivemos na era da informação, onde obter conhecimento nunca foi tão fácil. Basta possuir um qualquer “gadget” que nos permite aceder à internet e conseguimos saber um pouco sobre música, ciência, matemática… Para além disso temos acesso a Bibliotecas muito bem equipadas com vários materiais. Terá o conhecimento obtido dessa forma alguma relevância? Será a autodidaxia realmente boa, ou a escola como conhecemos continua a ser o melhor meio de obtenção de conhecimento? Vamos então ver o que torna a escola o método mais eficaz para obter instrução. Na escola cria-se um clima propício à aprendizagem, visto ser uma instituição com um fim bem definido e que para alcançar esse mesmo fim usa vários recursos e materiais. Como nos indica a palavra schola, da qual escola surgiu, que significa espaço dedicado apenas e só ao estudo. Além disso, o contacto com pessoas da mesma faixa etária que se encontram na mesma situação e compartilham as mesmas dúvidas, questões e objetivos constitui uma mais-v…

Crianças ultracongeladas - por Ricardo Araújo Pereira

Empresas como o Facebook estão a oferecer-se para pagar a congelação de óvulos às funcionárias, para que elas possam dedicar-se à carreira, adiando a maternidade. O Facebook tem 1,32 mil milhões de utilizadores, e muitos deles querem fazer like em frases inspiradoras ilustradas por fotos do pôr-do-sol, projecto que não conseguirão levar a cabo se as funcionárias da empresa desatarem a ter uma vida normal. Assim, quando elas quiserem ter filhos, já depois de terem desenvolvido algoritmos suficientes - ou lá o que se faz no Facebook - terão o óvulo fresquinho à sua espera. No entanto, uma vez que, do ponto de vista das empresas, nenhuma altura é oportuna para ter filhos, talvez o melhor seja guardar os óvulos no congelador até à reforma. Aos 65 anos, a funcionária poderá, então, incubar o filho sem prejuízo para o seu empregador, e com óbvias vantagens para si: tem tempo para dedicar à criança, sabedoria acumulada para lhe transmitir, e talvez não viva o suficiente para a ver chegar à …

Como se Escreve a História - livros indispensáveis

Como se escreve a História (1971) é uma obra de epistemologia histórica na linha dos primeiros trabalhos de Raymond Aron e de Henri-Irénée Marrou sobre «a filosofia crítica da história».  Publicado no início dos anos 70, fugindo às correntes marxistas e estruturalistas então dominantes, e apoiando-se em particular na metodologia elaborada pelo sociólogo alemão Max Weber, que considera ser, antes de mais nada, um historiador, este ensaio de Paul Veyne marca o renascer da reflexão sobre a história como modo de escrita. Durante muito tempo incompreendido, este livro rejeita toda a ambição globalizante da disciplina histórica. Esta edição inclui o ensaio inédito Foucault revoluciona a História, consagrado ao seu amigo Michel Foucault, e que tem como objectivo mostrar aos historiadores, muitas vezes reticentes em relação ao filósofo, a fecundidade da aplicação à história do método geneológico de Foucault. in wook.pt

Gigões & Anantes

Concerto de Música Barroca - Museu de Aveiro - Sábado 22/nov/2014

As obras que irão ser apresentadas neste concerto inserem-se na tradição da musica religiosa alemã que vai buscar as suas raízes ao movimento da Reforma protestante. Desde o séc .XVI que a música desempenhava um papel fulcral no culto religioso, tendo o próprio Martinho Lutero um papel determinante na fixação da sua importância na prática litúrgica. Neste concerto a morte é o tema comum às três obras, sendo abordada de uma perspetiva diferente em cada uma delas. Caraterística da mentalidade religiosa da época, a morte não é forçosamente encarada como algo negativo ou assustador. Na cantata de Buxtehude a morte significa um alívio do fardo das dores terrenas, pois é através da morte que se alcança a união plena com Jesus. Isso explica o carácter sereno, alegre e confiante desta obra. Já o KlagLied é uma obra muito particular pois junta quatro contrapontos bastante austeros sobre o coral “Mit Fried und Freud”, com um lamento sobre a morte do pai do compositor a partir de um texto escrit…

Quando te deres conta...

"Quando te deres conta de que para produzir necessitas obter a autorização de quem nada produz, quando te deres conta de que o dinheiro flui para o bolso daqueles que traficam não com bens, mas com favores, quando te deres conta de que muitos na tua sociedade enriquecem graças ao suborno e influências, e não ao seu trabalho, e que as leis do teu país não te protegem a ti, mas protegem-nos a eles contra ti, quando enfim descubras ainda que a corrupção é recompensada e a honradez se converte num auto-sacrifício poderás afirmar, taxativamente, sem temor a equivocar-te, que a tua sociedade está condenada. “ Ayn Rand (1950)

"O Cinema e a responsabilidade dos artistas no mundo atual" - Museu de Aveiro

Recital de Violino, Violoncelo e piano - Museu de Aveiro

Concerto integrado nos Festivais de Outono Museu de Aveiro 19 de Novembro de 2014 Entrada livre

Admirável Mundo Novo - livros indispensáveis

Publicado em 1932, Admirável Mundo Novo tornar-se-ia um dos mais extraordinários sucessos literários europeus das décadas seguintes. O livro descreve uma sociedade futura em que as pessoas seriam condicionadas em termos genéticos e psicológicos, a fim de se conformarem com as regras sociais dominantes. Tal sociedade dividir-se-ia em castas e desconheceria os conceitos de família e de moral. Contudo, esse mundo quase irrespirável não deixa de gerar os seus anticorpos. Bernard Marx, o protagonista, sente-se descontente com ele, em parte por ser fisicamente diferente dos restantes membros da sua casta. Então, numa espécie de reserva histórica em que algumas pessoas continuam a viver de acordo com valores e regras do passado, Bernard encontra um jovem que irá apresentar à sociedade asséptica do seu tempo, como um exemplo de outra forma de ser e de viver. Sem imaginar sequer os problemas e os conflitos que essa sua decisão provocará. Admirável Mundo Novo é um aviso, um apelo à consciência…

Os anos...

Os hábitos são diferentes. Para celebrá-los, nem é preciso esquecê-los ou trocá-los por alternativas, felizes ou desagradáveis. O melhor é interrompê-los e acrescentar-lhes desvios espontaneamente decididos que enaltecem, através da diversão, a felicidade subjacente.
Os dias ricos levam outro dia inteiro a contar. Só fazer a lista do que se fez cansa tão bem como nadar um quilómetro, devagarinho, num oceano vivo que nos consente. Dá gosto recontar, mesmo quando o dia foi ontem; mesmo quando o dia é hoje.
Complicar um dia não é desregrá-lo: é inventar novas regras para aplicar. O prazer é uma coisa só mas tem muitos caminhos. Experimentá-los é tão bom como descobri-los. Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (21 Set 2013) Parabéns maninha!

O triunfo dos porcos ( A quinta dos animais) - livros indispensáveis

Romance de George Orwell, cujo título original é Animal Farm, publicado em 1945. A história relata a revolução dos animais da quinta Manor, propriedade do senhor Jones.  O Velho Major, o mais respeitado porco, reúne, durante a noite, todos os animais da quinta e conta-lhes um sonho que tivera - a sua morte estava para breve e compreendia, então, o valor da vida. Explica logo aos companheiros que devem a sua miserável existência à tirania dos homens que, preguiçosos e incompetentes, usufruem do trabalho dos animais, vítimas de uma exploração prepotente. O Velho Major incita o grupo não só à rebelião, para derrotar o inimigo, como também a entoar o cântico de revolta "Animais de Inglaterra".  Três dias depois, morre o Velho Major. Mas a revolução prossegue, com novos líderes - os porcos Snowball, Napoleão e Squealer, que criam o Animalismo, como sistema doutrinário, com "Os Sete Mandamentos". Expulsam o dono da quinta e mudam o nome da propriedade para "Quinta …

1984 - livros indispensáveis

Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O'Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que "só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro". Quando foi publicada em 1949, poucos meses antes da morte do autor, essa assustadora distopia datada de forma arbitrária num futuro perigosamente próximo logo experimentaria um imenso sucesso de público. Seus principais ingredientes - um homem sozinho desafiando uma tremenda ditadura; sexo furtivo e lib…